“É verdade que todos vão pegar coronavírus?”: cientistas da UFPR respondem novas perguntas da sociedade

“É verdade que o vírus não vai acabar seu ciclo e que todos nós vamos pegar o corona?”. Essa foi a pergunta da Mônica Melo aos cientistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que responderam novas dúvidas sobre contaminação e prevenção. Os questionamentos relacionados ao coronavírus envolvem vários aspectos, como vacina, animais de estimação, exercícios físicos, atividades para crianças, visitas, grupos de risco, uso de máscaras, limpeza de embalagens e frutas, ações de solidariedade, fatores de risco e ansiedade.
As perguntas da população integram a campanha “Pergunte aos Cientistas”, da Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Científica e Cultural da UFPR, e foram respondidas por 12 pesquisadores da Universidade. Para participar, basta enviar a pergunta ao e-mail agenciacomunicacaoufpr@gmail.com ou no direct do perfil @agenciaescolaufpr no Instagram, com nome completo, idade, profissão e cidade onde reside.
As dúvidas foram respondidas pelos cientistas Alexandra Acco, Juliana Geremias Chichorro, Cristina Jark Stern, Maria Frazão Vital, Michel Otuki, professores do Departamento de Farmacologia, e Maria Carolina Stipp, doutoranda do mesmo departamento; Maíra Valle e Fernando Louzada, professores do Departamento de Fisiologia; Lucy Ono (integrante da comissão de especialistas), Edneia Cavalieri e Patricia Dalzoto, professoras Departamento de Patologia Básica. Também participou o presidente da Comissão de Enfrentamento e Prevenção à Covid-19 da UFPR, Emanuel Maltempi de Souza, professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular. Confira abaixo:
Contaminação
“É verdade que o vírus não vai acabar seu ciclo e que todos nós vamos pegar o corona?” (Mônica Melo)
Cientistas UFPR – Olá, Mônica! Esperamos que esteja bem. Essa pergunta é um pouco difícil de ser respondida, pois é como perguntar sobre o que acontecerá amanhã. Não há como dizer com 100% de certeza o que acontecerá. Sobre a Covid-19 várias previsões foram realizadas por grupos científicos muito competentes, que tentam prever usando modelos matemáticos como a pandemia irá progredir em diferentes cenários, com distanciamento social ou sem. Os modelos divergem, mas uma coisa têm em comum: sem nenhuma medida a fração da população afetada é enorme. Não temos como afirmar que todas as pessoas vão se infectar, pois como esse é um vírus novo ainda estamos descobrindo como ele se comporta e os modelos matemáticos, embora muito bons, dependem de características do vírus que ainda não conhecemos. Porém, já sabemos que ele é um vírus com alta taxa de transmissibilidade, ou seja, é fácil “pegar” o vírus de uma pessoa infectada. Assim, é bem provável que no futuro a maior parte da população seja exposta. Um estudo da Universidade de Harvard previu algo entre 40% e 70% da população, enquanto epidemiologistas do Imperial College of London, cuja previsão foi publicada em 26 de março de 2020, preveem que, caso nenhuma medida de distanciamento social seja tomada, mais de 80% da população brasileira será infectada pelo novo coronavírus. Embora o vírus não seja tão letal quanto alguns outros vírus que causam síndromes respiratórias graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), ainda assim o número de pessoas afetadas seria tão grande que a previsão é que um grande número de pessoas morreriam. Algumas pessoas têm quase nenhum ou poucos sintomas. Porém, outras pessoas são bastantes vulneráveis, os chamados grupos de risco, que envolvem idosos, hipertensos, diabéticos, asmáticos, entre outros. Porém, as pessoas assintomáticas também são capazes de transmitir a doença. Esta é a razão pela qual devemos nos manter distanciamento social agora. Em primeiro lugar, isso fará que o vírus se espalhe lentamente e assim tenhamos tempo de gerar medicamentos e vacinas e, deste modo, proteger os mais vulneráveis. Se a taxa de novos casos for bem baixa, também poderemos agir preventivamente, identificando o vírus nas pessoas antes que apareçam os sintomas e dessa forma controlar a doença. O distanciamento social e atuação ativa dos agentes de saúde garantirão que, se contrairmos a doença, haverá recursos para nosso tratamento. Quando grande parte da população já tiver se infectado com o vírus, é possível que tenhamos mais pessoas imunizadas e isso também talvez diminua a propagação do vírus. Vamos torcer para que antes que isso aconteça já tenhamos uma vacina que é forma mais eficiente para conter a doença. Ainda há muitas perguntas sem respostas e, por hora, devemos manter a calma e se possível ficar em casa, tomando os devidos cuidados de higiene e cuidando de nossa saúde física e mental. O distanciamento social é nossa melhor arma contra essa doença. Por isso as medidas de manter distância das pessoas, lavar as mãos com frequência, limpar as superfícies expostas e usar máscaras faciais caseiras. Essas medidas vão protegê-la e também os que estão ao seu redor.
“Tenho um gato que fica pouco dentro de casa e sai algumas vezes na rua. Como agir? Qual o risco de trazer contaminação para os moradores da casa?” (Débora Ávila de Carvalho, médica, 60 anos, Pouso Alegre-MG)
“Eu e meu marido ajudamos a cuidar de uma cachorrinha idosa que pertence a um batalhão de polícia. Durante o dia ela fica na secretaria onde trabalham alguns policiais e também transita pelo batalhão, mas à noite e aos fins de semana fica na nossa casa. A cachorrinha pode ser um risco de contágio pelo fato de viver nos dois ambientes?” (Maria Aparecida S. Vergueiro Oliveira, 63 anos, coordenadora editorial, Santo André-SP)
Cientistas UFPR – Débora e Maria Aparecida, a dúvida de vocês é compartilhada por muitos tutores de animais domésticos que têm acesso à rua ou outros ambientes. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cães, gatos ou qualquer animal de estimação, até o momento, não são considerados vetores de transmissão da Covid-19, embora tenha havido um caso de cachorro infectado em Hong Kong e outro de um gato infectado em condições laboratoriais, mas que não desenvolveram os sinais clínicos da doença. O vírus que causa a Covid-19 é transmitido principalmente através de gotículas geradas quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala. Essas gotículas são muito pesadas para ficar no ar e caem rapidamente em pisos ou superfícies. Como ainda não se conhece vários aspectos desta doença, entre eles, se animais de estimação podem “carregar” o vírus, ao brincar ou tocar no seu cão ou gato, lave as mãos em abundância e mantenha seu pet limpo. O Conselho Federal de Medicina Veterinária e o Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo estão orientando que caso o animal saia, seja feita a higienização das patas com água e sabão neutro para evitar que o contato das patas com superfícies contaminadas na rua traga partículas virais para o ambiente domiciliar. A lavagem com água e sabão é suficiente para inativar o novo coronavírus. Se for possível, restrinja o acesso de seus animais às ruas neste período.
“Estou fazendo isolamento domiciliar, mas uma vez na semana tenho descido até a portaria para pegar compras do mercado que peço por delivery. Esse ar da portaria pode estar contaminado? Eu lido com problemas de ansiedade e tem sido difícil” (Cecília Guimarães, 30 anos, estudante, São Paulo-SP)
Cientistas UFPR – Olá, Cecília! Nessas situações é normal uma certa ansiedade e se você já sofre um pouco mais com isso, a situação pode ser mais incômoda ainda. O remédio para isso é conhecimento sobre o assunto. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que não há transmissão aérea do vírus, isso significa que o vírus não consegue permanecer no ar por período de tempo prolongado ou se deslocar por distâncias superiores a 1,5 metro. O vírus é transmitido por gotículas e aerossóis produzidos por tosses e espirros, ou mesmo quando falamos. Mas estas partículas minúsculas não ficam no ar por muito tempo porque são pesadas demais. Assim, elas caem rapidamente no chão ou outras superfícies, onde o vírus pode permanecer ativo por dias (dependendo do tipo de superfície, umidade e temperatura).
