Com indicações de passeios em espaços gastronômicos, históricos, musicais e culturais, Eisenbahn lança Guia Craft edição Curitiba

O Guia, hospedado no site da Eisenbahn, exalta espaços que possuem sintonia com a cultura artesanal da marca com muita gastronomia, espaços de arte, música e lifestyle além de espaços históricos e culturais da capital paranaense

Espaço SFCO que fica no Centro de Curitiba e se alinha à cultura craft
(Crédito: Divulgação)

São Paulo, março de 2023 - Depois da edição do CraftGarten em Curitiba, primeiro evento proprietário de Eisenbahn de 2023, surge o Guia Craft, com dicas de lugares que estão em sintonia com a cultura artesanal da marca. O guia está hospedado no site da Eisenbahn (acesse aqui) e tem foco em três setores: Gastronomia; Lifestyle, Arte e Música; e o Histórico e Cultural. Dentro de cada capítulo são apresentados pratos, momentos e espaços que harmonizam com uma boa cerveja artesanal.

O Guia Craft é fruto de uma parceria de Eisenbahn com o perfil “O que Fazer em Curitiba”. Essa cocriação ajuda os visitantes e moradores da cidade a olharem para essa capital de quase 330 anos de história, de um ângulo artesanal. O objetivo é o incentivo à criação de momentos memoráveis onde se consiga viver cada um deles apreciando seus detalhes. O encontro da arquitetura com a natureza e dos sabores das comidas harmonizadas com cerveja, por exemplo, são sutilezas dos lugares que estão no guia.

A capital paranaense -- que tem a Rua XV de Novembro, um dos primeiros calçadões do Brasil, a Ópera de Arame que é cartão postal da cidade e a parrilleria Maria Eugênia, com pratos que harmonizam perfeitamente com os rótulos da marca -- possui cantos que merecem ser exaltados. Além de citar localização, horário de funcionamento e site para mais informações sobre cada local, o Guia Craft tem uma descrição do que é mais importante saber sobre cada um deles, de um viés craft.

Prato servido no Maria Eugênia, parrilleria em Curitiba
(Crédito: Divulgação)

Prato servido no Gas Food, restaurante incluído no Guia Craft Curitiba
(Crédito: Divulgação)

“Mostrar que ser artesanal não se resume apenas a falar de receita e de processos é nosso objetivo enquanto marca. A cultura craft abrange tudo no dia a dia das pessoas e queremos expandir isso exibindo um estilo de vida em que todos consigam apreciar os detalhes, sabores e paisagens bonitas de cada local. É unindo nosso evento proprietário CraftGarten com o Guia Craft e mais muitas novidades que vêm por aí que vamos fomentar esse estilo de vida”, comenta Karina Pugliesi, gerente de marketing.

Memorial Paranista, espaço cultural e histórico que compõe o Guia Craft Curitiba
(Crédito: Divulgação)

Ópera Arte em Curitiba-PR que compõe o Guia Craft
(Crédito: Divulgação)

Os espaços que estão destacados no Guia Craft são: Confeitaria Holandesa, Maria Eugênia, Noni Padaria, Gas Food, Ópera Arte, Espaço SFCO, Memorial Paranista, Cine Passeio, Preta Fina Assessórios, Macaia Eco, Memorial Ucraniano, entre outros.

