Quatro projetos de lei colocam carregadores de carros elétricos no centro do debate nos condomínios em Curitiba

Propostas em tramitação na Câmara Municipal abordam pontos de recarga; advogado especialista em Direito Condominial explica quem paga pela instalação e pelo consumo e quais são as responsabilidades de moradores e síndicos

A instalação de carregadores para veículos elétricos já chegou à pauta dos condomínios e também do Legislativo de Curitiba. Atualmente, quatro projetos em tramitação na Câmara Municipal tratam, sob diferentes aspectos, da instalação e operação desses equipamentos, envolvendo questões como segurança, prevenção de incêndios, infraestrutura elétrica dos edifícios, custos e instalação de carregadores em vagas privativas.

As propostas refletem uma discussão que tende a se tornar cada vez mais presente nos condomínios à medida que aumenta a circulação de veículos elétricos. Enquanto não existe uma regulamentação federal específica e abrangente sobre o tema, síndicos e moradores precisam lidar com questões práticas: o condomínio pode impedir a instalação? Quem paga pela adequação da rede elétrica? Quem responde pela manutenção? E quem deve arcar com a energia utilizada na recarga?

Para o advogado Luís Gustavo Stremel, especialista em Direito Condominial, o ponto central antes de qualquer instalação deve ser a segurança.

“É sempre uma questão de segurança. O síndico, como representante do condomínio, precisa exigir que a instalação respeite as normas técnicas e seja acompanhada por profissional habilitado, com a documentação que comprove a segurança da estrutura”, explica Stremel.

Instalação exige avaliação técnica

A decisão de instalar um carregador não deve se limitar à compra do equipamento. Segundo Stremel, é necessário avaliar previamente as condições da rede elétrica do edifício e verificar se a estrutura suporta a demanda adicional de energia.

A instalação também deve seguir as normas técnicas aplicáveis e ser executada por profissional habilitado, como engenheiro eletricista ou outro profissional tecnicamente capacitado, com emissão dos documentos necessários para atestar a segurança.

“Não basta simplesmente instalar o equipamento na vaga. É preciso verificar se a estrutura elétrica suporta aquela demanda e cumprir todas as exigências técnicas. O condomínio precisa ter segurança de que a instalação não representa risco para os demais moradores e para o patrimônio”, afirma.

De acordo com o advogado, problemas relacionados a pontos de recarga devem ser analisados principalmente sob a perspectiva da qualidade da instalação e do cumprimento dos procedimentos técnicos.

“Os casos que geram preocupação normalmente estão relacionados a falhas de procedimento e instalações inadequadas. Por isso, a prevenção começa antes de o carregador entrar em funcionamento”, destaca.

Quem paga pela instalação e pela manutenção?

A responsabilidade pelos custos depende de quem utiliza e de quem é proprietário da estrutura.

Quando o carregador é instalado em uma vaga privativa para atender exclusivamente um morador, cabe a ele assumir os custos relacionados à instalação, manutenção do equipamento e consumo de energia.

“Se o equipamento é privado, o morador arca tanto com a instalação quanto com o uso e a manutenção. É uma estrutura destinada ao veículo dele”, explica Stremel.

A situação muda quando o condomínio decide instalar uma estrutura coletiva, aprovada em assembleia e disponível aos moradores. Nesse caso, os custos relacionados à infraestrutura e à manutenção do equipamento coletivo podem ficar sob responsabilidade do condomínio.

O consumo da energia, porém, deve ser individualizado.

“A recarga em si deve ser paga pelo morador. O que ele usa, o que ele gasta, ele paga, assim como acontece com o consumo de energia da própria unidade”, ressalta.

Condomínio pode cobrar uma taxa?

Além do custo da energia, outra dúvida recorrente é se o condomínio pode criar uma taxa específica para moradores que instalem carregadores.
Segundo Stremel, uma cobrança adicional relacionada ao procedimento de instalação precisa estar prevista nas regras condominiais e observar os requisitos legais aplicáveis para sua instituição.

“Uma taxa pode existir quando há custos adicionais para o condomínio durante o processo, mas isso precisa ser devidamente regulamentado. O caminho mais adequado, especialmente quando a instalação é privada, é o próprio morador assumir os custos e o condomínio estabelecer os critérios técnicos e de segurança que deverão ser cumpridos”, explica.