Portanto, os principais cuidados que você deve ter ao buscar suas compras na portaria são:
1) Lavar bem as mãos com água e sabão ao retornar da portaria e durante o percurso não levar as mão ao rosto.
2) Descartar as embalagens de papel e plástico, sempre que possível, já que o vírus pode estar nessas superfícies.
3) Higienizar com álcool 70% ou solução de hipoclorito (água sanitária diluída 20 vezes: 1 xícara de cafezinhho 50 ml em um litro de água) os produtos que foram adquiridos.
4) Remover os sapatos antes de entrar em casa. Deixá-los em uma área “suja” da casa, por exemplo lavanderia, e higienizá-los com desinfetante comum. Esse cuidado não é especificamente para a Covid-19, mas uma boa medida de higiene.
5) Lave bem as mãos com água e sabão antes e após guardar as compras.
Lembre-se que as formas de disseminação do novo coronavírus são sempre pelo contato com pessoas doentes ou assintomáticas, com gotículas contaminadas e com objetos, maçanetas e embalagens contaminadas. Como não há evidência de transmissão aérea da Covid-19, não há problema em respirar o ar da portaria de seu prédio se não há aglomerações no local. Mas para ajudar, adote a recomendação atual de uso de máscaras faciais por todos: é uma medida que poderá contribuir para diminuir a propagação do novo coronavírus e deve auxiliar você a controlar sua ansiedade. Veja as recomendações de como as máscaras devem ser utilizadas sempre em conjunto com as demais medidas de prevenção, que citamos acima. Esse é um momento de grande ansiedade para todos e a OMS indica algumas ações que podem ajudá-la nesse momento e podem ser acessadas neste link. A pesquisadora Lidia Weber, do Departamento de Psicologia e Setor de Educação da UFPR, também faz orientações nesse sentido neste link. Continue em casa, Cecília, e adote essas medidas que irão mantê-la protegida.
“Os atendentes dos supermercados estão expostos diariamente à Covid-19. Desta forma é possível que mesmo não tendo os sintomas já tenham sido contaminados e já estejam imunes? Há algum teste sendo realizado neste sentido?” (José Simão de Paula Pinto, 57 anos, professor, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – José, essa possibilidade pode existir. Sabemos que uma parte das pessoas infectadas pelo novo coronavírus não desenvolvem sintomas evidentes da Covid-19. Esses portadores são chamados de infectados assintomáticos. Mas atualmente há poucos estudos publicados sobre casos assintomáticos e não sabemos qual a sua frequência. Até o momento, a infecção pelo novo coronavírus parece levar, após a resolução da doença, a uma imunidade permanente contra o vírus, e isso pode acontecer após uma infecção assintomática também. Por isso, já há a perspectiva de se estabelecer um levantamento sorológico retrospectivo. Esse tipo de análise identificaria com um exame de sangue quais e quantas pessoas ficaram imunes à doença durante a pandemia, mas esse é um aspecto secundário em relação ao controle do atual surto da doença. Não há como saber se as pessoas mais expostas a outras, como é o caso dos atendentes de supermercados, já teriam sido infectados pelo coronavírus e estariam imunes. Para isso seria necessário realizar testes que ainda não estão sendo feitos para a população brasileira geral, que são testes de quantificação de anticorpos contra o novo coronavírus. A orientação é de que qualquer pessoa que apresente sintomas gripais fique em isolamento domiciliar por um período de 14 dias com uso de máscara, seguindo as orientações do Ministério da Saúde para o isolamento domiciliar, e observe se haverá necessidade de procurar atendimento médico caso os sintomas agravarem ou haja falta de ar.
“Se vírus foi descoberto por volta de dezembro, provavelmente ele já circulou pelo Brasil e vem fazendo vítimas ou criando imunidades no mínimo desde janeiro ou, mais provavelmente, fevereiro, concordam?” (Eduardo Pausini, 58 anos, produtor de conteúdo, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Eduardo! Como vai? Você pode ter tem razão. O Ministério da Saúde divulgou nesta quinta-feira (2) que o primeiro caso confirmado no país ocorreu no final de janeiro, explicando que tinha realizado análises em amostras de casos de pacientes com síndrome respiratória retroativos a 26 de fevereiro, quando o primeiro caso foi diagnosticado no Brasil, e teria identificado um caso ocorrido em 23 de janeiro. Nesta sexta-feira (3), o Ministério da Saúde retificou a informação dizendo que se tratou de preenchimento incorreto e a data correta seria 25 de março. Mas, há sim a possibilidade do novo coronavírus ter chegado ao Brasil antes de 26 de fevereiro, mas se houver provavelmente seria um caso importado. Sabemos também que houve mais de um local no país em que houve a entrada do vírus e por isso vemos os principais focos em vários locais diferentes como São Paulo, seguido do Rio de Janeiro e Distrito Federal. Em todos dos casos foi determinada a origem da infecção. Portanto, não temos evidências para dizer que o vírus estava circulando. Ainda, a velocidade com que tem se propagado no Brasil desde o final de fevereiro até o começo de abril indica que ainda não há pessoas imunes em número suficiente para frear o aparecimento de um número grande de casos em um curto intervalo de tempo. Em resumo, o vírus possivelmente já estaria presente no Brasil em janeiro, mas a sua disseminação não pode ter sido muito alta e portanto não é de se esperar um grande número de pessoas imunizadas. Para sabermos qual é essa taxa de infectados é fundamental realizar testes que identificam anticorpos contra o SARS-CoV-2 no sangue. O Ministério da Saúde deve receber esses testes a partir da semana que vem e aí entenderemos um pouco melhor o comportamento dessa doença no Brasil. Enquanto tudo isso não ocorre devemos manter distanciamento social, redobrar cuidados de higiene pessoal e esperar que logo tudo isso irá passar.
“Sou do grupo de risco, pois tenho válvula metálica no coração, e precisei ir ao dentista. A dentista não usou luvas e não lembro de vê-la lavar as mãos antes e depois do meu atendimento. Esse procedimento pode prejudicar minha saúde, ou seja, trazer algum risco?” (HB, 60 anos)
Cientistas UFPR – Olá! O procedimento da dentista foi inadequado. Devido ao risco de contaminação, a recomendação do Ministério da Saúde para prevenção é que se faça frequentemente a higienização das mãos com água e sabão ou álcool gel 70%. Quanto ao uso das luvas pelos profissionais, é recomendado sempre que houver risco de contato das mãos do profissional com sangue, fluídos corporais, secreções, excreções, mucosas, pele não íntegra e artigos ou equipamentos contaminados. Quando o procedimento exigir técnica asséptica, deve-se usar luvas estéreis (de procedimento cirúrgico). Além disso, para proteção de ambos, a profissional deveria ter usado máscara, proteção facial e gorro no cabelo, além de jaleco.
“Qual seria o risco de uma pessoa da minha idade que faz atividade física regularmente e tenta se alimentar bem?” (Margaret Rahn Sievert, 46 anos)
Cientistas UFPR – Olá, Margaret! Você não faz parte do grupo de risco para desenvolver a forma mais grave da doença, que pode inclusive levar a óbito. No entanto, de acordo com a pesquisadora Margareth Dalcomo, renomada pneumologista da Fiocruz, o novo coronavírus, até o momento, tem atacado adultos brasileiros com menos de 50 anos com a mesma ferocidade com que afeta os idosos na Itália. O comportamento do vírus ainda é pouco conhecido – portanto, qualquer pessoa infectada corre o risco de desenvolver a forma grave da doença. Estima-se que 80% dos infectados irão desenvolver sintomas leves, mas 20% dos infectados poderão precisar internação.
Os fatores de risco para a Covid-19 mais prováveis são:
1) Viagens recentes ou residência em uma área com disseminação comunitária contínua do vírus da Covid-19;
2) Contato próximo com alguém que tenha a Covid-19 – como um membro da família ou profissional de saúde que cuidou de uma pessoa infectada.