Eisenbahn Guia Craft

Sobre o Grupo HEINEKEN no Brasil
O Grupo HEINEKEN chegou ao Brasil em maio de 2010, após a aquisição da divisão de cerveja do Grupo FEMSA e, em 2017, adquiriu a Brasil Kirin Holding S.A ("Brasil Kirin"), tornando-se o segundo player no mercado brasileiro de cervejas. O Grupo gera mais de 14 mil empregos e tem 14 unidades produtivas no país, sendo 12 cervejarias, localizadas em Alagoinhas (BA), Alexânia (GO), Araraquara (SP), Benevides (PA), Caxias (MA), Igarassu (PE), Igrejinha (RS), Itu (SP), Jacareí (SP), Pacatuba (CE), Ponta Grossa (PR) e Recife (PE), duas microcervejarias em Campos do Jordão (SP) e Blumenau (SC). No Brasil, o portfólio de cervejas do Grupo HEINEKEN é composto por Heineken®, Heineken® 0.0, Sol, Amstel, Amstel Ultra, Kaiser, Bavaria, Eisenbahn, Baden Baden, Devassa, Schin, Glacial, No Grau, Lagunitas, Blue Moon e Tiger. O portfólio de não alcoólicos inclui Água Schin, Schin Tônica, Skinka e os refrigerantes Itubaína, Viva Schin e FYs. Com sede em São Paulo, a companhia é uma subsidiária da HEINEKEN NV, a maior cervejaria da Europa. Informações adicionais

Roberto Corrêa e o encontro das Violas Brasileiras

O violeiro Roberto Corrêa apresenta o repertório do seu novo disco, Concerto para Vaca e Boi, ao lado do gambista Gustavo Freccia, no Memorial Paranista

A apresentação faz parte da programação da 40ª Oficina de Música de Curitiba

Dia 02/02 (quinta-feira) às 19h30, no Teatro Cleon Jacques, o violeiro Roberto Corrêa, uma das maiores referências da viola no Brasil, apresenta o encontro das Violas Brasileiras, instrumentos regionais brasileiros, com a Viola da Gamba, que teve seu apogeu na Renascença e no Barroco. Vindas de tempos antigos, duas culturas musicais distintas dialogam em um trabalho autoral e contemporâneo.

Dentre as violas regionais utilizadas por Corrêa neste trabalho, está a Viola Caiçara, também conhecido como Viola de Fandango, ligada às tradições musicais do litoral paranaense.

Roberto Corrêa utiliza a bagagem de seus quarenta e cinco anos de carreira para conduzir as violas populares do Brasil para a música de concerto, em um repertório autoral lançando no seu mais recente disco, Concerto para Vaca e Boi, o 20º álbum do artista. O novo trabalho traz 12 composições do instrumentista, feitas especialmente para cada uma das seis violas brasileiras – Viola Repentista, Viola de Buriti, Viola Caiçara, Viola Machete Baiana, Viola de Cocho e Viola Caipira– em duo com a Viola da Gamba. Pela primeira vez, Roberto compôs para a Viola da Gamba, instrumento muito utilizado no segmento da música antiga, que sempre o atraiu.

“De certa forma a sonoridade da viola da gamba baixo lembra o mugido do boi e da vaca e me traz lembranças de um passado saudoso”, afirma Corrêa que tem a lida com o gado na história de sua família. Segundo o artista, não há registro deste encontro das violas brasileiras com a da gamba. “No Brasil também são instrumentos antigos, mas ficaram na oralidade, não têm a escrita de suas práticas passadas”.

“O período barroco, para mim, é o auge da música ocidental”, afirma ele, que tem entre seus compositores preferidos Bach e Vivaldi. Neste trabalho, o convidado especial foi o gambista Gustavo Freccia, que leciona na Escola de Música de Brasília. “Quando a gente junta os instrumentos, vira algo novo e é muito surpreendente”, conta Freccia. “Essa mistura da Viola da Gamba com instrumentos tradicionais brasileiros é muito rica e interessante. São timbres que se casam e formam uma combinação de sonoridades particular e inexplorada”, afirma. É um encontro no tempo de um instrumento da corte com instrumentos do povo.

O projeto resulta, também, na inclusão das violas tradicionais brasileiras no contexto da música de concerto, aproximando tradições musicais distintas: a música popular regional e a música de câmara. A ruptura destas fronteiras é explorada por Roberto Corrêa ao longo de seus 40 anos de carreira, especialmente em seu trabalho para a Viola Caipira e a Viola de Cocho. No Concerto para vaca e boi, ele expandiu esta abordagem para outras violas populares do Brasil.

Ao longo da apresentação os músicos falam sobre seus instrumentos, contextualizando-os.

