ATENÇÃO: fotos dos espetáculos do Festival e outros eventos, feitas pela equipe do Festival estão em: http://bit.ly/fotosfest2017
Até domingo (9/4) – último dia de apresentações do 26.º Festival de Curitiba – em torno de 200 mil pessoas terão assistido aos mais de 300 espetáculos ofertados pelo evento desde 28 de março. Até o final de quinta-feira, a três dias do fim do evento, os números da bilheteria mostravam um público de 180 mil pessoas, equivalente ao total do ano passado.
12 com casa cheia
O número de espetáculos lotados foi o fato marcante desta edição do festival. Dos 37 espetáculos da Mostra 2017, 11 tiveram casa cheia: “Momo: Para Gilda com Ardor”, “E Se Elas Fossem Para Moscou?”, “A Casa dos Budas Ditosos”, “Vilões de Shakespeare”, “Antígona”, “Mata Teu Pai”, “O Pão e a Pedra”, “Macumba: Uma Gira Sobre Poder”, “Para que o Céu Não Caia”, “Nós” e “Blank”.
Blank e Para Que o Céu Não Caia
Com artistas diferentes a cada uma de suas seis noites, “Blank” vendeu praticamente 100% dos ingressos de todas as sessões com Eduardo Moscovis, Débora Bloch, Caio Blat, Camila Pitanga, Julia Lemmertz e Gregório Duvivier. Para Que o Céu Não Caia ganhou sessão extra no segundo dia.
Espetáculos de rua
As quatro apresentações de rua que, em princípio, não têm lotação – O Campeonato Interdrag de Gaymada, Nossa Senhora [da Luz] e Próspero e os Orixás -, também tiveram grande participação popular. Involuntários da Pátria, por causa da chuva, foi transferido para o auditório do Paço da Liberdade, mantendo a gratuidade.
Fringe
No Fringe também se observou lotações em diversos espaços ocupados: os artistas que se apresentaram no TUC, Teuni, Mini-Guaíra e no Centro Cultural do Boqueirão, no extremo sul da cidade, viram casas cheias. Ao todo foram mais de 300 espetáculos inscritos. As ruas, praças, salas de ensaios artísticos, terminais de ônibus, teatros, bares e até um apartamento serviram de palco para centenas de companhias de 14 estados brasileiros.
Destaques do Fringe
“A Mulher Monstro”, da companhia Sentimento, Estéticas e Movimento de Recife, peça baseada no texto “Creme de Alface”, de Caio Fernando Abreu; “Rosa Choque”, do Coletivo os Conectores de Belo Horizonte, que abordou a violência contra a mulher e “Blackbird”, da Rayes Produções Artísticas do Rio de Janeiro, drama inspirado em um caso real de pedofilia, tiveram o maior público do Fringe até dia 06/04.
Apesar da chuva
A expectativa é que ao longo do último final de semana de apresentações (8 e 9/4), outros trabalhos alcancem igual destaque. Entre estes, “Acorda Amor”, Cia Quatro Manos do Rio de Janeiro, baseado na história “A bela adormecida”; o drama “Homem da Silva” e “Duas Gotas de Lágrimas no Frasco de Perfume”, estão com ingressos quase esgotados. “Apesar da chuva, a festa do Fringe continuou conectando o teatro independente do Brasil”, avalia a coordenadora Priscila de Morais.
Nomes do Festival
Mais uma vez, o Festival trouxe grandes companhias brasileiras para os palcos da cidade, entre elas Grupo Galpão, Companhia do Latão, Cia Hiato e Cia 11. Isso sem falar em nomes individuais como José Celso, Renato Borghi, Fernanda Montenegro, Amir Haddad, Marcelo Evelin, Fernanda Torres, Andrea Beltrão, Luiz Miranda, Camila Pitanga, Caio Blat, Débora Bloch, Eduardo Moscovis, Júlia Lemmertz, Débora Lamm, Marcelo Serrado, Mart’Nália, Gaby Amarantos, Marcelo Médici, para ficar nos rostos mais conhecidos, já que o evento contou ainda com grandes diretores e dramaturgos assinando as montagens.
Segundo ano de nova curadoria
No segundo ano de sua curadoria, o diretor Marcio Abreu e o ator Guilherme Weber priorizaram em sua seleção o olhar para o outro e para as minorias. Os espetáculos evidenciaram a criatividade feminina, a ocupação do espaço público por parcelas da população habitualmente sem visibilidade social e a manifestação de culturas desprivilegiadas. Os curadores mantiveram o acompanhamento de três anos dos artistas Wagner Schwartz (Transobjeto), Marcelo Evelin (Involuntários da Pátria) e André Masseno (Louca Pelo Cheiro do Mar).
Movva
Este foi o ano de estreia do Movva, recorte de dança e performances, patrocinado pelo O Boticário. Foram cinco atrações: Para Que o Céu Não Caia, Protocolo Elefante, Transobjeto, Quando se Calam os Anjos e a mostra de Solos Vera Mantero, de Portugal, que abriga os espetáculos Olympia e O que Podemos Dizer do Pierre. Além das apresentações, foram promovidos encontros para o público ligado à dança, no Sesc Paço da Liberdade, a fim de debater diversos aspectos da arte, com a participação dos criadores dos espetáculos.
