Quarentena de engenheiros da turma de 1964 do ITA resulta em propostas concretas para o Brasil

ATENÇÃO!

EDITORIA DE POLÍTICA/GERAL/ECONOMIA

Quarentena de engenheiros da turma de 1964 do ITA resulta em propostas concretas para o  Brasil

 

Grupo movimentou o Congresso, o STF e chegou à Presidência da República

A quarentena de um grupo de 27 engenheiros formados na turma de 1964 do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) tem sido extremamente produtiva para o futuro do Brasil.  Desde o dia 20 de março – quando se intensificou em todo o país a determinação da quarentena em função da pandemia do coronavírus – os engenheiros, todos próximos de completar 80 anos de idade, decidiram que era hora de movimentar o Brasil para a reconstrução econômica pós pandemia. Para isso, comunicaram-se com o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF), com todo o primeiro escalão do governo e com o próprio Presidente Jair Bolsonaro. Em momentos distintos, foram enviadas cartas abertas com medidas concretas que deveriam ser tomadas. Muitos assuntos levantados por eles – como  a redução de salários e penduricalhos – repercutiram em diversos meios e já começam a ser adotados, ainda que parcialmente.

“Cada um de nós dedicou pelo menos 55 anos à profissão de engenheiro, em várias especialidades. Usando nosso conhecimento participamos dos principais empreendimentos que ocorreram no Brasil desde que nos formamos. Isto inclui obras espetaculares na infraestrutura de energia (como Itaipu), empreendimentos industriais de porte (como a Embraer) e refinarias (Paulínia), telecomunicações, TI, planos urbanos, entre outros. Angustiados com a “tempestade perfeita” que se materializou – pandemia, recessão mundial em patamares jamais vistos por nós, um Poder Público desviado para interesses da própria classe – resolvemos agir”, explica Luiz Esmanhoto que, junto com Eduardo Guy de Manuel, Cassio Taniguchi e Manoel Loyola, coordena o grupo. “Nosso apelo às autoridades é pela ética e para que a democracia prevaleça acima de tudo”, completa Taniguchi.

Na carta com as propostas ao presidente, os engenheiros comparam o Brasil a uma empresa e ele ao “principal executivo”, que deve cuidar de 210 milhões de vidas, com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 2,1 trilhões. E veem na crise do coronavírus uma oportunidade. “Sugerimos que se olhe por um instante para um outro Brasil, o Brasil da iniciativa privada. Neste Brasil paralelo ao comandado pelo senhor, quem é ‘Executivo’ chamaria este evento de oportunidade. É esta transmutação no olhar, no sentir e no prever que precisa ser liderada por quem o Povo escolheu para ser Governo”, diz a carta. Entre as propostas concretas para o presidente e para o primeiro escalão do Governo estão Formalizar um Gabinete de Crise e uma consultoria para estratégias pós pandemia, fazer uma “Iniciativa Progresso e Ordem” ou uma IPO da empresa chamada Governo  e apaziguar os Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia.

Para os presidentes do STF, Dias Tóffoli, do Senado, David Alcolumbre , e da Câmara Federal, Rodrigo Maia, e para todos os deputados, senadores e ministros do STF, os engenheiros se manifestaram, logo no início do isolamento social, mostrando a necessidade urgente de definições dos Ministros, deputados e senadores sobre ações propostas, como o fim do foro privilegiado.

“Estamos no grupo de risco de contaminação pelo coronavírus, mas isso não é motivo para pararmos. Sabemos do nosso papel para o futuro do Brasil e não é hora de esmorecer”, dizem os empresários Manoel Loyola e Eduardo Guy de Manuel. Todos se colocaram à disposição das autoridades para reuniões via vídeo conferências para auxiliar a executar as ações propostas. Agora, depois dessa grande ação na “quarentena” o grupo se articula para divulgar suas ideias nas mídias on line, já com o apoio de mais empresários e entidades de classe.

Abaixo, a lista completa dos signatários das correspondências e, em anexo, o conteúdo das três Cartas Abertas enviadas a Brasília e uma foto dos quatro coordenadores do grupo.

