Com recursos próprios, UFPR investe mais R$ 11,2 milhões em ensino, pesquisa e extensão

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) destina mais R$ 11,2 milhões de recursos próprios para o ensino, a pesquisa e a extensão. Cinco novos editais foram lançados nesta segunda-feira (1º) para apoiar melhorias nas unidades, atividades de pesquisa, manutenção de equipamentos e publicações científicas internacionais. Professores, pesquisadores e técnico-administrativos da UFPR podem enviar propostas. Os editais estão com inscrições abertas e podem ser acessados no site da Pró-reitoria de Planejamento, Orçamento e Finanças (Proplan) e da Pró-reitoria de Pequisa e Pós-graduação (PRPPG).

O investimento é possível após o planejamento realizado com descontingenciamento do orçamento feito pelo governo federal em outubro do ano passado. Com o corte de verbas em abril pelo Ministério da Educação (MEC), a Universidade aprimorou com responsabilidade a gestão de seus recursos, prevendo todos os cenários possíveis.

“São verbas do nosso orçamento que foram remanejadas com o planejamento a partir do descontingenciamento que aconteceu a partir do ano passado. Vamos mostrar a UFPR mais forte e mostrar a sua marca maior: a qualidade”, diz o reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca.
Os editais utilizando recursos próprios investidos no Fundo de Desenvolvimento Acadêmico (FDA) foram aprovados pelo Conselho de Planejamento e Administração (Coplad) da UFPR.

Outro edital com verba própria de R$ 2 milhões foi lançado pela Universidade neste mês para projetos no combate à pandemia de Covid-19. Dessa forma, o total de recursos investidos em ensino, pesquisa, extensão e inovação tecnológica é de R$ 13,2 milhões.

Ensino, pesquisa e extensão

O edital “Demanda de Fluxo Programado 2020” visa apoiar melhorias da qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão. Professores e técnico-administrativos podem submeter propostas para necessidades do planejamento estratégico da unidade, como aquisições de equipamentos, móveis, material de laboratório incluindo vidraria e bibliografia. Para isso, são investidos R$ 2,5 milhões. As inscrições seguem até 17 julho na primeira chamada e podem ser feitas via formulário disponível no site da Proplan.

Outro edital que apoia melhorias em ensino, pesquisa e extensão é o “Demanda de Fluxo Contínuo 2020”. O objetivo é atender necessidades imprevisíveis e com urgência relativa para implantação, como consertos, calibração e instalação de equipamentos suplementares, serviços de terceiros e importação de peças. O investimento é de R$ 2,5 milhões e também podem participar professores e técnico-administrativos. O edital segue aberto até 1º de março com inscrições em formulário disponível no site da Proplan.

Os recursos próprios desses editais são do Fundo de Desenvolvimento Acadêmico (FDA) da UFPR.

Atividades de pesquisa

Grupos de pesquisa da UFPR certificados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) podem enviar propostas ao edital de “Apoio a atividades de pesquisa”. Serão financiados materiais de consumo, passagens e diárias nacionais destinadas a reuniões de trabalho, serviços de análises e pesquisas científicas e bolsas de iniciação científica. Os recursos investidos são de R$ 2,9 milhões e as propostas devem ser enviadas pelo Sistema Eletrônico de Informações (SEI) da UFPR até 5 de julho.

Os projetos de pesquisa devem abranger os eixos meio ambiente e sociedade; biodiversidade e biociências; materiais manufaturados; nanotecnologia; energias renováveis; sistemas agroalimentares e agronegócios; promoção da saúde humana, modelagem e simulação computacional; democracia, direitos humanos, diversidade e inclusão social; e sociedade, cultura e linguagem.

Manutenção de equipamentos

O edital de “Apoio à manutenção de equipamentos multiusuários de pesquisa” recebe propostas do responsável patrimonial do equipamento da UFPR. O objetivo é apoiar atividades de pesquisa e o desenvolvimento de teses e dissertações dos programas de pós-graduação da Universidade.

São investidos R$ 3 milhões para manutenção corretiva de equipamentos e laboratórios com característica multiusuária, adequação de infraestrutura e renovação de licença de software de apoio à pesquisa. Propostas devem ser enviadas pelo pelo Sistema Eletrônico de Informações (SEI) da UFPR até o dia 15 de cada mês.

Publicações científicas internacionais

Taxas de publicação em periódicos científicos internacionais podem ser financiadas com recursos próprios do edital de “Apoio a publicações científicas internacionais”. Podem participar autores vinculados a pós-graduação stricto sensu da UFPR com trabalhos sobre atividades de pesquisa, inovação e desenvolvimento. São disponibilizados R$ 300 mil. O edital tem fluxo contínuo aberto até 10 de outubro ou enquanto existir a disponibilidade financeira – as propostas devem ser enviadas pelo Sistema Eletrônico de Informações (SEI) da Universidade.

Links para acessar editais:
http://www.proplan.ufpr.br/portal/inscricoes/
http://www.prppg.ufpr.br/site/editais-de-apoio-a-pesquisa/apoio_pesquisa/

Link da notícia no portal UFPR:
https://www.ufpr.br/portalufpr/noticias/com-recursos-proprios-ufpr-investe-mais-r-112-milhoes-em-ensino-pesquisa-e-extensao/

Estamos à disposição para agendamento de entrevistas. Lembrando que estamos atendendo pelo e-mail jornalismo.sucom@ufpr.br.

Professoras da UFPR lançam livro de passatempos gratuito sobre mulheres cientistas no combate à covid-19

Iniciativa faz parte de projeto de extensão sobre mulheres na ciência

Um grupo de professoras da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ligadas ao projeto de extensão “Meninas e Mulheres nas Ciências”, lançou, nesta sexta-feira (22), um livro gratuito com passatempos sobre as mulheres cientistas no combate ao coronavírus. As idealizadoras, professoras Alessandra Barbosa, Camila Silveira, Camilla Oliveira, Clarice Amaral, Glaucia Pantano e Tatiana Simões, são docentes do Setor de Ciências Exatas. As ilustrações foram feitas pelo estudante de Física da UFPR, Marcelo Machado.

“É uma produção coletiva de mulheres cientistas sobre mulheres cientistas e isso tem grande valor para o cenário no qual atuamos profissionalmente”, destaca a professora do departamento de Química, Camila Silveira, coordenadora do “Meninas e Mulheres nas Ciências”. O material é voltado para o público em geral, com atividades para crianças, jovens, adultos e idosos, que vão de caça-palavras e palavras-cruzadas a desenhos para colorir. Nele, por exemplo, é possível obter informações de forma lúdica sobre o papel do grupo das cientistas brasileiras que sequenciaram o genoma do novo coronavírus.

Por meio de um caça-palavras, também é possível conhecer melhor o trabalho de Kizzmekia Corbett, uma pesquisadora afro-americana que lidera as pesquisas na busca da vacina para a Covid-19. A brasileira Nísia Trindade Lima, presidenta da Fiocruz, instituição que lidera trabalhados relacionados à saúde no Brasil, é outra cientista apresentada no livreto. Com palavras cruzadas e imagens para colorir, os passatempos ainda oferecem informações sobre a importância de higienizar as mãos e a relevância da matemática no combate ao vírus.

Segundo Camilla Oliveira, do departamento de Física e vice-coordenadora do projeto, um dos objetivos do livro é reconhecer e homenagear o trabalho das mulheres que dedicam suas vidas à ciência. “Elas permanecem anônimas, na grande maioria das vezes”, destaca. A professora do departamento de Física Alessandra Barbosa destaca que essa é uma oportunidade de “informar de maneira mais acessível, mostrar o quanto a Ciência é bonita e precisa ser compartilhada”. Já para Clarice Amaral, do departamento de Química, a iniciativa é uma oportunidade para apresentar o trabalho “de mulheres incríveis e competentes que fazem e fizeram diferença na batalha contra o novo coronavírus”.

O livro traz de forma lúdica a questão da representatividade feminina. “É um caminho para inspirar as meninas a seguirem carreiras científicas”, afirma a professora Tatiana Simões, do departamento de Química. A proposta de trazer o combate à pandemia como eixo da divulgação científica também é destacada por outra de suas idealizadoras, a professora Glaucia Pantano, do mesmo departamento. “Nesse grave cenário de Pandemia, elaborar passatempos que apresentam as cientistas envolvidas no combate da Covid-19 e trazem importantes informações como formas de prevenção dessa doença é de suma importância para a sociedade”, diz.

Link para download: https://meninasemulheresnascienciasufpr.blogspot.com/2020/05/livreto-passatempos-mulheres-nas.html

Conselho da Universidade Federal do Paraná (UFPR) decide adiar vestibular devido a pandemia

De outubro, data da prova objetiva (primeira fase) do Vestibular 2020/2021 fica preliminarmente agendada para 10 de janeiro de 2021. Comissão de acompanhamento lança nova nota técnica

O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFPR (Cepe) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) aprovou nesta quarta-feira (20) o adiamento do Vestibular 2020/2021 devido às condições decorrentes da pandemia de covid-19. Antes prevista para 18 de outubro deste ano, a data da prova objetiva do vestibular (primeira fase) fica agendada para 10 de janeiro de 2021.

O conselho decidiu ainda, seguindo a proposta do Núcleo de Concursos, estabelecer o dia 10 de agosto como data máxima para confirmar ou postergar a nova data, de acordo com a evolução da pandemia. Outras datas referentes ao processo serão divulgadas posteriormente.

A decisão segue as recomendações do Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo Novo Coronavírus do Ministério da Saúde e de plano definido em sequência pela Secretaria Estadual de Saúde do Governo do Estado do Paraná, que também decidiu, no dia 16 de março de 2020, suspender eventos abertos ao público, de qualquer natureza, com aglomeração acima de 50 pessoas.

O relator da proposta e coordenador do Núcleo de Concursos da UFPR, Altair Pivovar, apresentou diversas razões para o adiamento, sem o qual haveria risco de contaminação para os candidatos e para os aplicadores de provas. Para cumprir as medidas de afastamento seriam necessários dobrar o número de salas de 800 para 1600 que comportem 25 candidatos cada, em vez de 50 em uma situação normal, além disso, o montante de pessoal para aplicação por sala deveria ser de 25, o que mobilizaria ainda mais pessoas, trazendo mais riscos.

O transporte de candidatos, que vêm de diversas regiões e têm de circular por aeroportos e rodoviárias também foi citado, o que contraria as recomendações das autoridades de saúde.

Análise

Durante o Cepe a comissão criada pela universidade para acompanhamento e controle de propagação do novo coronavírus apresentou nova nota técnica em que avalia a situação da pandemia no Paraná.

A nota alerta para o aumento do número de novos casos diários, com o consequente crescimento da taxa de ocupação de leitos hospitalares no período verificado (entre fim de abril e início de maio). De acordo com a comissão, contribuíram para esse retrocesso (em relação ao achatamento da curva de transmissão verificado na nota técnica anterior) o aumento da mobilidade social e a diminuição do distanciamento social.

Considerando que as projeções futuras da Covid-19 no Brasil indicam "um número alto de novos casos devem ocorrer pelos menos até agosto", a comissão avalia que a testagem da população deve ser um fator considerado para ampliar a eficiência do distanciamento social. Os exames aptos ao monitoramento da população nessa estratégia são os para detecção do vírus e testes imunológicos.

Isso é necessário, apontam os pesquisadores, frente à projeção de que apenas vacina apropriada encurtaria o período de alta circulação do vírus.

LINKS

Matérias no site da UFPR:

"Conselho adia data do Vestibular UFPR 2020/2021 para janeiro"
https://www.ufpr.br/portalufpr/noticias/conselho-adia-data-do-vestibular-ufpr-2020-2021-para-janeiro/

"Comissão da UFPR lança nota com novas informações e recomendações sobre a covid-19"
https://www.ufpr.br/portalufpr/noticias/comissao_da_ufpr_lanca_nota_com_novas_informacoes_e_recomendacoes_sobre_a_covid-19/ (acesso a links e gráficos)

PARA SOLICITAÇÃO DE ENTREVISTAS, FAVOR USAR O E-MAIL jornalismo.sucom@ufpr.br.

A COMUNICAÇÃO DA UFPR ESTÁ EM TRABALHO REMOTO DURANTE A PANDEMIA DE CORONAVÍRUS. MAIS INFORMAÇÕES AQUI: https://www.ufpr.br/portalufpr/noticias/comunicacao-da-ufpr-passa-a-trabalhar-em-regime-remoto-demandas-devem-ser-enviadas-digitalmente/

Terapeuta oferece curso online gratuito sobre prosperidade

Em três dias de aula, Cristie Regine Klotz Zuffo irá dividir suas experiências na Índia e auxiliar os participantes em sua jornada de autoconhecimento e abundância

A terapeuta Cristie Regine Klotz Zuffo vai oferecer de 26 a 31 de maio o curso online Inspire Prosperidade. Dividido em três aulas, sempre às 20h, o curso será gratuito, a todos que queiram compreender e experienciar os conceitos da tradição mística indiana sobre o tema.

No dia 26, a terapeuta irá falar sobre “O despertar de uma nova visão”. No dia 28, o tema será “O poder que a crença tem de manifestar sua realidade” e no dia 31, “Conecte-se ao propósito de manifestar prosperidade em sua vida e ser contribuição para a humanidade”.

“Eu entendo que o momento pede para que as pessoas desenvolvam novas habilidades, se reinventem e aprendam um novo jeito de atravessar as crises. Esse curso se propõe a auxiliar os participantes a ressignificarem suas vidas, e a se conectarem ao fluxo da sabedoria maior, que é de prosperidade, e a manifestarem sua vida com consciência”, explica Cristie, que promete dividir ferramentas para que cada um consiga iniciar sua caminhada.

Formada em Nutrição pela UFSC, Mestre pela UFPR na mesma área, Cristie Regine Klotz Zuffo quis ampliar os limites que o termo nutrir representava em sua vida. Do interior de Santa Catarina, no sul do Brasil, a terapeuta partiu em busca de experiências que pudessem alimentar também a jornada de autoconhecimento e o despertar de seus clientes. Iniciou-se em Deeksha na Índia e tornou-se mestre em Reiki – práticas de transmissão de energia e saúde pela imposição de mãos -, formou-se em leitura de aura, em Gineterapia e Constelação Familiar, e desde 2010 vem frequentando diversas aulas de temas relacionados ao desenvolvimento espiritual na Índia, na Oneness University, One World Academy e na O&O Academy. Nesses dez anos de atuação e aperfeiçoamento, Cristie desenvolveu uma abordagem integrativa que vem auxiliando pessoas em todo o Brasil.

Inscrições e informações pelo link: https://bit.ly/inspireprosperidadegratuito

UFPR destina recursos próprios para projetos no combate à pandemia de Covid-19

Edital recebe propostas de todas as áreas do conhecimento com metas em ensino, pesquisa, extensão e inovação tecnológica

Diante de um cenário de incertezas e cortes de investimentos, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) destina R$ 2 milhões dos seus recursos próprios para o combate à pandemia de Covid-19. Para isso, lançou nesta segunda-feira (18) edital para projetos de todas as áreas do conhecimento com metas em ensino, pesquisa, extensão e inovação tecnológica. As propostas podem ser enviadas por professores e técnico-administrativos até as 17h de 1º de junho – o edital completo pode ser acessado neste link (proplan.ufpr.br/portal/inscricoes).

“O edital com recursos próprios da UFPR focado no contexto pós-pandemia reflete a preocupação da nossa Universidade em priorizar ações no ensino, pesquisa, extensão e inovação tecnológica em um novo contexto ainda incerto, mas que reforça o papel das universidades públicas enquanto produtoras de conhecimento”, diz o reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca.

“A nossa Universidade se mostra organizada e forte no enfrentamento à Covid-19. Esse edital é uma oportunidade de a UFPR ampliar os estudos transversais e interdisciplinares. A pluralidade e o trabalho de cada um se unem para construir ações maiores”, acrescenta a vice-reitora da Universidade, Graciela Bolzón de Muniz.

Os projetos devem ter ênfase no enfrentamento da Covid-19 em pelo menos uma das fases de desaceleração e controle da pandemia, de modo transversal e interdisciplinar. As propostas inscritas devem ser únicas e individualizadas, mas podem ser montadas equipes de caráter multidisciplinar.

Os critérios analisados incluem aspectos como abrangência e impactos, articulação em redes internas e/ou com outras universidades e adesão de entidades públicas e privadas e terceiro setor.

Os recursos apoiam despesas de capital, como aquisição de equipamentos e peças de reposição, e de custeio, que agrega bolsas para estudantes de graduação e pós-graduação, manutenção de equipamentos, material de consumo e gastos acessórios com importação.

Jogos com espectadores só devem ocorrer após vacina, indica relatório de instituto da UFPR

Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná ligados ao Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva divulgaram, na última semana, o documento Recomendações e Orientações Gerais para o Esporte Brasileiro frente à COVID-19. Trata-se do primeiro material elaborado sobre o esporte diante da pandemia, amparado em evidências científicas. A proposta surgiu a partir de um ciclo de debates semanais realizados no canal do Youtube do grupo e tem entre seus principais pontos a defesa das indicações das autoridades sanitárias e a conclusão de que jogos com os espectadores só devem ocorrer após a descoberta de uma vacina contra a doença. O projeto de pesquisa “Inteligência Esportiva” (IE) é uma ação conjunta entre o Centro de Pesquisa em Esporte, Lazer e Sociedade (CEPELS) da UFPR e a Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento (SNEAR) do Ministério do Esporte.

De acordo com o professor Fernando Mezzadri, que assina o documento junto com o coordenador da comissão de integridade da Federação Paulista de Futebol, o advogado Paulo Schimitt, no cenário que se apresenta hoje, de manutenção de isolamento social, as práticas esportivas deverão se limitar as atividades física e esportivas sem nenhum contato físico e mantendo a distância de pelo menos um metro.

“As atividades devem se limitar em práticas como caminhada, ciclismo, corrida, exercícios em casa, yoga, alongamentos, entre outras, sempre evitando qualquer forma de aglomeração ou de incentivo à circulação de pessoas. Sempre que possível as pessoal podem caminhar perto de suas residências e não devem procurar ir aos parques para realizar as atividades”, explica Mezzadri. Segundo ele, este não é o momento para a reabertura de academias, por exemplo.
O relatório apresenta premissas e fatores de risco a serem levados em conta, indicando a importância do uso de máscaras e de equipamentos de proteção individual e da higienização e desinfecção de locais e objetos. A existência de uma infra-estrutura adequada para que tudo isso ocorra também é imprescindível.

No que diz respeito à prática profissional é preciso, quando houver possibilidade de retomada, levar em conta uma série de cuidados, como diagnosticar atletas e demais envolvidos, medir a temperatura e fazer testagem rápidas em quem frequenta os centros de treinamento e pensar em realizar eventos em localidades menos afetadas pela doença, com ausência de público. Mas isso, reforça Mezzadri, não deve ocorrer agora. “Tanto os atletas quanto as pessoas devem fazer os testes como uma forma de controle e precaução, mas a volta aos treinamentos normais e as competições ainda não devem ocorrer agora. Consideramos muito precipitado o retorno as competições pelo atual estágio da pandemia no Brasil”, explica.

