Transporte de pessoas e cargas em túneis a vácuo mobilizou a atenção no Smart City 2019, que cresceu 25% em número de participantes 

Feira e congresso reuniram debates sobre novas tecnologias de mobilidade, gestão pública e inovação urbana

Aproximar pessoas, transportar passageiros e cargas com eficiência, revolucionar a mobilidade para que “países se transformem em bairros” de uma grande comunidade mundial. Esses são alguns dos objetivos ousados da Hyperloop Transportation Technologies (HTT), apresentados por seu cofundador e presidente Bibop Gresta na abertura do segundo dia de palestras e convenções do Smart City Expo Curitiba 2019. O maior evento de cidades inteligentes do mundo, realizado no Expo Barigui, registrou o crescimento de 25% do público em relação ao ano passado. Cerca de 6.790 pessoas visitaram a exposição e assistiram as conferências. O evento também reuniu 25 patrocinadores e mais de 100 apoiadores. A área de exposição teve 35 empresas dos setores público e privado, exibindo soluções e inovações em iluminação pública, segurança, educação, saúde, saneamento básico, trânsito e urbanismo, entre outras.

Considerada a maior empresa construída sobre um ecossistema de negócios colaborativos, com profissionais de 42 nacionalidades e 50 empresas, a HTT foi pioneira no desenvolvimento do Hyperloop, meio de transporte “sem bilhete, sem atrito e sustentável” que leva o conforto e a velocidade de um avião para o transporte terrestre de passageiros e cargas. Com uso de campos eletromagnéticos, suas cápsulas levitam em um movimento cinético de baixo consumo de energia.

“Nosso modelo de cidades e ambientes urbanos foi desenvolvido em cima dos automóveis. Ou seja, é um modelo ineficiente, já que os carros passam 80% do tempo parados e o restante engarrafados no trânsito. São Paulo tem o maior congestionamento do mundo, chegando a 180 km nas sextas-feiras. Além da baixa eficiência dos automóveis, as demais opções que temos, como trens e metrôs, igualmente não oferecem qualidade para os cidadãos. E no transporte de cargas, o Brasil enfrenta um prejuízo anual de 32% dos alimentos desperdiçados nas estradas. Essa realidade precisa mudar”, contextualiza Gresta.

Combinando tecnologias já existentes e desenvolvendo outras, a HTT torna possível um transporte eficiente, rentável, com design adaptável a cada tipo de pista, e que utiliza excedente energético em placas fotovoltáicas. “Nosso modelo tem as pessoas no centro de tudo, foi projetado para elas. Cada cápsula percorre um tubo despressurizado, sem a resistência do ar, com 30 metros de comprimento, 2,7 metros de diâmetro e 20 toneladas. Cada cápsula pode levar até 40 passageiros com conforto, em embarques a cada dois minutos, totalizando 60 mil pessoas por dia”, detalha.

São Paulo e Campinas

Feita na Espanha, a primeira cápsula revolucionou a indústria com uma nova fibra de carbono, o vibranium. “O Hyperloop é de construção rápida, mais barato por ser de superfície, ao lado ou acima de rodovias em estruturas que já existem. Os investimentos são recuperados num prazo de oito a 11 anos, sem a necessidade de subsídios governamentais. E com tecnologia de biometria e dados via blockchain que eliminam a necessidade de bilhetes: é o chamado passageiro nu”.

O Hyperloop da HTT está em construção nos Emirados Árabes, conectando Abu Dhabi e Al Ain (200 km de linha comercial) e em Toulouse, na França, cuja segunda fase está prestes a começar. No Brasil, contou Bibop Gresta, o primeiro trecho em estudos pelo HTT ligaria as cidades de São Paulo e Campinas, em sintonia com o centro de pesquisa e desenvolvimento da empresa, localizado em Minas Gerais. Gresta palestrou ao lado do diretor global de desenvolvimento de negócios Rodrigo Sá, jovem mineiro que trabalha há cinco anos no projeto.