Artesania nos instrumentos
Alguns instrumentos utilizados no projeto foram ajustados para atender as exigências das músicas compostas para o álbum, principalmente no que se refere a afinação, onde as cravelhas rústicas foram substituídas por cravelhas mais adequadas. Também foram feitas diversas experiências com cordas para se conseguir um equilíbrio na sonoridade, principalmente nos instrumentos de cordas de tripa e náilon – Viola de Cocho e Viola de Buriti. Até cordas de raquetes de badminton e Squash foram testadas e utilizadas.

Sobre Roberto Corrêa
Uma das maiores referências da viola caipira no Brasil, Roberto Corrêa se dedica ao estudo, à composição e ao ensino da viola há 40 anos. Chamado pelo crítico Tárik de Souza de “Guimarães Rosa encordoado”, o mineiro Roberto Corrêa é descendente de uma família de violeiros de Campina
Verde. É graduado em Física e Música pela Universidade de Brasília. Tem doutorado em Musicologia pela Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo (ECA-USP) com a tese Viola caipira: das práticas populares a escritura da arte, defendida em 2014. É um pesquisador incessante do instrumento, tendo dedicado sua vida ao estudo e à prática da viola.

Lançou 20 discos de viola, já tocou em todo o Brasil e também em diversas partes do mundo, como Áustria, China e Portugal. É músico, intérprete e tem seu trabalho ligado às tradições interioranas, mas também associado à contemporaneidade e à erudição. Conta com três livros dedicados ao estudo da viola: Viola caipira, de 1983, um dos primeiros sobre o instrumento no Brasil, A arte de pontear viola, de 2000, com um método para ensino e aprendizagem da viola, e Viola caipira: das práticas populares à escritura da arte, de 2019, resultado da sua tese de doutorado.

Sobre Gustavo Freccia
É músico gambista e cantor, com doutorado em Performances Culturais (2021) e mestrado em Música - Canto (2015), ambos pela Universidade Federal de Goiás. É professor de Viola da Gamba e Música de Câmara na Escola de Música de Brasília (CEP-EMB SEEDF).

SERVIÇO:
40ª OFICINA DE MÚSICA DE CURITIBA QUINTA, 02/02
19H30 – Teatro Cleon Jacques / Memorial Paranista Concerto para Vaca e Boi
Roberto Corrêa: Viola Brasileiras Gustavo Freccia: Viola da Gamba Gratuito

Mês em homenagem às artes é convidativo para conhecer o legado do artista paranaense João Turin

Agosto é um mês de homenagem às artes, com datas que celebram as atividades artísticas e os profissionais da área. Em 12/08 se comemora o Dia Nacional das Artes, enquanto 24/08 é o Dia do Artista. Por ocasião destas datas, este é um mês convidativo para realizar passeios culturais e visitas a espaços como museus, memoriais e galerias para conhecer mais sobre artistas brasileiros e suas obras, que muito contribuem com a cultura nacional.

Em Curitiba, é possível conhecer de forma gratuita a vida e o legado artístico do escultor João Turin (1878-1949), que tem boa parte de suas obras expostas em espaços públicos da cidade, como diversas praças e também no Memorial Paranista, construído em sua homenagem. Conhecido como o maior escultor animalista do Brasil, realizou esculturas e baixos-relevos não somente de animais (em especial onças, retratadas com realismo), mas também representações de personalidades, povos indígenas, momentos históricos, obras que dialogam com a arte sacra, entre outros temas.

O roteiro cultural pode começar pela Praça Tiradentes, onde há uma estátua do personagem da História do Brasil que dá nome à praça, em uma obra que completa 100 anos. Criada em 1922 quando Turin morava na França, foi exposta no Salão dos Artistas Franceses em Paris, onde recebeu boas referências da crítica francesa. No ano seguinte, participou do Salão Nacional de Belas Artes de 1923, no Rio de Janeiro, tendo recebido na ocasião menção honrosa e um prêmio em dinheiro. No mesmo local, também há obras do artista no Monumento à República.

