Design solidário: leilão reúne grandes nomes do design e da arquitetura em prol do Instituto TMO, em Curitiba

Nomes importantes do mercado criaram seis mesas autorais que serão leiloadas no próximo dia 6 de maio, articulando design, reaproveitamento e impacto social

Brasil, maio de 2026 - Curitiba recebe nesta quarta-feira, dia 6 de maio, uma iniciativa que tensiona os limites entre arquitetura, design e responsabilidade social. A loja Momentum & Design sedia o Leilão Instituto TMO, ação beneficente que vai destinar toda sua arrecadação ao Instituto TMO, que atua no acolhimento de pessoas que estão em tratamento de transplante de medula óssea. Realizado por Consuelo Cornelsen, GT Building, Instituto TMO e Momentum, o projeto reúne arquitetos e designers em torno de um exercício que vai além do desenho: a construção de sentido.

“Existe algo muito potente quando o projeto deixa de ser apenas uma resposta formal e passa a incorporar uma dimensão ética. Este leilão nasce desse lugar, o de entender o design como linguagem, mas também como posicionamento. Ao reunir diferentes olhares em torno de uma mesma matéria-prima, criamos não apenas objetos, mas narrativas que carregam intenção, responsabilidade e, sobretudo, um compromisso coletivo”, afirma Consuelo.

Participam da iniciativa Flávio Schiavon, Jaime Bernardo, Marcos Bertoldi, Fernando Canalli, Diego Motta e o escritório Arquea — formado por Pedro Amim, Fernando Lacerda e Bernardo Richter. Cada um dos participantes foi convidado a desenvolver uma mesa a partir de um tampo pré-existente, partindo da lógica do reaproveitamento como premissa projetual.

A proposta direciona o exercício para uma leitura essencial da estrutura, em que clareza, proporção e precisão orientam as soluções. “Mais do que variações formais, o conjunto revela diferentes modos de pensar o mesmo problema, evidenciando o raciocínio construtivo como linguagem”, destaca Consuelo. A ação conta ainda com a participação do Instituto Jaime Lerner e patrocínio da GT Building e de Jean Daniel Ary Galiano.

Para a GT Building, a presença no projeto se insere em uma visão ampliada do papel da arquitetura. “Quando nos aproximamos de iniciativas como esta, não estamos apenas apoiando um evento, mas reconhecendo que o ato de construir também envolve criar vínculos, gerar impacto e assumir responsabilidades. Existe uma coerência entre o que se projeta e o que se sustenta enquanto prática — e é nesse alinhamento que esse tipo de participação ganha relevância”, aponta Arsênio de Almeida Neto, diretor da GT Building.

Já Jean Daniel Ary Galiano destaca a dimensão simbólica da ação. “Há algo muito significativo em ver o design operando fora de um circuito puramente comercial e se colocando a serviço de uma causa. Esse deslocamento amplia o alcance do projeto e revela a capacidade que a arquitetura tem de mobilizar, sensibilizar e transformar. Participar disso é, antes de tudo, reconhecer o valor dessa articulação coletiva”, destaca.

Fundado em 1988, o Instituto TMO é uma entidade beneficente e sem fins lucrativos, referência nacional no apoio ao transplante de medula óssea. Com atuação voltada ao suporte de centros especializados, pacientes e familiares, a instituição também investe na formação de profissionais e na qualificação da infraestrutura de atendimento, contribuindo diretamente para ampliar o acesso ao tratamento e salvar vidas.

SERVIÇO

Leilão - Instituto de Transplante de Medula Óssea

Data: 6 de maio (quarta-feira), a partir das 19 horas

Local: Momentum & Design (Rua Desembargador Costa Carvalho, 208)

Informações: (41) 3016-9663 ou tmo@institutotmo.org.br

MARCOS BERTOLDI ARQUITETOS & HABITAR A QUARENTENA

HABITAR A QUARENTENA

Sou um privilegiado. Minha profissão me permitiu trabalhar em casa. Passei a vida em home office, a novidade é o confinamento. Vivi grande parte da minha infância em casa e, ainda hoje, é o meu lugar de conforto, segurança e bem estar. Lugar onde preservo as minhas principais memórias, referências e encontros.

Quando comprei o meu primeiro laptop e passei a usá-lo para desenhar, me dei conta de que meu escritório seria onde estivesse. No ano de 2008, trouxe a atividade profissional para casa, inicialmente de maneira improvisada, com certo receio de que o escritório pudesse interferir na nossa rotina e privacidade. Rapidamente percebi que o tempo que eu economizava em deslocamentos, os custos de manutenção da antiga sede e a facilidade em ter o escritório próximo me recompensavam com sobras. Eventuais desvantagens de espaço e no recebimento de fornecedores e de clientes ainda deveriam ser testadas. Quando percebi que a situação não nos causaria nenhum embaraço, iniciei reformas e adaptações no térreo/subsolo da residência de modo a tornar os espaços mais agradáveis e salubres à nossa atividade.

Portanto, em tempos de SARS-CoV 2, estamos razoavelmente preparados, mental e fisicamente. Nossa equipe desmobilizou-se e todos agora trabalham de seus respectivos domicílios. Reuniões entre nós, clientes e fornecedores são feitas online, e têm se mostrado mais objetivas e igualmente eficazes.

O que virá de tudo isso não se sabe. “Fique em casa” é o novo mantra. Ainda lembraremos por muito tempo desta pandemia. O que vamos aprender – se é que aprenderemos algo, passado o susto – ainda é prematuro para se afirmar. Para alguns, nos tornaremos menos materialistas, desperdiçaremos e poluiremos menos, seremos mais solidários e cuidaremos melhor dos nossos entes queridos. A economia, finalmente, estará a serviço do homem – e não o contrário. Enfim, respeitaremos mais o planeta, a vida e o próximo. Assim espero.

P.S.: mesmo com o escritório acessível, bastando descer duas rampas, continuo trabalhando da sala da minha casa, onde tenho o nível necessário de introspecção e concentração.