A mobilidade também foi o centro da discussão levantada por Brooks Rainwater, último keynote do dia. O executivo sênior e diretor do Center for City Solutions da National League of Cities, de Washington, listou três soluções de mobilidade que considera fundamentais para as cidades inteligentes: a criação de cidades densas, voltadas para pessoas; a formação de um ambiente urbano em que haja equidade e a integração de sistemas de mobilidade.

Rainwater também destacou a importância das parcerias público-privadas. “É no setor privado que se desenvolvem as tecnologias, mas o setor público deve trabalhar de maneira conjunta para que essas tecnologias cheguem a todas as pessoas”, ressaltou.

Gestão urbana

Ainda durante o segundo dia do evento, foram realizadas diversas palestras que abordaram a importância de conectar os cidadãos aos novos modelos de desenvolvimento urbano. Como afirmou Alfonso Santiago, diretor da Escola de Governo, Política e Relações Internacionais da Universidade Austral, de Buenos Aires, é preciso atuar por meio de um intercâmbio de experiências em diversas áreas. “O espírito humano deve prevalecer sobre a tecnologia. Toda política pública perpassa pelos cidadãos”, salienta.

O mesmo foi destacado por Fábio Conte, do iCities, que ressaltou que “a cidade inteligente somos nós. A gente que faz as mudanças e interfere nas políticas públicas. É necessário manter um diálogo entre cidades inteligentes e políticas públicas”, salientou. Seguindo a mesma linha de raciocínio o pesquisador Pascal Toque destacou a necessidade de pensar em smart cities requer refletir em mecanismos para conectar e integrar as pessoas por meio de tecnologias de comunicação na gestão urbana. “Isso irá estimular de forma eficiente o planejamento colaborativo e a participação cidadã”.

O Smart City Expo Curitiba é chancelado pela FIRA Barcelona, organizador do Smart City Expo World Congress, realizado anualmente em Barcelona. O iCities, empresa curitibana especializada em soluções para smart cities, é a responsável pela organização do evento no Brasil e conta com a parceria da Prefeitura Municipal de Curitiba e Vale do Pinhão.

Exemplos de Barcelona, Medellín e Equador no Smart City

Para exemplificar as mudanças inovadoras que podem servir de espelho para o desenvolvimento de cidades inteligentes, Josep Piqué, de Barcelona, e Diego Serna, de Medellín, contaram suas experiências ao público.

Serna, que é gerente administrativo da Ruta N, ressaltou as mudanças urbanas e de políticas públicas que garantiram a Medellín o prêmio Nobel de Cidades em 2016. “É preciso focar em inteligência colaborativa. Todos são importantes dentro de um ecossistema urbano. O ecossistema de uma cidade inteligente requer a participação do Estado, das universidades, das empresas e da população”, afirma.

Piqué, mentor do 22@ na cidade de Barcelona, destacou também a importância da relação entre os órgãos educacionais, como colégios e universidades, para fomentar novos talentos. “É preciso, para isso, ter um pacto de inovação em diferentes áreas que articule ciência, tecnologia, indústria e mercado. Uma cidade inteligente passa pela governança. É necessária uma mudança estrutural para constituir uma cidade inclusiva.” O projeto revitalizou uma área industrial de 200 hectares que era considerada obsoleta na cidade espanhola, nas chamadas “superquadras”.

Também esteve presente Bolivar Coloma, diretor de Meio Ambiente da cidade equatoriana de Quayaquil que mostrou exemplos de preservação ecológica no ambiente urbana.

Prefeitos debatem planos diretores para cidades inteligentes

Cinco prefeitos se reuniram na plenária principal do Smart City Expo Curitiba 2019 para discutir sobre os desafios, soluções e oportunidades para que seus municípios sejam cidades inteligentes. O debate foi composto pelos prefeitos Rafael Greca (Curitiba), Antonio Carlos Magalhães Neto (Salvador, BA), Felicio Ramuth (São José dos Campos, SP), Gustavo Costa (Guarulhos, SP) e Udo Dohler (Joinville, SC). O encontro foi mediado por Daniel Annenberg, Secretário Municipal de Inovação e Tecnologia de SP.