 Nome e cidade de residência atual 

1 Cassio Taniguchi- Curitiba PR

2 Cesar Salim- Rio de Janeiro RJ

3 Cláudio Manoel Campos de Oliveira- SJ dos Campos SP

4 Denis França Leite – Sete Lagoas MG

5 Eduardo Guy de Manuel – Curitiba PR

6 Gianfranco Biazzi – São Paulo SP

7 Jair dos Santos Lapa – Florianópolis SC

8 Joel de Lima Simão – Araras SP

9 José de Oliveira Freitas – Campinas SP

10 Koji Fukasawa – Rio de Janeiro RJ

11 Leiger Saukas – São Paulo SP

12 Luiz Cristiano de Lima Alves – São Paulo SP

13 Luiz Francisco Tenório Perrone – Rio de Janeiro RJ

14 Luiz Maria Guimarães Esmanhoto – São Paulo SP

15 Manoel A V Loyola e Silva – Curitiba PR

16 Manoel Regis Lima Verde Leal – Campinas SP

17 Mario Karpinskas – São Paulo SP

18 Pedro Wladimir Chvidchenko – Rio de Janeiro RJ

19 Plinio Freire Martins – Guararema SP

20 Renato Mascaretti – São Paulo SP

21 Rui Serruya – Belém PA

22 Ruy Korbivcher – São Paulo SP

23 Satoshi Yokota – SJ dos Campos SP

24 Saul Zimmermann – São Paulo SP

25 Sérgio Carlos Ricardo Bindel – São Paulo SP

26 Sergio Luiz Oliveira – SJ dos Campos SP

27 Walter Sacca – São Paulo SP

CARTA ABERTA
AO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Brasil, 06 de abril de 2020.

Prezado Senhor Presidente Jair Messias Bolsonaro, (*)

Como o Senhor sempre se expressa com muita franqueza nos sentimos encorajados a fazer o mesmo, com bons modos.

O Senhor se preparou para assumir um Governo de ruptura com os Governos que o precederam, trazendo com sua investidura muita esperança neste rumo. Desde aquela data, o Senhor é o “Principal Executivo” de uma empresa chamada Brasil, que cuida de 210 milhões de vidas e tendo um valor econômico de US$2.1 trilhões (PIB).

Mas, deu azar! Em meio a muitas realizações de suas promessas de campanha, apareceu uma epidemia assassina, inteiramente fora do radar. Dada sua gravidade e extensão mundial, tomou conta do noticiário e do nosso dia a dia. É um evento biológico suprapartidário, crítico por ser uma ameaça à vida. A resposta que devemos ter como Nação não vai nascer da Política, mas sim da Ciência. O que a Política pode contribuir é mitigar seus efeitos, orquestrando uma resposta vigorosa e eficaz. Que venha rápida, sem ser precipitada, uma só para todo o País, embora acomodando variantes regionais. Mas, principalmente deve ser uma reposta qualificada por sua gênese no conhecimento científico. Também precisa ser sensível às suas consequências sociais e econômicas.

Este é o seu azar e o de sua equipe. Podem estar com a sensação frustrante de estar no lugar certo na hora errada. É compreensível. Neste fundo de poço, ouvindo o alarido dos oponentes políticos, acompanhados de batidas em panelas, não deve ser possível pensar em nada de bom. Então sugerimos que se olhe por um instante para um outro Brasil, o Brasil da iniciativa privada. Neste Brasil paralelo ao comandado pelo Senhor, quem é “Executivo” chamaria este evento de “oportunidade”. É esta transmutação no olhar, no sentir e no prever que precisa ser liderada por quem o Povo escolheu para ser Governo. Não se pode mais continuar tendo por base promessas de campanha, cujas condições de validade estão desaparecendo rapidamente. É preciso superpor a ele um programa inteiramente novo e surpreendente, que faça o País daqui a pouco vibrar novamente, não com a realização de promessas da ex campanha, mas com o que precisa acontecer daqui em diante. Tarefa difícil, mas possível.

Sir Winston Churchill não deve ter considerado “azar” a Segunda Guerra Mundial acontecer quando ele era Primeiro Ministro. Agiu como líder. Convenceu o Parlamento, o Povo, as Forças Armadas de que seria necessário muito sofrimento, muito luto para que a Inglaterra, desprovida de força militar significativa, fosse capaz de deter o poderoso Exército de Hitler. Com uma retórica mobilizadora criou a “oportunidade” de fazer alianças para este propósito. Quando a Guerra terminou, Churchill havia se transformado num dos maiores líderes mundiais da História Contemporânea. “Sangue, suor e lágrimas” tornaram-se seu símbolo de distinção. Deu confiança ao Povo,

incentivou jovens, foi conforto para as famílias que viram na morte anônima de seus filhos em lugares distantes um ato de heroísmo pelo bem da humanidade.

