Segundo especialistas, razões climáticas podem explicar nuvem de gafanhotos que avança para o Brasil

O chamado ‘comportamento gregário’ é um gatilho biológico deflagrado por períodos de secas intensas e prolongadas seguidos de chuvas fortes e altas temperaturas

A nuvem de gafanhotos que se movimenta em direção ao Brasil causa preocupação na região Sul do País. O Ministério da Agricultura declarou estado de emergência fitossanitária em áreas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, estados que podem ser afetados pelos insetos.

Segundo André Ferretti, gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, distúrbios climáticos provocados pelo aquecimento global e o desrespeito aos limites da natureza têm causado fenômenos disruptivos, que vão desde a nuvem de gafanhotos até eventos mais rigorosos, como a pandemia do novo coronavírus. “A forma como lidamos com a natureza precisa ser repensada para que as sociedades não fiquem sujeitas às consequências danosas de fenômenos como esses. Ao mesmo tempo, os governos precisam começar a pensar em planos de contingenciamento que ajudem os países a serem resilientes a situações cada vez mais danosas e intensas.”

Uma análise preliminar feita pelo climatologista Carlos Nobre, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, em parceria com o pesquisador Marcelo Seluchi, coordenador geral da área operacional do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), aponta que o longo período seco no centro-sul da América do Sul – incluindo Paraguai, Uruguai, sul do Brasil e centro-leste da Argentina –, nos primeiros meses do ano, com um mês de abril extremamente seco, pode ser uma das condicionantes climáticas por trás do comportamento dos gafanhotos.

“Chuvas intensas em alguns dias de maio, notadamente na região do Paraguai, onde se originou a nuvem de gafanhotos, podem explicar o fenômeno. Isto é, período curto de chuvas intensas após meses de secas”, diz o relatório dos dois especialistas. A forte onda de calor entre 14 e 20 de junho no sul do Paraguai (suposto epicentro do fenômeno) associada a temperaturas superiores a 7º C acima das normais climatológicas também é indicada como possível catalisador.

De acordo com os cientistas, o gafanhoto costuma ter comportamento solitário, sem muito contato com outros da espécie. Entretanto, esses sinais climáticos deflagram um gatilho biológico chamado de comportamento gregário, no qual gafanhotos se associam e iniciam os enxames, com altas taxas de reprodução.

A previsão de entrada de uma frente fria na região poderá influenciar a migração dos gafanhotos para leste, atingindo o sul do Brasil, principalmente o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e também pode inibir as taxas de reprodução do inseto, o que ocorre em ciclos de temperaturas baixas.

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Sobre a Fundação Grupo Boticário

Com 30 anos de história, a Fundação Grupo Boticário é uma das principais fundações empresariais do Brasil que atuam para proteger a natureza brasileira. A instituição atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada nos negócios e em políticas públicas e apoia ações que aproximem diferentes atores e mecanismos em busca de soluções para os principais desafios ambientais, sociais e econômicos. Já doou mais de R$ 80 milhões para mais de 1.600 iniciativas dedicadas à causa da conservação em todo o País. Protege duas áreas de Mata Atlântica e Cerrado – os biomas mais ameaçados do Brasil –, somando 11 mil hectares, o equivalente a 70 Parques do Ibirapuera. Com mais de 1,2 milhão de seguidores nas redes sociais, busca também aproximar a natureza do cotidiano das pessoas. A Fundação é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador de O Boticário e atual presidente do Conselho de Administração do Grupo Boticário. A instituição foi criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial.

Sobre a Rede de Especialistas

A Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) reúne cerca de 80 profissionais de todas as regiões do Brasil e alguns do exterior que trazem ao trabalho que desenvolvem a importância da conservação da natureza e da proteção da biodiversidade. São juristas, urbanistas, biólogos, engenheiros, ambientalistas, cientistas, professores universitários – de referência nacional e internacional – que se voluntariaram para serem porta-vozes da natureza, dando entrevistas, trazendo novas perspectivas, gerando conteúdo e enriquecendo informações de reportagens das mais diversas editorias. Criada em 2014, a Rede é uma iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Os pronunciamentos e artigos dos membros da Rede refletem exclusivamente a opinião dos respectivos autores. Acesse o Guia de Fontes em www.fundacaogrupoboticario.org.br

(COVID-19) Produtores de Cachaça doam 70 mil litros de álcool 70%

As primeiras doações estão previstas para os próximos dias e serão destinadas aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), inicialmente, dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Alagoas e Rio Grande do Sul

O Instituto Brasileiro da Cachaça – IBRAC, entidade nacional representativa do setor produtivo Cachaça, anuncia a doação inicial, prevista já para os próximos dias, de mais de 70 mil litros de álcool etílico hidratado a 70% vol. feita por produtores de Cachaça associados e demais empresas do setor para colaborar no combate ao COVID-19. O volume será destinado para fins de emprego nos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e demais órgãos públicos destinados ao atendimento da população, que poderão, por sua vez, doar estes produtos para as populações mais expostas.

A informação foi confirmada após a publicação de nota técnica da Anvisa esclarecendo procedimentos para a produção e a doação do álcool a 70% de volume.

