MOSTRA “CINEMA MEXICANO CONTEMPORÂNEO” CHEGA A CURITIBA EM JULHO, by Vanessa Malucelli

 

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Evento celebra a produção mexicana com exibição de filmes e debates sobre o tema – programação fica em cartaz de 12 a 16 de julho na CAIXA Cultural.

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Depois da recente passagem por São Paulo, a mostra Cinema Mexicano Contemporâneo chega a Curitiba com uma seleção de filmes inéditos no circuito comercial da cidade. Em cartaz de 12 a 16 de julho, na CAIXA Cultural, a programação reúne 16 produções de diferentes gêneros, além de debates acerca dos temas previstos. Os ingressos custam R$2 (meia) e R$4 (inteira).

Na abertura, a partir das 18h30, o evento exibe o filme “Te Prometo Anarquia”, e na sequência promove um bate-papo com diretor do longa, Julio Hernández Cordón. Ele também compõe a mesa de debate “Cinema mexicano contemporâneo e aproximações com a América Latina”, que acontece na sexta-feira (14), às 19h30, com mediação do curador Mateus Nagime. A mesa ainda conta com a presença de Rafael Urban (cineasta e pesquisador) e ​Solange Stecz (pesquisadora).

Entre títulos reconhecidos pela crítica internacional e produções até então restritas ao território mexicano, a mostra apresenta ao público um recorte atual e representativo da produção cinematográfica do país. Além da reflexão sobre o que é peculiar ao México, os filmes trazem questões contemporâneas universais, como família, gênero, ambientalismo, drogas, violência, e outros temas emergentes.

A programação exibe 13 longas e três curtas, dentre os quais destacam-se as obras do premiado diretor Julián Hernándes, representado pelo curta “Nuvens Flutuantes”, e no seu último longa, “Eu Sou a Felicidade deste Mundo”, ambos pautados pelos temas da juventude e da sexualidade. A cineasta Dalia Reyes também chama a atenção com “Banho de Vida”, que mostra mulheres garis compartilhando ideias, dores e confissões em um banho público.

Outro filme de referência é “Navalhada”, documentário-ficção de Ricardo Silva, premiado em Locarno, que retrata pessoas cuja vida se realiza na paisagem desértica de Tijuana, cidade de fronteira no norte do México. Seguindo a linha documental, “H20mx” lança luz sobre a crise hídrica na Cidade do México. O filme é uma coprodução de José Cohen e Lorenzo Hagerman.

Apesar do aspecto contemporâneo da mostra suscitar a presença de jovens diretores, o público também poderá assistir ao elogiado “As Razões do Coração”, de Arturo Ripstein, célebre cineasta da antiga geração. “Seus filmes são bastante cerebrais, mas também cativam por falarem de amor e relações”, define o curador Mateus Nagime.

Em “Manhã Psicotrópica”, o diretor Alejandro Aldrete entrelaça histórias para discutir a juventude mexicana e a sua relação com o submundo das drogas. O universo das animações também ganha espaço na programação, com o sombrio “O Modelo de Pickman”, de Páblo Ángeles Zuman. Ambas produções rompem com estereótipos e convenções de linguagem, assegurando a vitalidade do cinema mexicano.

América Latina

“O intercâmbio do Brasil com a produção cinematográfica da América Latina está mais concentrado na Argentina. Com exceção de nomes como Afonso Cuarón, Alejandro González Iñárritu e Guillermo del Toro, pouco se sabe sobre o cinema mexicano por aqui. Por estar em um bloco intermediário, dividindo as duas Américas, o país mistura sua identidade cultural com influências que vêm dos EUA e da América do Sul, criando um cinema jovem, com inspiração nas vivências de rua, e dotado de diretores super-criativos, sobretudo em início de carreira”, avalia o curador.

O fio condutor da mostra está no comportamento dos personagens, que compartilham de certa impermanência, explicitada nos filmes por episódios de profundas rupturas narrativas. Se por um lado a mostra procura revelar a universalidade do cinema mexicano, de outro, o comprometimento com as aflições sociais e políticas do país projeta-se na tela como unidade, ainda que sob formas sutis.  “Como se na ficção houvesse uma vontade de se lançar para um futuro imaginado”, traduz o curador.

É deste sentimento de inadequação, de ansiedade, que denota a coesão temática entre os filmes. Em alguns casos, a justaposição com a realidade chega a desafiar as linhas demarcatórias da ficção e do documentário. Nagime reconhece esta característica ao afirmar que ela é uma “espécie de marca do cinema mexicano atual”.

