Festa junina no estilo ucraniano

Comunidade eslava de Curitiba prepara uma das mais tradicionais festas da Capital com gastronomia típica, atrações culturais e celebrações religiosas no rito bizantino

Entre as dezenas de festas juninas que movimentam Curitiba durante o mês de junho, uma delas oferece uma experiência singular ao público. Nos dias 20 e 21 de junho, a comunidade ucraniana realiza a tradicional Festa de São João, reunindo gastronomia típica, música, diversão para as famílias e celebrações religiosas que preservam costumes trazidos pelos imigrantes há mais de um século.

Mais do que uma quermesse, o evento é um mergulho na cultura de uma das comunidades que ajudaram a construir a identidade multicultural da capital paranaense. Durante dois dias, descendentes e visitantes poderão experimentar sabores da culinária eslava, conhecer tradições preservadas por gerações e participar de uma das mais tradicionais festas comunitárias de Curitiba.

Os preparativos já mobilizam um verdadeiro exército de voluntários. Cerca de 200 pessoas trabalham na organização do evento e na produção das delícias que serão servidas ao público. Somente de perohê (pierogue), um dos pratos mais tradicionais da culinária ucraniana, estão sendo preparadas aproximadamente 30 mil unidades. Outros milhares de holuptsi — charutos de folhas de repolho recheados com trigo sarraceno, arroz, bacon e especiarias — também estão sendo produzidos pelas famílias da comunidade.

E como toda grande festa paroquial, não faltará o tradicional churrasco. Quase uma tonelada de carne, entre filé mignon e espetinhos, será preparada ao longo da programação, espalhando pelo bairro Água Verde o aroma característico das grandes festas de igreja.

O público também encontrará uma grande variedade de bolos, doces e salgados, além de show de prêmios, apresentações musicais, brincadeiras para as crianças e espaços de convivência para toda a família.

“Sabe aquele gosto de comida típica, de almoço de família e de ternura ao redor da mesa? Essa é a tradução da festa junina de nossa comunidade. Tudo é feito com muito carinho pelas nossas mães, pais, filhos, babas (avós) e didos (avôs), como se estivessem preparando uma refeição para receber familiares em casa”, afirma o pároco da Arquicatedral São João Batista de Curitiba, padre Edson Ternoski.

Festa litúrgica

Além das atrações gastronômicas e culturais, a programação também reserva um dos momentos mais especiais da tradição ucraniana. A Divina Liturgia, celebrada segundo o rito bizantino católico ucraniano, será realizada no sábado (20), às 17h, e no domingo (21), às 10h.

As celebrações serão presididas por Dom Volodemer Koubetch, Arcebispo Metropolita da Igreja Católica Ucraniana São João Batista, em língua ucraniana, com a participação do coral da Arquicatedral São João Batista, sob regência de Leonardo Davibida.

Marcada por cantos litúrgicos, solenidade e forte simbolismo, a celebração oferece ao público a oportunidade de conhecer uma das mais antigas tradições cristãs preservadas pela comunidade ucraniana de Curitiba.

“Convidamos todas as pessoas, descendentes ou não, a participarem desse momento. Curitiba tem o privilégio de reunir diferentes culturas e expressões de fé, e a celebração da Divina Liturgia em língua ucraniana é uma dessas riquezas que queremos compartilhar com toda a cidade”, destaca o padre Edson.

A festa acontece na semana que antecede o dia de São João Batista, celebrado em 24 de junho e considerado um dos santos mais importantes da tradição cristã. Padroeiro da Metropolia Católica Ucraniana no Brasil, São João inspira anualmente as festividades religiosas e comunitárias promovidas pela comunidade.

“Ele foi um profeta que batizava pessoas no Rio Jordão, incluindo o próprio Jesus Cristo, onde foi chamado de “Batista” pela prática do Batismo. É celebrado dia 24 porque a tradição cristã comemora nessa data seu nascimento, diferentemente de outros vários santos cuja festa costuma ser comemorada na data da morte”, lembra o pároco.