O novo coronavírus (chamado de SARS-CoV-2) infecta as pessoas independente da faixa etária (embora em diferentes frequências), condição social, sexo e condição nutricional. Estudo recente publicado na revista The Lancet aponta que pessoas idosas e com condições de saúde pré-existentes, como hipertensão, doenças cardíacas, doenças pulmonares, câncer ou diabetes, parecem desenvolver a doença de forma mais grave ou com mais frequência do que outros. Os últimos dados relacionados à letalidade de acordo com a faixa etária no Brasil são de 28 de março e, nesse relatório, cerca de 5% dos óbitos registrados até então eram de pessoas na faixa etária entre 40 e 59 anos. Como mencionamos acima, os riscos aumentam com a existência de outras doenças crônicas. Portanto, na ausência de comorbidades (duas ou mais doenças), ter um bom condicionamento físico e uma boa alimentação podem contribuir para diminuir o risco de complicações mais graves da Covid-19. Mas se você tem uma condição médica crônica e pode ter um risco maior de doenças graves, consulte seu médico sobre outras maneiras de se proteger. A prevenção é o principal método para evitar a infecção pelo coronavírus. Nesse momento, é importante que todos pratiquemos medidas de distanciamento social e de higiene das mãos e superfícies, entre outras para diminuir a velocidade de disseminação do vírus.
Prevenção
“Já há estudos para uma vacina para o coronavírus? Esse remédio que tanto se fala pode tratar o vírus?” (Izelda Marcelina Faria, 43 anos, Mangueirinha-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Izelda! Sim, já há no mundo inteiro laboratórios de pesquisa trabalhando no desenvolvimento de uma vacina contra o vírus da Covid-19. Por exemplo, um laboratório da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, publicou um artigo que reporta o sucesso de uma vacina quando testada em animais de laboratório. Mas ainda há muito chão pela frente até podermos usar em humanos: esse foi um teste inicial em camundongos e de um tipo de vacina não convencional. Muitos testes ainda precisam ser feitos, por exemplo, precisamos saber por quanto tempo esses anticorpos duram, é preciso determinar qual o melhor animal para o teste ser feito antes de chegar nos seres humanos, se esse tipo de vacina não causa nenhum efeito adverso no organismo e se é eficaz em seres humanos. Veja, mesmo com esse conhecimento, até hoje não há vacina para a MERS-CoV-1, que apareceu em 2014. Os pesquisadores dessa área falam que isso acontece em parte porque há uma dificuldade de se encontrar uma vacina que não piore os problemas respiratórios. Então muito trabalho ainda precisa ser feito para termos muita segurança antes de começar os testes em seres humanos.
Um outro exemplo, já um pouco mais adiantado: cientistas do NIH e empresa de Biotecnologia e apoio da Coalizão de Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), com sede em Oslo (Noruega), estão testando uma vacina em seres humanos há duas semanas. Essa é uma vacina não convencional também, pois é uma vacina de DNA. Nesse caso o sujeito é injetado com a informação genética de uma ou mais proteína do vírus que quando produzida em nosso corpo nos imuniza contra o vírus. Estes são dois exemplos, mas existem diversos outros, inclusive no Brasil no InCor, com o grupo do professor Jorge Kalil. Na melhor das hipóteses essas vacinas estarão disponíveis em 18 a 24 meses. Ou seja, nós temos que enfrentar a Covid-19 com o que temos agora.
Para o tratamento da Covid-19 também não existe um medicamento eficiente. Diferentes medicamentos estão sendo estudados em testes clínicos para determinar sua segurança e eficiência, mas até o momento ainda não há indicação de que possam ser utilizados em pessoas com quadros leves. É importante salientar que os medicamentos que estão sendo avaliados agora, como a hidroxicloroquina, não devem ser tomados sem prescrição médica devido ao risco de reações adversas como alterações graves na visão e comprometimento hepático. A hidroxicloroquina (HCQ) é um dos medicamentos mais promissores para tratamento de pacientes com quadro grave da doença, mas as evidências que temos até agora são bastante fracas. Devemos esperar que os pesquisadores fazendo testes bem controlados em pacientes usando a hidroxicloroquina e a cloroquina, associadas ou não a azitromicina, que é um antibiótico, reportem logo seus resultados.
Assim, Izelda, os resultados ainda são inconclusivos. Por isso, não devemos correr para as farmácias e acabar com o estoque de hidroxicloroquina ou outro medicamento que alguém disse que cura Covid-19. O que é certo é que a ciência vai dar uma resposta. Às vezes é um pouco lento, pois temos que fazer a prova e contraprova antes de dar um resultado. Somente quando temos certeza podemos divulgar, ainda mais quando vidas humanas estão em risco.
“Junto a um grupo estou procurando desenvolver ações de solidariedade com as pessoas mais afetadas com a crise da Covid-19. Estamos iniciando com a coleta e distribuição de alimentos. Entretanto essa atividade não pode ser realizada apenas remotamente. Como podemos realizar essas tarefas de forma segura para nós e demais pessoas?” (Giancarlo Tozo, 43 anos, dirigente sindical, Cascavel-PR)
Cientistas UFPR – Parabéns pela iniciativa, Giancarlo! Ações solidárias são muito importantes neste momento e podem ajudar a reduzir o impacto da fragilidade social neste grupo de pessoas. Entretanto, os estudos até o momento sugerem que o vírus que causa a Covid-19 é transmitido principalmente pelo contato com gotículas que são dispersas pela boca e nariz quando tossimos, espirramos ou mesmo falamos, e não pelo ar. Portanto, antes de sair de casa para realizar a ação solidária lembre-se de:
1) Lavar as mãos com água e sabão ou higienizador à base de álcool para matar vírus que pode estar nas suas mãos.
2) Manter pelo menos um metro de distância entre você e qualquer pessoa que esteja tossindo ou espirrando.
3) Evitar tocar nos olhos, nariz e boca. As mãos tocam muitas superfícies e podem ser infectadas por vírus.
4) Certificar-se que você e as pessoas ao seu redor seguem uma boa higiene respiratória. Isso significa cobrir a boca e o nariz com a parte interna do cotovelo ou lenço quando tossir ou espirrar. Em seguida, descarte o lenço usado imediatamente.
5) Ficar em casa se não se sentir bem. Se você tiver febre, tosse e dificuldade em respirar, procure atendimento médico.
Você precisa tomar esses cuidados para continuar saudável e contagiando as pessoas com solidariedade. É importante ainda tomar certos cuidados com as doações. Ao receber os pacotes de alimentos não perecíveis, a superfície (plástico e tenha certeza que a embalagem esteja intacta) pode ser limpa com um pano umedecido em solução de álcool 70% ou, na falta dele, utilize a mesma mistura usada para desinfecção de alimentos, que é uma solução de água sanitária diluída (mistura de duas colheres de sopa para cada litro de água). Após limpos, os kits montados com pacotes de alimentos não perecíveis podem ser acondicionados dentro de sacos (um para cada kit) para que não sejam mais manipulados depois de limpos até o momento da distribuição. Toda a manipulação dos kits deve ser precedida por higienização das mãos com água e sabão. Caso várias pessoas estejam envolvidas no processo de recebimento e montagem dos kits, manter distância de cerca de dois metros e usar máscara facial para evitar disseminar gotículas sobre as superfícies das embalagens – cuidar para colocar e remover a máscara adequadamente.