Para o especialista, estabelecer previamente as regras ajuda a evitar tratamentos diferentes entre moradores e reduz a possibilidade de conflitos futuros.

O condomínio pode proibir o carregador?

A instalação em uma vaga privativa não significa que o morador possa realizar qualquer alteração sem considerar as condições da edificação.
Stremel explica que o condomínio pode estabelecer requisitos técnicos e de segurança para autorizar a instalação. Questões como capacidade da rede elétrica, interferência em áreas comuns e riscos para a coletividade precisam ser consideradas.

“O condomínio precisa regulamentar. O morador deve saber quais documentos apresentar, quais profissionais podem executar o serviço e quais requisitos precisam ser atendidos. O objetivo não é impedir a instalação, mas fazer com que ela aconteça de forma segura”, afirma.

Essa discussão também aparece entre os quatro projetos que tramitam na Câmara Municipal de Curitiba, que abordam, entre outros pontos, critérios técnicos, segurança das instalações, infraestrutura elétrica e carregadores em vagas privativas.

Síndico tem responsabilidade pela segurança

O papel do síndico ganha importância nesse cenário. Como representante legal do condomínio, ele deve acompanhar o cumprimento das regras internas e exigir a documentação técnica necessária antes de autorizar intervenções que possam afetar a estrutura comum.

“O síndico tem a obrigação de cobrar os laudos de segurança e verificar a habilitação técnica relacionada à instalação. Não é uma questão apenas do proprietário daquela vaga, porque uma instalação inadequada pode trazer consequências para toda a edificação”, alerta Stremel.

Por isso, a recomendação é que os condomínios não esperem surgir um conflito para discutir o assunto. A definição prévia dos procedimentos para solicitação, instalação, vistoria, manutenção e individualização do consumo pode trazer mais segurança jurídica para moradores e administradores.

Código de Defesa do Consumidor nem sempre se aplica

Outra questão levantada pelo avanço dos carregadores compartilhados é a aplicação do Código de Defesa do Consumidor (CDC).

Stremel explica que a relação entre condomínio e condômino, em regra, não configura uma relação de consumo. Portanto, quando o próprio condomínio regulamenta um carregador instalado em sua estrutura, as regras condominiais têm papel central.

“Dentro do ambiente condominial, nem sempre o Código de Defesa do Consumidor será aplicável”, explica.

A situação pode ser diferente quando uma empresa é contratada para operar os carregadores e presta diretamente um serviço aos usuários. Nesse caso, a relação estabelecida entre o morador e a empresa pode ser caracterizada como relação de consumo e estar sujeita às normas do CDC.

Discussão deve crescer nos condomínios

Com quatro projetos atualmente em tramitação em Curitiba e o aumento da presença de veículos elétricos nas cidades, Stremel avalia que condomínios precisam começar a tratar o tema de maneira preventiva.
Assembleias, convenções e regulamentos internos terão papel importante na definição de procedimentos, mas as decisões precisam estar acompanhadas de critérios técnicos e das normas de segurança aplicáveis.

“Não se trata de impedir a chegada dos carros elétricos aos condomínios. É permitir que essa evolução aconteça de forma organizada e segura. Quando existem critérios técnicos e regras claras, o condomínio consegue acompanhar essa transformação protegendo moradores e patrimônio”, conclui.

Sobre Luís Gustavo Stremel

Luís Gustavo Stremel é advogado especialista em Direito Condominial, com atuação voltada à orientação jurídica de condomínios, síndicos e administradoras. Atua em questões relacionadas à gestão condominial, convenções, assembleias, conflitos entre moradores, responsabilidades do síndico e adequação dos condomínios às novas demandas jurídicas e estruturais.

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Luís Gustavo Stremel / crédito: divulgação

Garagens e pontos de recarga

Detalhes que fazem a diferença

Mercado de luxo aposta no design de garagens e recarga de veículos elétrico como diferenciais para a tomada de decisão

No competitivo mercado de alto padrão, os detalhes desempenham um papel fundamental para oferecer uma experiência única para o cliente. Neste cenário, a garagem, antes considerada como um espaço subestimado, tem ganhado cada vez mais importância. “O estacionamento de alto padrão vai além das vagas. É uma experiência que combina design, conforto e inovação para atender às necessidades de veículos modernos e proporcionar um ambiente exclusivo aos seus usuários”, conta Ricardo Sigel, arquiteto e diretor da GaragePlan.