Torcidas só quando houver vacina
O documento também sugere que jogos com espectadores só devem ser retomados quando houver vacina e aponta quatro cenários possíveis para a pandemia: o de isolamento social, o de atividades autorizadas em funcionamento, o de um retorno gradativo e o da retomada total. No caso de se autorizarem determinadas atividades, por exemplo, é necessário que não haja contato físico e que haja medidas rígidas de desinfecção, higiene e uso de proteção.
Já num cenário de retorno gradativo de competições, deve haver cautela quanto à uma pequena separação de grupos durante o treinamento. Todos os integrantes das equipes técnicas devem estar protegidos. “Gestores públicos, da iniciativa privada, atletas e espectadores terão que compreender o atual momento. Sabemos que as competições não devem começar agora, não podemos ter contato físico e a grande maioria das modalidades esportiva requer esse contato“, evidencia Mezzadri.

Ele lembra que o esporte profissional movimenta em torno de 2.5 trilhões de dólares por ano, no mundo, e que várias competições já foram canceladas, tais como Jogos Olímpicos e NBA. “Mesmo os campeonatos estaduais no Brasil estão suspensos, o que está impactando fortemente esse mercado“. Por conta disso, o professor sugere, no nosso caso o futebol, que gestores busquem ações para proteger os milhares de jogadores que ganham até três salários mínimos e já estão perdendo seus contratos. “Dificilmente haverá jogos com torcida enquanto não existir uma vacina para a COVID-19“, reforça.

Qualquer que seja o cenário, o relatório estabelece que é necessário seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e adotar medidas educativas, com rigor quanto aos aspectos relacionadas à higiene. A expectativa compartilhada pelos pesquisadores é de que a retomada gradual das atividades só comece a ocorrer em médio ou longo prazo.

Links
Matéria: https://www.ufpr.br/portalufpr/noticias/jogos-com-espectadores-so-devem-ocorrer-apos-vacina-indica-relatorio-de-instituto-da-ufpr/

Relatório: https://www.ufpr.br/portalufpr/wp-content/uploads/2020/05/Recomendac%CC%A7o%CC%83es-e-Orientac%CC%A7o%CC%83es-Gerais-para-o-Esporte-Brasileiro-frente-a%CC%80-COVID-19.pdf

Universidade Federal do Paraná cria programa para acolher sua comunidade durante pandemia de covid-19; conheça todas as frentes da iniciativa

Estima-se que entre um terço e metade da população exposta a uma epidemia pode vivenciar sofrimento psíquico, o que aponta para a importância de ações de cuidados emocionais e dos relacionamentos neste contexto. Em meio à crise mundial da pandemia do covid-19, a Universidade Federal do Paraná (UFPR), por meio do Programa ConVida oferece à comunidade interna e externa, ações preventivas e de suporte emocional para autocuidado e cuidado das pessoas próximas, apresentadas por meio do Projeto "Você Importa: cuidando de si e do outro".

O Projeto “Você importa” tem o propósito de oferecer espaços solidários, sustentados no diálogo e trocas coletivas, os quais são recursos de apoio em tempos de crise.

Por meio de canais não-presenciais e remotos, de forma acessível, interativa e dinâmica, este programa oferece suporte e acolhimento emocional para a comunidade UFPR e, em algumas das ações, também para comunidade externa.

O propósito deste projeto não é oferecer tratamento psicológico e nem acompanhamento psicoterapêutico ou psiquiátrico em saúde mental. A proposta também não se confunde com processos de coaching ou auto-ajuda. "Entendemos que neste momento de crise que atinge toda a sociedade, é importante que as pessoas encontrem suporte emocional para o cuidado de si e do outro, proporcionando senso de pertença, diminuindo a solidão e, pelo suporte coletivo, encontrando o fortalecimento da rede de apoio social e a mobilização dos recursos psicológicos pessoais para enfrentamento dos desafios neste contexto. ", explica a professora Lis Soboll, coordenadora do projeto.

O Projeto "Você Importa" prioriza abordagens iniciais coletivas, tendo em vista favorecer a capacidade de troca, o fortalecimento de laços sociais e a acesso amplo para diversos públicos. Para casos de maior vulnerabilidade também são oferecidos acompanhamento individual. Já o o projeto “Você Importa: cuidando de si e do outro” tem o propósito de oferecer espaços solidários, sustentados no trabalho colaborativo e no diálogo coletivo, como um recurso de apoio em tempos de crise.

Materiais informativos

Vídeos, entrevistas, transmissões ao vivo, conteúdo para redes sociais, podcasts, artigo de opinião: o material é produzido com fins de orientação e suporte afetivo. Estão disponíveis áudios, lives e conteúdos no perfil @ufprconvida no Instagram e no site www.convida.ufpr.br.

Diálogos virtuais sobre vida emocional em tempos de isolamento, sobre temas relacionados ao convívio com crianças e adolescentes durante o período de distanciamento social e sobre a rotina de estudos já estão disponíveis no canal do youtube ufprconvida.

Programação especial em homenagem ao Dia das Mães

Na próxima semana o Projeto "Você Importa" oferecerá uma programação especial como uma maneira de reconhecer e aproximar as mulheres e suas famílias, em homenagem ao Dia das Mães.

05/05 TERÇA
Sobrecarga das mães na quarentena
14h Live @ufprconvida
Profa. Lis Soboll (UFPR) e Geovanna Conte (YnaWeb)
15h Bate-papo online
Profa. Lis e Equipe ConVida

06/05 QUARTA
Culpa de mãe: diário de uma mãe no COVID-19
14h Live @ufprconvida
Profa. Lis Soboll (UFPR) e Profa. Ana Paula Viezzer (UFPR)
15h bate-papo on line com Profa. Lis e Profa. Ana

07/05 QUINTA
Conflitos familiares
14h Live @ufprconvida
Profa. Lis Soboll (UFPR) e Psic. Clarice Ebert (
15h Bate-papo virtual
Profa. Lis e Profa Maria Virginia Cremasco

08/05 SEXTA
Quarenta em família
10h30 Live @ufprconvida
Bate-papo online de estudantes para estudantes
Coordenação: Alunos do curso de psicologia da UFPR

08/05 SEXTA
Cuidando dos nossos idosos: uma conversa para todas as gerações
14h Live @ufprconvida
Psic. Katia Carreira (Você Importa-UFPR) e Profa. Regina (TUIUTI)
15h Bate-papo online
Psic. Katia Carreira (Você Importa - UFPR) e Equipe ConVida

Rodas de conversa on-line

Por meio da plataforma digital RPN, são realizados os encontros, com capacidade para até 100 pessoas simultaneamente – divididas em pequenos grupos. A possibilidade de compartilhar a fala e a escuta permite o diálogo sobre temas de nossas rotinas e o compartilhar de recursos pessoais de enfrentamento, informa a coordenadora. As rodas de conversa iniciaram no mês de abril, e para participar não é necessário fazer inscrição. O link de acesso será disponibilizado nos dias das rodas em nosso site www.convida.ufpr.br, e no nosso instagram @ufprconvida (lá também serão divulgadas as datas de cada roda de conversa).

Acolhimento individual

O foco do acolhimento individual à distância é nos primeiros cuidados emocionais em tempos de crise. A prioridade são os casos identificados – em ações anteriores da equipe – como de maior vulnerabilidade. “É um momento em que a vida está nos confrontado com nós mesmos, com nossos valores e nossos referenciais nesse contexto. O encontro com o outro tem o potencial de nos fortalecer e também nos dar significado. A melhor maneira de cuidarmos de nós e dos nossos próximos é nos cuidarmos juntos”, explica Lis.
Programa ConVIDA

A ação é uma iniciativa do ConVIDA, programa institucional que desenvolve ações para valorizar relações e pessoas e promover a saúde mental na UFPR. O trabalho é desenvolvido em parceria com técnicos-administrativos, docentes e alunos de graduação e pós-graduação da instituição. Egressos e profissionais parceiros oferecem contribuições nas áreas de saúde, psicologia, educação e comunicação.

A equipe do projeto "Você Importa", que conta com mais de 40 voluntários, envolvendo alunos de graduação, de pós-graduação, docentes, técnicos-administrativos e profissionais parceiros externos. Todos participam de treinamento e reuniões semanais, nas quais a equipe se apoiam mutuamente e define em conjunto os próximos passos do projeto. Vários outros docentes também integram o projeto, envolvendo seis diferentes departamentos da UFPR. Joanneliese de Lucas Freitas, Dione Menz, Maria Virgínia Cremasco, Lis Soboll e Sabrina Stefanello, coordenam as atividades. "Para a equipe tem sido também um espaço de fortalecimento e de troca muito significativo neste momento de desafio para todos. Por isso temos tanta gente envolvida" explica a coordenadora Lis Soboll.

A aluna Isabela Pelanda, do último ano do curso de Psicologia, tem acompanhado o projeto desde seu início como estagiária do ConVida, contribuindo ativamente nas várias ações propostas. "A oportunidade de acompanhar o projeto desde o seu início, ao lado das minhas professoras e de uma equipe muito disposta e ativa, tem sido muito gratificante e tem trazido um enorme aprendizado. É um prazer poder dedicar o tempo que estou tendo que ficar em casa para contribuir para a saúde emocional das pessoas que serão alcançadas pelo projeto” afirma Isabela, destacando a relevância desta experiência neste tempo de pandemia.

Por fim, sabemos que esse momento nos mostra a vida que nos confronta com nós mesmos, com nossos valores e referenciais. Assim, é o encontro com o outro que neste contexto tem o potencial de também nos dar significado. A melhor maneira de cuidarmos de nós mesmos e dos nossos próximos é nos cuidarmos juntos. Que tudo isso gere oportunidades de respeitarmos mais nossa condição humana e nossa possibilidade de encontros significativos de vida. Este futuro se constrói hoje, em escolhas cotidianas, que indicam o que de fato importa. Assim o Projeto "Você Importa" foi criado, pensando no cuidado de nós mesmos, das nossas relações e das nossas escolhas.

LINKS

Site do programa: www.convida.ufpr.br
Instagram do programa: @convida@ufpr.br
Canal do YouTube: ufprconvida
Leia mais notícias sobre o ConVida no Portal da UFPR: https://www.ufpr.br/portalufpr/?s=convida

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Evento cultural online da UFPR promove rede de interação com apresentações artísticas e webinários

Movimento Conexão conta com 15 atrações de artistas locais, professores, pesquisadores e estudantes, que serão transmitidas em lives nos dias 29 e 30 de abril
Cuidado coletivo. Diversidade de expressões artísticas. Reação poética, visual e sonora. Identidade. Essas são algumas das percepções que professores, pesquisadores, artistas e estudantes vinculados à Universidade Federal do Paraná (UFPR) reúnem sobre a primeira edição do “Movimento Conexão: Culturas Compartilhadas”. O evento online gratuito será nos dias 29 e 30 de abril e conta com 15 atrações, entre apresentações artísticas e webinários (seminários online) – clique aqui e confira a programação completa. As lives que começam às 15h e segue até 19h podem ser acessadas nos perfis no Facebook e no Instagram da Agência Escola de Comunicação Pública UFPR.
Já que o afeto físico está suspenso indefinidamente, o evento propõe o uso da tecnologia como o caminho ideal para fortalecer laços através da arte e da cultura. O “Movimento Conexão” é uma parceria entre a Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Científica e Cultural da UFPR, o Setor de Artes, Comunicação e Design (Sacod) e a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da UFPR (Proec).
“O Movimento Conexão é uma resposta da UFPR ao isolamento social e à pandemia. É uma reação poética, visual e sonora que oferece conhecimento, cultura e arte”, explica o pró-reitor de Extensão e Cultura da UFPR, Leandro Franklin. O nome do evento tem como objetivo projetar para o público um movimento plural, diverso e acessível. A coordenadora da Agência Escola de Comunicação Pública da UFPR e diretora do Sacod, Regiane Ribeiro, reforça que o propósito do evento é a circulação de cultura nos mais diferentes espaços. “Como estamos no projeto piloto, a ideia de ‘culturas compartilhadas’ é associar o compartilhamento de experiências com a produção artística da comunidade”.
Durante os dois dias de evento, o Movimento Conexão contará com lives sobre teatro, dança, música, videoarte, fotografia mobile em casa, arte indígena contemporânea, entre outros. Para quem não conseguir acompanhar a programação completa, as transmissões ficarão disponíveis nos perfis oficiais da Agência Escola. Para preencher a programação, o Sacod e a Proec receberam inscrições de artistas locais, grupos artísticos, professores e pesquisadores. “O processo de curadoria foi bastante elaborativo e colaborativo. Fizemos escolhas que contemplam a diversidade de linguagens artísticas e de todos os departamentos do Setor”, enfatiza a vice-diretora do Sacod, Stephanie Dahn Batista.
Universidade e sociedade juntas
Para a realização do evento tanto a comunidade acadêmica quanto a sociedade estão envolvidas. “O evento traz as produções dos nossos alunos, docentes, técnicos e grupos artísticos, mas também aquilo que é produzido pelos artistas locais”, afirma Leandro Franklin. O pró-reitor de Extensão e Cultura ainda ressalta que o objetivo é manter acesa a ideia de que as pessoas não estão sozinhas neste momento e que por meio da arte podemos retomar um sentimento de comunidade.
Para Francisco Gomes, bolsista de Publicidade e Propaganda da Agência Escola, participar do planejamento do evento foi uma oportunidade para conhecer novos tipos de expressão artística que antes não o interessavam. “O Movimento Conexão é cultura, é ciência, é inovação e é universidade pública. Dê essa experiência a você, porque com certeza existe alguma transmissão que você vai se identificar e que vai te adicionar em algo”, convida.
Mais do que a parceria entre áreas da Universidade, o evento conta com a união de professores, estudantes, técnico-administrativos, profissionais, artistas e também do público em geral. A coordenadora da Agência Escola explica que a proposta é reunir a comunidade interna e externa em uma rede de afeto e cuidado coletivo. “Ou seja, utilizar a internet para reconectar afetos e relações sociais”.
Link da matéria no portal UFPR: https://www.ufpr.br/portalufpr/noticias/evento-cultural-online-da-ufpr-promove-rede-de-interacao-com-apresentacoes-artisticas-e-webinarios/

“É um gesto de coletividade”: cientistas reforçam uso de máscaras em novas respostas para perguntas da sociedade

