Em todo lugar não tem havido outro assunto senão o coronavírus. A pandemia global tomou conta de todos os noticiários e se tornou o foco das atenções devido ao surto que está causando mortes e pavor em todos os países. O clima é de medo e o cenário em muitos lugares que beiram o que vemos em filmes de ficção pós-apocalípticos. Sendo assim, como proceder para manter não apenas a calma, mas a sanidade mental?
O filósofo e psicanalistaFabiano de Abreu afirma que pensar demais nestes assuntos e dar lugar a negatividade efetivamente prejudica a saúde mental das pessoas: “temos que apelar para o poder do equilíbrio. Este é o momento em que temos que exercitar a meditação, que é quando buscamos um pensamento centrado para encontrar soluções. Dar lugar ao medo não é a resposta.”
Hiperatividade do pensamento
O psicanalista aponta que nosso cérebro não para de pensar, e que isto é algo normal, mas que devemos assumir o controle daquilo que podemos controlar: “nossa mente está sempre ativa e nosso cérebro está a todo momento enviando e recebendo impulsos elétricos intermitentes que funcionam até mesmo na hora de dormir, por isso sonhamos. Há coisas que não podemos evitar. Contudo, se depositarmos toda a nossa energia em pensamentos negativos, isso afetará não só nos meios para encontrar uma solução, uma saída para o problema, como também causará enfermidades sejam mentais ou físicas.
Frase filosófica sobre o pensamento
Abreu refere que “Só sentimos o que pensamos. Se condicionar a mente no que gostamos, nos sentimos bem.” Esta frase, segundo ele, traz à reflexão sobre o momento em que vivemos: “Esta minha frase filosófica foi pensando no momento atual que estamos a sofrer com a incógnita do coronavírus e as notícias que criam um alarde necessário para despertar a nossa atenção e nos precavermos utilizando do pânico uma medida rápida para que possamos cooperar para a não proliferação da doença.”
Treine sua mente
O especialista aponta que podemos e devemos treinar a nossa mente para que maus pensamentos não sejam determinantes no nosso futuro, mas apenas um sinal de alerta para tomarmos atitudes: “Nós sentimos o que pensamos. Se concentrarmos em pensamentos negativos sentiremos só sentimentos e emoções negativas e isso, como um ciclo, como um copo vazio a deixar cair gotas dentro dele, uma hora, transbordará e as consequências não serão nada boas, podendo acarretar em diversos problemas na saude mental e física podendo tornar-se patológico.
Mude a perspectiva para encontrar soluções
Fabiano de Abreu aponta como uma forma de encontrar soluções a mudança de ambiente, para promover um novo olhar sobre situações e questões: “Eu sempre aconselho as pessoas a mudarem de ambiente, mudar de companhias, mudar de atmosfera para encontrar argumentos para outros pensamentos. Agarre-se a bons pensamentos e crie metas que possam satisfazê-lo de esperança para que não seja dominado pelos pensamentos negativos.”
Um pequeno estudo feito pela empresa de assessoria de imprensa e mídia social MF Press Global constatou que há muitas pessoas que lêem os comentários das notícias e não chegam a ler a notícia. Dessa forma são facilmente induzidas ao erro.Ceo da empresa, o jornalista e também filósofo e psicanalísta Fabiano de Abreu explica o porquê dessa situação. Segundo Fabiano as novas gerações que têm preguiça de ler o conteúdo, são pessoas que buscam a simplificação e o imediato. Dessa forma conteúdo é perdido e as pessoas possuem mais tendência a não pensar pela própria razão.
“Estamos na era da preguiça, como escrevi em uma das minhas teorias no artigo ‘A internet está deixando as pessoas menos inteligentes’ as pessoas buscam absorver muitas informações pelo excesso de conteúdo mas não buscam nenhuma informação completa. O cérebro não acostumado com este excesso de informação e vinculado a ansiedade não permite que o armazenamento, acionando a letargia mental e fazendo com que as pessoas não se interessem no conteúdo em sua profundidade e sim superficial.”, explica.
Segundo o filósofo as pessoas vivem numa era em que a autoafirmação se dá pela diferença, pela revolta, pela criação de contracorrentes. Afirma contudo, que essa mesma geração prefere ler apenas os comentários do que as notícias e, por essa mesma razão, a imagem tem um papel central nos dias de hoje. Como relata Fabiano: “Analisando o mercado das plataformas online vemos que a tendência está a ser criada. Plataformas como o Twitter ou o Instagram estão alcançando um mercado mais vasto pois a sua linguagem é curta e simples e o uso da imagem é central.”
O psicanalista alerta ainda que, na sua opinião, os cérebros estão mais lentos na sua observação de informação e sobretudo no processamento. Acredita que um factor que muito contribuiu para o caso foi a perda de vocabulário.