“Fiquei em dúvida quanto à recomendação de uso da máscara N95, pois havia compreendido que a máscara N95 tinha sua indicação apenas para profissionais de saúde prestando cuidados em procedimentos formadores de aerossóis” (Luciana Rodrigues da Cunha, 39 anos, psiquiatra, Belo Horizonte-MG)
Cientistas UFPR – Olá, Luciana! Você tem razão. A recomendação é de que máscaras cirúrgicas e as máscaras (respirador) N95 sejam de uso exclusivo por profissionais da área de saúde, especialmente neste momento em que há esgotamento desses suprimentos médicos no mundo todo. O Ministério da Saúde tem feito apelo à população para que caso esteja em posse de máscaras cirúrgicas ou mesmo N95 faça doações desses materiais para os hospitais. Até semana passada também não se recomendava uso de máscaras caseiras. Mas a pandemia é dinâmica e as recomendações têm sido atualizadas diariamente. A Comissão de Controle e Acompanhamento da Propagação do Novo Coronavírus na UFPR emitiu nota técnica sobre o uso de máscaras faciais caseiras de forma universal. Nessa nota fazemos uma análise crítica do que foi publicado a respeito de máscaras faciais e diferentes costumes. A nossa conclusão é que o uso de máscaras confere uma pequena proteção para o usuário. Mas se o usuário estiver contaminado – o número de portadores assintomáticos do novo coronavírus parece ser muito alto -, o uso da máscara é muito eficiente para que essa pessoa não contamine os outros. Então recomendamos o uso de máscaras não para se proteger, mas para proteger os outros – o Ministério da Saúde disponibilizou algumas dicas sobre confecção de máscaras caseiras.
“Sobre a prática de exercícios ao ar livre, como caminhada, andar de bicicleta ou correr, é permitido? Além disso, crianças podem brincar no parquinho do condomínio ou na areia da praia?” (Caroline Portela, 36 anos, professora, Matinhos-PR)
“Estou ficando ao máximo em casa, tem algum problema andar de bicicleta? Saio apenas para me exercitar, e durante o percurso não falo com ninguém” (Rodrigo Carvalho)
Cientistas UFPR – Olá, Caroline e Rodrigo! Vocês podem praticar exercícios ao ar livre desde que sozinhos, não tenham nenhum sintoma, como tosse ou espirros, e que não haja aglomeração de pessoas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a prática de 150 minutos de atividade física de intensidade moderada ou 75 minutos de intensidade vigorosa por semana, ou uma combinação de ambos no período de quarentena devido à Covid-19. Dê preferência aos exercícios que possam ser feitos em casa. O comportamento sedentário e os baixos níveis de atividade física podem ter efeitos negativos na saúde, bem-estar e qualidade de vida dos indivíduos. A autoquarentena também pode causar estresse adicional e desafiar a saúde mental dos cidadãos. As técnicas de atividade física e relaxamento podem ser ferramentas valiosas para ajudá-lo a manter a calma e continuar a proteger sua saúde durante esse período.
Quanto às atividades físicas para as crianças, a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é estimular atividades no quintal, na varanda ou próximo a locais mais arejados da casa ou apartamento. Se for brincar nos parquinhos do condomínio, fica difícil controlar se quem passou por lá anteriormente fez a higienização das mãos e também dos brinquedos. Leve junto o álcool gel para higienizar o brinquedo e faça a higienização das mãos da criança antes e depois do passeio. Além disso, é sugerido intercalar períodos de atividades físicas dentro do lar em mais de um horário do dia nos turnos da manhã e da tarde e, se possível, fazer as atividades em conjunto pais e filhos. Estimular a criança e o adolescente a ser criativo para realizar essas atividades em casa que podem ser de circuitos feitos com travesseiros e garrafas plásticas, pular corda, dançar, artes marciais, entre outras. Deixar claro para todos que o momento não é de férias e sim de uma situação emergencial e transitória de reorganização do formato em que as atividades cotidianas devem ser cumpridas. Então, sempre que possível, deve-se atentar para as medidas de distanciamento social. Se for necessário sair, procure utilizar máscara caseira (feita com os tecidos recomendados pelo Ministério da Saúde), mantendo todas as demais medidas de prevenção relacionadas à higiene das mãos e superfícies, etiqueta de tosse e distância de outras pessoas.
“Tenho 57 anos e estou em casa com meu marido de 66. Estando com ele não posso visitar minha neta de quatro meses? Não posso sair e voltar para a casa?” (Miriam Melo Silva, 57 anos, corretora de seguros, Curitiba-PR)
“Estou em isolamento em casa com o meu filho de sete anos, porém meu marido precisa sair para trabalhar. Minha sogra que tem mais de 60 anos mora em uma chácara. Nós estando sem sintomas e em isolamento desde 17 de março, podemos visitá-la? Se sim, quais cuidados devemos tomar?” (Cassia Costa, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Miriam! Seu marido faz parte do grupo de risco (acima de 60 anos de idade). Nesse caso recomenda-se que você não saia de casa, pois você pode ser contaminada e, ao voltar, levar o vírus para a sua residência contaminando o seu marido. A sua neta ou as pessoas que vivem com ela podem estar com o vírus e não apresentar sintomas, mas mesmo assim transmitir a doença para você. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recentemente declarou que “o vírus está passando das ruas para dentro das famílias” e reforçou a necessidade do isolamento social. Entendo que a saudade da neta deve ser grande, mas a melhor atitude agora é cada um ficar na sua casa, inclusive para proteger a netinha. Nos últimos dias temos acompanhado casos de crianças que desenvolveram a doença. É raro, mas pode acontecer. Portanto, essa atitude serve para proteger a sua neta também.
Cassia, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia recomenda que os idosos e pessoas com doenças crônicas dentro dos grupos de risco para a Covid-19 restrinjam o contato social, priorizando redução nas visitas e atividades em grupo e a adoção de medidas preventivas de higiene das mãos e superfícies. Novamente, é importante ressaltar o risco de transmissão do vírus por pessoas que tenham infecção assintomática, o que ocorre em parcela da população, quando mesmo não apresentando sintomas, algumas pessoas podem estar infectadas e transmitir o vírus para outras. Caso a visita seja necessária, todos devem fazer uso de máscara facial caseira, com tecidos recomendados pelo Ministério da Saúde, e ao realizar a visita, manter distância de cerca de dois metros entre pessoas, evitando cumprimentos usuais como beijos e abraços e realizando a lavagem frequente das mãos com água e sabão ou uso de álcool gel se não houver sujeira aparente nas mãos.
Se nos permitir, Miriam, sugerimos tentar usar a criatividade: faça uma sessão com o programa Skype pelo menos uma vez por dia para ver como está sua netinha, peça para vê-la com algum presente que você tenha dado. Mantenha o máximo contato virtual que puder com sua netinha, ajuda muito. Outro dia escutei um avô dizendo que seus netos, que moram na casa ao lado, vão ao jardim de sua casa e, de uma distância de uns 10 metros, conversam e contam como foi seu dia e falam da Covid-19 e por que é importante manter distância. Conversas longas, mas à distância. Lembrem-se: distanciamento social não é isolamento social, mesmo que algumas pessoas continuem confundindo os termos. A pandemia da Covid-19 está nos obrigando a redescobrir como interagir com as pessoas que amamos.
“Qual a forma adequada de diluir a água sanitária para limpar as embalagens das compras, maçanetas, pisos e outras superfícies de muito contato? Seria 25ml por litro? Já no caso das limpezas de frutas e verduras, posso colocar em uma bacia de 10 litros e 10 colheres de água sanitária? Deixo quanto tempo antes de tirar, secar e guardar?” (Eliane Américo, 38 anos, orientadora educacional, Valparaíso-GO)
Cientistas UFPR – Cara Eliane, muito importante a sua pergunta. Mesmo que estejamos em distanciamento social, o vírus pode vir da rua em sacolas e pacotes. A desinfecção dos ambientes é fundamental. A diluição recomendada de água sanitária para a limpeza de pisos pelo Ministério da Saúde é de uma medida de água sanitária comercial (que contém 2% a 2,5% do ingrediente ativo que é o hipoclorito de sódio) mais nove medidas de água. Para as demais superfícies que eventualmente sejam sensíveis à corrosão pela água sanitária diluída, recomenda-se a limpeza com água e sabão e, quando disponível, a desinfecção com álcool 70%. Para a desinfecção de frutas e verduras você está certa: a diluição recomendada é de uma colher de sopa (cada colher de sopa contém 15 ml) de água sanitária para cada um litro de água ou 10 colheres de sopa para 10 litros de água. As orientações do Ministério da Saúde para lavagem de frutas e verduras são:
1) Selecionar, retirando as folhas, partes e unidades deterioradas;
2) Lavar em água corrente os vegetais folhosos, folha a folha, e as frutas e legumes um a um.