A cerca de 800 metros de distância, na Praça Santos Andrade, está a Águia de Haia, que integra o monumento a Rui Barbosa. Assim, o roteiro começa a mostrar Turin como escultor animalista. Em outro ponto próximo, na rotatória do Centro Cívico, está uma das obras mais representativas do artista, “Luar do Sertão”, de uma onça rugindo. Originalmente batizada como “O rugir do Tigre”, rendeu ao artista a medalha de ouro no Salão Nacional de Belas Artes em 1947. Além de Curitiba, um exemplar está presente também no Rio de Janeiro, na Praça General Osório. É possível encontrar em outros locais públicos da capital paranaense bustos de celebridades assinados por Turin, como o do maestro Carlos Gomes (na praça de mesmo nome).

Jardim de Esculturas - Memorial Paranista João Turin - Onça e Tartaruga - Foto Maringas Maciel.jpg

Memorial Paranista reúne 100 obras do artista
O local mais importante para conhecer João Turin e seu legado artístico é o Memorial Paranista, no Parque São Lourenço, que conta com uma seleção representativa das obras do artista. Construído pela Prefeitura de Curitiba, o espaço abriga cerca de 100 esculturas e baixos-relevos em bronze de João Turin em uma exposição permanente disposta em dois ambientes: em uma área interna (onde estão a maior parte das obras e também murais com informações sobre a trajetória do artista) e outra externa, que constitui o maior jardim de esculturas público do Brasil, com 13 obras ampliadas em bronze, a céu aberto. Boa parte delas são de onças em diversas situações (em repouso, em combate, brincando com um filhote, etc), com destaque para “Marumbi”, que retrata a luta de dois grandes felinos, em uma ampliação em proporção heróica, com quase 3 metros de altura e 700 quilos. Quem quiser saber mais sobre o artista, também tem a opção de agendar uma visita guiada no site do Memorial Paranista.

A conquista de um espaço privilegiado como este, que proporciona grande visibilidade ao legado de João Turin é um dos pontos mais altos de um trabalho minucioso de levantamento de seu legado: um resgate de ponta a ponta, realizado pela Família Lago, algo até então inédito no mundo das artes. Foi iniciado em 2008, quando tiveram início as negociações com a família do artista, e compreendeu uma série de etapas, como pesquisa, localização de obras, catalogação, recuperação, fundição, entre outras. Foram catalogadas 410 obras, contemplando não somente esculturas, mas também desenhos, pinturas, design de moda e criações arquitetônicas. “Estamos em um caminho de tornar João Turin cada vez mais conhecido e sem dúvida uma exposição permanente é importante nessa estratégia. Além disso, o Memorial Paranista começou a ser apontado como um dos pontos turísticos mais procurados de Curitiba, o que contribui para aumentar a popularidade do artista”, comenta Samuel Lago, um dos gestores da obra de João Turin.

Serviço:
Memorial Paranista João Turin: Rua Mateus Leme, 4700 (Curitiba, Paraná).
Entrada gratuita.
Agendamento de visitas guiadas no site www.curitiba.pr.gov.br/memorialparanista
Site sobre João Turin: joaoturin.com.br
Redes sociais: @escultorjoaoturin e facebook.com/escultorjoaoturin

Vídeo sobre o Memorial Paranista João Turin:
https://youtu.be/0ZevRuwdti8

João Turin - Índio Guairacá II - foto André Castellano (1).jpg

João Turin: o maior escultor animalista no Brasil

Legado do artista tem entre seus principais destaques as esculturas de animais selvagens, em especial de onças, que podem ser apreciadas no Memorial Paranista, em Curitiba

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Na obra deixada por João Turin (1878-1949), que pode ser apreciada gratuitamente pelo público que visitar o Memorial Paranista, em Curitiba, um dos temas de maior expressão e destaque são as esculturas de animais, que o artista retratou com fidelidade, o que lhe valeu o título de maior escultor animalista do Brasil.