Novas dúvidas da sociedade sobre o coronavírus foram esclarecidas por cientistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Dessa vez, as perguntas foram respondidas por 11 pesquisadores da Universidade, que reforçam o uso de máscaras sempre que for necessário sair de casa. “Atualmente, usar máscaras é um gesto de coletividade e solidariedade, pois mesmo que para quem está usando máscara a proteção seja baixa, barra parte das gotículas produzidas ao falar, ao tossir e ao espirrar, protegendo os outros”, explicam.
As dúvidas da população sobre prevenção, contaminação e outros temas que envolvem a doença Covid-19 integram a campanha “Pergunte aos Cientistas”, da Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Científica e Cultural da UFPR. Para participar, basta enviar a pergunta ao e-mail agenciacomunicacaoufpr@gmail.com ou no direct do perfil @agenciaescolaufpr no Instagram, com nome completo, idade, profissão e cidade onde reside.
Nessa semana, as perguntas foram respondidas pelas cientistas Maria Fernanda de Paula Werner, Juliana Geremias Chichorro, Janaina Menezes Zanoveli e Alexandra Acco, professoras do Departamento de Farmacologia, e Maria Carolina Stipp e Bruna Barbosa da Luz, doutorandas do mesmo departamento; Juliana Bello Baron Maurer, professora do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular; Lucy Ono (integrante da comissão de especialistas), Edneia Cavalieri e Patricia Dalzoto, professoras do Departamento de Patologia Básica. Também participou o presidente da Comissão de Enfrentamento e Prevenção à Covid-19 da UFPR, Emanuel Maltempi de Souza, professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular. Confira abaixo:
Prevenção
“Os chineses consideram que é um erro não usar máscaras, pois a Covid-19 pode ser transmitida mesmo por uma pessoa assintomática. A máscara, neste caso, deveria ser de uso de todos como apontam muitos cientistas na revista Science. Todo mundo está confuso com as informações. Uma hora o Ministério da Saúde diz que não é para usar, depois diz que deve. Devemos usar máscaras? Qual é o tecido ideal para a fabricação caseira destas máscaras?” (Claudia Quadros, professora de Comunicação da UFPR, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Claudia, você tem toda a razão. Esse é um ponto que gerou muita confusão. A recomendação inicial era para não usar máscaras. Mas essa recomendação foi mudada – talvez porque toda essa situação é muito nova e estamos aprendendo juntos. Como você mesma disse, novos experimentos publicados estão subsidiando essas mudanças. O uso de máscaras é indicado sempre que for necessário sair de casa. Mesmo as máscaras caseiras diminuem a propagação do vírus por pessoas contaminadas, e diminuem novas infecções. Mas veja que a máscara impede que você emita gotículas, mas pouco protege você das gotículas dos outros. Por isso é importante cobrar de todos o uso da máscara. As máscaras caseiras, feitas com tecido, permitem a entrada de 70% a 90% das partículas pequenas (aerossóis) emitidas por uma pessoa que esteja a menos de dois metros de distância. Ou seja, não protegem o indivíduo de forma direta. Por outro lado, com o uso destas máscaras, a saída de partículas pequenas é reduzida em até 78%. Além disso, limita o contato manual, tornando-se uma barreira física entre as mãos potencialmente contaminadas e as vias respiratórias. Atualmente, usar máscaras é um gesto de coletividade e solidariedade, pois mesmo que para quem está usando máscara a proteção seja baixa, barra parte das gotículas produzidas ao falar, ao tossir e ao espirrar, protegendo os outros. Portanto, quando estiver fora de casa, use máscaras de proteção individual.
As máscaras:
– Podem ser feitas com duas camadas de tecidos como algodão e tricoline, ou três camadas de TNT.
– Podem ser utilizadas por até duas horas.
– Podem ser higienizadas com água e sabão neutro, ao estarem secas, passadas com ferro para então serem utilizadas novamente.
Lembre-se:
– Mesmo com uso das máscaras, as medidas de proteção individual, como lavagem das mãos com água e sabão e o uso do álcool 70% em gel devem ser mantidas.
– Mantenha distância de pelo menos dois metros.
– Evite levar as mãos ao rosto para coçar abaixo da máscara ou coçar os olhos.
– É necessário ter cuidado ao retirar a máscara, pois pode estar contaminada.
Ainda não há estudos que tenham quantificado o efeito do uso universal de máscaras para diminuir a velocidade de disseminação da Covid-19, no entanto, países asiáticos que têm esse hábito de usar máscaras para proteger o outro da exposição às gotículas contaminadas da sua orofaringe têm conseguido, aliado às demais medidas de distanciamento social e de prevenção baseadas em higiene das mãos e ambientes, diminuir a velocidade de propagação do novo coronavírus. O Ministério da Saúde não recomenda o uso de máscaras cirúrgicas e respiradores N95 pela população, solicitando que esses equipamentos de proteção individual comerciais sejam destinados ao uso dos profissionais da área de Saúde para que esses materiais estejam disponíveis para aqueles que estão sob maior risco de infecção. A última recomendação do Ministério da Saúde, apoiada pela Comissão de Acompanhamento e Controle de Propagação do Novo Coronavírus na UFPR, é pelo uso universal de máscaras caseiras pela população assintomática, o que não influenciaria na disponibilidade de máscaras cirúrgicas para os profissionais da área de Saúde.
“Tenho feito caminhada ao ar livre mesmo com a ameaça do coronavírus. Não venho utilizando máscara, mas agora a orientação do Ministério da Saúde é que todos usem máscara. Devo caminhar de máscara ou devo parar as saídas e fazer exercícios de casa?” (Tamires Sales de Quadros, 24 anos, estudante, Salvador-BA)
Cientistas UFPR – Olá, Tamires! As máscaras podem oferecer uma proteção adicional, sendo muito úteis ao sair de casa. O Ministério da Saúde está recomendando que todos, mesmo sem sintomas, de forma universal, usem máscara caseira (de tecido) ao sair de casa. Esta recomendação se baseia no fato de que, embora para quem esteja usando máscara a proteção seja baixa, barra parte das gotículas que produzimos ao falar, ao tossir e ao espirrar. Assim, o uso da máscara protege os outros (e não a nós mesmos). Por que usarmos para proteger os outros, se não apresentamos sintomas? Há evidências robustas da liberação de partículas virais por pessoas que foram infectadas e apresentam sintomas muito leves (a ponto de não serem diagnosticadas clinicamente) ou que simplesmente não apresentam sintoma. Mesmo nesses casos, essas pessoas podem transmitir o vírus por meio das gotículas que eliminam ao falar, tossir e espirrar.
Um novíssimo estudo indica que as pessoas correndo, andando de bicicleta ou se exercitando ao ar livre expelem gotículas pela boca e nariz a distâncias muito maiores, de até quatro metros. Mesmo que seja apenas um estudo de modelagem Matemática, é prudente manter maior distância de pessoas se exercitando (quatro a cinco metros) e também usar a máscara. Por isso, é importante manter o distanciamento social quando possível e só sair de casa em casos urgentes. Sabemos que as caminhadas são importantes e que deve continuar se exercitando para manter seu corpo e sua mente saudável. A atividade física é essencial para a manutenção da saúde e é recomendada, neste momento de isolamento social, também por contribuir com a diminuição da ansiedade. A melhor maneira, agora, é fazer exercícios em casa. Várias pessoas têm feito isso com o auxílio da internet. Se tiver acesso à internet, você pode pesquisar no Google ou YouTube a atividade física que desejar e encontrará várias aulas de 10, 20 ou 30 minutos. Se não tiver internet, você pode se alongar, fazer exercícios de força e movimentar seu corpo (subir e descer escadas, fazer pequenas corridas, polichinelos, abdominais, alongamentos etc.), sem sair de casa.
Recomenda-se que sejam evitadas ao máximo possível as saídas que não sejam essenciais, pois ao sair de casa pode-se ter contato com objetos contaminados e eventualmente encostar a mão no rosto após tocá-los. Além de outras situações imprevisíveis como a aproximação de pessoas nesses espaços públicos ou a necessidade de dividir elevadores para descer à rua, ou seja, o risco de infecção existirá. Somente diminuindo a circulação de pessoas, nesse momento em que os números de casos infectados e de mortes está se elevando no Brasil e em que ainda não existe medicação comprovadamente eficiente ou vacina contra a Covid-19, conseguiremos diminuir a velocidade de transmissão do vírus.
“O café onde trabalho irá voltar a funcionar e irá fornecer máscaras de tecido para os funcionários. Com o que higienizá-las sem água sanitária já que a máscara é preta e água sanitária iria manchar?” (Ana Carolina Rodrigues Minucci, estudante, 23 anos, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Ana! É absolutamente necessário lavar as máscaras após o uso, mas basta usar água e sabão para lavar roupas comum. Esse é um método eficiente. O uso da máquina de lavar também é suficiente para a limpeza de máscaras. Neste caso, adicionais cuidados que podem ser utilizados (e caso ainda seja compatível com o tecido) incluem: usar a água na temperatura de 60 a 90 graus e utilizar a opção molho. Seque bem as máscaras, de preferência ao sol, e recomenda-se o uso de ferro de passar roupa. Lembre-se: as máscaras são para uso individual e também que não deve-se usar a máscara por muito tempo, pois o ar expirado úmido vai deixá-la molhada, facilitando contaminação. O ideal é trocá-la a cada duas horas e colocá-la em saco plástico até a hora de lavar.
Entre os desinfetantes recomendados pelo Ministério da Saúde, além da solução de água sanitária diluída, há a possibilidade de uso de soluções a base de peróxido de hidrogênio 0,5% para a desinfecção prévia à lavagem convencional das máscaras caseiras, e pode ser encontrado na formulação de desinfetantes para roupas hospitalares, preservando em parte a cor dos tecidos (deve ser usado de acordo com as instruções do fabricante). Além da recomendações de lavagem e desinfecção das máscaras caseiras de tecido, reforçamos a necessidade de uso correto das mesmas, o que pode ser acessado neste link.
“A Organização Mundial de Saúde (OMS) orientou usarmos um pouco de hipoclorito diluído na água para lavar as máscaras e roupas que usamos na rua. Porém tenho medo de manchar as roupas. Posso usar Lysoform para isso? É eficaz?” (Camila Nery, 28 anos, estudante, Santos-SP)
Cientistas UFPR – Olá, Camila! O uso da máquina de lavar deve ser suficiente para a limpeza e higienização de roupas. Pode-se utilizar o Lysoform como adicional cuidado na limpeza de roupas – duas recomendações: 90 ml ou um copo americano no processo final de lavagem (fabricante) ou usar diluído no programa pré-lavar/molho por cinco minutos. Como recomendação, fazer um teste inicial para verificar se o produto não causará nenhum dano ao tecido. Você pode ainda deixar de molho em sabão de lavar roupas em algumas horas para aumentar eficiência. Em caso de um baixo grau de contaminação viral, como parece ser a condição das roupas utilizadas, lavar com água e sabão e secar bem deve ser suficiente para a inativação viral. No caso das máscaras, também podem ser desinfetadas separadamente com solução diluída de água sanitária e enxaguadas, antes de serem colocadas para lavar juntamente com as outras peças de roupas. A máscara deve ser bem secada e, se possível, deve ser passada. Lembre-se que você deve usar por duas a três horas e então trocar, sempre sem tocar a frente da máscara, mas manuseando apenas pelo elástico ou fita.
“Tenho 63 anos, sou diabética tipo 2 e hipertensa. Sempre fiz caminhada, hidroginástica, musculação e pilates. Agora só dentro casa, como devo proceder? Gostaria muito de fazer pelo menos a caminhada” (Maria Aparecida Correa, Volta Redonda-RJ)
Cientistas UFPR – Olá, Maria Aparecida! Excelente gostar e praticar atividade física. Esse seu hábito com certeza ajuda a controlar sua diabetes e hipertensão. Você pode continuar se exercitando e deve fazer isso pelo seu corpo e para uma mente saudável. A melhor maneira, agora, é fazer exercícios em casa. Várias pessoas têm feito isso com ou sem o auxílio da internet. Se tiver acesso à internet, você pode pesquisar no Google ou Youtube a atividade física que desejar e você encontrará várias aulas de 10, 20 ou 30 minutos. Se não tiver acesso, você pode se alongar, fazer exercícios de força e movimentar seu corpo (subir e descer escadas, fazer pequenas corridas, polichinelos, abdominais, alongamentos etc.), sem sair de casa. Mudar os hábitos não é fácil. Mas nesse período de Covid-19 isso se tornou essencial. Boa sorte nessa fase, lembrando que é uma fase e vai passar! Que tal começar agora?
“É bom ter um nebulizador em casa?” (Ivani Marques, 32 anos, Salvador-BA)
Cientistas UFPR – Olá, Ivani! Boa pergunta. O nebulizador é um equipamento para auxiliar no tratamento de doenças respiratórias, como sinusite, bronquite, asma etc. Assim, a utilização adequada deste equipamento deve ser recomendada pelo médico ou por um profissional da saúde. Nenhuma recomendação de Sociedades Brasileiras (Pneumologia ou Pediatria) foi feita em relação à necessidade de adquirir nebulizadores para uso em casa. Por outro lado, nos serviços de pronto atendimento recomenda-se evitar o uso dos nebulizadores convencionais para mitigar possíveis contaminações e/ou transmissões. Além disso, em suspeita de Covid-19 deve-se dar preferência ao uso de broncodilatador em spray inalatório (“bombinha”). Para hidratar as vias aéreas se você vive em lugar muito seco, use soro fisiológico – lembre-se que o soro fisiológico é de uso pessoal: não deve ser compartilhado com ninguém, pois pode contaminar com conta-gotas usado por outra pessoa.
“A água sanitária pode ser guardada em frasco escuro para ser utilizada depois? Com a amônia quaternária o procedimento é o mesmo? Posso fazer a diluição e guardar num frasco com borrifador para limpar as embalagens vindas do mercado, maçanetas, pisos etc.?” (Eliane Américo, 38 anos, orientadora educacional, Valparaíso-GO)
Cientistas UFPR – Olá, Eliane! Sua preocupação é bem pertinente, pois vários fatores podem interferir na estabilidade das soluções de hipoclorito de sódio, como pH (medida de acidez da solução), temperatura, luminosidade, concentração, embalagem, contato com o ar, presença de matéria orgânica e íons metálicos. Aconselha-se armazenar a solução de hipoclorito de sódio em frascos bem fechados, protegidos da luz e em temperatura que não exceda 20 graus. Neste sentido, os frascos âmbar de vidro ou de plástico são práticos, pois protegem o hipoclorito da ação da luz. Um estudo mostrou que soluções de hipoclorito mantidas nestes frascos e em refrigeração se mantiveram estáveis por cerca de 120 dias. Importante ressaltar que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda aos consumidores a utilização somente de produtos regularizados. O ideal é dar preferência aos saneantes classificados nas categorias “água sanitária” e “desinfetante para uso geral”, e que apresentem no rótulo o número de registro na Anvisa ou de notificação. A concentração de hipoclorito que inativa em até um minuto o SARS-CoV2 é de 0,1 % (diluição contendo uma parte de água sanitária e 25 partes de água ou aproximadamente três ou quatro colheres de sopa de água sanitária e um litro de água). Em geral recomenda-se que essa solução seja preparada diariamente quando mantida em frasco como o borrifador sem perda de eficiência, mas encontramos pelo menos um estudo que mostrou que após 30 dias nesse tipo de frasco e à temperatura ambiente houve redução de aproximadamente 50% de cloro ativo. O cloreto de benzalcônio é o sal de amônio quaternário mais comumente utilizado. É um agente eficiente contra bactérias patogênicas e parece ser de menor eficácia em baixas temperaturas (8 graus) do que em temperatura mais elevada (20 graus). Mas são poucos estudos que testam a eficiência desse desinfetante contra coronavírus. Alguns ensaios indicam que cloreto de benzalcônio a 0,05-0,2% é menos eficiente para inativar coronavírus SARS-CoV1 do que etanol 70% ou hipoclorito de sódio 0,1%, que são os desinfetantes de escolha para esse vírus. Por isso tem se sugerido uso de álcool 70% ou hipoclorito de sódio a 0,1 %, que tem capacidade de inativar o coronavírus em um minuto ou menos. O cloreto de benzalcônio é um composto bastante estável à temperatura ambiente e numa ampla faixa de pH. Assim, é possível guardar a solução estável em borrifador durante o uso por alguns dias sem perda de eficiência.
Contaminação
“Se uma pessoa com Covid-19 assintomática está numa piscina, todas as pessoas que estiverem naquela piscina serão contaminadas?” (Keila Corrêa Bittencourt, 35 anos, economista, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Keila! Provavelmente não, mas depende de qual é o tratamento da água desta piscina. Segundo a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático, com base nas instruções da Organização Mundial de Saúde (OMS), água clorada com um a três partes por milhão (ppm) de cloro na piscina inativa o novo coronavírus em menos de 30 minutos. O risco de adquirir a Covid-19 dentro da piscina é pequeno ao se manter um distanciamento de três metros entre seus frequentadores. Além disso, tem o fator de diluição: algumas gotículas de saliva na água serão diluídas em milhares de litros de água, diminuindo muito a chance de que vírus encontre seu alvo. Assim, é improvável que alguém seja contaminado pela água da piscina.
Mas há questões importantes a serem lembradas:
1) O spray respiratório produzido ao nadar é semelhante à tosse e ao espirro, podendo ter a mesma amplitude de contágio.
2) O principal local de contaminação nesta situação são os vestiários, cadeiras compartilhadas e áreas comuns próximas à piscina.
3) Pessoas com qualquer sintoma que possa remeter à Covid-19 devem permanecer em distanciamento social – não devem frequentar piscinas ou salas de ginástica que sejam de uso comum em condomínios ou clubes.
Os cuidados são importantes porque não se tem ainda muitas evidências da sobrevivência do coronavírus na água limpa ou em esgoto. Pela característica deste vírus, de ter um “envelope” lipídico pouco resistente que o envolve, é provável que se torne inativo significativamente mais rápido do que vírus entéricos humanos não envelopados com conhecida transmissão por água, tais como adenovírus, rotavírus e vírus da hepatite A. Considerando os riscos citados acima, não recomendamos uso de piscinas comunitária nesse momento de alta disseminação do novo coronavírus.
“É verdade que o ciclo do vírus no organismo é de aproximadamente 15 dias? Então se fizer o exame de sorologia um mês depois de apresentar os sintomas o resultado será negativo?” (Eliane Alberti, 42 anos, professora UFPR, Piraquara-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Eliane! O período de incubação do vírus, que seria o tempo entre a infecção e os sintomas da doença varia de um a 14 dias, em geral de três a sete dias, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas há relatos de casos discrepantes com período de incubação de até 27 dias. O tempo de recuperação médio da doença para casos leves é de duas semanas e de três a seis semanas para casos graves. Como na maioria dos casos o vírus não está presente depois de 14 dias, a recomendação é de isolamento domiciliar para pacientes com Covid-19 com sintomas leves. Pacientes hospitalizados podem ser testados para confirmar a eliminação do vírus antes de terem alta. Se o teste para a Covid-19 for um exame sorológico que detecta anticorpos (IgG/IgM) contra o vírus, indicará infecção em progresso (IgM positivo) ou passada (IgG positivo). Mas esse teste só dá positivo depois do desenvolvimento de anticorpos, aproximadamente sete a 10 dias após aparecimento de sintomas. O teste de RT-PCR detecta diretamente o material genético do vírus (RNA viral) e dá positivo a partir da infecção, quando o vírus começa a se replicar no paciente. Os vários tipos de testes imunológicos também apresentam características distintas como diferentes sensibilidades e especificidades. Se esse exame de detecção de RNA viral for feito após 30 dias do início dos sintomas, em um quadro leve ou assintomático de Covid-19, é provável que seu resultado seja negativo. Mas se nesse período de 30 dias sugerido por você forem usados testes de sorologia para detecção de anticorpos contra o novo coronavírus no sangue, serão positivos. Mesmo o vírus não estando mais presente na amostra clínica, os anticorpos que o sistema imune produziu contra ele poderão ser detectados. Dados epidemiológicos da Covid-19 ainda estão sendo estudados para conhecer melhor a forma de transmissão, a progressão e as respostas imunológicas frente ao SARS-CoV-2.
“Nos últimos dias foram noticiados o contágio em felinos, um gato e uma tigresa. Há a possibilidade de que eles possam se tornar hospedeiros intermediários para o SARS-CoV-2? Isto é, a doença poderia se espalhar entre eles e, porventura, nos contaminaríamos em contatos com esses animais? Além disso, há alguma chance de que o Aedes aegypti possa se tornar um transmissor do vírus?” (Wesley Rodrigo Santos, 27 anos, estudante, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Muito importantes e pertinentes essas perguntas, Wesley. De acordo com estudo publicado na revista Science, os gatos se mostraram suscetíveis à infecção para SARS-CoV-2. Porém, não foi verificado se os gatos podem ser hospedeiros intermediários ou vetores para transmissão do vírus. Recomenda-se, por questão de higiene pessoal, sempre lavar as mãos após brincar com qualquer pet. O mais importante é manter os animais de estimação afastados de pessoas com Covid-19 que estejam se tratando em casa. Essas pessoas precisam ficar em isolamento doméstico seguindo regras estritas para não terem contato com outras pessoas e nem com animais de estimação. Então reforçamos que não há registro de transmissão do SARS-CoV2 de animais de estimação para humanos.
O Aedes aegypti é vetor de doenças chamadas arboviroses, que são doenças provocadas por vírus que estão presentes na circulação sanguínea e cujo ciclo de vida depende de passagem por um artrópode (que é o mosquito). Ou seja, vírus como da dengue e febre amarela provocam doença no mosquito também e o mosquito doente transmite o vírus para humanos quando vai se alimentar. O SARS-CoV-2 não é capaz de se replicar no Aedes aegypti e também não há evidência de que esteja presente no sangue de pessoa com Covid-19. Assim, até o momento não há nenhuma informação de que o Aedes aegypti possa ser transmissor do SARS-CoV-2. A principal forma de transmissão da Covid-19 é de pessoa para pessoa. O que se sabe até agora é que o receptor utilizado por esse vírus está presente em células de outros tipos de primatas, humanos e porcos, e que há uma similaridade desse vírus aos encontrados em morcegos.
“Não sou do grupo de risco, tenho 36 anos, nenhuma comorbidade, pratico exercícios físicos e me alimento bem. Se minha imunidade estiver ok e eu entrar em contato com o vírus, obrigatoriamente eu vou desenvolver a doença (ou ficar com o vírus no meu corpo e ser um transmissor assintomático) ou pode ser que eu não contraia a doença por ter uma imunidade alta?” (Aline Marchese, 36 anos, professora de Agronomia UFPR, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Aline, não há certeza. Os dados têm mostrado que qualquer um pode ser infectado pelo vírus, em qualquer idade e qualquer condição de saúde. A taxa de infectados decresce com a idade, especialmente abaixo de 20 anos. A faixa de 30 a 39 anos constitui 17% dos doentes na China. Esses números variam um pouco dependendo da estratificação etária da população. Não há evidência indicando que uma pessoa “saudável”, sem comorbidade, será refratária à infecção. Comorbidade influi na probabilidade de desfecho positivo, assim como sexo. Mulheres sem comorbidade têm probabilidade menor de morte, mas não necessariamente de desenvolver a forma mais grave da doença. É possível que você entre em contato com o vírus, não desenvolva a doença, e seja uma portadora assintomática, mas capaz de transmitir o SARS-CoV-2 uma vez que a Covid-19 é contagiosa durante o período de latência. Pode ser que também não contraia a doença – não se pode dizer que seja por sua imunidade alta ou por outros fatores como carga viral, por exemplo. É comum na medicina humana relatos de infecções que não apresentam sintomas ou manifestação clínica.
A prática de exercícios físicos regulares e uma alimentação adequada podem contribuir sim para a manutenção de um estado hígido necessário para uma resposta imune que seja a mais adequada para a contenção da multiplicação do vírus. Mas mesmo dentro dessa condição ideal de condicionamento físico e alimentação, a exposição ao vírus poderá levar à infecção, sem aparecimento de sintomas ou com sintomas muito leves ou ao aparecimento de sintomas moderados e até mesmo graves. Ou seja, não é um impeditivo para o desenvolvimento de sinais e sintomas da doença. Dados epidemiológicos da Covid-19 ainda estão sendo estudados para conhecer melhor sobre a transmissão, a progressão e as respostas imunológicas frente ao SARS-CoV-2.
“Corro algum risco de contaminação indo ao meu sítio nos fins de semana? Entro no carro na garagem de casa e só saio no sítio – lá não terei contato com ninguém. Na volta para casa procederia da mesma maneira. Somos meu marido e eu com 73 e 71 anos, respectivamente” (Ângela Trece Lopes, 71 anos, economiária aposentada, Belo Horizonte-MG)
Cientistas UFPR – Olá, Ângela! Você e seu esposo são do grupo de risco. Portanto, o distanciamento social é altamente recomendado. Se vocês não têm contato com ninguém em casa e no sítio, correm pouco risco de serem infectados. Se alguém além de vocês tiver acesso à casa do sítio, pode ser uma fonte de contaminação. Portanto, importante manter a casa bem arejada na sua chegada e limpar as superfícies, de preferência, com álcool 70%. O vírus pode sobreviver em superfícies. É importante higienizar todos os produtos que chegam da farmácia e supermercado para que o vírus não tenha acesso à sua casa através desses produtos. Durante a higienização dos produtos, procure não levar as mãos ao rosto e lave bem as mãos com água e sabão quando terminar. Dê preferência às compras por telefone ou aplicativo ou peça ajuda aos mais jovens, evitando assim locais fechados e com aglomeração de pessoas. Além disso, devemos sempre considerar que a parte externa do carro está exposta ao vírus. Desta forma, é recomendado que após tocar a parte externa, como a porta e porta-malas, seja usado o álcool 70% para higienizar as mãos. É importante também limpar o volante, a marcha e o freio de mão com um papel toalha embebido em álcool 70%. Os tapetes do carro também devem ser lavados periodicamente com água e sabão, pois nossos sapatos levam a sujeira para o interior do carro. E sempre lavar as mãos com água e sabão, mesmo que não tenha tido contato com outras pessoas. Recomendamos que pesem a decisão de se deslocarem de casa, a probabilidade de acontecimento de imprevistos que poderiam levar ao contato não programado com outras pessoas e o fato de normalmente os locais como sítios, por serem afastados das cidades, levarem a maiores dificuldades de acesso a hospitais e unidades de saúde caso surjam emergências médicas. Parabéns pela sua preocupação e continuem praticando o distanciamento social, tão importante nesse momento para diminuir a velocidade de propagação da Covid-19 no Brasil.
“Tenho hipertensão e tomo o medicamento Losartana 50mg de 12 em 12 horas. Mesmo eu não tendo mais de 60 anos, também sou considerado do grupo de risco?” (Jean Pscheidt Weiss, 26 anos, químico, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Essa deve ser uma dúvida de muita gente. A relação entre o uso de medicamento losartana (que é da classe dos bloqueadores do receptor AT1 da angiotensina 2 ou ARBs) e a maior propensão à infecção do SARS-CoV-2 é baseada em hipótese e não confirmada – ou seja, não é baseada em evidência clínica. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, os hipertensos não devem em nenhuma circunstância deixar de tomar o hipertensivo prescrito e qualquer modificação do tratamento deve ser avaliada pelo seu médico. Quanto à sua pergunta, a resposta é sim. Você faz parte do grupo de risco. Em números significa o seguinte: pacientes com Covid-19 que são hipertensos têm 6-8% de morte enquanto os que não tem uma comorbidade têm risco abaixo de 1%. É uma grande diferença e por isso você precisa ser extra cuidadoso. Mas se sua hipertensão estiver descontrolada, o risco pode aumentar. Por isso, não deixe de tomar seu medicamento e monitore sua pressão. As pessoas hipertensas, assim como os portadores de doenças cardíacas e respiratórias crônicas, diabéticos e em tratamento contra câncer, devem reforçar as medidas de prevenção indicadas pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde. Fazer distanciamento social rígido (só saia de casa se for essencial e mantenha distância de pessoas que coabitam com você e precisam sair), lavar as mãos, usar de álcool gel quando necessário, usar máscara etc.
“Qual é a projeção percentual de contágio por Covid-19 nas pessoas que hoje estão confinadas? Findo o confinamento estas pessoas estarão em contato com possíveis pessoas ainda contaminadas. Se para chegar ao Brasil bastaria uma pessoa assintomática, por que não haverá contaminação? Por que o número total de contaminados na hipótese de ausência de restrição de contato social poderia ser maior que a soma do número de pessoas contaminadas durante a restrição do confinamento de contato social? Mais o número de pessoas que serão contaminadas após o fim da restrição de contato social? Mais os casos de pessoas recontaminadas? Imaginaria que o confinamento somente teria evitado as mortes por insuficiência de leitos se o pico ultrapassasse a capacidade hospitalar do Brasil. Estou certo? O número de imunes e ou imunizados seria sempre o mesmo nas duas situações, se não aparecer remédio ou vacina” (Liamar Bicalho, 77 anos)
Cientistas UFPR – Liamar, estudos realizados nos Estados Unidos e no Reino Unido utilizaram modelos Matemáticos para tentar prever possíveis cenários da pandemia no Brasil, considerando o confinamento ou não da população. O fato é que diante do cenário atual não dispomos de vacinas e nem medicamentos específicos para prevenir a contaminação e tratar a Covid-19. Até o momento, tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto o Ministério da Saúde recomendam o isolamento social como importante ferramenta de saúde pública, pois diminuem significativamente o número de contágio por Sars-CoV-2. Estudos demonstraram que o percentual de incidência de Covid-19 entre pessoas que estão sob isolamento social é de 1,5%, considerando pessoas com histórico de viagens e que estiveram em contato com casos suspeitos. Atualmente, o Brasil não tem testes suficientes para avaliar a quantidade de pessoas que foram contaminadas e que pertencem ao grupo dos assintomáticos. Então, mesmo que nossas medidas de saúde pública não consigam conter completamente a disseminação da Covid-19 por causa das características do vírus, ainda serão eficazes para atrasar o início da transmissão generalizada na comunidade, reduzindo a incidência do pico da doença e seu impacto nos serviços públicos. Levando em consideração a gravidade dos sintomas clínicos, caso não houvesse isolamento social o número de leitos disponíveis não seria suficiente para atender todos os pacientes. Enquanto ainda não contarmos com testes suficientes para contabilizar a porcentagem de indivíduos que já foram contaminados com o Sars-Cov-2 não temos como fazer previsões nem como estimar a possibilidade de recontaminação. É preciso ainda lembrar que situações de pandemia como essa têm reflexos diferentes em países onde há grande desigualdade social, como é o caso do Brasil. Quando todos praticam o distanciamento social, permanecendo nesse momento em suas residências, estaremos ajudando a proteger também as parcelas mais vulneráveis socialmente da população brasileira. Enquanto não dispomos de medicamentos comprovadamente eficientes para tratar as pessoas infectadas, de vacinas seguras e eficientes e de testes para avaliar a população de modo geral, as medidas de distanciamento social são nesse momento o único recurso de que dispomos (associado às medidas de higiene de mãos e superfícies) para diminuir a velocidade de propagação do novo coronavírus. Como você mesmo observou temos mais interrogações do que respostas, mas é possível prever alguns cenários:
1) Se não houver regras de distanciamento social rígidas nesse momento, o fato de termos transmissão comunitária disseminada significa que o número de novos casos crescerá exponencialmente, dobrando a cada três a quatro dias no máximo. Nessa situação nosso sistema de saúde entra em colapso, pois cerca de 5% a 8% dos doentes precisam de cuidados em unidade de terapia intensiva (esse número parece estar se mantendo em todos os países). Podemos imaginar que os médicos teriam que escolher quem vive e quem morre. Os modelos mencionados acima preveem esta situação explosiva.
2) Podemos viver numa situação de distanciamento social que mantenha um número de casos novos em equilíbrio com o número de pessoas recuperadas e falecidas. Essa situação perdura até que número substancial da população estiver imunizada (as estimativas variam de 50% a 70%) ou descoberta de uma vacina. Há incertezas a respeito de recontaminação (estudo recente citado pela OMS diz que algumas pessoas não desenvolvem anticorpos contra o novo coronavírus), duração da imunidade, além de ser difícil definir o ponto de equilíbrio e a duração e quando vacina estará disponível.
3) Podemos aplicar regras rígidas até que o número de casos novos esteja bastante reduzido, nosso sistema de saúde tenha folga de leitos de UTI (números precisam ainda ser determinados). Nesse momento, duas ações são necessárias: afrouxar distanciamento social progressivamente com regras bem definidas (algumas regras de distanciamento devem ser permanentes como eliminar contato físico ao cumprimentar, uso de máscaras, eliminação de filas etc.), estabelecer um sistema de monitoramento por exames abrangentes e vigilância constante. Nesse cenário, a cada novo caso, todos contatos dessa pessoa são identificados e testados para barrar a transmissão, uma estratégia chamada de “contact tracking”. Além disso, seria importante analisar amostras da população para presença do vírus em assintomáticos (escolhidas usando análise estatística) e presença de anticorpos contra SARS-CoV-2.
Esses cenários são bem simplificados. Entre essas possibilidades a terceira parece trazer mais benefício com as informações que dispomos. Exemplos de aplicação dessa estratégia encontra-se a Coreia do Sul, China e Alemanha. Na Coreia do Sul e China o número de novos casos é bastante reduzido, depois de uma fase de crescimento exponencial. A Alemanha ainda tem um grande número de casos, mas um número de mortes muito menor que em outros países com características semelhantes.
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Ida ao mercado, caminhada e imunidade: cientistas da UFPR respondem novas perguntas da sociedade sobre coronavírus
“É verdade que todos vão pegar coronavírus?”: cientistas da UFPR respondem novas perguntas da sociedade
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Pesquisadores da UFPR estudam testes rápidos da doença Covid-19

Cientistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão se mobilizando para o combate ao novo coronavírus. Um grupo de pesquisa foi criado para estudar os testes rápidos da doença Covid-19, causada pelo SARS coronavírus. Participam do estudo infectologistas do Complexo Hospital de Clínicas (CHC) da UFPR, a equipe responsável pelas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) do HC e estudantes dos cursos de Medicina e Farmácia da Universidade.
Para a infectologista Sônia Raboni, professora coordenadora do grupo, o impacto da pesquisa será para contribuir para um diagnóstico mais rápido e confiável. “O teste rápido deve ser realizado à beira do leito. Isso vai ajudar na orientação e tratamento desse paciente e, principalmente, na definição se precisa ir a uma enfermaria com os cuidados de isolamento ao Covid-19 ou não”, explica a cientista que também integra a Comissão de Acompanhamento e Controle de Propagação do Coronavírus da UFPR.

Proposta é fazer validação dos testes de diagnóstico rápido, que já foram adquiridos pelo Ministério da Saúde e Hospital de Clínicas UFPR. Foto: Marcos Solivan/Sucom-UFPR
A ideia é fazer a validação dos testes de diagnóstico rápido contra a Covid-19. O Ministério da Saúde e o HC já adquiriram os testes, que devem chegar nas próximas semanas ao Hospital. No entanto, existem poucas publicações científicas sobre como é a resposta imune a essa infecção. A intenção da pesquisa é saber mais sobre a dinâmica de produção dos anticorpos contra este patógeno e avaliar o momento ideal para sua aplicação, visando melhorar o diagnóstico.
No momento, o CHC/UFPR utiliza para o diagnóstico desta infecção o método molecular. Quando um paciente é internado com suspeita da doença, é coletado o material e a amostra é analisada no Laboratório de Virologia de Biologia Molecular para a identificação do vírus. Essa é uma técnica mais sofisticada e que demanda mais tempo para a sua execução. A pesquisa busca avaliar o desempenho dos testes rápidos comparados aos resultados obtidos com a análise molecular.
O projeto “Fortalecimento da rede de c2019 (SARS-CoV 2): métodos moleculares e imunológicos” foi contemplado na chamada pública 09/2020 da Fundação Araucária. Por meio do edital, receberá o valor de R$ 104 mil para investir em bolsas de extensão para egressos e alunos para fortalecer as áreas de diagnóstico e atenção aos pacientes com Covid-19.
Como funciona o tratamento
O coronavírus pode facilmente ser confundido com um resfriado ou uma gripe. Os sintomas são parecidos e em muitos casos a doença pode passar despercebida. No entanto, é importante conhecer sobre o vírus para que a pessoa saiba identificá-la e tomar as medidas necessárias.
A infecção pelo coronavírus, na maioria das vezes, vai ser uma infecção leve, como explica a pediatra infectologista Cristina Rodrigues, professora integrante da Comissão de Acompanhamento e Controle de Propagação do Coronavírus da UFPR. “O Covid-19 pode causar febre e tosse. Em alguns casos pode ser acompanhado de dores no corpo, coriza, dor de cabeça, entre outros”.
De acordo com a infectologista, o sinal mais preocupante para infecções do novo coronavírus é a dificuldade respiratória. “A pessoa deve procurar o hospital se apresentar cansaço. Também é importante procurar atendimento se o paciente tiver um quadro febril que persista por mais de um ou dois dias. Quem tiver sintomas de um resfriado comum não precisa ir ao hospital – o tratamento pode ser feito de casa”.

Infográfico: Amanda Gomes/Agência Escola de Comunicação Pública UFPR
Os quadros leves costumam ser curados em torno de uma semana, como se fosse um resfriado. Cristina explica que em pessoas com um bom sistema imunológico, a doença pode passar despercebida. “É importante lembrar que os casos que precisam de atendimento são a minoria, em torno de 20% do total”.
O tratamento da Covid-19 é parecido com o de uma gripe, com analgésicos, antitérmicos, repouso, boa alimentação e boa ingestão de líquidos. A pessoa diagnosticada com a doença deve ficar em isolamento domiciliar – a recomendação do Ministério da Saúde em caso de coronavírus é de isolamento de 14 dias.
De acordo com a Comissão de Acompanhamento e Controle de Propagação do Coronavírus da UFPR, é de se esperar que uma parcela da população tenha resistência natural ao vírus. Isso quer dizer que nem todos que se infectarem apresentarão a doença. “Além disso, supondo que a doença estimule uma imunidade permanente, quando existir um certo número de infectados, ela deixa de circular livremente. Isso porque, nesse caso, a pessoa que tem o vírus provavelmente vai ter contato com uma imunizada, que não terá a doença”, acrescenta Cristina.
Estrutura para conter a pandemia
Aproximadamente 70% da população brasileira depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com o Ministério da Saúde. Para muitas pessoas, é o SUS que possibilita um tratamento adequado para o coronavírus. “O Brasil tem um sistema muito variável de região para região, mas o SUS é fundamental para os que adquirem um quadro mais grave, que precisam ser internados em enfermarias ou UTIs. O sistema de saúde privado aporta apenas de 20% a 25% da população”, aponta a pesquisadora Cristina.
De acordo com dados da Secretaria de Atenção à Saúde, no Paraná, existem 27.494 leitos no estado, sem contar os complementares (aqueles com características especializadas). Desses, 18.486 são do SUS. Ações estão sendo tomadas pelos municípios, orientados pelo Ministério da Saúde, para que a rede se articule e consiga atender os pacientes com a Covid-19 e também quem está sofrendo por outra enfermidade. “Existem regiões do país com problemas sérios com dengue e sarampo, além de outras doenças. Esse surto de coronavírus torna o tratamento dessas doenças um desafio ainda maior. UTIs e leitos estão sendo providenciados para dar suporte ao sistema de saúde”, afirma Cristina.
A pesquisadora reforça a importância das medida preventivas. “Mesmo que o sistema de saúde esteja pronto para atender, se muitas pessoas ficarem doentes ao mesmo tempo, ele vai sobrecarregar. Com as medidas preventivas, conseguimos diluir esse processo,fazendo com que nem todas as pessoas adoeçam ao mesmo tempo”.
É importante ficar atento às recomendações do Ministério da Saúde, como evitar aglomerações, higienizar sempre as mãos, evitar contato físico, cobrir o nariz e boca ao espirrar ou tossir, manter os ambientes ventilados e não compartilhar objetos de uso pessoal.
Aplicativo do SUS
O SUS desenvolveu um aplicativo para orientar as pessoas sobre o coronavírus. O programa “Coronavírus – SUS” permite que quem suspeitar possuir a doença consulte um pré-diagnóstico. Basta entrar no aplicativo e listar os sintomas sentidos. De acordo com o que for listado, o próprio aplicativo informará se há suspeita de coronavírus e ainda aponta unidades de atendimento próximas ao usuário. O aplicativo tem versão para IOS e Android.
Link da notícia no portal UFPR: https://www.ufpr.br/portalufpr/noticias/pesquisadores-da-ufpr-estudam-testes-rapidos-da-doenca-covid-19/

“É verdade que todos vão pegar coronavírus?”: cientistas da UFPR respondem novas perguntas da sociedade