Atos assim exigem abandono de programas e adoção de uma atitude empática com novas aspirações que a presente mobilização no combate ao vírus está sugerindo. A atitude precisa vir acompanhada de visão a ser compartilhada. Um exemplo banal: a oferta de prédios para serviços e vias de acesso para carros e ônibus já são substituíveis em boa parte do País por Internet de alta velocidade. Isto sugere que centros urbanos como estão agora poderiam ser endereçados para outras atividades… Mas, vamos parar por aí: todos nós, Engenheiros, temos a obrigação, nestas horas em que somos tentados a “extrapolar o futuro”, de lembrar uma das famosas frases do Físico Prêmio Nobel Niels Bohr: “Fazer previsão é muito difícil, especialmente se for para o futuro”.

O azar dos subscritores é estarmos todos no grupo de risco. Mas também vemos isso como nossa oportunidade de termos um tempo feliz. Temos mais presença dos entes queridos em nossas vidas, ainda que virtual, e podemos fazer mais um gesto em favor deles: operar para que se preserve a Democracia.

O que nos resta a fazer é deixar 4 sugestões para um Poder Executivo mais operacional e Democrático nas circunstâncias atuais:

  1. Formalizar um Gabinete de Crise – na prática ele já existe, pois a pandemia não se submete a “carteiradas”, mas ao conhecimento científico, associado à prática médica e à logística dos insumos da área da saúde. O Senhor já deu mostras de que é corajoso, reconhece caminhos que não estão disponíveis e não se sente diminuído se tiver que refazer decisões. Ainda é tempo de ter uma única central de coordenação dos esforços para diminuir fatalidades com o Covid-19, e calibrar o tamanho do estrago aceitável na economia.
  2. Formalizar uma consultoria para estratégias pós-pandemia – é possível que o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), uma organização social vinculada ao MCTIC, possa assumir este papel no lado da “oportunidade”.
  3. Fazer uma IPO da empresa chamada Nação Brasileira – a sigla IPO no contexto do seu Governo seria Iniciativa Progresso e Ordem. E, como toda empresa que faz IPO, deve cuidar da governança eliminando conflitos gerados por terceiros, por mais próximos que sejam.
  4. Apaziguar os Ministérios das áreas de Educação e Conhecimento – numa reviravolta espetacular, o Senhor poderá ser o Presidente que mais confiou nas vozes de seus auxiliares e melhor atendeu às demandas da intelligentsia brasileira.

Se ações deste calibre forem postas em prática, seu poder de diálogo com os outros Poderes da República será substancialmente ampliado. Neste diálogo, a Democracia será revigorada, nosso objetivo mais profundo com a presente Carta Aberta, precedida de duas outras já enviadas ao Poderes Legislativo e Judiciário (**). E nós podemos curtir nossos afetos com um pouco mais de certeza de que estão no lugar certo na hora certa.

ASSINA UM GRUPO DE ENGENHEIROS DO ITA, TURMA 1964

 

N

25 26 27

Sérgio Carlos Ricardo Bindel Sergio Luiz Oliveira
Walter Sacca

Cassio Taniguchi

cassiotani@terra.com.br cesar.salim@gmail.com

xptoeduca@gmail.com denis.f.leite@gmail.com guy@sigma.com.br gianbiazzi@uol.com.br jairlapa1940@gmail.com jlsimao@terra.com.br oldfreitas@gmail.com kojifukasawa@gmail.com leiger.saukas@uol.com.br luizcristiano@terra.com.br lftperrone@gmail.com luiz@esmanhoto.com.br magusfe@onda.com.br regislvleal@gmail.com mariok16@hotmail.com pedrochenko@ig.com.br freiremartins.plinio@gmail.com renato.mascaretti@yahoo.com.br ruiserruya@gmail.com ruy@polimold.com sato.yokota@gmail.com szzimmer77@uol.com.br scbindel@uol.com.br slo102@hotmail.com wsacca@hotmail.com

Curitiba PR
Rio de Janeiro RJ SJ dos Campos SP Sete Lagoas MG Curitiba PR
São Paulo SP Florianópolis SC Araras SP Campinas SP
Rio de Janeiro RJ São Paulo SP
São Paulo SP
Rio de Janeiro RJ São Paulo SP Curitiba PR Campinas SP
São Paulo SP
Rio de Janeiro RJ Guararema SP São Paulo SP Belém PA
São Paulo SP
SJ dos Campos SP São Paulo SP
São Paulo SP
SJ dos Campos SP São Paulo SP

