CiaSenhas de Teatro estreia ESPANTO no Teatro José Maria Santos

Montagem que celebra os 25 do grupo propõe uma reflexão sobre a participação das mulheres na resistência à ditadura militar brasileira

A CiaSenhas de Teatro estreia, no dia 02 de novembro, a peça ESPANTO, projeto de montagem que comemora os 25 anos do grupo. A nova obra, dirigida por Sueli Araujo, propõe uma reflexão sobre o espaço político da mulher a partir da experiência na resistência à ditadura militar brasileira entre 1964 e 1985. A temporada permanece até o dia 17 no Teatro José Maria Santos.

Com dramaturgia de Sueli Araujo e a colaboração de Luiz Bertazzo, a peça tem como fonte de pesquisa e disparador para a criação dos textos relatos de mulheres registrados nos documentos da Comissão da Verdade. Na montagem, as atrizes Ciliane Vendrusculo e Greice Barros evocam personagens reais e ficcionais sem abandonar suas identidades pessoais e suas presenças enquanto mulheres de seu tempo.

Ao longo da peça, o público é convidado a mergulhar no ESPANTO também enquanto um afeto, que move a companhia a vasculhar o passado recente para encontrar a mulher-política como protagonista da busca de outros sentidos e formas de viver no presente. A Ciasenhas se ancora no processo colaborativo como ética criativa e na experimentação e invenção como exercícios de liberdade poética.

Na montagem, a companhia investiga o trauma social e político que resulta da ditadura militar brasileira, além do que conta a história oficial. Para isso, se aprofunda no emaranhado subjetivo que encobre a natureza patriarcal presente nas práticas de torturas destinadas aos corpos das mulheres.

Como parte do processo de criação, a companhia promoveu, no dia 25 de setembro, a Palestra “Fundamentos filosóficos da política feminista” com a filósofa e escritora Márcia Tiburi, realizado em formato virtual.

SOBRE A CIASENHAS DE TEATRO

A CiaSenhas de Teatro nasce do desejo de produzir arte em grupo e de pesquisar a linguagem cênica de forma colaborativa. Desde 1999 temos feito espetáculos e ações artísticas que tentam estabelecer diálogo com a sensibilidade do nosso tempo a partir de demandas poéticas e discursivas que emergem no interior do coletivo. Fazer teatro de grupo é uma escolha política adotada pela CiaSenhas. Trata-se de um gesto que entende a criação como uma ação consequente, onde cada artista envolvido possa entregar ao público uma obra cuja forma e conteúdo carregam o DNA das identidades individuais que formam o pensamento coletivo. O trabalho colaborativo se instaura como um intenso processo de compartilhamento de saberes, de experiências, de visão de mundo e de subjetividades. Fazer teatro de grupo significa criar territórios de vida “comum” e de resistência através da arte.

Projeto viabilizado por meio da lei municipal de Incentivo à Cultura, na modalidade Mecenato Subsidiado.

FICHA TÉCNICA
Atuação: Ciliane Vendruscolo e Greice Barros
Direção e Dramaturgia: Sueli Araujo
Assistência de Direção: Anne Celli
Interlocução Dramaturgia: Luiz Bertazzo
Direção de Movimento: Elke Siedler
Cenário: Paulo Vinicius
Figurino: Amabilis de Jesus
Design de Som: Ary Giordani
Design de Luz: Wagner Corrêa
Design de Projeção: Paulo Rosa
Captação e edição de imagem: Lidia Ueta
Direção de Produção: Marcia Moraes
Produção Executiva: Edran Mariano
Designer Gráfica: Adriana Alegria
Assessoria de Imprensa: Paula Melech
Fotos: Elenize Dezgeniski
Realização: CiaSenhas de Teatro

SERVIÇO:

ESPANTO
De 02 a 17 de novembro
4ª a sábado às 20h
Domingo às 19h
Sábado e domingo – sessões extras às 16h
Ingressos: 20,00 e 10,00
4ª e 5ª – entrada gratuita e tradução em libras
Teatro José Maria Santos
Rua Treze de Maio, 655 - São Francisco

Com estreia no Festival de Curitiba, Adoráveis Transgressões expõe relações familiares

Crédito foto: Cibelle Gaidus

Muito obrigada

Com estreia no Festival de Curitiba, Adoráveis Transgressões expõe relações familiares

Selvática companhia referência internacional na pesquisa de cabaré, estreia espetáculo que mistura drama russo às artes da noite

Em "Adoráveis Transgressões", que estreia na mostra Lúcia Camargo do Festival de Curitiba, o drama russo clássico ganha contornos de cabaré – estilo que se tornou a especialidade da Selvática Ações Artísticas, companhia sediada na capital paranaense. A peça terá duas sessões, nos dias 31 de março e 1° de abril, às 20h30, no Teatro Zé Maria.