“É verdade que o vírus não vai acabar seu ciclo e que todos nós vamos pegar o corona?”. Essa foi a pergunta da Mônica Melo aos cientistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que responderam novas dúvidas sobre contaminação e prevenção. Os questionamentos relacionados ao coronavírus envolvem vários aspectos, como vacina, animais de estimação, exercícios físicos, atividades para crianças, visitas, grupos de risco, uso de máscaras, limpeza de embalagens e frutas, ações de solidariedade, fatores de risco e ansiedade.
As perguntas da população integram a campanha “Pergunte aos Cientistas”, da Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Científica e Cultural da UFPR, e foram respondidas por 12 pesquisadores da Universidade. Para participar, basta enviar a pergunta ao e-mail agenciacomunicacaoufpr@gmail.com ou no direct do perfil @agenciaescolaufpr no Instagram, com nome completo, idade, profissão e cidade onde reside.
As dúvidas foram respondidas pelos cientistas Alexandra Acco, Juliana Geremias Chichorro, Cristina Jark Stern, Maria Frazão Vital, Michel Otuki, professores do Departamento de Farmacologia, e Maria Carolina Stipp, doutoranda do mesmo departamento; Maíra Valle e Fernando Louzada, professores do Departamento de Fisiologia; Lucy Ono (integrante da comissão de especialistas), Edneia Cavalieri e Patricia Dalzoto, professoras Departamento de Patologia Básica. Também participou o presidente da Comissão de Enfrentamento e Prevenção à Covid-19 da UFPR, Emanuel Maltempi de Souza, professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular. Confira abaixo:
Contaminação
“É verdade que o vírus não vai acabar seu ciclo e que todos nós vamos pegar o corona?” (Mônica Melo)
Cientistas UFPR – Olá, Mônica! Esperamos que esteja bem. Essa pergunta é um pouco difícil de ser respondida, pois é como perguntar sobre o que acontecerá amanhã. Não há como dizer com 100% de certeza o que acontecerá. Sobre a Covid-19 várias previsões foram realizadas por grupos científicos muito competentes, que tentam prever usando modelos matemáticos como a pandemia irá progredir em diferentes cenários, com distanciamento social ou sem. Os modelos divergem, mas uma coisa têm em comum: sem nenhuma medida a fração da população afetada é enorme. Não temos como afirmar que todas as pessoas vão se infectar, pois como esse é um vírus novo ainda estamos descobrindo como ele se comporta e os modelos matemáticos, embora muito bons, dependem de características do vírus que ainda não conhecemos. Porém, já sabemos que ele é um vírus com alta taxa de transmissibilidade, ou seja, é fácil “pegar” o vírus de uma pessoa infectada. Assim, é bem provável que no futuro a maior parte da população seja exposta. Um estudo da Universidade de Harvard previu algo entre 40% e 70% da população, enquanto epidemiologistas do Imperial College of London, cuja previsão foi publicada em 26 de março de 2020, preveem que, caso nenhuma medida de distanciamento social seja tomada, mais de 80% da população brasileira será infectada pelo novo coronavírus. Embora o vírus não seja tão letal quanto alguns outros vírus que causam síndromes respiratórias graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), ainda assim o número de pessoas afetadas seria tão grande que a previsão é que um grande número de pessoas morreriam. Algumas pessoas têm quase nenhum ou poucos sintomas. Porém, outras pessoas são bastantes vulneráveis, os chamados grupos de risco, que envolvem idosos, hipertensos, diabéticos, asmáticos, entre outros. Porém, as pessoas assintomáticas também são capazes de transmitir a doença. Esta é a razão pela qual devemos nos manter distanciamento social agora. Em primeiro lugar, isso fará que o vírus se espalhe lentamente e assim tenhamos tempo de gerar medicamentos e vacinas e, deste modo, proteger os mais vulneráveis. Se a taxa de novos casos for bem baixa, também poderemos agir preventivamente, identificando o vírus nas pessoas antes que apareçam os sintomas e dessa forma controlar a doença. O distanciamento social e atuação ativa dos agentes de saúde garantirão que, se contrairmos a doença, haverá recursos para nosso tratamento. Quando grande parte da população já tiver se infectado com o vírus, é possível que tenhamos mais pessoas imunizadas e isso também talvez diminua a propagação do vírus. Vamos torcer para que antes que isso aconteça já tenhamos uma vacina que é forma mais eficiente para conter a doença. Ainda há muitas perguntas sem respostas e, por hora, devemos manter a calma e se possível ficar em casa, tomando os devidos cuidados de higiene e cuidando de nossa saúde física e mental. O distanciamento social é nossa melhor arma contra essa doença. Por isso as medidas de manter distância das pessoas, lavar as mãos com frequência, limpar as superfícies expostas e usar máscaras faciais caseiras. Essas medidas vão protegê-la e também os que estão ao seu redor.
“Tenho um gato que fica pouco dentro de casa e sai algumas vezes na rua. Como agir? Qual o risco de trazer contaminação para os moradores da casa?” (Débora Ávila de Carvalho, médica, 60 anos, Pouso Alegre-MG)
“Eu e meu marido ajudamos a cuidar de uma cachorrinha idosa que pertence a um batalhão de polícia. Durante o dia ela fica na secretaria onde trabalham alguns policiais e também transita pelo batalhão, mas à noite e aos fins de semana fica na nossa casa. A cachorrinha pode ser um risco de contágio pelo fato de viver nos dois ambientes?” (Maria Aparecida S. Vergueiro Oliveira, 63 anos, coordenadora editorial, Santo André-SP)
Cientistas UFPR – Débora e Maria Aparecida, a dúvida de vocês é compartilhada por muitos tutores de animais domésticos que têm acesso à rua ou outros ambientes. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cães, gatos ou qualquer animal de estimação, até o momento, não são considerados vetores de transmissão da Covid-19, embora tenha havido um caso de cachorro infectado em Hong Kong e outro de um gato infectado em condições laboratoriais, mas que não desenvolveram os sinais clínicos da doença. O vírus que causa a Covid-19 é transmitido principalmente através de gotículas geradas quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala. Essas gotículas são muito pesadas para ficar no ar e caem rapidamente em pisos ou superfícies. Como ainda não se conhece vários aspectos desta doença, entre eles, se animais de estimação podem “carregar” o vírus, ao brincar ou tocar no seu cão ou gato, lave as mãos em abundância e mantenha seu pet limpo. O Conselho Federal de Medicina Veterinária e o Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo estão orientando que caso o animal saia, seja feita a higienização das patas com água e sabão neutro para evitar que o contato das patas com superfícies contaminadas na rua traga partículas virais para o ambiente domiciliar. A lavagem com água e sabão é suficiente para inativar o novo coronavírus. Se for possível, restrinja o acesso de seus animais às ruas neste período.
“Estou fazendo isolamento domiciliar, mas uma vez na semana tenho descido até a portaria para pegar compras do mercado que peço por delivery. Esse ar da portaria pode estar contaminado? Eu lido com problemas de ansiedade e tem sido difícil” (Cecília Guimarães, 30 anos, estudante, São Paulo-SP)
Cientistas UFPR – Olá, Cecília! Nessas situações é normal uma certa ansiedade e se você já sofre um pouco mais com isso, a situação pode ser mais incômoda ainda. O remédio para isso é conhecimento sobre o assunto. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que não há transmissão aérea do vírus, isso significa que o vírus não consegue permanecer no ar por período de tempo prolongado ou se deslocar por distâncias superiores a 1,5 metro. O vírus é transmitido por gotículas e aerossóis produzidos por tosses e espirros, ou mesmo quando falamos. Mas estas partículas minúsculas não ficam no ar por muito tempo porque são pesadas demais. Assim, elas caem rapidamente no chão ou outras superfícies, onde o vírus pode permanecer ativo por dias (dependendo do tipo de superfície, umidade e temperatura).
Portanto, os principais cuidados que você deve ter ao buscar suas compras na portaria são:
1) Lavar bem as mãos com água e sabão ao retornar da portaria e durante o percurso não levar as mão ao rosto.
2) Descartar as embalagens de papel e plástico, sempre que possível, já que o vírus pode estar nessas superfícies.
3) Higienizar com álcool 70% ou solução de hipoclorito (água sanitária diluída 20 vezes: 1 xícara de cafezinhho 50 ml em um litro de água) os produtos que foram adquiridos.
4) Remover os sapatos antes de entrar em casa. Deixá-los em uma área “suja” da casa, por exemplo lavanderia, e higienizá-los com desinfetante comum. Esse cuidado não é especificamente para a Covid-19, mas uma boa medida de higiene.
5) Lave bem as mãos com água e sabão antes e após guardar as compras.
Lembre-se que as formas de disseminação do novo coronavírus são sempre pelo contato com pessoas doentes ou assintomáticas, com gotículas contaminadas e com objetos, maçanetas e embalagens contaminadas. Como não há evidência de transmissão aérea da Covid-19, não há problema em respirar o ar da portaria de seu prédio se não há aglomerações no local. Mas para ajudar, adote a recomendação atual de uso de máscaras faciais por todos: é uma medida que poderá contribuir para diminuir a propagação do novo coronavírus e deve auxiliar você a controlar sua ansiedade. Veja as recomendações de como as máscaras devem ser utilizadas sempre em conjunto com as demais medidas de prevenção, que citamos acima. Esse é um momento de grande ansiedade para todos e a OMS indica algumas ações que podem ajudá-la nesse momento e podem ser acessadas neste link. A pesquisadora Lidia Weber, do Departamento de Psicologia e Setor de Educação da UFPR, também faz orientações nesse sentido neste link. Continue em casa, Cecília, e adote essas medidas que irão mantê-la protegida.
“Os atendentes dos supermercados estão expostos diariamente à Covid-19. Desta forma é possível que mesmo não tendo os sintomas já tenham sido contaminados e já estejam imunes? Há algum teste sendo realizado neste sentido?” (José Simão de Paula Pinto, 57 anos, professor, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – José, essa possibilidade pode existir. Sabemos que uma parte das pessoas infectadas pelo novo coronavírus não desenvolvem sintomas evidentes da Covid-19. Esses portadores são chamados de infectados assintomáticos. Mas atualmente há poucos estudos publicados sobre casos assintomáticos e não sabemos qual a sua frequência. Até o momento, a infecção pelo novo coronavírus parece levar, após a resolução da doença, a uma imunidade permanente contra o vírus, e isso pode acontecer após uma infecção assintomática também. Por isso, já há a perspectiva de se estabelecer um levantamento sorológico retrospectivo. Esse tipo de análise identificaria com um exame de sangue quais e quantas pessoas ficaram imunes à doença durante a pandemia, mas esse é um aspecto secundário em relação ao controle do atual surto da doença. Não há como saber se as pessoas mais expostas a outras, como é o caso dos atendentes de supermercados, já teriam sido infectados pelo coronavírus e estariam imunes. Para isso seria necessário realizar testes que ainda não estão sendo feitos para a população brasileira geral, que são testes de quantificação de anticorpos contra o novo coronavírus. A orientação é de que qualquer pessoa que apresente sintomas gripais fique em isolamento domiciliar por um período de 14 dias com uso de máscara, seguindo as orientações do Ministério da Saúde para o isolamento domiciliar, e observe se haverá necessidade de procurar atendimento médico caso os sintomas agravarem ou haja falta de ar.
“Se vírus foi descoberto por volta de dezembro, provavelmente ele já circulou pelo Brasil e vem fazendo vítimas ou criando imunidades no mínimo desde janeiro ou, mais provavelmente, fevereiro, concordam?” (Eduardo Pausini, 58 anos, produtor de conteúdo, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Eduardo! Como vai? Você pode ter tem razão. O Ministério da Saúde divulgou nesta quinta-feira (2) que o primeiro caso confirmado no país ocorreu no final de janeiro, explicando que tinha realizado análises em amostras de casos de pacientes com síndrome respiratória retroativos a 26 de fevereiro, quando o primeiro caso foi diagnosticado no Brasil, e teria identificado um caso ocorrido em 23 de janeiro. Nesta sexta-feira (3), o Ministério da Saúde retificou a informação dizendo que se tratou de preenchimento incorreto e a data correta seria 25 de março. Mas, há sim a possibilidade do novo coronavírus ter chegado ao Brasil antes de 26 de fevereiro, mas se houver provavelmente seria um caso importado. Sabemos também que houve mais de um local no país em que houve a entrada do vírus e por isso vemos os principais focos em vários locais diferentes como São Paulo, seguido do Rio de Janeiro e Distrito Federal. Em todos dos casos foi determinada a origem da infecção. Portanto, não temos evidências para dizer que o vírus estava circulando. Ainda, a velocidade com que tem se propagado no Brasil desde o final de fevereiro até o começo de abril indica que ainda não há pessoas imunes em número suficiente para frear o aparecimento de um número grande de casos em um curto intervalo de tempo. Em resumo, o vírus possivelmente já estaria presente no Brasil em janeiro, mas a sua disseminação não pode ter sido muito alta e portanto não é de se esperar um grande número de pessoas imunizadas. Para sabermos qual é essa taxa de infectados é fundamental realizar testes que identificam anticorpos contra o SARS-CoV-2 no sangue. O Ministério da Saúde deve receber esses testes a partir da semana que vem e aí entenderemos um pouco melhor o comportamento dessa doença no Brasil. Enquanto tudo isso não ocorre devemos manter distanciamento social, redobrar cuidados de higiene pessoal e esperar que logo tudo isso irá passar.
“Sou do grupo de risco, pois tenho válvula metálica no coração, e precisei ir ao dentista. A dentista não usou luvas e não lembro de vê-la lavar as mãos antes e depois do meu atendimento. Esse procedimento pode prejudicar minha saúde, ou seja, trazer algum risco?” (HB, 60 anos)
Cientistas UFPR – Olá! O procedimento da dentista foi inadequado. Devido ao risco de contaminação, a recomendação do Ministério da Saúde para prevenção é que se faça frequentemente a higienização das mãos com água e sabão ou álcool gel 70%. Quanto ao uso das luvas pelos profissionais, é recomendado sempre que houver risco de contato das mãos do profissional com sangue, fluídos corporais, secreções, excreções, mucosas, pele não íntegra e artigos ou equipamentos contaminados. Quando o procedimento exigir técnica asséptica, deve-se usar luvas estéreis (de procedimento cirúrgico). Além disso, para proteção de ambos, a profissional deveria ter usado máscara, proteção facial e gorro no cabelo, além de jaleco.
“Qual seria o risco de uma pessoa da minha idade que faz atividade física regularmente e tenta se alimentar bem?” (Margaret Rahn Sievert, 46 anos)
Cientistas UFPR – Olá, Margaret! Você não faz parte do grupo de risco para desenvolver a forma mais grave da doença, que pode inclusive levar a óbito. No entanto, de acordo com a pesquisadora Margareth Dalcomo, renomada pneumologista da Fiocruz, o novo coronavírus, até o momento, tem atacado adultos brasileiros com menos de 50 anos com a mesma ferocidade com que afeta os idosos na Itália. O comportamento do vírus ainda é pouco conhecido – portanto, qualquer pessoa infectada corre o risco de desenvolver a forma grave da doença. Estima-se que 80% dos infectados irão desenvolver sintomas leves, mas 20% dos infectados poderão precisar internação.
Os fatores de risco para a Covid-19 mais prováveis são:
1) Viagens recentes ou residência em uma área com disseminação comunitária contínua do vírus da Covid-19;
2) Contato próximo com alguém que tenha a Covid-19 – como um membro da família ou profissional de saúde que cuidou de uma pessoa infectada.
O novo coronavírus (chamado de SARS-CoV-2) infecta as pessoas independente da faixa etária (embora em diferentes frequências), condição social, sexo e condição nutricional. Estudo recente publicado na revista The Lancet aponta que pessoas idosas e com condições de saúde pré-existentes, como hipertensão, doenças cardíacas, doenças pulmonares, câncer ou diabetes, parecem desenvolver a doença de forma mais grave ou com mais frequência do que outros. Os últimos dados relacionados à letalidade de acordo com a faixa etária no Brasil são de 28 de março e, nesse relatório, cerca de 5% dos óbitos registrados até então eram de pessoas na faixa etária entre 40 e 59 anos. Como mencionamos acima, os riscos aumentam com a existência de outras doenças crônicas. Portanto, na ausência de comorbidades (duas ou mais doenças), ter um bom condicionamento físico e uma boa alimentação podem contribuir para diminuir o risco de complicações mais graves da Covid-19. Mas se você tem uma condição médica crônica e pode ter um risco maior de doenças graves, consulte seu médico sobre outras maneiras de se proteger. A prevenção é o principal método para evitar a infecção pelo coronavírus. Nesse momento, é importante que todos pratiquemos medidas de distanciamento social e de higiene das mãos e superfícies, entre outras para diminuir a velocidade de disseminação do vírus.
Prevenção
“Já há estudos para uma vacina para o coronavírus? Esse remédio que tanto se fala pode tratar o vírus?” (Izelda Marcelina Faria, 43 anos, Mangueirinha-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Izelda! Sim, já há no mundo inteiro laboratórios de pesquisa trabalhando no desenvolvimento de uma vacina contra o vírus da Covid-19. Por exemplo, um laboratório da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, publicou um artigo que reporta o sucesso de uma vacina quando testada em animais de laboratório. Mas ainda há muito chão pela frente até podermos usar em humanos: esse foi um teste inicial em camundongos e de um tipo de vacina não convencional. Muitos testes ainda precisam ser feitos, por exemplo, precisamos saber por quanto tempo esses anticorpos duram, é preciso determinar qual o melhor animal para o teste ser feito antes de chegar nos seres humanos, se esse tipo de vacina não causa nenhum efeito adverso no organismo e se é eficaz em seres humanos. Veja, mesmo com esse conhecimento, até hoje não há vacina para a MERS-CoV-1, que apareceu em 2014. Os pesquisadores dessa área falam que isso acontece em parte porque há uma dificuldade de se encontrar uma vacina que não piore os problemas respiratórios. Então muito trabalho ainda precisa ser feito para termos muita segurança antes de começar os testes em seres humanos.
Um outro exemplo, já um pouco mais adiantado: cientistas do NIH e empresa de Biotecnologia e apoio da Coalizão de Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), com sede em Oslo (Noruega), estão testando uma vacina em seres humanos há duas semanas. Essa é uma vacina não convencional também, pois é uma vacina de DNA. Nesse caso o sujeito é injetado com a informação genética de uma ou mais proteína do vírus que quando produzida em nosso corpo nos imuniza contra o vírus. Estes são dois exemplos, mas existem diversos outros, inclusive no Brasil no InCor, com o grupo do professor Jorge Kalil. Na melhor das hipóteses essas vacinas estarão disponíveis em 18 a 24 meses. Ou seja, nós temos que enfrentar a Covid-19 com o que temos agora.
Para o tratamento da Covid-19 também não existe um medicamento eficiente. Diferentes medicamentos estão sendo estudados em testes clínicos para determinar sua segurança e eficiência, mas até o momento ainda não há indicação de que possam ser utilizados em pessoas com quadros leves. É importante salientar que os medicamentos que estão sendo avaliados agora, como a hidroxicloroquina, não devem ser tomados sem prescrição médica devido ao risco de reações adversas como alterações graves na visão e comprometimento hepático. A hidroxicloroquina (HCQ) é um dos medicamentos mais promissores para tratamento de pacientes com quadro grave da doença, mas as evidências que temos até agora são bastante fracas. Devemos esperar que os pesquisadores fazendo testes bem controlados em pacientes usando a hidroxicloroquina e a cloroquina, associadas ou não a azitromicina, que é um antibiótico, reportem logo seus resultados.
Assim, Izelda, os resultados ainda são inconclusivos. Por isso, não devemos correr para as farmácias e acabar com o estoque de hidroxicloroquina ou outro medicamento que alguém disse que cura Covid-19. O que é certo é que a ciência vai dar uma resposta. Às vezes é um pouco lento, pois temos que fazer a prova e contraprova antes de dar um resultado. Somente quando temos certeza podemos divulgar, ainda mais quando vidas humanas estão em risco.
“Junto a um grupo estou procurando desenvolver ações de solidariedade com as pessoas mais afetadas com a crise da Covid-19. Estamos iniciando com a coleta e distribuição de alimentos. Entretanto essa atividade não pode ser realizada apenas remotamente. Como podemos realizar essas tarefas de forma segura para nós e demais pessoas?” (Giancarlo Tozo, 43 anos, dirigente sindical, Cascavel-PR)
Cientistas UFPR – Parabéns pela iniciativa, Giancarlo! Ações solidárias são muito importantes neste momento e podem ajudar a reduzir o impacto da fragilidade social neste grupo de pessoas. Entretanto, os estudos até o momento sugerem que o vírus que causa a Covid-19 é transmitido principalmente pelo contato com gotículas que são dispersas pela boca e nariz quando tossimos, espirramos ou mesmo falamos, e não pelo ar. Portanto, antes de sair de casa para realizar a ação solidária lembre-se de:
1) Lavar as mãos com água e sabão ou higienizador à base de álcool para matar vírus que pode estar nas suas mãos.
2) Manter pelo menos um metro de distância entre você e qualquer pessoa que esteja tossindo ou espirrando.
3) Evitar tocar nos olhos, nariz e boca. As mãos tocam muitas superfícies e podem ser infectadas por vírus.
4) Certificar-se que você e as pessoas ao seu redor seguem uma boa higiene respiratória. Isso significa cobrir a boca e o nariz com a parte interna do cotovelo ou lenço quando tossir ou espirrar. Em seguida, descarte o lenço usado imediatamente.
5) Ficar em casa se não se sentir bem. Se você tiver febre, tosse e dificuldade em respirar, procure atendimento médico.
Você precisa tomar esses cuidados para continuar saudável e contagiando as pessoas com solidariedade. É importante ainda tomar certos cuidados com as doações. Ao receber os pacotes de alimentos não perecíveis, a superfície (plástico e tenha certeza que a embalagem esteja intacta) pode ser limpa com um pano umedecido em solução de álcool 70% ou, na falta dele, utilize a mesma mistura usada para desinfecção de alimentos, que é uma solução de água sanitária diluída (mistura de duas colheres de sopa para cada litro de água). Após limpos, os kits montados com pacotes de alimentos não perecíveis podem ser acondicionados dentro de sacos (um para cada kit) para que não sejam mais manipulados depois de limpos até o momento da distribuição. Toda a manipulação dos kits deve ser precedida por higienização das mãos com água e sabão. Caso várias pessoas estejam envolvidas no processo de recebimento e montagem dos kits, manter distância de cerca de dois metros e usar máscara facial para evitar disseminar gotículas sobre as superfícies das embalagens – cuidar para colocar e remover a máscara adequadamente.
“Fiquei em dúvida quanto à recomendação de uso da máscara N95, pois havia compreendido que a máscara N95 tinha sua indicação apenas para profissionais de saúde prestando cuidados em procedimentos formadores de aerossóis” (Luciana Rodrigues da Cunha, 39 anos, psiquiatra, Belo Horizonte-MG)
Cientistas UFPR – Olá, Luciana! Você tem razão. A recomendação é de que máscaras cirúrgicas e as máscaras (respirador) N95 sejam de uso exclusivo por profissionais da área de saúde, especialmente neste momento em que há esgotamento desses suprimentos médicos no mundo todo. O Ministério da Saúde tem feito apelo à população para que caso esteja em posse de máscaras cirúrgicas ou mesmo N95 faça doações desses materiais para os hospitais. Até semana passada também não se recomendava uso de máscaras caseiras. Mas a pandemia é dinâmica e as recomendações têm sido atualizadas diariamente. A Comissão de Controle e Acompanhamento da Propagação do Novo Coronavírus na UFPR emitiu nota técnica sobre o uso de máscaras faciais caseiras de forma universal. Nessa nota fazemos uma análise crítica do que foi publicado a respeito de máscaras faciais e diferentes costumes. A nossa conclusão é que o uso de máscaras confere uma pequena proteção para o usuário. Mas se o usuário estiver contaminado – o número de portadores assintomáticos do novo coronavírus parece ser muito alto -, o uso da máscara é muito eficiente para que essa pessoa não contamine os outros. Então recomendamos o uso de máscaras não para se proteger, mas para proteger os outros – o Ministério da Saúde disponibilizou algumas dicas sobre confecção de máscaras caseiras.
“Sobre a prática de exercícios ao ar livre, como caminhada, andar de bicicleta ou correr, é permitido? Além disso, crianças podem brincar no parquinho do condomínio ou na areia da praia?” (Caroline Portela, 36 anos, professora, Matinhos-PR)
“Estou ficando ao máximo em casa, tem algum problema andar de bicicleta? Saio apenas para me exercitar, e durante o percurso não falo com ninguém” (Rodrigo Carvalho)
Cientistas UFPR – Olá, Caroline e Rodrigo! Vocês podem praticar exercícios ao ar livre desde que sozinhos, não tenham nenhum sintoma, como tosse ou espirros, e que não haja aglomeração de pessoas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a prática de 150 minutos de atividade física de intensidade moderada ou 75 minutos de intensidade vigorosa por semana, ou uma combinação de ambos no período de quarentena devido à Covid-19. Dê preferência aos exercícios que possam ser feitos em casa. O comportamento sedentário e os baixos níveis de atividade física podem ter efeitos negativos na saúde, bem-estar e qualidade de vida dos indivíduos. A autoquarentena também pode causar estresse adicional e desafiar a saúde mental dos cidadãos. As técnicas de atividade física e relaxamento podem ser ferramentas valiosas para ajudá-lo a manter a calma e continuar a proteger sua saúde durante esse período.
Quanto às atividades físicas para as crianças, a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é estimular atividades no quintal, na varanda ou próximo a locais mais arejados da casa ou apartamento. Se for brincar nos parquinhos do condomínio, fica difícil controlar se quem passou por lá anteriormente fez a higienização das mãos e também dos brinquedos. Leve junto o álcool gel para higienizar o brinquedo e faça a higienização das mãos da criança antes e depois do passeio. Além disso, é sugerido intercalar períodos de atividades físicas dentro do lar em mais de um horário do dia nos turnos da manhã e da tarde e, se possível, fazer as atividades em conjunto pais e filhos. Estimular a criança e o adolescente a ser criativo para realizar essas atividades em casa que podem ser de circuitos feitos com travesseiros e garrafas plásticas, pular corda, dançar, artes marciais, entre outras. Deixar claro para todos que o momento não é de férias e sim de uma situação emergencial e transitória de reorganização do formato em que as atividades cotidianas devem ser cumpridas. Então, sempre que possível, deve-se atentar para as medidas de distanciamento social. Se for necessário sair, procure utilizar máscara caseira (feita com os tecidos recomendados pelo Ministério da Saúde), mantendo todas as demais medidas de prevenção relacionadas à higiene das mãos e superfícies, etiqueta de tosse e distância de outras pessoas.
“Tenho 57 anos e estou em casa com meu marido de 66. Estando com ele não posso visitar minha neta de quatro meses? Não posso sair e voltar para a casa?” (Miriam Melo Silva, 57 anos, corretora de seguros, Curitiba-PR)
“Estou em isolamento em casa com o meu filho de sete anos, porém meu marido precisa sair para trabalhar. Minha sogra que tem mais de 60 anos mora em uma chácara. Nós estando sem sintomas e em isolamento desde 17 de março, podemos visitá-la? Se sim, quais cuidados devemos tomar?” (Cassia Costa, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Miriam! Seu marido faz parte do grupo de risco (acima de 60 anos de idade). Nesse caso recomenda-se que você não saia de casa, pois você pode ser contaminada e, ao voltar, levar o vírus para a sua residência contaminando o seu marido. A sua neta ou as pessoas que vivem com ela podem estar com o vírus e não apresentar sintomas, mas mesmo assim transmitir a doença para você. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recentemente declarou que “o vírus está passando das ruas para dentro das famílias” e reforçou a necessidade do isolamento social. Entendo que a saudade da neta deve ser grande, mas a melhor atitude agora é cada um ficar na sua casa, inclusive para proteger a netinha. Nos últimos dias temos acompanhado casos de crianças que desenvolveram a doença. É raro, mas pode acontecer. Portanto, essa atitude serve para proteger a sua neta também.
Cassia, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia recomenda que os idosos e pessoas com doenças crônicas dentro dos grupos de risco para a Covid-19 restrinjam o contato social, priorizando redução nas visitas e atividades em grupo e a adoção de medidas preventivas de higiene das mãos e superfícies. Novamente, é importante ressaltar o risco de transmissão do vírus por pessoas que tenham infecção assintomática, o que ocorre em parcela da população, quando mesmo não apresentando sintomas, algumas pessoas podem estar infectadas e transmitir o vírus para outras. Caso a visita seja necessária, todos devem fazer uso de máscara facial caseira, com tecidos recomendados pelo Ministério da Saúde, e ao realizar a visita, manter distância de cerca de dois metros entre pessoas, evitando cumprimentos usuais como beijos e abraços e realizando a lavagem frequente das mãos com água e sabão ou uso de álcool gel se não houver sujeira aparente nas mãos.
Se nos permitir, Miriam, sugerimos tentar usar a criatividade: faça uma sessão com o programa Skype pelo menos uma vez por dia para ver como está sua netinha, peça para vê-la com algum presente que você tenha dado. Mantenha o máximo contato virtual que puder com sua netinha, ajuda muito. Outro dia escutei um avô dizendo que seus netos, que moram na casa ao lado, vão ao jardim de sua casa e, de uma distância de uns 10 metros, conversam e contam como foi seu dia e falam da Covid-19 e por que é importante manter distância. Conversas longas, mas à distância. Lembrem-se: distanciamento social não é isolamento social, mesmo que algumas pessoas continuem confundindo os termos. A pandemia da Covid-19 está nos obrigando a redescobrir como interagir com as pessoas que amamos.
“Qual a forma adequada de diluir a água sanitária para limpar as embalagens das compras, maçanetas, pisos e outras superfícies de muito contato? Seria 25ml por litro? Já no caso das limpezas de frutas e verduras, posso colocar em uma bacia de 10 litros e 10 colheres de água sanitária? Deixo quanto tempo antes de tirar, secar e guardar?” (Eliane Américo, 38 anos, orientadora educacional, Valparaíso-GO)
Cientistas UFPR – Cara Eliane, muito importante a sua pergunta. Mesmo que estejamos em distanciamento social, o vírus pode vir da rua em sacolas e pacotes. A desinfecção dos ambientes é fundamental. A diluição recomendada de água sanitária para a limpeza de pisos pelo Ministério da Saúde é de uma medida de água sanitária comercial (que contém 2% a 2,5% do ingrediente ativo que é o hipoclorito de sódio) mais nove medidas de água. Para as demais superfícies que eventualmente sejam sensíveis à corrosão pela água sanitária diluída, recomenda-se a limpeza com água e sabão e, quando disponível, a desinfecção com álcool 70%. Para a desinfecção de frutas e verduras você está certa: a diluição recomendada é de uma colher de sopa (cada colher de sopa contém 15 ml) de água sanitária para cada um litro de água ou 10 colheres de sopa para 10 litros de água. As orientações do Ministério da Saúde para lavagem de frutas e verduras são:
1) Selecionar, retirando as folhas, partes e unidades deterioradas;
2) Lavar em água corrente os vegetais folhosos, folha a folha, e as frutas e legumes um a um.
3) Colocar de molho por 10 minutos em água clorada (uma colher das de sopa de hipoclorito de sódio a 2,5% ou água sanitária – 2,0 a 2,5% – para 1 litro de água).
4) Enxaguar em água corrente os vegetais folhosos, folha a folha, as frutas e legumes um a um.
5) Deixar secar naturalmente.
6) Se for utilizar água sanitária, esta deve conter apenas hipoclorito de sódio (NaClO) e água (H2O).
Não esqueça de usar luvas, pois o hipoclorito é agressivo para a pele, e proceda a desinfecção de superfícies e embalagens. Para o chão, você pode usar uma solução mais concentrada, de 0,5% de hipoclorito de sódio. A diluição nesse caso é bem menor e você pode usar um copo de requeijão (250 ml) ou americano (200 ml) de medida. Se a água sanitária for na concentração de 2% de hipoclorito de sódio, use uma medida de água sanitária para três de água, se for 2,5%, use uma medida para quatro de água da torneira. Importante comprar marcas de água sanitária que sejam regularizadas pela Anvisa.
“Minha dúvida é em relação às lentes de contato. Faço o procedimento corriqueiro: lavo bem as mãos antes de tirar as lentes e depois coloco em estojo com líquido multiuso, próprio para lentes. Existe alguma recomendação específica para a limpeza das lentes em relação ao coronavírus?” (Mara Cilese, 60 anos, servidora pública aposentada, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Até o momento não há evidência que aponte correlação entre maior risco de infecção por coronavírus em usuários de lentes de contato. No entanto, de acordo com Thomas Steinemann, da Academia Americana de Oftalmologia, em entrevista concedida à CNN Health, os usuários de lentes de contato tocam os olhos e face com mais frequência do que aqueles que fazem uso de óculos. Isso associado à necessidade de pelo menos duas vezes ao dia ter que tirar e colocar as lentes (tocando os olhos), se não forem realizadas medidas de higiene adequadas das mãos, pode se tornar um facilitador da entrada do vírus. Com relação à prevenção contra a Covid-19, não há uma recomendação específica sobre a limpeza das lentes em si, mas é importante que no uso das lentes os seguintes cuidados sejam tomados:
1) Sempre lave bem as mãos com água e sabão, seque-as totalmente antes de manipular a caixa e as lentes de contato, ou antes de colocar as lentes de contato (mesmo que novas) ou antes de retirar as lentes de contato dos olhos.
2) Após colocar ou retirar as lentes, lave também suas mãos com água e sabão e seque-as bem.
“No caso de pessoa pertencente à grupo de alto risco para infecção por coronavírus (cardíaco, alta histamina, diabético, enfisema pulmonar, mais de 60 anos de idade, baixa vitamina D, distúrbio de déficit de atenção), ir ao supermercado por absoluta necessidade não é excepcionalmente recomendado usar máscara ou lenço e luvas descartáveis por precaução?” (Cibele Christina de Carvalho, 45 anos, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – A ida de pessoas pertencentes ao grupo de risco ao supermercado deve ser evitada. Compras online ou feitas por parentes e amigos devem ser a primeira opção para que pessoas do grupo de risco permaneçam em isolamento domiciliar. O Ministério da Saúde passou a recomendar o uso de máscaras caseiras para toda a população em caso de necessidade de sair do isolamento para realizar tarefas rápidas fora de casa. O uso da máscara não deve diminuir o cuidado e lavar as mãos com água e sabão continua sendo a melhor maneira de se proteger contra o novo coronavírus. O uso de máscaras caseiras, feitas com tecidos recomendados pelo Ministério da Saúde, por todos universalmente pode ajudar a diminuir a disseminação de gotículas contaminadas no ambiente. Em relação ao uso de luvas descartáveis no supermercado, é preferível que se lave as mãos com água e sabão ou usando o álcool gel 70% se as mãos não estiverem com sujeira aparente – em geral, na seção de frutas e verduras, os mercados disponibilizam pia com torneira e sabão. É importante salientar que o mesmo cuidado para evitar tocar a face com as mãos precisaria ser tomado por quem está usando luvas. Caso exista absoluta necessidade, procure fazer em horários de menor movimento, para evitar as aglomerações, manter o distanciamento físico de outras pessoas (de cerca de dois metros) e fazer a higienização dos produtos, do corpo e das roupas assim que retornar à residência. Para idosos e gestantes, as lojas de redes associadas à Associação Paranaense de Supermercados estão abrindo às 7h, em horário diferente do de abertura para o público geral que continua sendo às 8h.
“Meu pai precisou ir para Campinas. Foi apenas visitar meus avós e por isso não saiu da casa deles enquanto esteve lá. Quais as medidas devem ser tomadas aqui na minha casa tanto para ele quanto para os demais que moram aqui?” (Gabriela Borges Velásquez, estudante, 21 anos, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Gabriela! Muitos casos da Covid-19 são assintomáticos. Por esse motivo, mesmo que ele não esteja apresentando sintomas, é recomendável que seja feito o isolamento por 14 dias. Para que todos fiquem protegidos, mesmo que não surjam os sintomas que têm sido descritos, como febre e tosse, ele deverá permanecer em um cômodo isolado, com o uso personalizado de objetos (talheres, roupa de cama e banho) e o mínimo de interação para garantir o máximo distanciamento físico possível. É importante frisar que deve-se ter cuidados extra com idosos ou pessoas grupos de risco (diabéticos, pessoas com doenças cardiovasculares e respiratória crônica, imunossuprimidos, entre outros). Caso haja desenvolvimento de qualquer sintoma gripal leve, iniciar o uso de máscara e isolamento dentro do domicílio, com cuidados específicos determinados pelo Ministério da Saúde, e observar a necessidade de procurar atendimento médico caso desenvolva falta de ar ou sintomas graves.
“Sei que parece loucura minha, mas sou temente a Deus e tive um sonho muito real de que a cura para o coronavírus se obteria através de um fungo que se desenvolve na palha do milho armazenado para alimentar animais – aquele tipo de milho guardado em paiol. Não possuo nenhuma evidência sobre o fato do sonho. Contudo, me fez lembrar da história de como a penicilina foi descoberta. Achei por bem compartilhar, visto que a UFPR teria os instrumentos adequados para pesquisa” (Andrei Muchinski, 36 anos, professor, Curitiba- PR)
Cientistas UFPR – Andrei, seu sonho de certa maneira é real. Os alcalóides do ergot (ou alcalóides do esporão do centeio) são produzidos pelo Claviceps purpurea (fungo que infecta cereais em condições úmidas de crescimento ou armazenamento) e deram origem a medicamentos que foram indicados para o tratamento de enxaqueca. Porém, a ingestão de alimentos contaminados com estes alcalóides provocou, em épocas passadas, intoxicações à população. Vários outros medicamentos usados hoje em dia, além da penicilina que você citou, tiveram sua origem em fungos ou bactérias. Um exemplo é a doxorrubicina, um composto derivado das antraciclinas, isoladas na década de 1960 a partir da bactéria Streptomyces peucetius. Talvez seu sonho contribua com a ideia de que um composto ativo contra a Covid-19 venha de um fungo ou outro produto natural. Vários medicamentos estão sendo avaliados e estudados em relação ao seu potencial para inibir a multiplicação do novo coronavírus em pessoas: cloroquina, hidroxicloroquina, remdesivir, lopinavir, ritonavir e interferon. Até o momento ainda não há dados que indiquem a real eficiência deles no tratamento da Covid-19. Uma outra nova terapia é o uso de plasma de pacientes recuperados da Covid-19, que contém anticorpos contra o vírus. Assim, pacientes que conseguiram combater o vírus podem ajudar quem não está conseguindo.
“Aquelas luvas de limpeza amarelas protegem contra o coronavírus ou somente as luvas cirúrgicas?” (Eliane Américo, 38 anos, orientadora educacional, Valparaíso-GO)
Cientistas UFPR – Olá, Eliane! Na verdade, o uso de luvas não faz parte das recomendações para evitar o novo coronavírus. A contaminação ocorre quando a gente toca uma superfície contaminada e em seguida o rosto. O vírus entra pelos olhos, nariz e boca. Assim, se você estiver de luvas ou sem luvas vai se contaminar da mesma forma quando tocar o rosto. O que precisa ser feito é lavar as mãos com frequência com sabão e água ou desinfetar com álcool 70% ou álcool em gel 70% e evitar tocar o rosto. Se você estiver usando luvas, pode ser mais difícil lavá-las. E mesmo com luvas a pessoas tendem a passar a mão no rosto.
“Quem teve embolia pulmonar faz parte do grupo de risco?” (Eduardo Pausini, 58 anos, produtor de conteúdo, Curitiba-PR)
“Quem teve H1N1 deve ter cuidados especiais? Está no grupo de risco?” (Margarida Mascarenhas)
“Tenho agenesia renal (CID 10Q60.0). Isso me torna incluso no grupo de risco?” (Sergio Gabriel da Silva Junior, 40 anos, motorista, Curitiba-PR)
“Meu esposo tem sopro desde o nascimento, ele é considerado grupo de risco? Quem teve tromboflebite mas já tratou e não usa mais anticoagulantes há muito tempo é do grupo de risco? E crianças que quando menores tinham asma mas estão há muito tempo sem nenhuma crise estão no grupo de risco?” (Eliane Américo, 38 anos, orientadora educacional, Valparaíso-GO)
Cientistas UFPR – Eduardo, Margarida, Sergio e Eliane, a dúvida de vocês é similar, e é relacionada aos grupos de risco para a Covid-19. Nesses grupos estão pessoas com 60 anos ou mais, com doenças pulmonares crônicas (asma, bronquite), doenças renais, doenças hepáticas, obesidade severa, imunidade comprometida ou com problemas cardíacos sérios. O mais importante é identificar a causa das doenças questionada por vocês. Por exemplo:
Eliane, o que causou a tromboflebite? É relacionada a um distúrbio de coagulação? Quanto ao sopro, é um sopro congênito, resultado de anormalidades nas válvulas cardíacas, ou outro problema estrutural do coração? Se sua resposta for sim para essas perguntas, seu esposo e o paciente com tromboflebite fazem parte do grupo de risco.
Sergio, você está realizando tratamento para a agenesia renal com diálise ou uso de algum medicamento específico que possa comprometer a sua imunidade? Se sim, você faz parte do grupo de risco. Caso você leve uma vida normal com a doença, você não faz parte do grupo de risco.
O mesmo é válido para quem teve condições como H1N1 e embolia pulmonar. Os pacientes só farão parte do grupo de risco se a causa que tenha levado a essas doenças esteja relacionada à imunidade comprometida, problemas circulatórios ou problemas pulmonares que persistem, como quadro asmático ativo.
Confira outras perguntas da sociedade sobre coronavírus respondidas por cientistas da UFPR
Ida ao mercado, caminhada e imunidade: cientistas da UFPR respondem novas perguntas da sociedade sobre coronavírus
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Especialistas respondem dúvidas sobre o uso de máscaras caseiras