NOME e-mail

1
2
3 Cláudio Manoel Campos de Oliveira

Cesar Salim

Denis França Leite Eduardo Guy de Manuel Gianfranco Biazzi
Jair dos Santos Lapa Joel de Lima Simão

4
5
6
7
8
9 José de Oliveira Freitas

Koji Fukasawa
Leiger Saukas
Luiz Cristiano de Lima Alves
Luiz Francisco Tenório Perrone Luiz Maria Guimarães Esmanhoto Manoel A V Loyola e Silva Manoel Regis Lima Verde Leal Mario Karpinskas

10
11
12
13
14
15
16
17
18 Pedro Wladimir Chvidchenko

Plinio Freire Martins Renato Mascaretti Rui Serruya
Ruy Korbivcher Satoshi Yokota

19
20
21
22
23
24 Saul Zimmermann

(*) Dispensamos o tratamento protocolar de V. Excia. Como Cidadãos, estamos respeitosamente nos dirigindo ao Cidadão Presidente.

(**) Carta Aberta ao Supremo Tribunal Federal
Carta Aberta ao Srs. Presidente do Senado e Presidente da Câmara

CARTA ABERTA

PARA AS SRAS. MINISTRAS E SRS. MINISTROS DO

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Brasil, 17 de março de 2020.

Prezadas Senhoras e Senhores (*),

Perplexos, aos 80 anos assistimos com preocupação a pouca estima que o Povo tem pelo STF. É muito inquietante, mais ainda se no horizonte vemos grave epidemia e profunda recessão mundial que podem nos levar à extrema desordem. Este afastamento precisa terminar com urgência, e vemos um caminho para isso, expresso nesta carta.

Quando jovens adultos, há sessenta anos, nos falavam com seriedade “A Justiça tarda, mas não falha!”. Mitigava a indignação espontânea perante alguma impunidade despudorada.

Na maturidade, este encanto juvenil foi desfeito, e o mote teve de ser trocado por algo mais realista “A Justiça tarda e falha!”. E como tarda! Lemos nos jornais que o tempo médio para encerramento de um processo no Brasil é de 13 anos. E como falha! Numa palestra o credenciado autor afirmava que apenas 6% dos roubos denunciados resultam em processos criminais. E o índice no caso de homicídios é ainda menor!

Obrigados a abandonar conceitos juvenis por ingênuos, assumimos uma vida adulta cínica, para ter o que dizer aos nossos filhos. Mentimos para eles, inventamos um Brasil onde se viveria sob o Império da Lei. Foram assim educados para que respeitassem este princípio social organizador, mesmo sabendo-o ausente. Porque um dia ele necessariamente aconteceria. Ou o País teria sucumbido à barbárie.

Pois este dia aconteceu! Na senectude, como surpresa inesperada, algo jamais visto na História da República, surgiu em Curitiba, sob o codinome de Operação Lava-Jato. A mídia e as redes sociais garantiram o êxito de seus primeiros movimentos. 

Passados seis anos, a Lava-Jato prestou um vasto serviço ao País. Os resultados podem ser medidos pelo número de condenações, pela posição social dos condenados, ou até mesmo pelos valores restituídos a quem de direito. Operações policiais ganharam nome, visibilidade, apoio popular e, na sequência, indiciamentos, julgamentos, condenações e prisões as sucederam.  Aquele princípio tranquilizador estaria outra vez valendo, “A Justiça tarda, mas não falha!”.

A classe política, entretanto, inquieta com a novidade, elaborou novas leis para reduzir seus efeitos que se mostravam arrasadores. E nesta prática, quem diria, seu principal aliado seria justamente o Supremo Tribunal Federal! Primeiro, por não propor que se acabe com a aberração do Foro Privilegiado. E, em segundo lugar, por garantir a “presunção de inocência” até o fim dos recursos… do indiciado.

Como é possível? Somente depois de 4 anos de atividade, a Operação Lava-Jato fez o primeiro indiciamento de um político com mandato! Pois saibam, o Povo vê assim a situação dos combatentes das instâncias inferiores: cada vez mais ineficazes pela interpretação leniente do “trânsito em julgado”.

Na verdade, a situação dos nossos combatentes anticorrupção é pior do que simples abandono. Pois quando estes conseguem capturar um político corrupto mais graduado, o STF se inquieta. Qual o sentido disto? O graúdo enredado pode constranger Ministros do Quartel General da Justiça quando será necessário estarem em lados opostos? Ou as instâncias inferiores são de brincadeira e o STF, quando lhe der na telha, pode pegar a bola e levar para casa?

