A experiência imersiva em realidade virtual “Finally Me (Finalmente Eu)” (Brasil, 2023) foi selecionada para competir no Festival Internacional de Cinema de Veneza. Será a única obra 100% latino-americana na competição imersiva deste ano, que acontece de 30 de agosto a 10 de setembro de 2023 na charmosa cidade italiana.
De um esquecido bordel carioca surge uma história de superação. Seu Saul é um músico envelhecido, sobrecarregado por uma vida inteira de rejeição e vergonha que o forçou a esconder seu verdadeiro lado. Inspirado pelo espírito do Carnaval, ele embarca em uma jornada transformadora de autoaceitação através do poder da música. Nesta história de libertação, os limites entre espectador e personagem se confundem à medida que o público se torna parte integrante da narrativa.
Segundo o diretor, Marcio Sal, “Finalmente Eu” é uma experiência que estimula o indivíduo a abraçar sua singularidade e se expressar plenamente: “Nossa sociedade é muito cruel com as minorias. Comigo, como gay, não foi diferente e inúmeras vezes me senti constrangido pelos outros. Assim como o Seu Saul, que tem um chifre de unicórnio oculto sob o chapéu, cheguei a me esconder a ponto quase deixar de existir. De certa forma, a jornada do personagem é a transformação pela qual passei e acredito que outras pessoas poderão se identificar.”
Para Marcio, usar a pintura à mão na construção da estética da experiência foi bastante importante: “Queria receber o espectador em um ambiente aconchegante para viver essa história tratada com tanta delicadeza. Além disso acredito que essa abordagem artística surpreende, pois contrasta com o ambiente high tech da Realidade Virtual. É como se o usuário mergulhasse em uma tela a óleo”.
A experiência foi desenvolvida durante o período de lockdown, quando a sensação de confinamento estava no auge: “Senti liberdade quando coloquei um óculos VR e comecei a desenhar em um ateliê virtual. Então pensei que podia amplificar as emoções por meio dessa arte imersiva e tocar as pessoas com assuntos profundos. Foi quando o mundo do Seu Saul me veio à mente.”
Ainda segundo o diretor, o projeto é uma homenagem ao Carnaval: “Busquei trazer a carnavalização como motor libertador da história. O carnaval pós-covid de 2022 tem uma semelhança com o que aconteceu após a gripe espanhola em 1919, uma espécie de demanda que estava reprimida. Por isso ambos são trazidos na experiência como veículos da libertação de Seu Saul”
Felipe Haurelhuk, um dos produtores do filme, reforça a mensagem da obra através da reação dos usuários: “A experiência imersiva em VR funciona como uma ferramenta tecnológica ainda mais marcante porque potencializa a criatividade e a visão de mundo de qualquer artista. É emocionante ver as possibilidades que esse novo campo abre para o futuro da narrativa audiovisual”.
Eduardo Calvet, o terceiro sócio da IDEOgraph, acrescenta: “Em nossa produtora, pretendemos combinar inovação com narrativa poderosa. Nossos projetos anteriores incluíram um documentário imersivo sobre um palácio de cinema perdido, mergulhado no declínio dos cinemas de rua. ‘Finalmente Eu’ explora temas de abandono e a essência da liberdade em sua forma mais expansiva”.
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