Povos indígenas se reúnem para gravar álbum “Canto da Terra”, que celebra diversidade, ancestralidade e sustentabilidade

Novo projeto do Coletivo Puxirum reúne referências dos povos Mura, Guarani, Kaingang e Xetá em oito faixas e terá três apresentações gratuitas em Curitiba.

Um encontro entre povos indígenas do Norte e do Sul do Brasil dá origem a Canto da Terra, novo álbum do Coletivo Puxirum, que reúne oito faixas e promove um diálogo entre diferentes tradições, línguas, territórios e referências musicais. As gravações acontecem neste mês de setembro, no Click Audioworks, em Curitiba, reunindo artistas ligados aos povos Mura, Guarani, Kaingang e Xetá.

O álbum reúne canções em português e Guarani, além de quatro faixas instrumentais, combinando elementos da musicalidade indígena com diferentes influências da produção musical curitibana. Mais do que um registro musical, Canto da Terra transforma a música em espaço de memória, identidade e ancestralidade, trazendo para o centro da narrativa a relação dos povos originários com seus territórios, a preservação de suas histórias e tradições e a força da voz coletiva.

A proposta também estabelece uma reflexão sobre sustentabilidade e cuidado com o meio ambiente a partir dos saberes dos povos originários. As canções evocam a relação com a terra, os rios, as florestas e os ciclos da natureza, reforçando que preservar o ambiente significa também preservar modos de vida, conhecimentos, línguas, histórias e culturas transmitidas entre gerações.

O álbum “Canto da Terra” tem lançamento previsto para o dia 2 de outubro, quando estará disponível em todas as principais plataformas de streaming e distribuição digital.

Entre territórios, memórias e ancestralidade

Entre as quatro canções com letra do álbum, “Canção dos Ancestrais-” ganha destaque ao reunir alguns dos principais elementos que atravessam o projeto: território, memória e ancestralidade. A faixa evoca os antigos, os rios, a mata e a terra, estabelecendo uma conexão entre diferentes gerações e reforçando a relação dos povos indígenas com seus territórios e suas histórias.

A faixa “Canto da Terra”, que dá nome ao álbum, apresenta a terra como espaço de memória e pertencimento e aborda a permanência de uma cultura que, apesar das tentativas de apagamento, continua viva. A presença do Guarani na composição reforça o diálogo entre língua, território e identidade.

Em “Povo que Canta”, a música aparece como instrumento de afirmação e continuidade cultural. A canção fala sobre um povo que se recusa a ser silenciado e encontra no canto uma forma de preservar sua história e sua existência.

Já “Aniba” aborda a transmissão de saberes entre gerações, aproximando as histórias guardadas pelos mais velhos da voz das crianças e da continuidade da cultura indígena.

Completam o álbum as faixas instrumentais “Tekoha”, “Memória das Águas”, “Oração Ancestral” e “Terra que Chama”, que ampliam a narrativa por meio dos sons e permitem outras formas de conexão com os temas do projeto.

Apresentações gratuitas do projeto em Curitiba

O projeto realizará três apresentações gratuitas em Curitiba, levando o repertório do álbum Canto da Terra ao público.

A primeira apresentação acontece no dia 15 de outubro, às 20h, no Teatro Paiol. No dia 19 de outubro, às 20h, o projeto chega ao Labcom – Laboratório de Comunicação e Artes da PUCPR. O encerramento será no dia 10 de novembro, às 15h, no Teatro da Vila – CIC.

As apresentações contarão com recursos de acessibilidade em Libras e audiodescrição, ampliando o acesso do público à experiência artística. O projeto também abrirá espaço para que artesãos indígenas exponham e comercializem seus trabalhos, fortalecendo a circulação de saberes e expressões culturais dos povos originários. As informações para retirada dos ingressos serão divulgadas próximas às datas dos eventos, por meio da plataforma Sympla.

Assim, “Canto da Terra” se constrói como uma experiência de encontro entre diferentes povos, gerações e territórios. Por meio da música, o projeto propõe uma reflexão sobre ancestralidade, memória, sustentabilidade e nossa relação com a terra, reafirmando que a história e a identidade de um povo permanecem vivas em seus saberes, em seus cantos e em sua relação com o território.

O projeto “Canto da Terra” conta com incentivo da Serra Verde Express.

Sobre o Coletivo Puxirum

O Coletivo Puxirum é formado por Darlison Meireles, Lucas Meireles, Adalter Ferreira, Gabi Castro, Kaila Meireles e Victória Niza. Idealizado pelos irmãos amazonenses Darlison e Lucas Meireles, descendentes do povo Mura, o grupo desenvolve trabalhos artísticos que aproximam música, ancestralidade, memória e cultura indígena.

A produção de Canto da Terra amplia essa trajetória ao aproximar diferentes povos e territórios e estabelecer um diálogo com a cena artística de Curitiba. Em parceria com o diretor Paulo Bueno, da Click Cultural, o coletivo desenvolve ações voltadas à valorização dos saberes, narrativas e expressões culturais dos povos originários.