Nestes últimos tempos, infelizmente, assistimos perplexos ao nanismo auto infringido no STF. O caso mais emblemático não sai da memória. Repleto de contorcionismos ilógicos risíveis, os condutores do processo propõem que se divida uma pena indivisível.

De lá para cá o Povo acompanha aturdido uma agenda do STF completamente descolada de seus legítimos anseios: “replay” de decisões já decididas; votos tediosamente longos, do tamanho das vaidades, mas não da sabedoria; falta de decoro no tratamento de colegas; comportamento ético para lá de elástico; engajamento excessivo em “atividades extracurriculares”; orçamentos extravagantes para a compra de cardápios requintados; decisões de efeito retroativo que paralisam e até destroem processos complexos laboriosamente construídos.

É preciso lhes dizer: o STF é percebido apequenado pela maioria dos cidadãos. Esta é a causa raiz dos atritos com populares quando algum Ministro está a passeio. Quando lhes ocorrerá a ação redentora que nos trará a chance histórica de fazer revolução dos costumes somente pela força moral do sonho de Justiça que habita todos nós?

Três ações podem operar este milagre e devolver estatura à Corte:

  • Fazer valer o princípio de que todos somos iguais perante a Lei, dando fim ao execrável instituto do “Foro Privilegiado”.
  • Fazer valer o início do cumprimento de penas imediatamente após condenação em Segunda Instância, como é norma para a vasta maioria dos países civilizados.
  • Fixar metas para a redução drástica do indecoroso prazo médio para fechamento de processos.

Se isto tragicamente não acontecer, se o STF não se mostrar à altura do seu papel constitucional neste momento tão tenso da história de nossa Democracia, a sigla STF poderá constar num irreverente livro de história do futuro como “Supremo Tarda e Falha”.

Somente assim, com ações que demonstrem grandeza moral inteligíveis para todos os cidadãos, o STF poderá reconquistar corações e mentes e assumir, de fato, seu honroso papel Constitucional. Ou nossa inquietude é premonitória e vamos sucumbir à barbárie?

Atenciosamente,          

ASSINA UM GRUPO DE ENGENHEIROS DO ITA, TURMA 1964

(*) O tratamento “V. Excia.” foi dispensado. Estamos saudando polidamente Cidadãos, em tudo semelhantes aos missivistas. A menos de um detalhe.

CARTA ABERTA

PARA O SRS. PRESIDENTE DO SENADO E PRESIDENTE DA CÂMARA

Brasil, 17 de março de 2020.

Prezados Senhores Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia (*):

Difícil chegar aos 80 anos sem lembrar de um único Parlamento de estimação ao longo da vida! E como se comportará este agora, quando tem dias difíceis pela frente, que combinam epidemia e recessão? Será uma ótima oportunidade para acabar com esta história de representantes que representam tão poucos. Esta carta contém uma sugestão para o primeiro passo.

Nossa Constituição exige dos seus agentes em todos os três Poderes altruísmo para que olhem o País antes deles mesmos, e seriedade para não colocar a areia de banalidades nas engrenagens deste modelo.

Pois temos uma má notícia: está difícil o Povo ver essas duas qualidades nas Casas que os Senhores presidem. Pois, também nesta Legislatura, parte dos 81 Senadores e dos 513 Deputados Federais querem atuar mais em função de garantir um próximo mandato do que sob a luz de um programa de Governo. Enxergam o mandato como um “emprego”.

E que emprego! Começa com benefícios derivados do absurdo jurídico que é o “Foro Privilegiado”. Por ele, o eleito se destaca dos eleitores e os brasileiros separam-se em duas castas, a Nobreza e a Plebe.

Este começo só prenuncia as benesses que cobrirão o eleito. Segundo informação disponível (**), cada membro do Congresso, Senador ou Deputado, gera uma despesa de ~R$168.000,00/mês, sendo ~R$62.000 como remuneração direta e cobertura de despesas, e ~R$106.000,00 para pagamento de assessores a qualquer título (aqui a origem da chamada “rachadinha” que, pelo valor agregado, deveria ser chamada “rachadona”). Isso sem contar despesas médicas, que podem ser ilimitadas, desde que feitas patrioticamente, isto é, no Território Nacional.

Conclusão: o Legislativo federal, com uma despesa direta de cerca de 1,16 bilhão de reais/ano para Deputados e Senadores, é um dos mais caros do mundo. E, ao contrário do que seria razoável esperar, é uma das instituições públicas de menor apreço popular.

