


Brasileiro apoia reciclagem, mas ainda descarta de forma inadequada; veja 5 sinais de que o condomínio precisa rever a gestão do lixo
Pesquisa da CNI mostra distância entre intenção e prática no pós-consumo; especialista explica o que síndicos podem observar para identificar falhas na separação e na coleta de resíduos
Separar o lixo está entre os hábitos associados à economia circular, mas a disposição para reciclar nem sempre se transforma em descarte correto. Uma pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI), publicada em setembro de 2026, mostra que a maioria dos brasileiros adota alguma prática relacionada ao pós-consumo, como doar ou consertar bens, mas ainda descarta materiais recicláveis de forma inadequada. O levantamento também aponta que apenas 13% dos entrevistados têm conhecimento aprofundado sobre economia circular, enquanto 61% ainda demonstram preferência por produtos novos.
O cenário ajuda a colocar em discussão uma questão que também aparece nos condomínios: a existência de lixeiras destinadas à coleta seletiva não garante, por si só, que os resíduos estejam sendo separados corretamente. Para Rubens Lopes, cofundador da Eko Bee, empresa especializada em gestão de resíduos em condomínios, é possível identificar alguns sinais de que a operação precisa ser revista.
1. Muito material reciclável aparece no lixo comum
Um dos primeiros sinais de que a separação não está funcionando é encontrar papel, plástico, vidro e metal misturados aos resíduos que deveriam seguir outra destinação.
Segundo Rubens Lopes, esse tipo de ocorrência precisa ser observado de forma recorrente, e não apenas como um problema pontual. A presença frequente de recicláveis no lixo comum pode indicar que os moradores não sabem como separar os materiais, que a comunicação não está clara ou que a estrutura de descarte não está facilitando a rotina.
“Não adianta apenas disponibilizar os recipientes. É preciso entender o que está acontecendo dentro deles e identificar onde o processo está falhando. Quando o material reciclável aparece constantemente misturado ao rejeito, existe uma informação importante ali sobre o funcionamento da coleta seletiva”, explica.
2. As lixeiras estão identificadas, mas ninguém sabe exatamente o que colocar em cada uma
A identificação dos recipientes é importante, mas pode não ser suficiente. Diferentes materiais geram dúvidas no momento do descarte, principalmente quando existem resíduos que parecem recicláveis, mas exigem outro tipo de destinação.
Por isso, o condomínio precisa avaliar se as orientações são claras para moradores, funcionários e novos residentes. A comunicação também pode precisar ser atualizada quando surgem dúvidas recorrentes.
Para Rubens, a orientação precisa fazer parte da rotina. “A educação ambiental não pode acontecer somente quando o condomínio implanta a coleta seletiva ou quando aparece um problema. É preciso acompanhar as dúvidas e os erros que surgem no dia a dia para ajustar a comunicação”, afirma.
3. O condomínio sabe quanto coleta, mas não sabe quanto vira rejeito
Outro indicador importante está naquilo que não consegue ser aproveitado. Acompanhar somente o volume total coletado não permite entender completamente a eficiência da separação.
A quantidade de rejeitos pode revelar contaminação dos materiais recicláveis, descarte incorreto e problemas na separação realizada na origem. Por isso, acompanhar esse indicador ao longo do tempo ajuda a identificar se as mudanças adotadas pelo condomínio estão produzindo resultado.
O monitoramento de volume, frequência das coletas e redução de rejeitos já faz parte das práticas recomendadas para uma gestão mais organizada dos resíduos.
4. A frequência da coleta é sempre a mesma, mesmo quando o volume muda
Outro sinal de que a operação merece atenção é manter uma frequência fixa de coleta sem observar o comportamento dos resíduos.
O volume produzido pode variar conforme o número de moradores, períodos de férias, festas, mudanças de rotina e até características do empreendimento. Acompanhar os dados permite avaliar se a frequência atual é adequada ou se há necessidade de ajustes.
“A coleta precisa estar relacionada à realidade de cada operação. Quando conseguimos acompanhar os volumes e a frequência, temos condições de entender melhor o que está acontecendo e fazer ajustes quando necessário”, afirma Rubens.
5. O condomínio não mede o próprio lixo
Se o síndico não consegue responder quanto o condomínio gera de resíduos, quais são os principais tipos descartados ou quanto material reciclável está sendo recuperado, falta uma informação básica para avaliar a operação.
A dificuldade de medir os resíduos não é exclusiva dos condomínios. Um diagnóstico divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) em agosto de 2026 mostrou que, entre 397 municípios avaliados, apenas 145 declararam realizar estudos de composição gravimétrica. O Tribunal também identificou diferenças na adoção de mecanismos de pesagem e acompanhamento dos resíduos.
Na avaliação de Rubens, os dados ajudam a transformar a coleta seletiva em uma operação que pode ser acompanhada e aprimorada. “Quando o condomínio começa a medir o que gera e acompanha os resultados ao longo do tempo, deixa de trabalhar apenas com percepção. Os dados mostram onde estão os problemas e ajudam a definir quais mudanças precisam ser feitas”, explica.
Reciclagem começa no descarte, mas depende da gestão
A pesquisa da CNI mostra que a relação dos brasileiros com a economia circular ainda apresenta uma distância entre intenção e prática. O levantamento aponta que a maioria adota algum comportamento relacionado ao pós-consumo, mas o descarte inadequado de recicláveis continua fazendo parte desse cenário.
Dentro dos condomínios, reduzir essa distância depende não apenas da participação dos moradores, mas também de um sistema que facilite o descarte correto, oriente as pessoas e acompanhe os resultados.
Para Rubens Lopes, o desafio está em transformar a coleta seletiva em uma rotina acompanhada de perto. “Quando existe estrutura, informação e monitoramento, fica mais fácil entender o que está funcionando e corrigir o que não está. A gestão dos resíduos precisa ser tratada como um processo contínuo, e não como uma ação isolada”, finaliza.
Sobre a Eko Bee
A Eko Bee é uma empresa especializada na gestão inteligente de resíduos orgânicos e recicláveis, com atuação consultiva e operacional em condomínios, comércios e indústrias. Seu modelo combina logística eficiente, educação ambiental prática e proximidade com as comunidades para gerar valor ambiental, social e cultural. Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, atua na redução de impactos, na promoção de cidades mais sustentáveis e na construção de uma nova consciência coletiva sobre consumo, descarte e bem-estar.
Sobre Rubens Lopes
Rubens Lopes é cofundador da Eko Bee e uma das lideranças do Grupo Eko, criado para oferecer soluções sustentáveis ao cotidiano de condomínios, comércios e indústrias. Formado em Administração, com especialização em varejo, reúne experiência executiva e visão empreendedora voltada à geração de impacto ambiental e social. Na Eko Bee, lidera a construção de um modelo consultivo e operacional de gestão de resíduos, com foco em rastreabilidade, inclusão produtiva e educação ambiental, um trabalho com responsabilidade social em 100% das operações, que já impacta mais de 40 mil pessoas e evita o envio de mais de 500 toneladas de resíduos orgânicos por mês aos aterros.
*com divulgação
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