Na abertura, Greca ressaltou que escolheu a inovação como estratégia de governo para gerir Curitiba. “Inventei o conceito de Vale do Pinhão, em Curitiba, para atrelar o nome da cidade com a tecnologia. Hoje temos startups que ganharam projeção internacional, projetos educacionais para que crianças aprendam robótica e tecnologia, entre vários projetos.  Provocar a inovação é preciso, por isso Curitiba já é destaque como uma das cidades mais inteligentes do mundo” disse Greca.

O prefeito de Guarulhos, Gustavo Costa, destacou a importância de projetos de maior investimento e apontou Parcerias Público-Privadas como uma alternativa. Já Udo Dohler, prefeito de Joinville, disse que parcerias sem ônus são a alternativa que vem utilizando na cidade que administra. Entre elas, o sistema eletrônico de informações, cujo modelo a administração joinvilense importou sem custos do TRF-4 e também o modelo de internet industrial desenvolvido na cidade.

Para o prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth, a tecnologia no setor público precisa estar associada à remuneração de serviço e não de produto. “É um erro achar que o poder público pode resolver tudo sozinho. No processo privado, o parceiro faz o investimento na frente, o que agiliza a implantação. E a remuneração é pelo tempo da concessão do serviço”, observou. Costa considera que é necessário adequar a solução à cidade e ao montante de investimento em questão. O prefeito de Salvador, ACM Netto, disse que está sendo implantada em Salvador uma rede de infovias.

Sobre o Smart City Expo Curitiba 2019

Essa é a segunda edição do evento chancelado pela FIRA Barcelona, consórcio público formado pela Prefeitura de Barcelona, Governo da Catalunha e Câmara de Comércio de Barcelona, e que é o organizador do Smart City Expo World Congress, maior evento do mundo sobre cidades inteligentes, realizado anualmente em Barcelona. O iCities, empresa curitibana especializada em soluções para smart cities, é a responsável pela organização do evento no Brasil, em parceria com a Prefeitura Municipal de Curitiba e Vale do Pinhão.

O Smart City Expo Curitiba 2019 tem quatro temáticas principais: viabilizando tecnologias para cidades inteligentes; governança em cidades digitais; cidades criativas, sustentáveis e humanas; e planejando cidades inovadoras e inclusivas.

A área de exposição tem 35 empresas dos setores público e privado, exibindo soluções e inovações em áreas como iluminação pública, segurança, educação, saúde, saneamento básico, trânsito e urbanismo, entre outras. As 74 startups de Curitiba e região exibem suas soluções e produtos e apresentam pitchs (palestras rápidas de, no máximo, 15 minutos) na Smart Plaza Vale do Pinhão, espaço da Prefeitura de Curitiba destinado a promover o ecossistema de desenvolvimento da cidade.

A área de congresso foi preparada para receber mais de 1,6 mil pessoas. Seão três salas de conferências no Expo Barigüi, que recebem especialistas nacionais e internacionais das áreas pública e privada, assim como do terceiro setor, além de mais mostras paralelas. Eles apresentam cases e provocam debates sobre temas relacionados às smart cities, como planejamento urbano, mobilidade, governança, novas tecnologias e sustentabilidade.

Sobre o iCities

O iCities foi fundado em 2011 com a visão de um cenário em que as cidades tenham um papel muito mais proativo no desenvolvimento da sociedade. Dentre os projetos de maior relevância da empresa estão a vinda e organização do maior congresso do tema de smart cities de Barcelona para Curitiba – o Smart City Expo Curitiba -, o projeto de responsabilidade social iCities Kids, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, o Observatório Brasileiro de Cidades Inteligentes em São Francisco, na Califórnia (EUA), e as consultorias para municípios Smart Cities Brasil.

*com divulgação

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VanessaMalucelliAndersen

Colunista do Site — Divirta-se Curitiba!

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