Programação:

  • 12 de julho (quarta-feira)
    • 16hNunca Morrer (Mai morire, 2012, cor, 84 min.), de Enrique Rivero.  Classificação indicativa: livre.
      • Nunca Morrer: Chayo volta a Xochimilco para cuidar de sua mãe idosa, mas a comodidade da vida tradicional a leva a escolher um casamento que lhe fará abandonar seus ideais. Sua percepção particular e sua fé absoluta na vida a obrigarão a cometer o maior sacrifício que uma mãe pode fazer.
    • 18h30h – Te Prometo Anarquia (Te Prometo Anarquía, 2015, cor, 88 min), de Julio Hernández Cordón. Classificação indicativa: 16 anos.
      • Te Prometo Anarquia: Miguel e Johnny são amigos e amantes, se conhecem desde a infância e passam o tempo patinando com seus amigos nas ruas da Cidade do México. Vendem seu próprio sangue e conseguem doadores para o mercado negro. Uma grande transação de sangue termina mal para todos os envolvidos. A mãe de Miguel decide mandá-lo para fora do país. Longe de Johnny, Miguel enfrentará um novo destino.
    • 19h30 – Bate papo com o diretor Julio Hernández Cordón
  • 13 de julho (quinta-feira)
    •  16h H20mx (H20mx, 2014, 82 min.), de José Cohen e Lorenzo Hagerman. Classificação indicativa: 10 anos.
      • H2Omx: A Cidade do México é uma das mais populosas do mundo, que cresce sem controle. Anteriormente uma região rodeada de lagos, agora o suprimento de água para a cidade é um problema real. H2Omx registra a escassez, o desperdício e os graves problemas de contaminação da água, e faz um urgente chamado à ação e ao compromisso dos cidadãos.
    • 18h –  O Modelo de Pickman (El Modelo de Pickman, 2014, 10 min.), de Páblo Ángeles Zuman, e  Navalhada (Navajazo, 2014, 75 min), de Ricardo Silva. Classificação indicativa: 18 anos.
      • O Modelo de Pickman: Na busca por obter o quadro de seu pintor favorito de arte macabra, Richard Pickman, o colecionador de arte Thurber Phillips descobre o mistério oculto na obra do artista. Adaptação de uma história de H. P. Lovecraft.
      • Navalhada: Um apocalipse imaginado é apresentado diante de nós através de retratos de personagens que lutam para sobreviver em um ambiente hostil, onde só podem contar consigo mesmos e a única coisa que têm em comum é o desejo de seguir vivendo, sem importar o custo. Um diretor de vídeos domésticos, um viciado na canalização do Rio Tijuana, um colecionador de brinquedos e um velho satânico que toca canções em um teclado Casio são alguns dos sobreviventes. Filme que mistura documentário e ficção para apresentar um retrato das pessoas que vivem à margem em Tijuana, cidade de fronteira no norte do México.
    • 20hEu Sou a Felicidade Deste Mundo (Yo Soy la Felicidad de Este Mundo, 2013, 122 min.), de Julián Hernández. Classificação indicativa: 16 anos.
      • Eu Sou a Felicidade Deste Mundo: Emiliano, um diretor de cinema, explora seus processos criativos e tenta se conectar com sua realidade imediata. A história que filma se mistura com a própria realidade cotidiana. O seu mundo real parece sempre ser visto pela lente da câmera. Confuso e sozinho, sempre na frente da tela, que é a sua realidade transfigurada, escuta essa canção, que se repete como uma oração que o obriga a continuar tentando amar.
  • 14 de julho (sexta-feira)
    • 16hManhã Psicotrópica (Mañana Psicotrópica, 2015, 90 min.), de Alejandro Aldrete. Classificação indicativa: 16 anos
      • Manhã Psicotrópica: Após uma tentativa de suicídio, Lito, de 19 anos, viaja de Monterrey a Querétaro para visitar seu primo Koko, de 20 anos. Lá, se une a um grupo de amigos com a intenção de vender drogas para bancar um fim de semana em Michoacán. Entre pílulas psicotrópicas, LSD e cogumelos alucinógenos, entre festas improvisadas e trilhas na natureza, cria-se um laço que reforça a amizade entre eles; enquanto Lito parece encontrar o caminho para a reconciliação.
    • 18hVerão de Golias (Verano de Goliat, 2010, 76 min.), de Nicolás Peredas. Classificação indicativa: 16 anos.
      • Verão de Golias: Depois de abandona pelo seu marido, Teresa passa os dias desesperada, tentando entender o que aconteceu. No lugar de encontrar respostas, sua missão se converte em uma viagem pelas ruas e casas de pessoas que conhecem seu esposo. Misturando ficção e documentário, suas visitas retratam a cidade e os seus habitantes. Verano de Goliat é uma reflexão sobre do sofrimento após o abandono, promessas não cumpridas, desconexão e ânsia eterna.
    • 19h30 – Debate “Cinema mexicano contemporâneo e aproximações com a América Latina”, com Rafael Urban​, ​Solange Stecz​, Julio Hernández Cordón e Mateus Nagime.