“Diminui-se a capacidade de interpretar, pois a linguagem em forma de palavras, principalmente escritas, diminuiu.
São raras as pessoas que compreendem um mito, uma metáfora, uma analogia.”, Analisa.
Aponta ainda o fato de que muito da comunicação que mantemos hoje em dia não é presencial. Desse modo, o indivíduo aproveita o fato de estar escondido atrás de um computador e inicia muitos debates que não teria coragem de fazer quando pessoalmente. Fabiano esclarece esta posição: “É uma maneira de ser visto, notado, sem ser repreendido e mais, na falta de argumentos é mais fácil desconectar-se do que responsabilizar-se pelas consequências”.
Psicanalista diz como controlar o pânico gerado pelas notícias do coronavírus no Brasil
Fabiano de Abreu dá 6 dicas para que não tenhamos pânico com o surto da doença
O Coronavírus chegou no Brasil já se tornou o assunto comentado do dia. Foram confirmados dois casos em São Paulo e há muitos outros casos suspeitos que ainda não foram confirmados se são positivos ou não. Devido a isto, a primeira sensação que muitos têm ao depararem-se com o desconhecido e com a possibilidade do contágio é o pânico, seguido do medo de sair de casa por não sentir-se mais seguro.
Em busca do ponto de equilíbrio para evitar o pavor colectivo, o psicanalista e filósofo Fabiano de Abreu, dá dicas de como evitar que o pânico atrapalhe a sua rotina. “ Eu busco meios para que o medo não sobressaia à razão e eu possa viver o meu dia em equilíbrio. O coronavírus chegou e está bem próximo de mim, já que foi detectado em um doente em Penafiel e no Porto em Portugal. Estou em Castelo de Paiva, a pouco quilômetros destes locais.”
Para o psicanalista, o primeiro ponto é entender o motivo, razão e as circunstancia de tudo na vida: “Temos por obrigação racional saber essas três coisas para que possamos iniciar o processo de autoconhecimento, que é o necessário para buscarmos o equilíbrio e viver bem a nossa rotina . O coronavírus é menos letal que muitos outros como o H1N1 e o SARS, tendo mortalidade abaixo dos 2%. Saber seus sintomas, formas de contágio e procedimentos, já é uma ajuda para que o nosso instinto de sobrevivência, que está em nosso inconsciente, não vença o nosso consciente.”
Instinto de Sobrevivência
Segundo Abreu, o nosso instinto de sobrevivência ativa a nossa ansiedade, o que traz consequências positivas e negativas: “a nossa ansiedade pode ter duas vertentes, uma boa e a outra ruim. A boa é que nos prepara para tomarmos medidas para lidar com os problemas. A má é que ela pode causar pânico quando não sabemos como agir ou quando não temos o que fazer e ficamos apenas na expectativa.”
Saiba como evitar o pânico em meio a crise do coronavírus
Fabiano de Abreu aponta procedimentos para agir de forma racional e não sucumbir ao medo e ao pavor. Confira:
1 – Não veja todas as notícias sobre o caso e sim as essenciais para se manter informado. Não seja um bitolado, teórico da conspiração, e sim uma pessoa a buscar por respostas necessárias.
2 – Esteja ciente dos sintomas, que são febre, vomito, falta de ar e diarreia. Identificar que eles não são típicos de gripe faz a diferencia para que, caso os sinta, chame os bombeiros de imediato. (melhor chamar os bombeiros para não correr o risco de contagiar outras pessoas a caminho do hospital).
3 – Não frequente pontos turísticos e lugares públicos que tenha muitas pessoas em áreas de surtos. Isso já o manterá tranquilo.
4 – Compre comida o suficiente para não ter que ficar nos mercados o tempo inteiro vendo o pânico dos outros. Prateleiras vazias podem impulsionar medo e pânico. Entenda que há pessoas que não conseguem controlar o pânico e isso não tem nada a ver com a epidemia.
5 – Use a ansiedade a seu favor. Ocupe o seu tempo produzindo e se preocupando menos com o que não aconteceu ainda. E não se esqueça que as chances de viver são bem maiores que a de morrer e que, o estresse baixa a imunidade. Meditação é a busca do equilíbrio e é essencial para que possamos nos manter conscientes e com alta imunidade.
6 – Aumente o consumo de vitamina C e chás que aumente a imunidade como limão, gengibre, guaco, chá verde e alimente-se bem.
7- O medo provoca uma sensação de prazer quando percebemos que foi com o outro e não consigo mesmo. Não se sinta mal por isso pois é uma defesa do nosso organismo que está em alerta através do instinto de sobrevivência.
8- Mesmo que não tenha religião, tenha fé nas suas convicções e que dentro de uma razão, a epidemia é mais uma crise que vamos ultrapassar.
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