3) Colocar de molho por 10 minutos em água clorada (uma colher das de sopa de hipoclorito de sódio a 2,5% ou água sanitária – 2,0 a 2,5% – para 1 litro de água).
4) Enxaguar em água corrente os vegetais folhosos, folha a folha, as frutas e legumes um a um.
5) Deixar secar naturalmente.
6) Se for utilizar água sanitária, esta deve conter apenas hipoclorito de sódio (NaClO) e água (H2O).
Não esqueça de usar luvas, pois o hipoclorito é agressivo para a pele, e proceda a desinfecção de superfícies e embalagens. Para o chão, você pode usar uma solução mais concentrada, de 0,5% de hipoclorito de sódio. A diluição nesse caso é bem menor e você pode usar um copo de requeijão (250 ml) ou americano (200 ml) de medida. Se a água sanitária for na concentração de 2% de hipoclorito de sódio, use uma medida de água sanitária para três de água, se for 2,5%, use uma medida para quatro de água da torneira. Importante comprar marcas de água sanitária que sejam regularizadas pela Anvisa.
“Minha dúvida é em relação às lentes de contato. Faço o procedimento corriqueiro: lavo bem as mãos antes de tirar as lentes e depois coloco em estojo com líquido multiuso, próprio para lentes. Existe alguma recomendação específica para a limpeza das lentes em relação ao coronavírus?” (Mara Cilese, 60 anos, servidora pública aposentada, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Até o momento não há evidência que aponte correlação entre maior risco de infecção por coronavírus em usuários de lentes de contato. No entanto, de acordo com Thomas Steinemann, da Academia Americana de Oftalmologia, em entrevista concedida à CNN Health, os usuários de lentes de contato tocam os olhos e face com mais frequência do que aqueles que fazem uso de óculos. Isso associado à necessidade de pelo menos duas vezes ao dia ter que tirar e colocar as lentes (tocando os olhos), se não forem realizadas medidas de higiene adequadas das mãos, pode se tornar um facilitador da entrada do vírus. Com relação à prevenção contra a Covid-19, não há uma recomendação específica sobre a limpeza das lentes em si, mas é importante que no uso das lentes os seguintes cuidados sejam tomados:
1) Sempre lave bem as mãos com água e sabão, seque-as totalmente antes de manipular a caixa e as lentes de contato, ou antes de colocar as lentes de contato (mesmo que novas) ou antes de retirar as lentes de contato dos olhos.
2) Após colocar ou retirar as lentes, lave também suas mãos com água e sabão e seque-as bem.
“No caso de pessoa pertencente à grupo de alto risco para infecção por coronavírus (cardíaco, alta histamina, diabético, enfisema pulmonar, mais de 60 anos de idade, baixa vitamina D, distúrbio de déficit de atenção), ir ao supermercado por absoluta necessidade não é excepcionalmente recomendado usar máscara ou lenço e luvas descartáveis por precaução?” (Cibele Christina de Carvalho, 45 anos, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – A ida de pessoas pertencentes ao grupo de risco ao supermercado deve ser evitada. Compras online ou feitas por parentes e amigos devem ser a primeira opção para que pessoas do grupo de risco permaneçam em isolamento domiciliar. O Ministério da Saúde passou a recomendar o uso de máscaras caseiras para toda a população em caso de necessidade de sair do isolamento para realizar tarefas rápidas fora de casa. O uso da máscara não deve diminuir o cuidado e lavar as mãos com água e sabão continua sendo a melhor maneira de se proteger contra o novo coronavírus. O uso de máscaras caseiras, feitas com tecidos recomendados pelo Ministério da Saúde, por todos universalmente pode ajudar a diminuir a disseminação de gotículas contaminadas no ambiente. Em relação ao uso de luvas descartáveis no supermercado, é preferível que se lave as mãos com água e sabão ou usando o álcool gel 70% se as mãos não estiverem com sujeira aparente – em geral, na seção de frutas e verduras, os mercados disponibilizam pia com torneira e sabão. É importante salientar que o mesmo cuidado para evitar tocar a face com as mãos precisaria ser tomado por quem está usando luvas. Caso exista absoluta necessidade, procure fazer em horários de menor movimento, para evitar as aglomerações, manter o distanciamento físico de outras pessoas (de cerca de dois metros) e fazer a higienização dos produtos, do corpo e das roupas assim que retornar à residência. Para idosos e gestantes, as lojas de redes associadas à Associação Paranaense de Supermercados estão abrindo às 7h, em horário diferente do de abertura para o público geral que continua sendo às 8h.
“Meu pai precisou ir para Campinas. Foi apenas visitar meus avós e por isso não saiu da casa deles enquanto esteve lá. Quais as medidas devem ser tomadas aqui na minha casa tanto para ele quanto para os demais que moram aqui?” (Gabriela Borges Velásquez, estudante, 21 anos, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Gabriela! Muitos casos da Covid-19 são assintomáticos. Por esse motivo, mesmo que ele não esteja apresentando sintomas, é recomendável que seja feito o isolamento por 14 dias. Para que todos fiquem protegidos, mesmo que não surjam os sintomas que têm sido descritos, como febre e tosse, ele deverá permanecer em um cômodo isolado, com o uso personalizado de objetos (talheres, roupa de cama e banho) e o mínimo de interação para garantir o máximo distanciamento físico possível. É importante frisar que deve-se ter cuidados extra com idosos ou pessoas grupos de risco (diabéticos, pessoas com doenças cardiovasculares e respiratória crônica, imunossuprimidos, entre outros). Caso haja desenvolvimento de qualquer sintoma gripal leve, iniciar o uso de máscara e isolamento dentro do domicílio, com cuidados específicos determinados pelo Ministério da Saúde, e observar a necessidade de procurar atendimento médico caso desenvolva falta de ar ou sintomas graves.
“Sei que parece loucura minha, mas sou temente a Deus e tive um sonho muito real de que a cura para o coronavírus se obteria através de um fungo que se desenvolve na palha do milho armazenado para alimentar animais – aquele tipo de milho guardado em paiol. Não possuo nenhuma evidência sobre o fato do sonho. Contudo, me fez lembrar da história de como a penicilina foi descoberta. Achei por bem compartilhar, visto que a UFPR teria os instrumentos adequados para pesquisa” (Andrei Muchinski, 36 anos, professor, Curitiba- PR)
Cientistas UFPR – Andrei, seu sonho de certa maneira é real. Os alcalóides do ergot (ou alcalóides do esporão do centeio) são produzidos pelo Claviceps purpurea (fungo que infecta cereais em condições úmidas de crescimento ou armazenamento) e deram origem a medicamentos que foram indicados para o tratamento de enxaqueca. Porém, a ingestão de alimentos contaminados com estes alcalóides provocou, em épocas passadas, intoxicações à população. Vários outros medicamentos usados hoje em dia, além da penicilina que você citou, tiveram sua origem em fungos ou bactérias. Um exemplo é a doxorrubicina, um composto derivado das antraciclinas, isoladas na década de 1960 a partir da bactéria Streptomyces peucetius. Talvez seu sonho contribua com a ideia de que um composto ativo contra a Covid-19 venha de um fungo ou outro produto natural. Vários medicamentos estão sendo avaliados e estudados em relação ao seu potencial para inibir a multiplicação do novo coronavírus em pessoas: cloroquina, hidroxicloroquina, remdesivir, lopinavir, ritonavir e interferon. Até o momento ainda não há dados que indiquem a real eficiência deles no tratamento da Covid-19. Uma outra nova terapia é o uso de plasma de pacientes recuperados da Covid-19, que contém anticorpos contra o vírus. Assim, pacientes que conseguiram combater o vírus podem ajudar quem não está conseguindo.