Segundo o arquiteto, o tamanho padrão da vaga é de 5,00m x 2,40m, já em empreendimentos de alto padrão, as dimensões podem atingir até 2,80m de largura e 6,00m de comprimento. Outro detalhe importante, é a inclinação adequada das rampas. As regras e normativas determinadas para as rampas de veículos, como definições de larguras, inclinações e se podem ou não serem desenvolvidas em trechos curvos, também variam de acordo com a região de cada empreendimento. As boas práticas, limitações do espaço físico e a garantia de bons níveis, são os pontos que vão nortear a qualidade de uma rampa. Para tanto deve-se considerar quais serão os veículos que circularão com maior frequência pela rampa e quais suas principais restrições no que se refere aos raios de giro e altura entre o piso e assoalho, bem como o revestimento que será aplicado em sua superfície. Tudo isso deve estar alinhado com o padrão do empreendimento.

Recentemente a GaragePlan foi contratada para desenvolver o projeto de Parking Design do Edifício Pace da AG7, um empreendimento voltado para o segmento de superluxo. Um projeto com mais de 160 metros de altura e 44 andares, no bairro Ecoville, em Curitiba. “Realizamos um estudo de realocação de vagas, análise de fluxos e a criação de um design exclusivo para a garagem, afirma Antonio Juchem, diretor da GaragePlan.

O Pace contará com serviço de manobrista, carregamento de veículo elétrico, governança da casa durante viagens, concierge bilíngue dedicado 24 horas, entre outros recursos para facilitar a vida dos moradores.

Outro empreendimento em desenvolvimento no Ecoville é o "Signature" da Plaenge, onde o Parking Design inclui não apenas a disposição das vagas, mas também a ambientação. A escolha dos revestimentos e a iluminação cênica desempenham um papel fundamental nos projetos de alto padrão.

São inúmeros os itens que podem valorizar as áreas de garagens, mas as vagas para visitantes e a recarga de veículos elétricos estão ganhando cada vez mais espaço. Em Santa Catarina, não é diferente. “Fizemos os projetos de garagens do Edifício Futura da Sunprime Empreendimentos, em Itapema. Criamos um ambiente especial, totalmente alinhado com o conceito futurista do edifício. Cada detalhe foi cuidadosamente considerado para garantir que a garagem não fosse apenas funcional, mas também uma parte memorável do edifício ", destaca Juchem.

Segundo Sigel, nas áreas litorâneas o desenvolvimento de um projeto parking possui algumas particularidades. “Um primeiro ponto importante é que os pavimentos nunca serão subsolos. Na configuração dos espaços destinados às vagas ou mesmo para outras áreas de apoio, é necessário prever armários e depósitos para itens de praia, bem como acessos exclusivos para pedestres, provenientes das praias, com espaços com lava pés, áreas de depósitos e muito mais”, completa Sigel.

Anteriormente o desenvolvimento de um projeto de estacionamento costumava focar principalmente no cumprimento de normativas, hoje é muito mais complexo. A busca incessante pela excelência no mercado de alto padrão modificou a experiência do usuário que hoje deseja

Em seg., 22 de jan. de 2024 às 22:18, escreveu:

Em Seg 22/01/24 11:41, Brunna Stavis sistemas@comuniquese3.com.br escreveu:

Bom dia,

Estou responsável pelo atendimento da GaragePlan, empresa especializada em Parking Design com diversos projetos espalhados pelo Brasil.

Gostaria de sugerir uma pauta sobre a evolução do mercado dos veículos elétricos. A ideia é falar sobre a implantação de infraestrutura adequada para o carregamento dos carros elétricos. Hoje grande parte dos projetos de garagens contemplam pontos de recarga.

Abaixo listei algumas questões que podem ser abordadas.

01- De que maneira poderá ser gerada toda a energia para abastecer os veículos elétricos?

02- Qual será a fonte de lítio para produzir baterias e qual deverá ser a destinação delas, após o término de sua vida útil?

03- Qual será o impacto, principalmente para áreas já consolidadas (edificadas) para viabilizar implantação de infraestrutura adequada para o carregamento?