SERVIÇO:

Grande Festa Junina da Comunidade Ucraniana de Curitiba

20 de junho – das 17h às 22h
21 de junho – das 10h às 18h

Arquicatedral Católica Ucraniana São João Batista
Avenida Presidente Kennedy, 3000 – Água Verde – Curitiba

Entrada gratuita.

Fotos: Arquivo Arquicatedral Católica Ucraniana São João Batista

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Limoeiro apresenta: Etnias – Jantar Ucraniano 🇺🇦

Couvert
- Pepinos azedo/ Salo marinado (bacon) na ameixa/ patê de porco/ pão de centeio/ crem (raiz forte)

Entrada
- Borscht - Sopa tradicional da Ucrânia feita de beterraba, defumados e framboesa/nata

Principais
- Varenyky - Massa recheada de batata, requeijão caseiro servido com nata e cebola crispy
- Kotleta po-kyivsky - Frango à Kiev recheado com ervas l
- Holubtsi - Rolinhos feito com folha de repolho recheado com carne e trigo sarraceno ao molho de tomate
- Banush - purê de milho cozido servido com porco assado, cogumelos e queijo

Sobremesa
- Kutia (trigo cozido, mel, papoula)
- Compota de ameixa vermelha
[21:10, 09/03/2024] Vania Limoeiro: Limoeiro apresenta: Etnias - Jantar Ucraniano 🇺🇦

Venha desfrutar de uma noite mágica repleta de sabores, música, dança e artesanato ucraniano. Uma celebração à cultura eslava, onde você será transportado para séculos de história através de pratos inspirados nas regiões montanhosas como os Cárpatos , o Mar Negro e tantas outras cidades, elaborados com ingredientes locais da agricultura familiar.

Menu Degustação:
7 passos
R$185,00
Música ao vivo e welcome drink

Data: 21/03 (Quinta), às 19h
Local: Av. Marechal Humberto de Alencar Casto Branco, 669 - Cristo Rei

Compra antecipada: Whatsapp (41) 3093-5392
[21:10, 09/03/2024] Vania Limoeiro: Prepare-se para uma experiência gastronômica única, onde cada prato conta uma história gustativa e sensorial. E para tornar a noite ainda mais encantadora, teremos a presença da talentosa compositora, cantora e acordeonista Ágatha Pradnik. A comida tem o poder de resgatar memórias inesquecíveis e nos conectar através de sabores, unindo passado e presente em cada aroma e sabor.

Comunidade Ucraniana de Curitiba se prepara para concerto histórico

Coral Poltava, Capela de Banduristas Fialka, Orquestra Poltava e OttavaBassa se preparam para fazer história em um concerto com mais de 150 artistas, em alusão aos períodos de guerra da Ucrânia, na Capela Santa Maria

O Grupo Folclórico Ucraniano Poltava leva ao palco da Capela Santa Maria seu mais novo concerto em memória ao povo ucraniano, “Україна, єдина нація”, em português, “Ucrânia, nação única”. O espetáculo, que acontece no dia 30/10, às 19h, contará com o coral e a orquestra do grupo e narração da atriz convidada Simone Hidalgo, ao lado da Capela de Banduristas Fialka e do prestigiado coro OttavaBassa.
Com direção geral do premiado tenor Vitorio Scarpi e direção musical do maestro Igor Yulian Kovaliuk, o repertório contará com músicas nacionais ucranianas de compositores renomados e arranjos exclusivos feitos para o concerto.
O evento tem como intuito arrecadar alimento para ajudar as famílias ucranianas refugiadas no Brasil. Os ingressos estão esgotados, porém, quem quiser contribuir pode levar 1kg de alimento não perecível ao Clube Poltava durante o sábado 29/10 (das 14h às 21h, na Rua Pará, 1035, Água Verde) ou à Capela Santa Maria no domingo 30/10 (entre 18h às 19h, na Rua Conselheiro Laurindo, 273, Centro).
O concerto “Україна, єдина нація” tem apoio da Prefeitura Municipal de Curitiba, Fundação Cultural de Curitiba, Instituto Curitiba de Arte e Cultura, Capela Santa Maria Espaço Cultural, Representação Central Ucraniano Brasileira, Embaixada da Ucrânia da República Federativa do Brasil, Aintepar e UkraBar.