“Aquelas luvas de limpeza amarelas protegem contra o coronavírus ou somente as luvas cirúrgicas?” (Eliane Américo, 38 anos, orientadora educacional, Valparaíso-GO)
Cientistas UFPR – Olá, Eliane! Na verdade, o uso de luvas não faz parte das recomendações para evitar o novo coronavírus. A contaminação ocorre quando a gente toca uma superfície contaminada e em seguida o rosto. O vírus entra pelos olhos, nariz e boca. Assim, se você estiver de luvas ou sem luvas vai se contaminar da mesma forma quando tocar o rosto. O que precisa ser feito é lavar as mãos com frequência com sabão e água ou desinfetar com álcool 70% ou álcool em gel 70% e evitar tocar o rosto. Se você estiver usando luvas, pode ser mais difícil lavá-las. E mesmo com luvas a pessoas tendem a passar a mão no rosto.
“Quem teve embolia pulmonar faz parte do grupo de risco?” (Eduardo Pausini, 58 anos, produtor de conteúdo, Curitiba-PR)
“Quem teve H1N1 deve ter cuidados especiais? Está no grupo de risco?” (Margarida Mascarenhas)
“Tenho agenesia renal (CID 10Q60.0). Isso me torna incluso no grupo de risco?” (Sergio Gabriel da Silva Junior, 40 anos, motorista, Curitiba-PR)
“Meu esposo tem sopro desde o nascimento, ele é considerado grupo de risco? Quem teve tromboflebite mas já tratou e não usa mais anticoagulantes há muito tempo é do grupo de risco? E crianças que quando menores tinham asma mas estão há muito tempo sem nenhuma crise estão no grupo de risco?” (Eliane Américo, 38 anos, orientadora educacional, Valparaíso-GO)
Cientistas UFPR – Eduardo, Margarida, Sergio e Eliane, a dúvida de vocês é similar, e é relacionada aos grupos de risco para a Covid-19. Nesses grupos estão pessoas com 60 anos ou mais, com doenças pulmonares crônicas (asma, bronquite), doenças renais, doenças hepáticas, obesidade severa, imunidade comprometida ou com problemas cardíacos sérios. O mais importante é identificar a causa das doenças questionada por vocês. Por exemplo:
Eliane, o que causou a tromboflebite? É relacionada a um distúrbio de coagulação? Quanto ao sopro, é um sopro congênito, resultado de anormalidades nas válvulas cardíacas, ou outro problema estrutural do coração? Se sua resposta for sim para essas perguntas, seu esposo e o paciente com tromboflebite fazem parte do grupo de risco.
Sergio, você está realizando tratamento para a agenesia renal com diálise ou uso de algum medicamento específico que possa comprometer a sua imunidade? Se sim, você faz parte do grupo de risco. Caso você leve uma vida normal com a doença, você não faz parte do grupo de risco.
O mesmo é válido para quem teve condições como H1N1 e embolia pulmonar. Os pacientes só farão parte do grupo de risco se a causa que tenha levado a essas doenças esteja relacionada à imunidade comprometida, problemas circulatórios ou problemas pulmonares que persistem, como quadro asmático ativo.
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Ida ao mercado, caminhada e imunidade: cientistas da UFPR respondem novas perguntas da sociedade sobre coronavírus
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Ida ao mercado, caminhada e imunidade: cientistas da UFPR respondem novas perguntas da sociedade sobre coronavírus

Cuidados na ida ao mercado, possibilidades de caminhar nas ruas, aumento da imunidade durante isolamento social e confecção de máscaras foram algumas das dúvidas enviadas para a campanha “Pergunte aos Cientistas” nesta semana. As perguntas da sociedade sobre coronavírus foram respondidas pelas cientistas Cristina Jark Stern, Maria Fernanda Werner, Juliana Geremias Chichorro, Janaina Menezes Zanoveli, Maíra Valle e Alexandra Acco, do Departamento de Farmacologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Também participou o presidente da comissão criada na UFPR para o enfrentamento e prevenção da doença Covid-19, Emanuel Maltempi de Souza, professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular.
A população pode continuar enviando dúvidas para a campanha “Pergunte aos cientistas”, da Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Científica e Cultural da UFPR. Para participar, basta enviar a pergunta ao e-mail agenciacomunicacaoufpr@gmail.com ou no direct do perfil @agenciaescolaufpr no Instagram, com nome completo, idade, profissão e cidade onde reside.
Sobre cuidados para prevenção
“Se eu precisar sair do isolamento para comprar comida para os meus pais que moram em outra residência, quais cuidados devo tomar no mercado?” (Priscila Pugsley Grahl, 42 anos, estudante, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Priscila! O correto é evitar sair de casa sempre que possível. Você pode fazer compras online e pedir entrega na casa dos seus pais. Aqui em Curitiba há muitos mercados que fazem entrega online. Para compras na farmácia, dizemos o mesmo. Quando não for possível fazer compras online, alguns pontos precisam ser levados em consideração:
– Antes de sair de casa, pense bem: tem algum sintoma? Se tiver qualquer sintoma, não saia.
– Planeje bem a sua ida ao supermercado e vá sozinha. Gaste o menos tempo possível. Portanto, vá com sua lista de compras.
– Como vai sair de casa sem sintomas, não precisa de máscara. As máscaras são para quem tem sintomas.
Quando já está no supermercado:
1. Limpe o carrinho com álcool gel antes de tocá-lo. Muitos mercados já estão deixando o álcool gel na entrada para seus clientes.
2. Tente não usar dinheiro em espécie para pagar, uma vez que é um grande transmissor de microrganismos.
3. Não toque no seu rosto desde que saiu de casa até o momento do retorno, quando irá lavar as mãos com sabão e passar álcool gel.
4. Afaste-se das pessoas. Mantenha uma distância de pelo menos 1,5 metro da pessoa que está à sua frente.
5. Evite tocar nos alimentos diretamente. Se possível, leve suas próprias sacolas. Você pode usar a própria sacola para tocar nos alimentos.
6. Ao voltar para casa, lave bem as mãos, tome banho e troque de roupa. A roupa pode ser lavada normalmente.
7. Em casa (se for na residência de seus pais, deixe as compras na porta para seguirem as próximas indicações), limpe bem a sacola com álcool antes de tirar os alimentos. Na sequência, lave bem as mãos com água e sabão, evitando sempre o contato no rosto e mucosas. Os alimentos devem ser colocados numa superfície limpa e desinfetada, para depois lavá-los adequadamente antes de cozinhar. Se a compra for online, siga essas dicas também.
“Gostaria de saber se existe algum tecido que ofereça proteção equivalente à máscara, pois as pessoas poderiam confeccionar suas próprias máscaras já que estão em falta no mercado” (Cynthia Faria, 46 anos, estudante, Matinhos-PR)
Cientistas UFPR – Cynthia, em primeiro lugar, é importante salientar que não é recomendado o uso de máscara para se proteger. A máscara é recomendada para médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde (em geral junto à proteção facial transparente) e para quem tem quadro gripal, nesse caso para não transmitir doença para outras pessoas. Se você for usar a máscara facial, a recomendada é a chamada N95, que filtra partículas de até 0,3 micrometros e se adapta bem à face. Também é necessário conhecer a técnica correta para uso das máscaras. Por exemplo, o material precisa seguir perfeitamente os contornos do rosto para impedir que gotículas cheguem ao nariz e boca pelas frestas. As máscaras caseiras não teriam essas características, e os materiais utilizados na indústria não estão disponíveis. Portanto, não é possível fabricação caseira de máscaras adequadas. Além disso, é impossível testá-las.