Os serviços do SUS que receberão as doações serão, inicialmente, de cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Alagoas e Rio Grande do Sul. Segundo Carlos Lima, diretor executivo do IBRAC, a expectativa é que mais empresas produtoras de Cachaça e de bebidas alcoólicas iniciem a produção de álcool etílico para doações.

"Houve do setor um cuidado muito grande em fazer esse processo com o máximo de segurança possível. Por esse motivo, na semana passada pleiteamos junto à Anvisa uma autorização, em caráter emergencial e excepcional, para que os nossos associados pudessem produzir, padronizar, envasar, transportar esse álcool. No fim de semana, a ANVISA publicou uma nota técnica, que foi atualizada nesta terça-feira, esclarecendo os critérios a serem adotados por todos que queiram produzir e doar álcool a 70%.", enfatiza Lima.

Considerando que a produção de bebidas alcoólicas é regulamentada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o órgão foi devidamente comunicado pelo IBRAC sobre essa mobilização do setor e, também, para fins de orientação. O executivo do IBRAC ainda ressalta a agilidade com a qual o governo brasileiro vem tratando esses temas e informa que o Instituto está incentivando os seus associados diretos e entidades associadas a fazerem parte desta importante iniciativa.

Países que mais exportam vinho para o Brasil e como é esta disputa

A maior parte dos vinhos comercializados vêm da América Latina e Europa, que oferecem ótimos rótulos para os brasileiros

O brasileiro está cada vez mais se encantando pelos vinhos, seja com um delicioso Rosé para os dias de verão ou um intenso Malbec para o inverno. Para suprir a demanda, o país tem importado muito mais dessa bebida milenar.

Entre 2015 e 2019, a importação de vinhos duplicou em valores e em volume, segundo o Comex Stat, sistema de dados estatísticos sobre importação e exportação mantido pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

O sucesso tem causado um verdadeiro frisson no mercado. Importadores, produtores e traders de países como Portugal, Espanha, Itália, Argentina e Chile estão ainda mais interessados em estimular o potencial de crescimento brasileiro e aproveitar o bom momento.

Um panorama das exportações dos vinhos para o Brasil

Em 2017, o nosso país importou mais de US$ 370 milhões da bebida. Os países da América Latina são os principais fornecedores de vinho para o Brasil (56%), seguidos da União Europeia (41%).

O país que mais exporta para o Brasil é o vizinho Chile, que proporcionou 39% das garrafas importadas. As variedades Cabernet Sauvignon, Sauvignon Blanc e Carménère são as que mais chegam até nós.

Ainda na América Latina, Argentina (15%) e Uruguai (2%) também são importantes parceiros para o Brasil, com a exportação dos vinhos de uvas Malbec e Tannat.

Portugal é o país que mais se destaca na União Europeia, com 12% do total geral de importações, com destaque para o vinho do Porto e o ascendente vinho verde.

Na sequência, França e Itália fornecem cada um 11% dos vinhos importados pelo Brasil, e 7% é proveniente da Espanha.

As informações são do OEC (The Observatory of Economic Complexity), do MIT Media Lab, com dados originalmente da UN Comtrade.

Novidades na disputa pelo mercado brasileiro

Em 2020, algumas notícias movimentaram o mercado da importação das garrafas no país.

Os portugueses, que já têm o Brasil como o principal mercado para o seu azeite, desejam desbancar os chilenos e se tornar também os maiores exportadores de vinho para o país.

Portugal – e os países da União Europeia no geral – enxergam a competição como muito difícil devido à carga tributária, já que o Chile é beneficiado com o Mercosul. A expectativa é que um acordo comercial com a União Europeia mude esse cenário.

Ou seja, se tudo der certo, nos próximos anos, veremos cada vez mais vinhos portugueses em mercados, empórios e adegas, especialmente os frutados e de taninos leves, que estão entre os favoritos por aqui.

A segunda novidade do ano foi o anúncio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que revogou as exigências de novos exames que encareceriam o produto (como testes para detectar corantes, ácido cítrico, sulfatos, entre outros), depois de negociação com representantes do setor.

Para 2020, os parâmetros de controle e fiscalização do vinho se mantêm os mesmo de janeiro do ano anterior, sem exigências adicionais aos produtos importados.

A medida não agradou os produtores nacionais, pois, para eles, a exigência de exames mais rígidos encareceria o vinho importado de uma maneira de compensar o desequilíbrio competitivo.

Por que o Brasil importa?

Apesar de ter se consolidado como o quinto maior produtor de vinho na América Latina e a produção de uvas para a bebida atingir hoje uma grande parte do território nacional, o Brasil importa uma quantia considerável de vinho.

Quem se beneficia das importações são os apreciadores, pois, dessa forma, o comércio de vinhos online e físico oferece mais diversidade, o que favorece o consumo com excelentes opções de qualidade e preço. Tudo isso gera mais oportunidades de negócios e lucros para comerciantes e importadores.

Com um consumo de vinho crescente, o mercado brasileiro de vinho está cada vez mais atraente e tem desfrutado de uma boa relação custo-benefício do produto internacional. É o momento certo para aproveitar fazendo ótimas aquisições.