O Grupo Folclórico Ucraniano Poltava
Fundado em 1981, pelo então Bispo Eparca dos ucranianos católicos do Brasil, Dom Efraim Basílio Krevei, o Grupo Folclórico Ucraniano Poltava é atualmente uma das maiores instituições mantenedoras da cultura ucraniana no Brasil. Ao longo de seus 41 anos de história, o Grupo Poltava preserva, ensina e divulga a etnia ucraniana através de seus diversos departamentos de música, dança, língua e artesanato. Conhecido no Brasil e no mundo, o Poltava tem a honra de trazer, à Capela Santa Maria, seu concerto em memória ao povo ucraniano.

Serviço:
Concerto Україна, єдина нація
Data: 10 de outubro
Horário: 19h
Local: Capela Santa Maria | Rua Conselheiro Laurindo, 273, Centro
Ingressos: Esgotados
Contribuição: 1Kg de alimento não perecível
Entrega de alimentos: Clube Poltava - sábado 29/10 - das 14h às 21h - Rua Pará, 1035, Água Verde | Capela Santa Maria - domingo 30/10 - das 18h às 19h - Rua Conselheiro Laurindo, 273, Centro

Série sobrenatural do Globoplay apresenta a pouco conhecida cultura ucraniana no Brasil

Comunidades do Paraná que mantêm tradições do país europeu inspiraram ‘Desalma’;
grupo folclórico de Curitiba até participou das gravações

Para quem vive no Paraná, a trama a ser mostrada pela série Desalma, que estreia na quinta-feira (22) no Globoplay, não parecerá tão distante. Proposta inédita de drama sobrenatural da plataforma de streaming, a história tem como pano de fundo as lendas, ambientes, personagens e tradições ucranianas, preservadas em diversas comunidades do estado.

A pequena Brígida, cidade fictícia da série, é inspirada em Prudentópolis, município de cerca de 50 mil habitantes do Centro-Sul paranaense, conhecido pelas suas cachoeiras gigantes, mas também por manter, proporcionalmente, a maior comunidade ucraniana do Brasil: estima-se que cerca de 80% dos seus moradores são descendentes do país europeu.

Foi na cidade que a escritora Ana Paula Maia se aprofundou nas tradições da Ucrânia. Consagrada escritora de livros, vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura, há quatro anos ela se mudou do Rio de Janeiro para o Paraná, onde teve contato com as tradições e costumes de outros povos. Da experiência, nasceu essa sua primeira investida no audiovisual.

“Meu primeiro impacto foi na comida, até que comecei a ver os bosques, os parques da cidade, as festas típicas, os vários grupos folclóricos. Eles mantêm vivas as festas, as tradições, e quase ninguém sabe nada sobre isso. Achei isso muito impressionante e pensei que o resto do Brasil precisava conhecer o que existe ali”, contou a autora em divulgação do Globoplay.

Estima-se que quase meio milhão de descendentes de ucranianos vivem hoje no Paraná. Os antepassados aportaram no Brasil a partir do final do século XIX (1891) em busca de terras e, depois, fugindo dos horrores das duas Guerras Mundiais. Eles formaram aqui a terceira maior comunidade ucraniana fora do país – as primeiras estão no Canadá e EUA. Atualmente, mais de 20 grupos folclóricos preservam as tradições no Brasil, a maioria deles no Paraná.

Desalma vai mostrar um pouco desse povo e seus costumes. Com segunda temporada já confirmada, tem direção de Carlos Manga Jr., de Se Eu Fechar os Olhos Agora, minissérie indicada ao Emmy, e Aruanas. O elenco reúne nomes consagrados, como Cassia Kis, Claudia Abreu e Maria Ribeiro e jovens talentos, como Camila Botelho e Giovanni de Lorenzi. Nathalia Garcia, conhecida pela atuação no filme Ferrugem, é uma das atrizes paranaenses da série.

