
Onze cidades recebem, gratuitamente, apresentações, aula aberta de iluminação e debate. Temporada inicia em Piraquara nesta sexta-feira, 18/8, com participação da socióloga Sonia Lafoz

A montagem do Espaço Cênico para o texto clássico de Augusto Boal, “Murro em Ponta de Faca”, faz em agosto e setembro uma temporada de circulação por 11 cidades do Paraná. Com direção de Paulo José, a peça, que trata da ditadura militar brasileira, inicia a temporada no dia 18 de agosto, no Theatro Municipal Heloína Ribeiro de Souza, em Piraquara, e segue até 3 de setembro, com novo elenco: Abílio Ramos, Gabriel Gorosito, Edson Bueno, Patrícia Saravy, Raquel Rizzo, além de Nena Inoue, criadora e diretora da companhia Espaço Cênico. As atividades começam com a aula aberta de Iluminação, com Beto Bruel, sem necessidade de inscrição prévia, e seguem após a apresentação da peça com o debate “Exílios e Pertencimentos”. Em Piraquara a convidada será a socióloga Sonia Lafoz.

Em seguida, o espetáculo segue para Ponta Grossa, Guarapuava, Cascavel, Umuarama, Arapongas, Maringá, Pinhais, Araucária, Campo Largo e Paranaguá, oferecendo sempre aulas de Iluminação com o premiado Beto Bruel, além de 15 debates com a participação de convidados de cada cidade, que vivenciaram os anos da ditadura no Brasil.
Selecionado no primeiro edital da lei Estadual de Incentivo a Cultura/PROFICE, a turnê “Murro em Ponta de Faca” conta com o patrocínio da COPEL.
Emblemático texto da dramaturgia brasileira, escrito por Boal em 1974 foi o primeiro texto do autor montado no Brasil durante seu exílio no exterior, em 1978, pelas mãos do mesmo Paulo José que em 2011 aceitou o convite de Nena Inoue e segue assinando a direção do espetáculo, desde então.

Sonia Lafoz nasceu em Argel, norte da África, mas diz que “meu coração é brasileiro”. “Cheguei em São Paulo aos 7 anos com a minha família de pai espanhol e mãe francesa. A família deixou a Argélia em 1954, de certa forma, fugindo dos prenúncios da guerra de libertação argelina. Meu pai, era do Partido Comunista Espanhol no exílio e a polícia francesa da época ia buscá-lo a cada agitação política e ele ficava alguns dias preso. Posso até dizer que já nasci quase exilada”, conta ela, que tem 71 anos. “Até meus 20 anos permaneci em São Paulo e iniciando a faculdade de psicologia na USP na famosa Maria Antonia, palco de muita agitação política nos anos 60. Na USP a militância política era intensa e participei de todo o processo de lutas universitárias contra a ditadura que se instalara em 64 e que em 68 teve seu momento mais drástico. Com o endurecimento dos militares no poder a repressão aos estudantes se intensificou fortemente. A clandestinidade veio como consequência”, completa.

Murro em Ponta de Faca conta sobre um grupo de exilados brasileiros em suas trajetórias pelo Chile, Argentina e França. Um relato do Brasil e da América Latina à época da Ditadura, em precisa radiografia histórica e temática universal, sob o olhar de Augusto Boal e Paulo José, dois grandes nomes do teatro no Brasil e no exterior.
“Passados 50 anos do Golpe Militar, trazer a cena o contexto histórico da ditadura brasileira e latino americana, período fundamental para o entendimento dos rumos da Democracia do pais”, pontua Nena Inoue, idealizadora da montagem que também atua.
A peça traz o exílio como temática, prática sempre presente na história da humanidade, que se por um lado é fruto da negação, da dominação, da intolerância e da exclusão, por outro, é a negação da negação, a resistência, a luta pela afirmação. Um trabalho que insiste que lembrar é resistir. “Hoje existe a prática da filosofia do perdão, do viver e deixar viver… eu afirmo que importante também é não esquecer, pois a perda de memória pode nos levar a repetir o erro”, diz o diretor, ressaltando a importância da montagem.
“Montei esta peça quando, após uma leitura dramática no Espaço Cênico, constatei que os jovens na plateia não sabiam sobre este período do Brasil. Afinal, é mais uma das coisas graves que passaram impunes no Brasil, que por isso continua réu na Corte Interamericana dos Direitos Humanos, por conta dos crimes cometidos na Ditadura e porque não levou a julgamento nenhum dos torturadores…acho que nunca levará, e assim a justiça não acontecerá. Então me sinto no dever de mostrar o que aconteceu”, completa Nena.
Considerando a excelência dramatúrgica e atualidade da obra, a montagem busca estender a obra de Augusto Boal e apresenta não só a ditadura brasileira, mas também a latino-americana. “A intenção é valorizar a memória nacional e ressaltar um período recente da História do Brasil ignorado por muitos, além de insistir no reconhecimento de brasileiros que
resistem”, observa a atriz. Selecionado único pelo Paraná no Prêmio Myriam Muniz 2010 de montagem, o espetáculo estreou não por acaso, dia 31 de março de 2011, no Festival de Curitiba, no Espaço Cênico, e realizou temporadas no Rio de Janeiro e São Paulo, apresentando-se em diversas cidades do país com apoio de editais de circulação da Caixa Cultural, Funarte e Petrobras Cultural.
FICHA TÉCNICA
- Texto: Augusto Boal
- Direção Geral: Paulo José
- Elenco:
- Abílio Ramos, Edson Bueno, Gabriel Gorosito, Patrícia Saravy, Nena Inoue, Raquel Rizzo.
- Iluminação: Beto Bruel
- Cenário: Ruy Almeida
- Figurino: Rô Nascimento
- Direção Sonora: Daniel Belquer
- Preparação Vocal: Célio Rentroya e Babaya
- Técnico Operador: Vinicius Sant
- Assistente de Figurino: Sabrina Magalhães
- Ilustração Original: Elifas Andreato
- Designer Gráfico: Martin Castro
- Fotografia: Lidia Ueta
- Assessoria de Imprensa: Adriane Perin | De Inverno Comunicação
- Mídias Sociais: Trópico
- Produção Local:
- Rachel Coelho (Maringá e Arapongas)
- Priscila Cruz (Campo Largo)
- Lair Junior (Cascavel e Umuarama)
- Mariana Zanette (Paranaguá)
- Emerson Rechenberg (Ponta Grossa)
- Nena Inoue e Caroll Teixeira (Araucária, Piraquara, Pinhais)
- Rita Felchak (Guarapuava)
- Assistente de Produção: Priscila de Morais
- Produção Executiva: Carolline Teixeira
- Idealização e Diretora de Produção: Nena Inoue
- Realização e Criação: Espaço Cênico e Teatroca – Associação Livre de Teatro
- Incentivo: COPEL.
- Este projeto foi contemplado pelo Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura – PROFICE.
SERVIÇO:
- Informações:
- https://www.facebook.com/murroemponta/
- Piraquara
- Data: 18/08
- Horário: 19h30
- Local: Teatro Municipal Heloína Ribeiro de Souza
- 21h Debate “Exílios e Pertencimentos”
- ** 16h Aula Aberta de Iluminação com Beto Bruel
- https://www.facebook.com/events/482946822057136/
*com divulgação
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