Em quase 50 anos de carreira ele imortalizou animais selvagens ou domésticos, em especial a onça, maior felino da América Latina e um dos símbolos da fauna brasileira. Elas foram retratadas em diversas situações (em repouso, em combate, brincando com um filhote, rugindo, etc), em peças de bronze em pequeno e médio porte na área interna do Memorial Paranista, até obras ampliadas em grandes proporções no Jardim de Esculturas.

Para ser um escultor animalista, não basta esculpir animais (o que foi feito aos milhares em todas as épocas e civilizações), mas sim “representar o animal como um tema em si mesmo e não mais como símbolo, atributo, alegoria ou mero enfeite, ocupando lugar secundário nas bases ou pedestais dos monumentos”, segundo explicação do professor e crítico de arte José Roberto Teixeira Leite, que realizou a mais completa pesquisa sobre o artista, publicada em seu livro “João Turin, Vida, Obra, Arte”.

A trajetória da escultura animalista
Segundo Teixeira Leite, foi no século XIX, na França, que surgiram os escultores animalistas, tendo a frente de todos Antoine-Louis Barye, quando em 1831 conseguiu emplacar sua escultura de um tigre devorando um gavial no conceituado Salão Parisiense, vencendo a resistência que os júris tinham em aceitar obras sobre animais. Turin também conquistou espaço nesta importante exposição, 90 anos depois de Barye. Durante o curso na Academia de Bruxelas (na Bélgica) ganhou prêmios em anatomia animal, e em 1921 expôs a escultura de um cão em tamanho natural no Salão Parisiense. Chegou a ser saudado por um anônimo articulista como "um grande escultor de animais".

Turin conheceu as obras de Barye e de outros animalistas, que serviram para confirmar ou indicar um caminho a seguir, imprimindo sua própria personalidade artística. O Brasil tem artistas que esculpiram animais (entre eles, Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho), porém, não existe qualquer outro brasileiro a quem mais seja adequado o título de escultor animalista do que João Turin, de acordo com Teixeira Leite.

Além de ser notável o senso de observação e o profundo conhecimento da anatomia animal, suas obras assumiam conotações simbólicas. “A despeito da fidelidade anatômica e das proporções corretas, não é o animal em si que importa, mas o que simboliza, tanto que para representar o Marumbi, maciço da Serra do Mar que se avista de sua cidade natal, não encontrou forma melhor que a de duas onças em furioso embate, magníficos de força e agilidade, cujos dorsos habilmente reproduzem os contornos da rocha”, explica o pesquisador. A obra em questão, “Marumbi” é o destaque principal do Jardim de Esculturas do Memorial Paranista, presente em uma ampliação em proporção heróica, com quase 3 metros de altura e 700 quilos.

Observação de onças no zoológico
A grande inspiração de João Turin para o estudo da anatomia animal eram as onças do Passeio Público, primeiro zoológico de Curitiba. Como dormiam a maior parte do dia, o artista as visitava à noite, quando estavam mais alertas. Assim poderia captar seus movimentos em rápidos esboços. Muitas vezes oferecia carne aos animais para que ficassem quietos e ele pudesse desenhá-los com tranquilidade. Mais tarde, em seu ateliê, passava os croquis para realizar suas obras em argila até lhes imprimir a silhueta, o volume e a posição desejados.

Duas esculturas de onças de João Turin lhe renderam premiações no Salão Nacional de Belas Artes: medalha de prata em 1944 por “Tigre esmagando a cobra” e medalha de ouro em 1947 por “O rugir do Tigre”, mais conhecido como “Luar do Sertão” (presente em dois espaços públicos brasileiros: Centro Cívico em Curitiba e Praça General Osório, no Rio de Janeiro).