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  • 15 de julho (sábado)
    • 16h –  Nuvens Flutuantes (Nuves Flotantes, 2014, 14 min., 16 anos), de Julián Hernández, e Carmim Tropical (Carmim Tropical, 2014, 80 min., 12 anos), de Rigoberto Pérezcano.
      • Nuvens Flutuantes: A piscina e a água aparecem como uma metáfora do entorno no qual se pode fertilizar a consciência, nela o corpo ágil e pleno se move ao ritmo de sua escolha, mas que ao ser julgado parcialmente por uma visão alheia, uma visão com o mesmo medo, mas sem o mesmo valor, criará um resposta intolerante e ofensiva.
      • Carmin Tropical: A história de um regresso, o de Mabel a sua cidade natal para achar o assassino de sua amiga Daniela. Uma viagem pela nostalgia, o amor e a traição em um lugar onde a travestilidade cobrou, em seu momento, uma dimensão incomum.

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  • (cont.) 15 de julho (sábado)
    • 18hA Vida Depois (La Vida Después, 2013, 90 min.), de David Pablos. Classificação indicativa: 12 anos.
      • A Vida Depois: Samuel e Rodrigo começam uma viagem em busca de sua mãe, que desapareceu de maneira estranha, deixando um bilhete sobre a mesa que dizia: “Tive que sair. Mamãe”. A relação entre os irmãos se torna tensa e sofre uma ruptura conforme viajem pela paisagem desértica, seguindo pistas baseadas em recordações da infância.
    • 20hAs Razões do Coração (Las Razones del Corazón, 2011, 119 min.), de Arturo Ripstein. Classificação indicativa: 14 anos.
      • As Razões do Coração: Emilia, uma dona de casa frustrada pela mediocridade da sua vida, pelos fracassos de seu marido e agoniada no papel de mãe, sente que está a ponto de perder a paciência com tudo. Para piorar, é abandonada pelo amante. Em seu apartamento, vazio e desolado, decide enfim tomar uma decisão há muito considerada: o suicídio. Curiosamente sua morte provoca a aproximação entre o marido traído e o amante esquivo.
  • 16 de julho (domingo)
    • 16h – Banho de Vida (Baño de Vida, 2016, 69 min.), de Dalia Reyes. Classificação indicativa: 16 anos.
      • Banho de Vida: Uma viagem ao interior das casas de banho públicas através das vozes de três personagens: Felipe, responsável pelos banhos desde 1984; Un viaje al interior de la vida de los baños públicos a través de las voces de los tres personajes: Felipe, encargado de los baños desde 1984; Juana, varredora de ruas no centro da Cidade do México; e Jose, cliente assíduo há mais de quarenta anos. O filme é um estudo de personagens daqueles que habitam um mesmo espaço: a sauna.
    • 18h – Ramona (Ramona, 2014, 10 min., 14 anos), de Giovanna Zacharías, e As Lágrimas (Las Lágrimas, 2013, 64 min., 12 anos), de Pablo Delgado.
      • Ramona: Ramona, de 84 anos, anuncia que já está pronta para morrer. Porém, enquanto sua família cuida dos preparativos, ela muda de opinião.
      • As Lágrimas: Os irmãos Gabriel e Fernando sofrem, cada um ao seu modo, as desastrosas consequências de viver em um lar fragmentado. Para fugirem, ainda que momentaneamente, dessa situação, realizam uma pequena viajem rumo a um bosque, local simbólico para ambos.
    • 20h – O Bom Cristão (El Buen Cristiano, 2016, 120 min.), de Izabel Acevedo. Classificação indicativa: 14 anos.
      • O Bom Cristão: José Efraín Ríos Montt vira um cristão renascido e alguns anos depois, em 1982, um grupo de soldados lhe pedem para dirigir o golpe de estado na Guatemala. Francisco Chávez Raymundo e sua irmã eram crianças pequenas quando sua comunidade foi destruída por causa das políticas de Ríos Montt. En março de 2013, a vida de Francisco e José Efraín se convergem no mesmo espaço. Rios Montt é convocado a depor pela justiça guatemalteca, e é confrontado por um grupo de órfãos e viúvas de guerra.

Serviço

  • Evento: Mostra Cinema Mexicano Contemporâneo
    • caixa logoLocal: CAIXA Cultural Curitiba
    • Endereço: Rua Conselheiro Laurindo, 280 – Centro
    • Telefone: (41) 2118-5111
    • Data: 12 a 16 de julho de 2017 (quarta-feira a domingo)
    • Horários: consultar a programação
    • Ingressos: R$2 (meia), R$4 (inteira)
    • Bilheteria:  terça-feira a sábado das 12h às 20h, domingo das 16h às 19h
    • Classificação indicativa: consultar programação
    • Lotação: 125
    • Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federalgov fed logo
    • Informaçõeswww.cinemamexicano.com.br

*com divulgação

 

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VanessaMalucelliAndersen

Colunista do Site — Divirta-se Curitiba!

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