“Minha dúvida é sobre andar a pé. Moro em uma casa e numa região de Curitiba que tem poucos prédios. As ruas são bastante vazias em geral. Posso sair, caminhar sem me aproximar de ninguém, nem cumprimentar ou pegar em qualquer coisa, e voltar pra casa?” (Emerson de Castro Firmo da Silva, 56 anos, professor, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Emerson! Você não está proibido de fazer isto, desde que vá sozinho, não tenha nenhum dos sintomas e que não haja aglomeração. O correto é sempre evitar sair de casa. Se a intenção é fazer exercício, uma boa alternativa é fazer em casa. Na internet você encontra vários vídeos de exercícios para serem feitos em casa. Agora, se sua necessidade de sair de casa uma vez ao dia é para sentir o sol e a brisa for muito grande, não se esqueça da limpeza das mãos com água e sabão quando entrar em casa, lembrando da maçaneta da porta também. Algo importante é deixar os sapatos de rua fora de casa, tomar banho e trocar de roupa. Toda medida de prevenção é importante nesse momento.
“Como faço para aumentar minha imunidade durante o isolamento social?” (Mirian Rahn, 35 anos, assistente de faturamento, Pomerode-SC)
Cientistas UFPR – Olá, Mirian! Para aumentar a imunidade você deve seguir as recomendações de uma vida saudável. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a realização de atividades físicas, que nesse momento de distanciamento social com isolamento domiciliar podem ser feitas dentro de casa mesmo. Ou caminhadas nas ruas desde que sozinha e sem aglomerações (mantenha distância de 1,5 metro pelo menos das pessoas e nenhum contato físico), se você não pertencer ao grupo de risco. É recomendada a realização de 30 minutos diários. Em casa você pode fazer exercícios de agachamento com o uso de cadeiras, levantando-se e sentando-se; escadas podem ser utilizadas para uma atividade mais aeróbica; você fazer polichinelos, pular cordas etc. – enfim, essas são algumas dicas de especialistas. A realização da atividade física também é importante no combate à ansiedade, que tem afetado muitas pessoas no isolamento. Uma alimentação baseada no maior consumo de frutas e vegetais e menor consumo de alimentos gordurosos e processados também é importante para uma vida saudável. Recomenda-se consumo de cinco porções de aproximadamente 80 gramas de frutas e vegetais frescos por dia. Mas lembre-se: não existe nada que melhore a imunidade especificamente contra a Covid-19. Por isso, nesse momento é tão importante ficarmos em casa para evitar o contato com o vírus.
“Ir visitar amigos que também não saem de casa é errado? Isso rompe a quarentena?” (Felipe Dalla Pria Leme, 19 anos, estudante, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – No momento nenhuma região do país está em quarentena. No entanto, está recomendado que todos façam um distanciamento social para minimizar a propagação do vírus. Recomenda-se que as saídas de casa sejam apenas para atividades essenciais (farmácia, mercado, hospital). As visitas a amigos e familiares neste momento não são recomendadas, porque existe um grupo de pessoas que não apresentam sintomas (assintomáticas), mas que podem estar contaminadas e transmitir a doença.
“Meu marido e filho, de 21 anos, são asmáticos. O que faço para protegê-los? Outra dúvida: a vacina pneumocócica 23 nestes casos ajuda?” (Lucilene Ozilio, 46 anos, artesã, Araucária-PR)
Cientistas UFPR – Lucilene, como a Covid-19 causa pneumonia severa, os asmáticos estão no grupo de risco. A melhor maneira de protegê-los continua sendo permanecer em isolamento: “Fique em casa“. Já a vacina pneumocócica é eficaz em proteger o indivíduo contra pneumonias causadas por bactérias. Portanto, não é eficaz em proteger as pessoas contra a infecção pelo coronavírus, mas pode impedir uma infecção secundária pela bactéria após uma infecção viral.
“Uma familiar está trabalhando e, quando for liberada, ficará em isolamento com os pais, que pertencem ao grupo de risco e já se encontram em isolamento. Quantos dias ela precisará ficar sozinha para não correr risco de contaminar os pais, caso ela esteja contaminada e não sabe?” (Sabrina Mara Tristão, 34 anos, autônoma, Pirassununga-SP)
Cientistas UFPR – Olá, Sabrina. Esperamos que esteja bem! Até agora acredita-se que o vírus possa ter um período de incubação de até 14 dias. A ciência ainda não tem todas as respostas sobre este vírus, pois ele é muito recente. Entretanto, sabemos que o tempo médio de manifestação é de cinco dias, mas pode variar de pessoa para pessoa. Assim, o ideal é que a pessoa evite o contato por duas semanas, não abrace, ou toque os pais, separe seus talheres, prato e copo e, se possível, durma sozinha e tenha um banheiro só pra si. Sabemos que tudo isso muitas vezes é impossível. Mas podemos reforçar a higiene, manter os ambientes ventilados e sempre lavar as mãos.
“Tenho 62 anos, tomo a vacina para H1N1 anualmente, sou hipertensa com controle por medicamentos. Estive na Bahia aguardando um voo de retorno a Curitiba, que espero que seja nesta segunda (23). Posso ou devo tomar a vacina H1N1 assim que chegar em Curitiba ou devo aguardar alguns dias?” (Clarissa Gomes, 62 anos, arquiteta, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – A recomendação médica é que todos do grupo de risco se vacinem para H1N1, o que inclui todas as pessoas acima de 60 anos (mesmo que tenham doenças como a hipertensão ou diabetes). Os médicos indicam a vacinação, pois ela ajudará a proteger os pacientes da gripe, e assim diminuirão os casos de pessoas com sintomas respiratórios. Estão sendo tomadas providências para que não haja aglomerações durante a vacinação – assim, não precisa se preocupar sobre isso. Além disso, é importante reforçar os cuidados de higiene e se manter em isolamento social para evitar a contaminação, pois o vírus possui uma alta taxa de infectividade. No seu caso recomenda-se cuidado redobrado com as regras de distanciamento social e pode lavar as mãos à vontade com água e sabão.
“Moro com a minha avó de 80 anos, que tem uma saúde muito boa. A campanha de vacinação contra gripe começou. E uma boa ideia ela ir tomar essa vacina? Pergunto isso porque se eu não me engano a vacina abaixa a imunidade. O isolamento não seria melhor do que se expor visto essa contaminação crescente?” (Drica Seki, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Oi, Drica! Muito importante a sua pergunta. A vacina da gripe não baixa a imunidade, e sim irá melhorar a imunidade da sua avó contra o influenza, o vírus da gripe. Essa vacina é produzida a partir do vírus morto e fracionado, então não existe o risco de pegar a gripe após a vacinação. Os anticorpos contra o vírus da gripe serão formados dentro de aproximadamente 15 dias. E por isso é tão importante a vacinação nesse momento. Os sintomas da gripe e da Covid-19 são bem semelhantes. Se a sua avó não pegar a gripe porque foi vacinada, ela não precisará recorrer ao sistema de saúde que já está tão sobrecarregado, e isso também irá reduzir a exposição da sua avó a um potencial infectado com a Covid-19. Pode ser que em aproximadamente 48 horas após a vacinação, ela sinta algumas reações como febre, mal-estar e dor no corpo. Essa reação é comum, e não significa que baixou a imunidade. Sobre a questão do distanciamento, tanto em Curitiba quanto em várias outras cidades do Brasil, a Secretaria de Saúde montou postos externos para evitar a aglomeração de pessoas e também está oferecendo postos de drive thru – o agente de saúde vai até o carro e vacina o idoso. O isolamento por causa da Covid-19 acontece justamente por não termos ainda uma vacina eficaz contra o vírus SARS-CoV-2. Mas certamente muitos pesquisadores no Brasil e no mundo estão trabalhando para isso!