Serviço:
Memorial Paranista João Turin: Rua Mateus Leme, 4700 (Curitiba, Paraná).
Entrada gratuita.
Agendamento de visitas guiadas no site www.curitiba.pr.gov.br/memorialparanista
Site sobre João Turin: joaoturin.com.br
Redes sociais: @escultorjoaoturin e facebook.com/escultorjoaoturin

Vídeo sobre o Memorial Paranista João Turin:
https://youtu.be/0ZevRuwdti8

A escultura Pietá, de João Turin, resistiu aos bombardeios de uma guerra e foi encontrada em 2013; um exemplar está exposto no Memorial Paranista

Obra feita na França resistiu a uma série de bombardeios da Segunda Guerra Mundial e foi dada como perdida por quase 70 anos, até ser encontrada e ganhar uma reprodução em bronze no Brasil, em um intenso trabalho de resgate artístico

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Entre as muitas obras de João Turin (1878-1949) no Memorial Paranista, uma delas chama a atenção não só pela expressividade, pelos motivos religiosos, mas também por ter sido realizada na França. Trata-se de uma Pietá, que até alguns anos atrás era dada como perdida, pois se imaginava que havia sido destruída por um bombardeio durante a Segunda Guerra Mundial.

A obra primígena é uma escultura em baixo relevo em pedra, feita em 1917 quando o artista morava na França. Foi concebida para homenagear os combatentes mortos na Primeira Guerra Mundial da cidade de Condé-sur-Noireau, na região da Baixa Normandia. Instalada na Igreja de Saint Martin, a Pietá de João Turin tem uma representação de Jesus Cristo e da Virgem Maria, rodeados por nomes dos soldados falecidos em combate.

Um fato curioso é que por quase 70 anos, a escultura foi dada como destruída por outro conflito, a Segunda Guerra Mundial, que devastou a cidade de Condé-sur-Noireau com uma série de bombardeios em 1944. A Igreja de Saint Martin foi parcialmente destruída, mas a Pietá conseguiu se manter intacta. No entanto, boa parte dos arquivos da cidade foram destruídos, apagando vestígios da existência da obra e sobre seu autor. A Pietá caiu no esquecimento.

O resgate de uma obra dada como perdida
Somente em 2013 confirmou-se que aquela era uma obra de João Turin. Samuel Lago, um dos detentores dos direitos autorais do artista, comenta que até aquele ano, a única referência sobre a Pietá era uma foto do acervo do pesquisador Saul Lupion de Quadros adquirido pela família Lago, que realizou um resgate da vida e obra de João Turin.

“Encontramos nos escritos deixados por Turin uma referência dele a uma obra que foi feita quando ele andava pela Normandia. Mas quando ele relatou isso cometeu um erro de grafia no nome da cidade. Então não se conseguia encontrá-la. O professor José Roberto Teixeira Leite, autor do livro ‘João Turin – Vida, Obra e Arte’, escreveu uma carta para algumas prefeituras da Normandia. Felizmente ele recebeu resposta da cidade de Condé-sur-Noireau que confirmou que estava lá uma obra assinada por Z.Turin, em vez de J.Turin, como ele costumava assinar. O ‘Z’ é a inicial de seu nome do meio, Zanin, o que dificultou um pouco mais a busca. Mas eles acharam que poderiam ser, mandaram resposta e de fato foi encontrada a Pietá”, relata Samuel Lago.

Com a identificação, foi iniciada uma ação para integrar a obra ao acervo do artista, com o trabalho de produção de um molde a partir da obra primígena, para que a Pietá pudesse ser reproduzida no Brasil. “Foi montada uma equipe multidisciplinar com um produtor brasileiro que morava na França na época, Odilon Merlin. Mandamos para lá o escultor Elvo Betino Damo, de Curitiba, que coordenou a moldagem no local. Depois disso, o molde foi transportado de navio para o Brasil, onde fizemos a primeira fundição inédita em bronze da Pietá”, relata. Todo esse processo foi registrado no documentário “A Pietá de João Turin”, dirigido por Fabrizio Rosa e produzido por Samuel Lago (disponível em https://www.youtube.com/watch?v=P7Xlh92EzSo).