Curitiba teve 5 estreias
A II Curitiba Mostra se consolidou como atração da Mostra do Festival de Curitiba e apresentou gratuitamente 5 das 8 estreias do segmento com curadoria. Momo – Para Gilda com Amor, solo do diretor e ator Ricardo Nolasco, teve todos os lugares esgotados e as apresentações dos demais espetáculos obtiveram lotação quase completa do Teatro José Maria Santos, com um público entre 100 e 130 pessoas. Além dos espetáculos, todos de artistas curitibanos, os organizadores Nena Inoue e Gabriel Machado realizaram o Curitiba Urge – com participações voluntárias de trabalhos curitibanos – e o Encontrosnecessários – em que se debateu a produção artística brasileira.
Interlocuções
O Interlocuções – desdobramento da Mostra com palestras, encontros e oficinas – teve plateias lotadas. A oficina ministrada por Alejandro Ahmed, diretor da companhia Cena 11, que esteve na Mostra com Protocolo Elefante, teve 32 participantes. A atriz de Leite Derramado, Juliana Galdino, também da Mostra, teve 22 pessoas em sua oficina. Demais mesas palestras tiveram em torno de 50 pessoas, sempre lotando o auditórios do Sesc Paço da Liberdade. Ao todo foram 17 encontros, oficinas e palestras, tudo grátis.
Zé Celso e Renato Borghi
Um dos destaques deste ano foi o encontro de José Celso Martinez e Renato Borghi, fundadores do Teatro Oficina, que conversaram com o público depois da exibição do filme O Rei da Vela. Foi preciso mudar o local do encontro para o auditório do Museu Oscar Niemeyer a fim de acomodar as cerca de 600 pessoas interessadas.
Patrocinadores
O Festival de Curitiba conta com uma rede de parceiros imprescindíveis para sua realização. O Festival de Teatro de Curitiba é apresentado pela Cielo e tem patrocínio de Copel, Sanepar, Renault, EBANX e Petrobras. O evento de dança Movva, em sua primeira edição, tem patrocínio de O Boticário.
Os eventos simultâneos – Guritiba, MishMash e Risorama – também contam com parceiros que ano a ano contribuem para garantir a diversão e a cultura para diferentes plateias.
O Guritiba, voltado para o público infantil, é apresentado pela Parati e patrocinado pela Peróxidos do Brasil. O MishMash, com atrações para toda família, é apresentado por Unimed Curitiba, Worker e Grupo Servopa. O Risorama, espaço para o stand upcomedy no Festival, é apresentado pelas empresas Potencial Petróleo, Aveo, Havan e Sesi. A bilheteria do Festival de Curitiba é uma parceria com o ParkShoppingBarigüi.
O ministério que interessa
Fernanda Montenegro, em sua fala para os estudantes de teatro, no segundo dia do Festival de Curitiba, disse que um governo – supomos, de qualquer país – deveria ter apenas um ministério, o da Cultura. Os outros setores poderiam ter simplesmente secretarias.
Pois, sem Cultura, um povo não descobre e não evolui sua identidade. E, por consequência, todas as outras áreas – justiça, economia, saúde, educação, todo o resto – são prejudicadas, já que não são norteadas pelo amor por si mesmo, pelo que se realmente é e pelo que se almeja ser.
Pensamos que não falamos de um amor oficial, propaganda que simplesmente tremula bandeiras e que não admite a imperfeição, mas de um amor verdadeiro, que inclui as decepções. Por vezes abraçando-as. Por vezes, desejando aperfeiçoar o imperfeito, dentro dos limites amorosos, que ensinam não pela dor e pela ignorância, mas pela ternura.
No entanto, a atriz – que abriu a festa deste ano com sua leitura de Nelson Rodrigues Por Ele Mesmo -, observou que poucas vezes a Cultura foi chamada para as grandes decisões em nossa História.
A Cultura, observou, tem andado nas catacumbas.
Mesmo nos momentos de grande comoção e concentração cultural, mesmo nessas horas, ela ainda anda nas sombras, como uma pequena faixa de sol que penetra num quarto fechado.
Uma vez por ano, em Curitiba, essa faixa brilha, entre março e abril.
Mais do que o ministério oficial de Cultura, sediado na capital do País, abrimos aqui uma representação não oficial, mas não menos verdadeira, daquilo que gostaríamos de ter sempre em nossas terras brasileiras, para todos, para todas, e para sempre.
Se você recebeu este boletim, durante estes dias foi convidado a participar desse ministério que, por enquanto, cintila em um momento não tão luminoso do mundo.
Obrigado por brilhar conosco e nos ajudar a manter esse lume, divulgando tudo de belo e verdadeiro que aqui, nesta cidade de Curitiba, foi compartilhado nos palcos e fora deles.
Esperamos que, com você, um dia, como produtores de Cultura, possamos nos admirar com uma luminosa paisagem. Como a estrela que se espanta com a beleza dos planetas que ela mesma ilumina.
Links
Releases, notas e imagens de todos os espetáculos inclusive este balanço:
http://bit.ly/festivaldecuritiba2017
Imagens produzidas por nossos fotógrafos:
Categorias:COLUNA VANESSA MALUCELLI, DIVIRTA-SE, FESTIVAL, FREE LIFESTYLE, TEATRO








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