Com estas facilidades todas, é tentador os eleitos pensarem o “mandato” como “emprego”. E, para garantia deste, o mandato será então dedicado a ações que facilitem a reeleição. Se isto coincidir com as necessidades do País, ótimo. Se não coincidir, não tem a menor importância. Pronto! Tem-se o círculo vicioso perfeito. 

Numa Democracia, não seria lógico os eleitos serem depreciados pelos próprios eleitores. Afinal, eles não foram ungidos, mas votados. Então, por que no Brasil, o Povo se revolta contra os eleitos com tanta facilidade? Porque é difícil acreditar em boas intenções de quem aceita tantas benesses pessoais pelo simples fato de ter sido eleito. E fica mais difícil ainda quando alguns congressistas utilizam facilidades do cargo para se apropriar de parte do orçamento para garantir a próxima eleição.

Alguns anos atrás, a revista “The Economist” publicou uma matéria na qual o Parlamento Sueco era mostrado como o Parlamento mais prestigiado da Europa, com um índice de mais de 80% de aprovação popular. Mas não apenas isto, era também a instituição melhor avaliada entre todas as organizações públicas suecas. Era mais estimada até do que os bombeiros!

São bem conhecidos os motivos de tamanha credibilidade. É consequência direta do rigor do parlamento Sueco com relação ao uso pessoal do dinheiro público. Em recente matéria da BBC, a manchete anunciava “Suécia, o país onde deputados não têm assessores, dormem em quitinete e pagam pelo cafezinho.” O único benefício concedido: um passe para o transporte público.

O Congresso brasileiro, muito longe deste modelo austero, não consegue transparecer interesse público em suas votações. Até porque, seu comportamento coletivo nestas sessões nada tem de austero. O que se vê na mídia é normalmente uma balbúrdia semelhante a estádios. E esta forma de comportamento coletivo não ajuda sua imagem, especialmente quando a pauta de votações precisará incluir demandas muito sérias e complexas: Reformas Tributária e Administrativa, e ações de proteção à Operação Lava-Jato. Esta operação, a mais reconhecida e amparada pelo Povo, tem sofrido reveses através de dispositivos que claramente foram instituídos para reduzir seu alcance junto a políticos e empresários. E o Congresso, em acordo com o STF, é um dos geradores destes entraves.

Passando por cima da Opinião Pública, o Congresso perdeu legitimidade para representar o Povo, assim como perdeu também a respeitabilidade pela falta de decoro de alguns participantes em suas sessões. Felizmente, algumas ações, se executadas prontamente, podem restaurar estas qualidades:

  • Recusar o “Foro Privilegiado” para si mesmos; e banir completamente este traço medieval que restou em nossa Constituição.
  • Reduzir drasticamente as benesses do cargo: reduzir o salário base, algo já estabelecido, mas não implementado; e limitar o valor total para 1/3 do atual. Limitar também o número possível de reeleições; e não apoiar o avanço em fatias do orçamento, quando claramente destinadas à manutenção do “emprego”. 
  • Promover Leis que contribuam para melhor eficácia das ações de combate à corrupção, cuja referência emblemática é a Operação Lava-Jato, um exemplo único na História do Brasil, apresentando continuamente resultados concretos e expressivos.

Somente assim, com ações que demonstrem grandeza moral inteligíveis para todos os cidadãos, o Congresso poderá reconquistar corações e mentes e assumir, de fato, seu honroso papel Constitucional. Seremos enfim representados? Ou o Congresso continuará sendo apenas um empreendimento com ótimos empregos? 

Atenciosamente, 

ASSINA UM GRUPO DE ENGENHEIROS DO ITA, TURMA 1964

(*) O tratamento “V. Excia.” foi dispensado. Estamos saudando polidamente Cidadãos, em tudo semelhantes aos missivistas. A menos de um detalhe.                  

(**) https://www.politize.com.br/quanto-ganha-deputado-federal/

*com divulgação

   

             

 

 

Categorias:AGÊNCIAS DE COMUNICAÇÃO, AGENDA DA SEMANA, AGENDA DO FIM DE SEMANA, BRASIL, COLUNA VANESSA MALUCELLI, CULTURA, DIVIRTA-SE, evento, FREE LIFESTYLE, LANÇAMENTOS, OPORTUNIDADE, POLITICA, SAÚDETags:, , , , , , , , ,

VanessaMalucelliAndersen

Colunista do Site — Divirta-se Curitiba!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s