Obra em exposição permanente
A Pietá está hoje entre as quase 100 obras de João Turin que podem ser apreciadas no Memorial Paranista, construído em homenagem ao artista pela Prefeitura de Curitiba como um espaço para preservação e difusão de obras de arte. Possui uma área interna de exposição permanente com 78 esculturas de Turin em tamanho original que foram doadas pela Família Lago (detentora dos direitos autorais do artista) e pela SSTP Investimentos, para o Governo do Estado do Paraná, que emprestou as obras à Prefeitura em regime de comodato.

Na área externa há um Jardim de Esculturas com mais 13 obras em bronze, que podem ser apreciadas pelo público que visitar o parque. Todas essas esculturas são ampliadas e algumas ganharam proporções heróicas. A maior de todas é Marumbi, com 3 metros de altura e aproximadamente 700 quilos. Outro espaço importante é uma fundição elétrica e moderna, que também foi doada pela Família Lago e SSTP Investimentos, substituindo uma antiga fundição que estava obsoleta.

Sobre João Turin
Em quase 50 anos de carreira, João Turin deixou mais de 400 obras. Há esculturas em locais públicos de municípios do Paraná, Rio de Janeiro e na França. Turin também está no acervo de arte do Vaticano. A escultura “Frade Lendo” foi entregue como presente do povo brasileiro para o Papa Francisco, em 2013, na primeira visita do pontífice ao Brasil.

Nascido em 1878 em Morretes, no litoral do estado do Paraná, João Turin veio ainda garoto para a capital Curitiba, iniciando seus estudos em artes, chegando a ser professor. Especializou-se em escultura na Bélgica. Retornou ao Brasil em 1922, trazendo comentários elogiosos da imprensa francesa. Foi premiado no salão de Belas Artes do Rio de Janeiro em 1944 e 1947. Faleceu em 1949.

Em junho de 2014, seu legado foi prestigiado pelas 266 mil pessoas que visitaram “João Turin – Vida, Obra, Arte”, a exposição mais visitada da história do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, que ficou em cartaz por 8 meses. Esta exposição também teve uma versão condensada, exibida em 2015 no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e na Pinacoteca de São Paulo.

Serviço:
Memorial Paranista João Turin: Rua Mateus Leme, 4700 (Curitiba, Paraná).
Agendamento de visitas no site www.curitiba.pr.gov.br/memorialparanista
Site sobre João Turin: joaoturin.com.br
Redes sociais: @escultorjoaoturin e facebook.com/escultorjoaoturin
Documentário “A Pietá de João Turin”: https://www.youtube.com/watch?v=P7Xlh92EzSo
Vídeo com detalhes da moldagem: https://www.youtube.com/watch?v=LK5CVSCPo7U

*Vídeo sobre o Memorial Paranista João Turin (legenda em inglês):*
https://youtu.be/wxxtuNEcOEM

Legado do artista João Turin pode ser apreciado em um dos maiores jardins de esculturas do Brasil

E em memorial que reúne quase 100 obras

Memorial Paranista João Turin - foto Maringas Maciel (1).jpeg

Lide Multimídia - O escultor João Turin (1878-1949) é o grande destaque do Memorial Paranista, inaugurado em 14 de maio no Parque São Lourenço, em Curitiba. O novo espaço conta com 78 obras de Turin em uma exposição permanente, que pode ser visitada gratuitamente com agendamento antecipado pela internet (www.curitiba.pr.gov.br/memorialparanista) limitada a pequenos grupos em razão das medidas de prevenção de covid-19. O local guarda a memória do Paranismo, movimento artístico que exalta a identidade do estado do Paraná. Na área externa foi construído um dos maiores jardins de esculturas do Brasil, com 15 obras de Turin ampliadas em bronze. Ao todo, são quase 100 obras reunidas no Parque em uma junção de esforços entre Prefeitura de Curitiba (coordenadora geral do projeto), Copel, Família Lago (detentora dos direitos autorais de João Turin) e Governo do Estado do Paraná.

Vídeo sobre o Memorial Paranista João Turin:
https://www.youtube.com/watch?v=0ZevRuwdti8

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