DUAS PONTAS DO MAPA: A ESPANHA QUE A WORLD WINE ACABA DE TRAZER PARA O BRASIL


 
 
Caves Viñatigo, nas Ilhas Canárias. Foto Divulgação World Wine

Quando alguém diz “vinho espanhol”, o reflexo mental costuma parar em Rioja, Ribera del Duero, talvez Priorat. É uma Espanha real, mas é só uma fatia dela. A que a World Wine acaba de trazer para o portfólio mora nas bordas do mapa: uma ilha vulcânica no meio do Atlântico, mais perto da África do que de Madri, e uma esquina verde e chuvosa do País Basco onde o vinho cresce literalmente na sombra de um restaurante três estrelas Michelin. São a Viñátigo e a Gorka Izagirre — dois nomes que ainda soam desconhecidos por aqui, e que deveriam parar de ser. Regiões nada convencionais mas que revelam expressões inusitadas, em linha com a aposta da importadora de abraçar a diversidade em seu portfólio.
 inãtigo prova que resgatar variedades que já tinham praticamente sumido dos vinhedos pode ser também uma vantagem competitiva. Foto Divulgação World Wine O inusitado acesso à Bodega, simulando a entrada dentro da cratera de um vulcão. Foto Divulgação World Wine
Viñátigo: o vinho que nasceu de um resgateTenerife não faz parte do roteiro clássico do vinho, mas talvez devesse: é uma ilha vulcânica varrida pelos ventos Alísios, com solos negros formados por erupções de dez milhões de anos e vinhas centenárias que nunca precisaram de enxerto — a filoxera, praga que dizimou quase toda a viticultura europeia no século XIX, simplesmente nunca chegou até lá. O resultado é uma coleção de castas que não existem em mais nenhum lugar do planeta, cultivadas do jeito antigo, em vasos e parreiras baixas, driblando ventos fortes e encostas quase verticais.Litan Blanco de Canarias: salino, tenso e mineral. Foto divulgação World Wine. R$ 360. Foto Divulgação World WineListán Negro é a leitura vulcânica de um tinto: fluido, de taninos finos e acidez vibrante, com fruta vermelha fresca, ervas secas e um fumê discreto que vem do breve (e comedido) contato com carvalho francês sem tosta. R$ 360. Foto Divulgação World Wine
Quem transformou isso em vinho — e quase sozinho evitou que boa parte dessas castas desaparecesse de vez — foi Juan Jesús Méndez, à frente da Viñátigo desde 1990 e hoje também presidente da denominação de origem das Ilhas Canárias. O trabalho da bodega sempre foi menos sobre “fazer um bom vinho” e mais sobre arqueologia líquida: resgatar variedades que já tinham praticamente sumido dos vinhedos e provar que identidade pode ser, também, uma vantagem competitiva.Ensamblaje Tinto, quase um museu vivo engarrafado. R$ 694
O portfólio que chega ao Brasil mostra bem esse espírito. O Listán Blanco de Canarias é a casta mais emblemática do arquipélago, e aqui aparece salino, tenso e mineral, com notas de erva-doce, frutos secos e folha de figueira — um branco que carrega no nariz a sensação exata de estar em frente ao mar batido pelo vento. 