Para participar da trama, todos tiveram que aprender um pouquinho da cultura ucraniana. Um dos responsáveis por apresentar a Ucrânia ao elenco foi o especialista Andreiv Choma, integrante do Folclore Ucraniano Barvinok, de Curitiba, e que há anos se dedica ao estudo das tradições do país Europeu, de onde vieram seus antepassados.

“Estive lá durante o primeiro contato da equipe com a série. Falei do folclore ucraniano de maneira geral, mas principalmente da mitologia, das lendas, do lado místico desse mundo, muito presente em Desalma. Houve um cuidado muito grande da autora em retratar a cultura ucraniana e a produção fez questão de mostrar o que nós preservamos em detalhes”, conta.

O aprendizado se reflete nas cenas, às vezes alegres, como na apresentação de danças ucranianas por um grupo folclórico de Brígida, mas em grande parte sombrias, como na reprodução da tradicional cantiga ucraniana Marusia pela misteriosa bruxa Haia (Cassia Kis).

A música faz parte do repertório do coral do Barvinok, e já foi apresentada no Festival de Etnias do Paraná, que ocorre anualmente entre julho e agosto, no Teatro Guaíra, em Curitiba.

A história de Desalma transita entre passado e presente. Em 1988, a jovem Halyna (Anna Melo) é morta durante a milenar festa ucraniana de Ivana Kupala, banindo o evento do calendário de Brígida. Trinta anos depois, a população se prepara para trazer a celebração de volta para a cidade, mas acontecimentos enigmáticos passam a assustar a comunidade.

Choma é um dos responsáveis por incluir a festa no calendário folclórico do Paraná há quase 20 anos. O evento ocorre em julho e é organizado pelo Folclore Ucraniano Spomen, de Mallet, Centro-Sul do Paraná, cidade que recebeu a primeira leva de imigrantes ucranianos do Brasil. Em 2020, a pandemia impossibilitou a celebração, que deve ser retomada no ano que vem.

“A festa tem origem pagã e comemora o início do verão na Ucrânia. Depois, ela foi incorporada pelo cristianismo, com os festejos de São João. Diversos elementos estarão muito bem retratados na série, como a fogueira, as danças, as coroas de flores e os bonecos de palha representando os deuses do amor que ao final são jogados no fogo”, explica.

O toque de terror e suspense de Desalma vai incluir eventos sobrenaturais à noite de Ivana Kupala, conhecida por ser a mais escura do ano, atraindo os ingênuos para a floresta sombria.

A equipe da série viajou pelos três estados da região Sul para ambientar a história. Durante a pesquisa, estiveram principalmente em Mallet e Prudentópolis, cidades que inspiram a trama. Já para as filmagens de Brígida, o cenário escolhido foi o da serra gaúcha, rico em florestas, penhascos, lagos e ruínas. A segunda parte das gravações ocorreu em sets no Rio de Janeiro.

O Barvinok, de Curitiba, também estará representado em Desalma. Componentes do grupo, que em 2020 completa 90 anos de preservação da cultura ucraniana na capital paranaense, participaram das gravações da trama. Em uma das cenas, a câmera transita entre o giro do dançarino Oles Sysak e o remexer da colher no borscht, sopa tradicional ucraniana, por Anatoli (João Pedro Azevedo), um dos personagens de Brígida que é afetado pelas almas das trevas.

“Foi algo único na história do grupo e num período de muita emoção porque, na época, estávamos prestes a viajar para a Ucrânia para iniciar as comemorações de aniversário. Vai ser muito bom que o Brasil conheça um pouco mais da nossa cultura”, afirma Solange Melnyk Oresten, diretora do departamento de folclore da Sociedade Ucraniana do Brasil.

Alguns trajes ucranianos usados em apresentações pelos jovens de Brígida também saíram do guarda-roupas do Barvinok. Como ressalta Solange, a participação na série ajudou o grupo a não passar o ano “em branco”, já que os ensaios, apresentações e eventos em comemoração aos seus 90 anos foram adiados por conta da pandemia do novo coronavírus.

Para 2021, já estão confirmados vários eventos do grupo, como a segunda edição do Dia da Ucrânia em Curitiba, que deve contar com a participação de vários grupos folclóricos do país.