O processo de contaminação
“Depois que a pessoa tem contato com o vírus, ela passa a propagar imediatamente? E no caso de quem é contaminado, manifesta a doença e vai melhorando, depois de quanto tempo a pessoa para de propagar o vírus?” (Cristiane da Silva Lopes, servidora técnica, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Cristiane, sabemos que a transmissão pode ocorrer a partir do momento que a pessoa infectada apresenta sintomas, mas ainda não há confirmação de quando exatamente pode começar a transmissão do vírus antes dos sintomas. Em relação à propagação após recuperação, a pessoa é considerada curada quando testar negativo em tratamento hospitalar. Importante lembrar que a principal maneira pela qual a doença Covid-19 se espalha é através de gotículas respiratórias expelidas por alguém que está tossindo ou espirrando ou por contato com secreções contaminadas. Existem portadores assintomáticos, que podem transmitir a Covid-19, e muitas pessoas têm apenas sintomas leves. Portanto, é possível pegar Covid-19 de alguém que tenha, por exemplo, apenas uma tosse leve e não se sinta mal. O tempo entre a exposição ao vírus e o início dos sintomas é em média de cinco dias, mas pode chegar a duas semanas. Pacientes com risco de estarem contaminados ou confirmados para Covid-19 com sintomas leves devem cumprir isolamento domiciliar de 14 dias para evitar a transmissão na comunidade.
“Já é possível saber se alguma condição climática é melhor para o alastramento e sobrevivência do vírus?” (Francielle Cristina de Pádua, 29 anos, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Francielle, este vírus não gosta muito de calor, é termolábil, ou seja, pode ser destruído em altas temperaturas. A persistência de vírus em temperaturas de 30 ou 40 graus é bem reduzida. Já em temperaturas mais baixas consegue sobreviver mais tempo, e em temperaturas extremas negativas (menos 20 graus) pode ficar estável por até dois anos. Há estudos mostrando que o coronavírus persiste com sua infectividade em superfícies como metal, vidro ou plásticos por até nove dias dependendo das condições de temperatura, umidade e luz, mas em ambiente seco cai para seis dias. Como é termolábil, será destruído em temperatura de cozimento de alimentos (70 graus). Por outro lado, isso não significa que a doença não vai se disseminar no Brasil, pois o vírus passa de um hospedeiro para outro. Os dados preliminares mostram que a taxa de disseminação no Brasil e a letalidade são muito semelhantes a de outros países.
“O vírus sobrevive em ambiente externo? Recebi uma imagem afirmando que pode ser até nove dias e achei que pode ser um tempo muito grande” (Ana Carolina Rodrigues, 23 anos, estudante, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Ana Carolina, você tem certa razão. Há estudos mostrando que o coronavírus SARS-CoV, que causa a síndrome respiratória grave que está ocorrendo na pandemia, persiste com sua infectividade em superfícies como metal, vidro ou plásticos por até nove dias, mas em ambiente seco isto cai para seis dias. Em materiais porosos, como papel, a sobrevivência é bem menor. Mas veja que interessante: o vírus pode ser eficientemente inativado em apenas um minuto pela desinfecção destas superfícies com álcool 62 a 71%, peróxido de hidrogênio (água oxigenada) 0,5% ou hipoclorito de sódio (Q-Boa diluída 20 vezes) a 0,1%. Por isso, a importância de manter as superfícies limpas e desinfetadas.
“Gostaria de saber mais sobre a reinfecção. Se eu estiver infectada hoje testando positivo para o Covid-19, fizer o tratamento e passar a testar negativo, posso ir ver meus pais sem medo de eventualmente desenvolver a doença novamente?” (Fabiana Santos, 36 anos, bioquímica, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Fabiana, ainda não há muitas informações sobre a reinfecção do coronavírus, pois a doença ainda é muito nova e vários aspectos da evolução da Covid-19 e comportamento do vírus estão sendo detectados à medida que os casos avançam pelo mundo, infelizmente. Há ainda dúvidas, mas já foram descritos poucos casos (China e Japão) de pacientes que tiveram a infecção, foram tratados e depois foram internados novamente testando positivo. Especialistas dizem que há várias maneiras pelas quais os pacientes que recebem alta podem adoecer novamente com o vírus. Por exemplo, os pacientes podem não acumular anticorpos suficientes para desenvolver imunidade ao vírus; o vírus pode ser bifásico, o que significa que permanece “adormecido” e depois volta a provocar os sintomas; ou ainda que houve falhas ou discrepâncias nos testes destes pacientes. Como isto ainda não está esclarecido, o melhor é continuar seguindo as recomendações de isolamento domiciliar de 14 dias e os cuidados de higienização.
O atendimento e a recuperação
“Estou com sintomas do que parece o começo de uma gripe leve. Pode ser uma gripe normal ou reação à temperatura que está oscilando um pouco. Mas quando devo realmente me preocupar e buscar atendimento?” (Natalia Zardo, 18 anos, estudante, Florianópolis-SC)
Cientistas UFPR – Os sintomas mais comuns da Covid-19 são febre, cansaço e tosse seca. Alguns pacientes podem ter dores no corpo, congestão e corrimento nasal, dor de garganta ou diarreia. Esses sintomas geralmente são leves e começam gradualmente. O ideal é acompanhar a evolução dos seus sintomas e ficar em casa. Se você tiver febre, tosse e dificuldade em respirar, procure atendimento médico. Enquanto você acompanha os sintomas, mantenha distância das pessoas, use lenço descartável quando tossir ou espirrar, deixe ambiente bem arejado, lave as mãos frequentemente. Se compartilhar casa com outras pessoas, atente para limpar superfícies com álcool 70%. Se puder, pode usar máscara para evitar contaminação de outras pessoas.
“Quando contraída a doença Covid-19, quais ações devem ser tomadas para uma boa recuperação em casa, considerando que a pessoa infectada apresenta sintomas leves?” (Richard Schack Müller, 19 anos, estudante, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – A pessoa diagnosticada com Covid-19 deve permanecer em casa, em isolamento domiciliar com o mínimo contato possível com outros moradores. O doente deve ficar em quarto isolado e ventilado, se possível usar banheiro privativo, não compartilhar utensílios e as roupas usadas de cama e banho devem ser acondicionadas em sacos plásticos e lavadas separadamente (a pessoa que lavá-las deve usar luvas para manuseá-las). Escolha um familiar para atender o enfermo – de preferência, alguém com boa saúde e sem doenças crônicas. Quando estiver perto do doente, o cuidador deve utilizar uma máscara descartável e trocá-la caso fique úmida ou com secreções. Importante higienizar as superfícies do quarto e do banheiro diariamente, de preferência use primeiro sabão ou detergente e depois um desinfetante comum com hipoclorito de sódio a 0,1% (uma xícara de café de água sanitária em um litro de água). Lavar as roupas com mais frequência, em separado, com sabão e água.
“O corona é um vírus potente ao ponto de causar a morte de uma pessoa saudável de meia idade com facilidade? Além disso, o que difere tanto a Covid-19 em questão de danos ao corpo de uma gripe forte?” (Leandro Brandão de Paula, 22 anos, contador, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Leandro, embora a doença causada pelo coronavírus seja mais branda em crianças e adultos jovens, infelizmente há relatos de pessoas muito jovens acometidas gravemente, inclusive com óbito, como ocorrido com uma moça de 21 anos na Inglaterra. As autoridades de saúde demonstram preocupação de que os jovens ignorem os avisos sobre a propagação do vírus, uma vez que acreditam que a doença apenas acomete idosos, o que está se provando não ser verdade. Os sintomas mais comuns da Covid-19 podem se parecer com uma gripe causada por outros vírus. O que diferencia a Covid-19 é sua alta capacidade de infectividade e transmissibilidade entre pessoas. Pessoas com febre, tosse e dificuldade em respirar devem procurar atendimento médico. No caso de Covid-19 grave quanto antes iniciar o tratamento, maior a chance de sobreviver.
Confira outras perguntas da sociedade sobre coronavírus respondidas por cientistas da UFPR
Segue link da notícia no portal UFPR: https://www.ufpr.br/portalufpr/noticias/ida-ao-mercado-caminhada-e-imunidade-cientistas-respondem-novas-perguntas-da-sociedade-sobre-coronavirus/