Já o Listán Negro é a leitura vulcânica de um tinto: fluido, de taninos finos e acidez vibrante, com fruta vermelha fresca, ervas secas e um fumê discreto que vem do breve (e comedido) contato com carvalho francês sem tosta. E no topo está o Ensamblaje Tinto, quase um museu vivo engarrafado — reúne castas quase extintas como Baboso Negro, Negramoll, Tintilla e Listán Prieto num corte complexo, de fruta escura, especiarias, chá preto e aquela pedra vulcânica que parece impossível descrever até você provar e entender exatamente do que se trata.Vinhedos Gorka, no país Basco. Foto Divulgação World Wine
Gorka Izagirre: o txakoli que virou vizinho de um três-estrelas
Se a Viñátigo é sobre resgate, a Gorka Izagirre é sobre reputação. Txakoli sempre teve fama de vinho de praia — leve, ligeiramente agulhado, para tomar sem pensar muito. A bodega, instalada em Larrabetzu, no País Basco, ajudou a mudar essa conversa, e não por acaso: fica literalmente ao pé do Azurmendi, o restaurante três estrelas Michelin do chef Eneko Atxa, sobrinho de Gorka Izagirre, fundador da casa. Vinho e alta gastronomia nasceram ali lado a lado, quase como sócios.Vinho Gorka Izagirre Blanco: R$ 239Gorka Izagirre Ilun, R$309
As castas também são autóctones e praticamente exclusivas do País Basco — Hondarrabi Zuri, Hondarrabi Zerratia e a rara Hondarrabi Beltza —, cultivadas em pequenas parcelas espalhadas por vales com solos e microclimas próprios. O rótulo de entrada, batizado com o próprio nome da bodega, une metade Zuri e metade Zerratia colhidas em trinta hectares e dez parcelas diferentes, vinificadas separadamente antes da montagem final: um branco fresco, alegre e aromático, com maçã, toques florais e um fundo cítrico que engana pela leveza — tem corpo e estrutura de sobra. G22: cem por cento Hondarrabi Zerratia, envelhecido sobre as próprias borras por meses, ganhando camadas de pera, toranja, flores brancas e notas quase de confeitaria. R$ 309
Já o G22 é a versão mais séria da mesma uva: cem por cento Hondarrabi Zerratia, envelhecido sobre as próprias borras por meses, ganhando camadas de pera, toranja, flores brancas e notas quase de confeitaria que só a paciência na adega consegue construir. E para quem acha que já viu de tudo em txakoli, existe o Ilun— “escuro” ou “deus da noite” em euskera —, tinto raríssimo feito inteiramente da quase desconhecida Hondarrabi Beltza, leve, floral, especiado e surpreendentemente fácil de amar, ainda que ninguém mais no mundo esteja engarrafando essa uva com tanta convicção.
Vale registrar, de passagem, que uma das criações da mesma família — o “42 by Eneko Atxa” — já foi eleito o melhor vinho branco do mundo no Concurso Mundial de Bruxelas de 2019. Não é o vinho que chega agora ao Brasil, mas é a prova de que a vizinhança com um três-estrelas não é só golpe de marketing: é ofício mesmo.
Duas pontas do mapa, um mesmo instintoO que une essas duas bodegas, apesar da distância de quase três mil quilômetros entre elas, é uma teimosia parecida: em vez de plantar Cabernet ou Chardonnay para agradar o mundo, ambas escolheram proteger — e provar — o que só existe ali. Para quem está começando a beber vinho, isso se traduz em taças frescas, frutadas e fáceis de gostar de cara. Para quem já bebeu de tudo, é a chance rara de provar castas que não cabem em nenhuma prateleira convencional. A Espanha que a World Wine está trazendo agora não é a Espanha óbvia — é a mais interessante.
 Sobre a World WineWorld Wine, fundada em 1999, é o braço de vinhos premium e de luxo do Grupo La Pastina. Com portfólio de mais de 450 produtores e cerca de 270 marcas exclusivas de 17 países, destaca-se como uma das principais importadoras de vinhos franceses premium no Brasil. Conta com 20 lojas próprias e cobertura nacional via representantes e e-commerce. Sua operação inclui centro de distribuição climatizado com padrão internacional. Atua como referência em curadoria, formação de mercado e cultura do vinho no país.
 Onde encontrar: rótulos à venda nas 19 lojas World Wine espalhadas pelas principais cidades brasileiras e no ecommerce www.worldwine.com.br com entrega para todo o Brasil.
*com divulgação

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VanessaMalucelliAndersen

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