Resumo: O uso de máscaras caseiras no combate à pandemia de Coronavírus tem trazido muitas questões sobre sua eficácia, produção e modos de uso. As precauções aumentam quando se leva em conta que, se não forem manipuladas com os cuidados devidos, podem mais atrapalhar do que ajudar. Em nota técnica, a Comissão de Acompanhamento e Controle de Propagação do Coronavírus da Universidade Federal do Paraná (UFPR) recomenda o uso de máscaras caseiras, desde que confeccionadas de modo adequado, especialmente para reduzir a transmissão do vírus por indivíduos assintomáticos.

Pessoas assintomáticas são aquelas que desenvolvem sintomas leves do vírus e que podem nem saber que estão contaminadas. A professora Lucy Ono, uma das integrantes da Comissão, explica que o grupo tem estudado todos os trabalhos sobre essa forma de transmissão. Ela cita uma pesquisa alemã, publicada na Nature, que identificou a eliminacão de uma alta carga viral por assintomáticos. “Como não estamos fazendo testes, qualquer um de nós poderia estar assintomático e transmitindo“, comenta. Assim, o uso universal das máscaras caseiras pode contribuir para diminuir a propagação por gotículas liberadas por pessoas doentes e assintomáticas para os ambientes.

A comissão lembra que máscaras cirúrgicas devem ser utilizadas por profissionais da saúde, por isso é recomendado à população em geral a utilização das máscaras caseiras, que não podem ser confeccionadas de qualquer forma.

Os especialistas responderam 8 questões sobre as máscaras. SAIBA MAIS.

Engenheiros da UFPR fazem manutenção e consertos em respiradores hospitalares

Resumo: Depois de “lave as mãos com água e sabão e use álcool gel”, uma das coisas que mais se ouve falar no contexto de pandemia da Covid-19 (coronavírus) é sobre o colapso no sistema de saúde que pode acontecer caso muitas pessoas adoeçam simultaneamente. “Não haverá leitos com respiradores para todo mundo”, é o que dizem as autoridades da área. Foi pensando nisso que o curso de especialização em Engenharia da Manutenção 4.0 da Universidade Federal do Paraná (UFPR) criou o grupo “Médicos de máquinas”, com o objetivo de, gratuitamente, colocar em funcionamento respiradores hospitalares que não estejam operando.

Os engenheiros, que são focados em máquinas da indústria automotiva e petrolífera, resolveram abraçar, mesmo sem experiência, a área hospitalar. Em seguida, a iniciativa ganhou o apoio de especialistas da área da saúde, de engenheiros clínicos do Hospital de Clínicas da UFPR e de engenheiros voluntários.

Nesta terça-feira (31), o grupo realizou os primeiros atendimentos no Hospital São Vicente e no Hospital das Nações, em Curitiba, e no Hospital de Caridade Dona Darcy Vargas, no município de Rebouças (Paraná). Esse último tinha apenas um respirador, o único da cidade, e estava estragado.

SAIBA MAIS

UFPR produz álcool para atender demanda de diferentes regiões

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· UFPR participa da produção de máscaras de proteção ao Coronavírus em impressoras 3D

Solicitações de entrevista dependem da disponibilidade das fontes, mas o material abaixo pode ser livremente utilizado. Também dispomos de vídeos gravados pelos envolvidos no projeto, que podem ser solicitados via e-mail.

Valorize a ciência! Valorize o saber técnico e o conhecimento científico!

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UFPR participa da produção de máscaras de proteção ao Coronavírus em impressoras 3D

Resumo: Laboratórios da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão participando de uma ação integrada para a impressão de equipamentos utilizados como proteção de equipes de saúde à frente da pandemia de Coronavírus. As impressoras 3D da instituição produzem estruturas para as máscaras, recurso indispensável para o atendimento de casos suspeitos e confirmados do vírus.

Segundo o professor José Eduardo Padilha de Sousa, vice-diretor do campus da UFPR em Jandaia do Sul, um grupo da instituição dividiu o trabalho por regiões, em seus diversos campi, justamente para suprir demandas locais. Na sua unidade, por exemplo, são duas impressoras trabalhando diariamente, 24 horas por dia, com capacidade de produção de 20 máscaras.

Padilha conta que a equipe trabalhou para otimizar o processo, aliando o conforto necessário aos equipamentos à velocidade da impressão.

SAIBA MAIS

FALE COM O CIENTISTA: professor Márcio Carboni, Expressão Gráfica - 41 99971-3641

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UFPR produz álcool para atender demanda de diferentes regiões

Laboratórios e equipes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão atuando na produção de formulações de álcool, produto essencial para prevenção e controle da pandemia do Coronavírus. No campus de Jandaia do Sul, por exemplo, somente em um dia foram produzidos 700 litros do álcool 70% glicerinado. Em Palotina, foram 125 litros da formulação teste. Setenta litros do produto também serão doados, nos próximos dias, para redes de banco de sangue do estado via Pró-reitoria de Administração (PRA).

Em texto, o professor do departamento de Ciências Exatas do campus Jandaia do Sul, Simão Nicolau Stelmastchuk, explica que a iniciativa começou com o desejo de atender a região do Vale do Ivaí e norte Pioneiro com a produção de Álcool 70% para a higienização das mãos. Como o álcool em gel estava em falta ou era vendido por preços muito acima da média, adotou-se uma formulação eficiente, aprovada pela Agência de Vigilância Sanitária da Regional de Apucarana.

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Segundo o professor e pesquisador do Laboratório de Espectrometria de Massas da UFPR, Eduardo Meurer, o álcool 70% glicerinado é o produto ideal para desinfecção, e sua diferença para o popular álcool em gel, hoje em falta no mercado, é basicamente a sensação de conforto do usuário. “O álcool em gel é fabricado com Carbopol, um polímero que muda a consistência do produto e que encarece a produção”, explica. “As pessoas costumam gostar mais desse para as mãos, mas o líquido é mais eficiente, pode estar em frascos de pulverização, tem melhor espalhabilidade, além de ser muito mais barato”.

A produção em Jandaia do Sul está em um ritmo intenso, chegando a ocupar três turnos, que envolvem duplas de professores e acadêmicos, para respeitar a recomendação de isolamento e distanciamento social.

Pandemia: pesquisadores da UFPR explicam incidência nos pets, importância do isolamento

*Comunidade científica não tem consenso sobre efeitos do Coronavírus nos pets

*Pesquisador defende isolamento social para reduzir impactos na saúde pública

*Pesquisador alerta para necessidade de mudança radical nos estilos de vida por conta da pandemia

As fontes são o professor o Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular Emanuel Maltempi de Souza e o professor sênior do Programa de Pós Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento, Dimas Floriani. Solicitações de entrevista dependem da disponibilidade de ambos, mas o material abaixo pode ser livremente utilizado.

Valorize a ciência! Valorize o saber técnico e o conhecimento científico!
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Animais de estimação não adquirem Covid-19; tutores doentes não devem ter contato com humanos ou animais

Resumo: Presidente da comissão, o professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular Emanuel Maltempi de Souza, orienta a manutenção dos hábitos de higiene em humanos e animais. “É bom sempre manter os animais bem asseados e lavar as mãos depois de manuseá-los, alimentá-los ou limpar as áreas que ocupam. Se tiver dúvida sobre quais produtos usar nos pets, é indicado consultar um veterinário”.
Caso o animal de estimação teste positivo para o novo coronavírus, é necessário que fique em quarentena e seja isolado do contato com outras pessoas. “Mas isso é extremamente raro e, até agora, nenhum teste tem sido feito em animais de estimação no Brasil”, afirma Souza.
As orientações do Conselho Federal de Medicina Veterinária e do Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo são para que pessoas infectadas evitem contato com seus cães e gatos, fazendo quarentena de convivência com eles durante o período de isolamento domiciliar. A medida tem o objetivo de evitar que o tutor infectado, ao espirrar ou tossir, espalhe partículas virais na pelagem no animal.
Os veterinários recomendam, ainda, que as saídas com os animais sejam curtas, buscando lugares não aglomerados e horários de menor movimento. Ao retornar para a residência, é necessário higienizar as patas dos pets com água e sabão neutro, para evitar que o contato com superfícies contaminadas na rua leve partículas virais para o ambiente domiciliar.
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Pesquisador defende isolamento social para reduzir impactos na saúde pública

Resumo: O quadro demonstra que, até este ponto, a evolução do Coronavírus no Brasil foi parecida com a da Itália, dos Estados Unidos e da Espanha, afirma o cientista Emanuel Maltempi de Souza, professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e presidente da Comissão de Acompanhamento e Controle de Propagação do Coronavírus na universidade. Nesses países, quando cerca de duas mil pessoas apresentavam a condição, já haviam morrido aproximadamente 50.
“Todos esses países estabeleceram medidas semelhantes às do Brasil para diminuir a transmissão entre as pessoas: medidas de distanciamento social rígidas – como suspensão de aulas em escolas e universidades, fechamento de comércio e ordem para ficar em casa – e de higiene pessoal, principalmente lavar as mãos e não tocar o rosto”, comenta Souza. Após a implantação dessas providências, espera-se que o número de novos doentes apresente redução. Contudo, o professor lembra que o resultado deve aparecer claramente entre duas a três semanas depois da adesão da população às medidas, já que o período de incubação do vírus pode ser de até 14 dias, embora na maioria das vezes seja de três a cinco dias.
Atitudes de distanciamento social foram empregadas no Brasil e no Paraná ainda no início da expansão da Covid-19, em comparação com outros países. A região italiana da Lombardia, por exemplo, foi isolada quando já havia 237 casos e três mortes (em 23 de fevereiro), mas as universidades e escolas do país só suspenderam as atividades quando já existiam cerca de 3800 doentes (em 8 de março). “Esse atraso para romper o ciclo de contaminação provavelmente levou à transmissão disseminada da enfermidade. Apenas nos últimos dois ou três dias (23 a 25 de março) é que foi possível notar a estabilização do número de novos casos, cerca de duas semanas após a implantação de medidas rigorosas. Ou seja, mesmo em casos extremos como o da Itália, o distanciamento social realmente funciona”, reitera o cientista.
“Mesmo em casos extremos como o da Itália, o distanciamento social realmente funciona”.
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Pesquisador da UFPR alerta para momento de mudança social, mas também de perigos que podem custar a vida

Resumo: Professor sênior e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento (PPGMAD), o sociólogo Dimas Floriani pode ser considerado, a partir dos seus estudos, um analista de vanguarda do que vivemos hoje. Amparado em referenciais teóricos que pensam as relações do homem com a natureza, ele sinaliza, retomando os gregos, que a crise é momento de criação, mas também de perigos que nos podem custar a vida. “E sem ela não há nada a fazer”, aponta.
A questão traz um conjunto de complexidades que não escapam aos argumentos do pesquisador. De acordo com ele, a forma como os modelos de organização social deixaram marcas na natureza, alterando condições de vida, pintou um quadro difícil de ser revertido, como o surgimento de um estilo de vida consumista e a crise climática registrada desde o século passado.
“Os estilos de vida, a concentração urbana, questões relacionadas ao saneamento e à higiene, os hábitos alimentares. Todos esses fatores se conjugam naquilo que se chama de sociedade de risco”, explica. De acordo com ele, a medicina estuda os fatores biológicos e genéticos, mas há causas da doença que estão internalizadas nestes estilos de vida.
Para Floriani, esse é um momento em que o lado racional da humanidade pensa em questões práticas, mas sua necessidade de preservação da espécie mobiliza medidas de cooperação e solidariedade.“No imediato não há luz possível que acenda qualquer esperança: é o completo aleatório, uma ameaça permanente sobre nós. Contudo, os seres humanos carregam a esperança que lhes restitui a capacidade de reagir frente ao caos”.
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Ida ao mercado, caminhada e imunidade: cientistas da UFPR respondem novas perguntas da sociedade sobre coronavírus