SERVIÇO:

Projeto: Canto da Terra
Realização: Coletivo Puxirum
Incentivo: Serra Verde Express

Apresentações gratuitas:
15 de outubro, às 20h — Teatro Paiol
19 de outubro, às 20h — Labcom – Laboratório de Comunicação e Artes da PUCPR
10 de novembro, às 15h — Teatro da Vila – CIC

Shows com entrada: Gratuita
Acessibilidade: Libras e audiodescrição
Ingressos: Informações sobre retirada serão divulgadas pela plataforma Sympla.

Aula solidária apoia tribo indígena do litoral do Paraná

Longe das telas, a cultura indígena brasileira é tema de aula para toda família em Curitiba

Nem só nos computadores acontecem as aulas durante a pandemia. Em Curitiba (PR), os alunos da Educação Infantil 2 e 3, que inclui crianças entre 2 e 4 anos de idade, participaram de uma atividade diferente. Elas visitaram o colégio com a família e de dentro do carro, aprenderam sobre a cultura indígena no Brasil. O drive-thru cultural contou com 10 estações montadas pela escola, onde foram representadas as tradições de diversos povos originários. O encontro também serviu para arrecadar alimentos para a etnia Guarani Mbya que vive na Ilha da Cotinga – Taquaty, próximo à Paranaguá.

A ideia, de acordo com a coordenadora da Educação Infantil, Sibele Guimarães, é incluir toda família no percurso de carro, dentro das dependências do colégio. “Em cada parada sinalizada, existe um fragmento da cultura, como: artesanato, alimentação, moradia, brincadeira e demais formas de expressões artísticas e de linguagem indígena”, explica.

As crianças e as famílias permanecem dentro dos carros e, mesmo a distância, são diversos os encontros proporcionados com a diversidade cultural do Brasil. Grande parte dos artefatos indígenas que expostos são dos Povos Indígenas Brasileiros, materiais que compõem o acervo da Loja de Arte indígena Xondaro.

Educação e solidariedade

O tema da aula especial também serve para praticar a solidariedade. A doação de alimentos não perecíveis como farinha de trigo, fubá, leite, quirerinha, canjica, óleo, arroz, feijão, café, entre outros, foram repassados para a etnia Guarani Mbya. Também chamados de mbiás e M’byá, eles são um subgrupo do povo Guarani que habita a região meridional da América do Sul, e no Brasil, existem cerca de 2400 índios.

Sobre a Rede Marista de Colégios: A Rede Marista de Colégios (RMC) está presente no Distrito Federal, Goiás, Paraná, Santa Catarina e São Paulo com 18 unidades. Nelas, os mais de 25 mil alunos recebem formação integral, composta pela tradição dos valores Maristas e pela excelência acadêmica. Por meio de propostas pedagógicas diferenciadas, crianças e jovens desenvolvem conhecimento, pensamento crítico, autonomia e se tornam mais preparados para viver em uma sociedade em constante transformação. Saiba mais em www.colegiosmaristas.com.br.

Museu Paranaense disponibiliza jogo da memória com palavras indígenas

É possível baixar o arquivo e imprimir em casa. A brincadeira já começa na hora de preparar o jogo
O Museu Paranaense (MUPA) disponibilizou um jogo da memória para download com palavras indígenas para que toda a família possa aprender brincando neste período em que o museu está fechado para visitação. Palavras como abacaxi, capivara, jiboia e arara têm origem indígena e estão presentes no jogo. Quem quiser baixar o arquivo e imprimir em casa pode encontrá-lo no site www.museuparanense.pr.gov.br ou nas redes sociais do museu no @museuparanaense no Facebook e Instagram.
O jogo da memória com palavras indígenas foi utilizado pelo Departamento Educativo no início do ano, nas atividades da programação de férias do MUPA, que focou nos povos originários do Paraná, com visitas mediadas às exposições relacionadas aos povos indígenas, contação de histórias e brincadeiras de origem ameríndia. O jogo fazia parte dessas atividades e agora está disponível para todos que queiram aprender um pouco mais do vocabulário indígena presente em nosso dia a dia.
PASSO A PASSO – O arquivo está dividido em quatro folhas para impressão no formato pdf, que devem ser impressas duas vezes cada para formar os pares. Acompanha também um arquivo de instruções de como preparar o jogo, uma forma de já iniciar a brincadeira no momento da confecção. Se a impressora não for colorida, dá para imprimir em escala de cinza e fazer do colorir parte da brincadeira. E para quem não tem impressora em casa, não precisa ficar de fora: pode acessar os arquivos para conhecer as palavras e se arriscar em desenhar os animais, frutas e plantas em pedaços de papel. Tudo pode ser divertido, interativo e muito educativo.
O MUPA está preparando novos materiais para disponibilizar de forma online para o público durante este período de distanciamento social, em que muitas pessoas estão em casa. O conteúdo será disponibilizado em breve no site e redes sociais.
DECRETO ESTADUAL – O Museu Paranaense está temporariamente fechado para o público atendendo ao decreto estadual nº 4.230, que determina o fechamento dos espaços culturais do Governo do Paraná – museus, bibliotecas, teatros – e suspende os eventos artísticos e culturais a partir do dia 17 de março de 2020. A medida visa conter a propagação do novo coronavírus e está entre as ações tomadas pelo Governo do Paraná para o enfrentamento ao COVID-19.
SERVIÇO
Jogo da memória com palavras de origem indígena
Arquivo para download e passo a passo da montagem: www.museuparanaense.pr.gov.br

Fotos: Ingrid Schmaedecke/MUPA