A montagem tem como pano de fundo a obra do dramaturgo russo Anton Tchekhov. O autor, assim como todo o realismo e drama russos da virada do século passado, constituiu um dos imaginários mais fortes no teatro até hoje. Agora, a obra de Tchekhov ganha os olhares ácidos lançados pelas dramaturgias da curitibana Leonarda Glück e do franco-argentino Copi. O encontro dá origem a um cabaré que contrapõem o drama russo à tradição brasileira melodramática presente no circo-teatro e na teledramaturgia.

"A irreverência e iconoclastia das textualidades de Leonarda e Copi, adaptadas pela escritora, dramaturga e pesquisadora pernambucana Renata Pimentel, ressoam no espetáculo como forma de questionar as estruturas familiares e reinventá-las de forma debochada e aterrorizadora", comenta Gabriel Machado, um dos diretores do espetáculo.

Com “Adoráveis Transgressões”, o grupo apresenta ao público do Festival de Curitiba um espetáculo divertido e irreverente com números de cabaré, dublagens, shows musicais e crítica política. "Uma resposta ao mundo feita com cabaré, humor e corpos em festa”, afirma Gabriel.

No enredo, "Adoráveis Transgressões" é um canal latino-americano de televisão que exibe a novela "O Coquetel das Loucas ou Irina, quem diria, acabou em Rabat". Ambientada em uma Rússia imaginária, a trama se funde com o backstage do set de filmagem, em que relações familiares, sociais e políticas atravessam a ficção. O espetáculo apresenta as histórias controversas de famílias nada tradicionais que ocupam um mesmo palco.

Enquanto o drama russo escancara o tédio através de solilóquios e pouca ação, em Adoráveis Transgressões a trama tem ação, reviravoltas e diálogos rápidos típicos do melodrama e da teledramaturgia. "Concede-se às personagens uma voz sarcástica e nada acomodada”, revela Ricardo Nolasco, que também dirige espetáculo.

Cabaré

A Selvática, que completa 11 anos, é uma das principais referências do estudo do cabaré como linguagem, seus espetáculos já foram apresentados em diferentes cidades do Brasil, bem como outras cidades na América Latina, Europa e África. Atualmente realiza a Bienal Internacional de Cabaret, que reúne artistas que investigam o formato pelo mundo.

O cabaré hoje é o habitat artístico da Selvática, abrigando a representatividade do grupo. “É a nossa principal bandeira. O lugar onde encontramos um modo de assembleia, convivência, discussão de coletivo. É um espaço onde conseguimos colocar várias diferenças no palco”.

Festival de Curitiba

Esta será a segunda vez da companhia na mostra Lúcia Camargo do Festival de Curitiba. Em 2018, a Selvática apresentou Cabaret Macchina. Em 2020, o grupo também estaria em cartaz, mas o evento acabou cancelado por causa da pandemia. Já no fringe, a companhia foi destaque em diferentes edições, em 2019 realizou a Selva - Mostra de Artes Degeneradas, que reuniu diferentes obras de seu repertório.

“É um evento que está muito inserido na agenda da cidade e permite que você saia um pouco da sua bolha e acesse um outro modo. Festivais como um todo são catalisadores de experiência de encontros. Isso é o grande barato: conseguir sintonizar artistas e pessoas”.

Serviços

Adoráveis Transgressões

Dias: 31 de março e 01 de abril às 20h30

Onde: Teatro José Maria Santos (Rua treze de maio, 655)

Quanto: R$ 80,00 (inteira) e R$ 40,00 (meia)

Link: https://festivaldecuritiba.com.br/atracao/buscar/adoraveis-transgressoes