Cuidados na ida ao mercado, possibilidades de caminhar nas ruas, aumento da imunidade durante isolamento social e confecção de máscaras foram algumas das dúvidas enviadas para a campanha “Pergunte aos Cientistas” nesta semana. As perguntas da sociedade sobre coronavírus foram respondidas pelas cientistas Cristina Jark Stern, Maria Fernanda Werner, Juliana Geremias Chichorro, Janaina Menezes Zanoveli, Maíra Valle e Alexandra Acco, do Departamento de Farmacologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Também participou o presidente da comissão criada na UFPR para o enfrentamento e prevenção da doença Covid-19, Emanuel Maltempi de Souza, professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular.
A população pode continuar enviando dúvidas para a campanha “Pergunte aos cientistas”, da Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Científica e Cultural da UFPR. Para participar, basta enviar a pergunta ao e-mail agenciacomunicacaoufpr@gmail.com ou no direct do perfil @agenciaescolaufpr no Instagram, com nome completo, idade, profissão e cidade onde reside.
Sobre cuidados para prevenção
“Se eu precisar sair do isolamento para comprar comida para os meus pais que moram em outra residência, quais cuidados devo tomar no mercado?” (Priscila Pugsley Grahl, 42 anos, estudante, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Priscila! O correto é evitar sair de casa sempre que possível. Você pode fazer compras online e pedir entrega na casa dos seus pais. Aqui em Curitiba há muitos mercados que fazem entrega online. Para compras na farmácia, dizemos o mesmo. Quando não for possível fazer compras online, alguns pontos precisam ser levados em consideração:
– Antes de sair de casa, pense bem: tem algum sintoma? Se tiver qualquer sintoma, não saia.
– Planeje bem a sua ida ao supermercado e vá sozinha. Gaste o menos tempo possível. Portanto, vá com sua lista de compras.
– Como vai sair de casa sem sintomas, não precisa de máscara. As máscaras são para quem tem sintomas.
Quando já está no supermercado:
1. Limpe o carrinho com álcool gel antes de tocá-lo. Muitos mercados já estão deixando o álcool gel na entrada para seus clientes.
2. Tente não usar dinheiro em espécie para pagar, uma vez que é um grande transmissor de microrganismos.
3. Não toque no seu rosto desde que saiu de casa até o momento do retorno, quando irá lavar as mãos com sabão e passar álcool gel.
4. Afaste-se das pessoas. Mantenha uma distância de pelo menos 1,5 metro da pessoa que está à sua frente.
5. Evite tocar nos alimentos diretamente. Se possível, leve suas próprias sacolas. Você pode usar a própria sacola para tocar nos alimentos.
6. Ao voltar para casa, lave bem as mãos, tome banho e troque de roupa. A roupa pode ser lavada normalmente.
7. Em casa (se for na residência de seus pais, deixe as compras na porta para seguirem as próximas indicações), limpe bem a sacola com álcool antes de tirar os alimentos. Na sequência, lave bem as mãos com água e sabão, evitando sempre o contato no rosto e mucosas. Os alimentos devem ser colocados numa superfície limpa e desinfetada, para depois lavá-los adequadamente antes de cozinhar. Se a compra for online, siga essas dicas também.
“Gostaria de saber se existe algum tecido que ofereça proteção equivalente à máscara, pois as pessoas poderiam confeccionar suas próprias máscaras já que estão em falta no mercado” (Cynthia Faria, 46 anos, estudante, Matinhos-PR)
Cientistas UFPR – Cynthia, em primeiro lugar, é importante salientar que não é recomendado o uso de máscara para se proteger. A máscara é recomendada para médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde (em geral junto à proteção facial transparente) e para quem tem quadro gripal, nesse caso para não transmitir doença para outras pessoas. Se você for usar a máscara facial, a recomendada é a chamada N95, que filtra partículas de até 0,3 micrometros e se adapta bem à face. Também é necessário conhecer a técnica correta para uso das máscaras. Por exemplo, o material precisa seguir perfeitamente os contornos do rosto para impedir que gotículas cheguem ao nariz e boca pelas frestas. As máscaras caseiras não teriam essas características, e os materiais utilizados na indústria não estão disponíveis. Portanto, não é possível fabricação caseira de máscaras adequadas. Além disso, é impossível testá-las.
“Minha dúvida é sobre andar a pé. Moro em uma casa e numa região de Curitiba que tem poucos prédios. As ruas são bastante vazias em geral. Posso sair, caminhar sem me aproximar de ninguém, nem cumprimentar ou pegar em qualquer coisa, e voltar pra casa?” (Emerson de Castro Firmo da Silva, 56 anos, professor, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Emerson! Você não está proibido de fazer isto, desde que vá sozinho, não tenha nenhum dos sintomas e que não haja aglomeração. O correto é sempre evitar sair de casa. Se a intenção é fazer exercício, uma boa alternativa é fazer em casa. Na internet você encontra vários vídeos de exercícios para serem feitos em casa. Agora, se sua necessidade de sair de casa uma vez ao dia é para sentir o sol e a brisa for muito grande, não se esqueça da limpeza das mãos com água e sabão quando entrar em casa, lembrando da maçaneta da porta também. Algo importante é deixar os sapatos de rua fora de casa, tomar banho e trocar de roupa. Toda medida de prevenção é importante nesse momento.
“Como faço para aumentar minha imunidade durante o isolamento social?” (Mirian Rahn, 35 anos, assistente de faturamento, Pomerode-SC)
Cientistas UFPR – Olá, Mirian! Para aumentar a imunidade você deve seguir as recomendações de uma vida saudável. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a realização de atividades físicas, que nesse momento de distanciamento social com isolamento domiciliar podem ser feitas dentro de casa mesmo. Ou caminhadas nas ruas desde que sozinha e sem aglomerações (mantenha distância de 1,5 metro pelo menos das pessoas e nenhum contato físico), se você não pertencer ao grupo de risco. É recomendada a realização de 30 minutos diários. Em casa você pode fazer exercícios de agachamento com o uso de cadeiras, levantando-se e sentando-se; escadas podem ser utilizadas para uma atividade mais aeróbica; você fazer polichinelos, pular cordas etc. – enfim, essas são algumas dicas de especialistas. A realização da atividade física também é importante no combate à ansiedade, que tem afetado muitas pessoas no isolamento. Uma alimentação baseada no maior consumo de frutas e vegetais e menor consumo de alimentos gordurosos e processados também é importante para uma vida saudável. Recomenda-se consumo de cinco porções de aproximadamente 80 gramas de frutas e vegetais frescos por dia. Mas lembre-se: não existe nada que melhore a imunidade especificamente contra a Covid-19. Por isso, nesse momento é tão importante ficarmos em casa para evitar o contato com o vírus.
“Ir visitar amigos que também não saem de casa é errado? Isso rompe a quarentena?” (Felipe Dalla Pria Leme, 19 anos, estudante, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – No momento nenhuma região do país está em quarentena. No entanto, está recomendado que todos façam um distanciamento social para minimizar a propagação do vírus. Recomenda-se que as saídas de casa sejam apenas para atividades essenciais (farmácia, mercado, hospital). As visitas a amigos e familiares neste momento não são recomendadas, porque existe um grupo de pessoas que não apresentam sintomas (assintomáticas), mas que podem estar contaminadas e transmitir a doença.
“Meu marido e filho, de 21 anos, são asmáticos. O que faço para protegê-los? Outra dúvida: a vacina pneumocócica 23 nestes casos ajuda?” (Lucilene Ozilio, 46 anos, artesã, Araucária-PR)
Cientistas UFPR – Lucilene, como a Covid-19 causa pneumonia severa, os asmáticos estão no grupo de risco. A melhor maneira de protegê-los continua sendo permanecer em isolamento: “Fique em casa“. Já a vacina pneumocócica é eficaz em proteger o indivíduo contra pneumonias causadas por bactérias. Portanto, não é eficaz em proteger as pessoas contra a infecção pelo coronavírus, mas pode impedir uma infecção secundária pela bactéria após uma infecção viral.
“Uma familiar está trabalhando e, quando for liberada, ficará em isolamento com os pais, que pertencem ao grupo de risco e já se encontram em isolamento. Quantos dias ela precisará ficar sozinha para não correr risco de contaminar os pais, caso ela esteja contaminada e não sabe?” (Sabrina Mara Tristão, 34 anos, autônoma, Pirassununga-SP)
Cientistas UFPR – Olá, Sabrina. Esperamos que esteja bem! Até agora acredita-se que o vírus possa ter um período de incubação de até 14 dias. A ciência ainda não tem todas as respostas sobre este vírus, pois ele é muito recente. Entretanto, sabemos que o tempo médio de manifestação é de cinco dias, mas pode variar de pessoa para pessoa. Assim, o ideal é que a pessoa evite o contato por duas semanas, não abrace, ou toque os pais, separe seus talheres, prato e copo e, se possível, durma sozinha e tenha um banheiro só pra si. Sabemos que tudo isso muitas vezes é impossível. Mas podemos reforçar a higiene, manter os ambientes ventilados e sempre lavar as mãos.
“Tenho 62 anos, tomo a vacina para H1N1 anualmente, sou hipertensa com controle por medicamentos. Estive na Bahia aguardando um voo de retorno a Curitiba, que espero que seja nesta segunda (23). Posso ou devo tomar a vacina H1N1 assim que chegar em Curitiba ou devo aguardar alguns dias?” (Clarissa Gomes, 62 anos, arquiteta, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – A recomendação médica é que todos do grupo de risco se vacinem para H1N1, o que inclui todas as pessoas acima de 60 anos (mesmo que tenham doenças como a hipertensão ou diabetes). Os médicos indicam a vacinação, pois ela ajudará a proteger os pacientes da gripe, e assim diminuirão os casos de pessoas com sintomas respiratórios. Estão sendo tomadas providências para que não haja aglomerações durante a vacinação – assim, não precisa se preocupar sobre isso. Além disso, é importante reforçar os cuidados de higiene e se manter em isolamento social para evitar a contaminação, pois o vírus possui uma alta taxa de infectividade. No seu caso recomenda-se cuidado redobrado com as regras de distanciamento social e pode lavar as mãos à vontade com água e sabão.
“Moro com a minha avó de 80 anos, que tem uma saúde muito boa. A campanha de vacinação contra gripe começou. E uma boa ideia ela ir tomar essa vacina? Pergunto isso porque se eu não me engano a vacina abaixa a imunidade. O isolamento não seria melhor do que se expor visto essa contaminação crescente?” (Drica Seki, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Oi, Drica! Muito importante a sua pergunta. A vacina da gripe não baixa a imunidade, e sim irá melhorar a imunidade da sua avó contra o influenza, o vírus da gripe. Essa vacina é produzida a partir do vírus morto e fracionado, então não existe o risco de pegar a gripe após a vacinação. Os anticorpos contra o vírus da gripe serão formados dentro de aproximadamente 15 dias. E por isso é tão importante a vacinação nesse momento. Os sintomas da gripe e da Covid-19 são bem semelhantes. Se a sua avó não pegar a gripe porque foi vacinada, ela não precisará recorrer ao sistema de saúde que já está tão sobrecarregado, e isso também irá reduzir a exposição da sua avó a um potencial infectado com a Covid-19. Pode ser que em aproximadamente 48 horas após a vacinação, ela sinta algumas reações como febre, mal-estar e dor no corpo. Essa reação é comum, e não significa que baixou a imunidade. Sobre a questão do distanciamento, tanto em Curitiba quanto em várias outras cidades do Brasil, a Secretaria de Saúde montou postos externos para evitar a aglomeração de pessoas e também está oferecendo postos de drive thru – o agente de saúde vai até o carro e vacina o idoso. O isolamento por causa da Covid-19 acontece justamente por não termos ainda uma vacina eficaz contra o vírus SARS-CoV-2. Mas certamente muitos pesquisadores no Brasil e no mundo estão trabalhando para isso!
O processo de contaminação
“Depois que a pessoa tem contato com o vírus, ela passa a propagar imediatamente? E no caso de quem é contaminado, manifesta a doença e vai melhorando, depois de quanto tempo a pessoa para de propagar o vírus?” (Cristiane da Silva Lopes, servidora técnica, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Cristiane, sabemos que a transmissão pode ocorrer a partir do momento que a pessoa infectada apresenta sintomas, mas ainda não há confirmação de quando exatamente pode começar a transmissão do vírus antes dos sintomas. Em relação à propagação após recuperação, a pessoa é considerada curada quando testar negativo em tratamento hospitalar. Importante lembrar que a principal maneira pela qual a doença Covid-19 se espalha é através de gotículas respiratórias expelidas por alguém que está tossindo ou espirrando ou por contato com secreções contaminadas. Existem portadores assintomáticos, que podem transmitir a Covid-19, e muitas pessoas têm apenas sintomas leves. Portanto, é possível pegar Covid-19 de alguém que tenha, por exemplo, apenas uma tosse leve e não se sinta mal. O tempo entre a exposição ao vírus e o início dos sintomas é em média de cinco dias, mas pode chegar a duas semanas. Pacientes com risco de estarem contaminados ou confirmados para Covid-19 com sintomas leves devem cumprir isolamento domiciliar de 14 dias para evitar a transmissão na comunidade.
“Já é possível saber se alguma condição climática é melhor para o alastramento e sobrevivência do vírus?” (Francielle Cristina de Pádua, 29 anos, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Francielle, este vírus não gosta muito de calor, é termolábil, ou seja, pode ser destruído em altas temperaturas. A persistência de vírus em temperaturas de 30 ou 40 graus é bem reduzida. Já em temperaturas mais baixas consegue sobreviver mais tempo, e em temperaturas extremas negativas (menos 20 graus) pode ficar estável por até dois anos. Há estudos mostrando que o coronavírus persiste com sua infectividade em superfícies como metal, vidro ou plásticos por até nove dias dependendo das condições de temperatura, umidade e luz, mas em ambiente seco cai para seis dias. Como é termolábil, será destruído em temperatura de cozimento de alimentos (70 graus). Por outro lado, isso não significa que a doença não vai se disseminar no Brasil, pois o vírus passa de um hospedeiro para outro. Os dados preliminares mostram que a taxa de disseminação no Brasil e a letalidade são muito semelhantes a de outros países.
“O vírus sobrevive em ambiente externo? Recebi uma imagem afirmando que pode ser até nove dias e achei que pode ser um tempo muito grande” (Ana Carolina Rodrigues, 23 anos, estudante, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Ana Carolina, você tem certa razão. Há estudos mostrando que o coronavírus SARS-CoV, que causa a síndrome respiratória grave que está ocorrendo na pandemia, persiste com sua infectividade em superfícies como metal, vidro ou plásticos por até nove dias, mas em ambiente seco isto cai para seis dias. Em materiais porosos, como papel, a sobrevivência é bem menor. Mas veja que interessante: o vírus pode ser eficientemente inativado em apenas um minuto pela desinfecção destas superfícies com álcool 62 a 71%, peróxido de hidrogênio (água oxigenada) 0,5% ou hipoclorito de sódio (Q-Boa diluída 20 vezes) a 0,1%. Por isso, a importância de manter as superfícies limpas e desinfetadas.
“Gostaria de saber mais sobre a reinfecção. Se eu estiver infectada hoje testando positivo para o Covid-19, fizer o tratamento e passar a testar negativo, posso ir ver meus pais sem medo de eventualmente desenvolver a doença novamente?” (Fabiana Santos, 36 anos, bioquímica, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Fabiana, ainda não há muitas informações sobre a reinfecção do coronavírus, pois a doença ainda é muito nova e vários aspectos da evolução da Covid-19 e comportamento do vírus estão sendo detectados à medida que os casos avançam pelo mundo, infelizmente. Há ainda dúvidas, mas já foram descritos poucos casos (China e Japão) de pacientes que tiveram a infecção, foram tratados e depois foram internados novamente testando positivo. Especialistas dizem que há várias maneiras pelas quais os pacientes que recebem alta podem adoecer novamente com o vírus. Por exemplo, os pacientes podem não acumular anticorpos suficientes para desenvolver imunidade ao vírus; o vírus pode ser bifásico, o que significa que permanece “adormecido” e depois volta a provocar os sintomas; ou ainda que houve falhas ou discrepâncias nos testes destes pacientes. Como isto ainda não está esclarecido, o melhor é continuar seguindo as recomendações de isolamento domiciliar de 14 dias e os cuidados de higienização.
O atendimento e a recuperação
“Estou com sintomas do que parece o começo de uma gripe leve. Pode ser uma gripe normal ou reação à temperatura que está oscilando um pouco. Mas quando devo realmente me preocupar e buscar atendimento?” (Natalia Zardo, 18 anos, estudante, Florianópolis-SC)
Cientistas UFPR – Os sintomas mais comuns da Covid-19 são febre, cansaço e tosse seca. Alguns pacientes podem ter dores no corpo, congestão e corrimento nasal, dor de garganta ou diarreia. Esses sintomas geralmente são leves e começam gradualmente. O ideal é acompanhar a evolução dos seus sintomas e ficar em casa. Se você tiver febre, tosse e dificuldade em respirar, procure atendimento médico. Enquanto você acompanha os sintomas, mantenha distância das pessoas, use lenço descartável quando tossir ou espirrar, deixe ambiente bem arejado, lave as mãos frequentemente. Se compartilhar casa com outras pessoas, atente para limpar superfícies com álcool 70%. Se puder, pode usar máscara para evitar contaminação de outras pessoas.
“Quando contraída a doença Covid-19, quais ações devem ser tomadas para uma boa recuperação em casa, considerando que a pessoa infectada apresenta sintomas leves?” (Richard Schack Müller, 19 anos, estudante, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – A pessoa diagnosticada com Covid-19 deve permanecer em casa, em isolamento domiciliar com o mínimo contato possível com outros moradores. O doente deve ficar em quarto isolado e ventilado, se possível usar banheiro privativo, não compartilhar utensílios e as roupas usadas de cama e banho devem ser acondicionadas em sacos plásticos e lavadas separadamente (a pessoa que lavá-las deve usar luvas para manuseá-las). Escolha um familiar para atender o enfermo – de preferência, alguém com boa saúde e sem doenças crônicas. Quando estiver perto do doente, o cuidador deve utilizar uma máscara descartável e trocá-la caso fique úmida ou com secreções. Importante higienizar as superfícies do quarto e do banheiro diariamente, de preferência use primeiro sabão ou detergente e depois um desinfetante comum com hipoclorito de sódio a 0,1% (uma xícara de café de água sanitária em um litro de água). Lavar as roupas com mais frequência, em separado, com sabão e água.
“O corona é um vírus potente ao ponto de causar a morte de uma pessoa saudável de meia idade com facilidade? Além disso, o que difere tanto a Covid-19 em questão de danos ao corpo de uma gripe forte?” (Leandro Brandão de Paula, 22 anos, contador, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Leandro, embora a doença causada pelo coronavírus seja mais branda em crianças e adultos jovens, infelizmente há relatos de pessoas muito jovens acometidas gravemente, inclusive com óbito, como ocorrido com uma moça de 21 anos na Inglaterra. As autoridades de saúde demonstram preocupação de que os jovens ignorem os avisos sobre a propagação do vírus, uma vez que acreditam que a doença apenas acomete idosos, o que está se provando não ser verdade. Os sintomas mais comuns da Covid-19 podem se parecer com uma gripe causada por outros vírus. O que diferencia a Covid-19 é sua alta capacidade de infectividade e transmissibilidade entre pessoas. Pessoas com febre, tosse e dificuldade em respirar devem procurar atendimento médico. No caso de Covid-19 grave quanto antes iniciar o tratamento, maior a chance de sobreviver.
Confira outras perguntas da sociedade sobre coronavírus respondidas por cientistas da UFPR
Segue link da notícia no portal UFPR: https://www.ufpr.br/portalufpr/noticias/ida-ao-mercado-caminhada-e-imunidade-cientistas-respondem-novas-perguntas-da-sociedade-sobre-coronavirus/

10 dicas de atividades em casa para cuidar da saúde mental durante pandemia, segundo pesquisadora da UFPR

A pandemia do coronavírus colocou as pessoas diante do medo do desconhecido e da sensação de vulnerabilidade, o que pode ocasionar aumento de ansiedade e até depressão. É o que explica a pesquisadora Lidia Weber, do Departamento de Psicologia e Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), líder do grupo de pesquisa “Infância, Adolescência, Família e Comunidade”. A Organização Mundial de Saúde (OMS) também alerta que as incertezas provocadas pela Covid-19, doença causada pelo coronavírus, os riscos de contaminação e a obrigação de isolamento social podem agravar ou gerar problemas mentais.
Diante disso, a OMS publicou um guia para cuidar da saúde mental durante a pandemia para profissionais de saúde, crianças e idosos, líderes de equipes e pessoas em quarentena. Para pessoas em isolamento social, a orientação é ficar em contato e manter a rede de amigos e conhecidos, estar atento aos sentimentos e seguir notícias confiáveis, evitando boatos e “fake news”.

Atividades sugeridas produzem previsibilidade, diminuem a vulnerabilidade diante do desconhecido e acalmam o estresse. Ilustração: Luiza M. Nery/Agência Escola UFPR
Nesse sentido, a professora da UFPR sugere atividades em casa para para cuidar da saúde mental. “O ser humano é um ser de afeto por excelência. É o que temos de mais importante na vida: as relações afetivas. Agora precisamos ficar longe fisicamente, mas podemos desenvolver estratégias bem bacanas de proximidade”, diz Lidia.
De acordo com a pesquisadora da UFPR, todas as atividades indicadas abaixo produzem previsibilidade, diminuem a vulnerabilidade diante do desconhecido e acalmam o estresse – algumas, geram alegria, emoções e proximidade afetiva entre as pessoas. Confira:
1) Pratique autocuidado
O autocuidado refere-se ao enfrentamento do desconhecido, permite sair da vulnerabilidade do desconhecido que assusta e tomar as rédeas com as próprias mãos. Esse também é um fator de prevenção para a saúde mental, pois com autocuidado diminuímos os riscos, a ansiedade e o estresse, podendo fazer outras atividades. Pensar em coisas que podemos controlar é fundamental para o ser humano. É o que se denomina de autocompaixão, ajudar a si mesmo. E nessa crise ajudar a si mesmo é também ajudar o outro. Ter autocuidado é pensar em si mesmo e nos outros, é um fator humanitário. Isso aumenta nosso nível de esperança e positividade.
2) Ajude com o que você já faz
Como você, por meio de sua profissão, pode disponibilizar gratuitamente algo pela internet? Um vídeo com dicas de Psicologia ou de imposto de renda? Ou tocar um instrumento musical? Ensinar a fazer um bolo diferente? O que você está esperando? Somos uma só humanidade.
3) Faça cursos online gratuitos
São úteis, tiram o foco da pandemia por algum tempo e ensinam. Atualmente estão sendo disponibilizados cursos e vídeos em várias áreas, desde algo novo dentro de cada área (Psicologia, Nutrição, Artes etc.) até atividades que já eram feitas, como aulas de ginástica de academias.
4) Programe atividades de organização
Atividades de organização trazem sensação de controle e reduzem ansiedade. Aquelas gavetas cheias de coisas que não são mais usadas, o monte de roupas que pode separar para doar, as mil fotos do celular que nunca organizou etc. Com crianças, é bem interessante inventar coisas fofas, como arrumar as meias por cor, limpar os brinquedos e colocar na estante por tamanho. Para quem tem jardim, é bem especial anotar quantas vezes o passarinho pousou na árvore, tirar as pequenas ervas daninhas e alinhá-las lado a lado por tamanho etc.
5) Faça visitas online para amigos e familiares
Programe as visitas online por Skype ou chamada de vídeo. Não vale ficar só falando do drama atual. Dá para inventar brincadeiras: cada um traz uma lembrança da infância ou cada um conta uma piada ou charada (assim precisa procurar, anotar…) etc.
6) Assista a filmes e séries
Permite muitas risadas e acalma o estresse. Se você gosta de dramas, alterne dramas com comédias. Assista junto à família e depois brinque com qual personagem cada familiar é parecido.
7) Medite
A Psicologia já tem comprovado o quanto exercícios simples de meditação trazem retorno para diminuir estresse e ansiedade, mesmo em curto tempo. Podem ser 10 minutos de meditação pela manhã e à tarde. Sente-se em um espaço calmo, feche os olhos, observe mentalmente o seu corpo, respire profundamente pelo nariz, segure um pouco e solte pela boca de modo profundo. Preste atenção em sua respiração. Deixe seu pensamento solto, calmo, pense como é bom estar aqui e agora. Depois, mexa-se com tranquilidade, espreguice e dê os parabéns a si mesmo.
8) Elogie
Faça potes de elogios. Uma vez por dia cada membro da família escreve um elogio para os outros. Os bilhetes podem ser abertos no final de semana, por exemplo. Pode-se fazer o mesmo com outros membros da família que estão distantes e depois os elogios serão lidos online. Para ainda se divertir, a família pode programar peças de teatro em que as crianças fazem o roteiro e são protagonistas.
9) Exerça a gratidão
Escreva cartas de gratidão. Pelo o que você é grato em sua vida? O passarinho que viu hoje no jardim? O fato de ter uma casa para ficar em quarentena? A quem você é grato? E para você mesmo, o que você fez que tem orgulho e quer agradecer a si mesmo? Depois marque momentos para que as cartas sejam lidas para todos.
10) Faça um quadro de rotina e identifique emoções
No quadro de rotina diária, insira atividades com os membros da família, de cuidado, organização e diversão. Com crianças, tire fotos das emoções básicas de cada um dos membros: alegria, surpresa, medo, raiva, nojo, tristeza. Coloque as fotos de todos os membros da família lado a lado (se não conseguir imprimir, podem verificar digitalmente) e dê risadas. Depois das emoções primárias, tire fotos de outras emoções mais complexas: vergonha, orgulho, desprezo, culpa, melancolia, alívio, vergonha, frustração, ternura, irritação, saudade, gratidão etc. Essa atividade ajuda crianças, adolescentes e adultos a identificarem e aprenderam mais sobre as suas emoções.