Refúgio das Curucacas, Buraco do Padre e Parque Estadual de Vila Velha realizam ‘Macelada Entre Parques’ com colheita da macela ao amanhecer

Roteiro especial na Sexta-Feira Santa conecta três atrativos naturais dos Campos Gerais e reúne tradição cultural, café rural e visitação em paisagens emblemáticas da região

Antes do nascer do sol, quando os campos ainda estão cobertos pelo orvalho da madrugada, uma tradição antiga volta a ser celebrada nos Campos Gerais do Paraná. A colheita da macela ao amanhecer, costume trazido pelos portugueses e preservado em diversas comunidades do sul do Brasil, é o ponto de partida da ‘Macelada Entre Parques’, experiência que conecta natureza, cultura e turismo em um único roteiro. A atividade acontece na Sexta-Feira Santa, 3 de abril, com início às 5h, na região da Furna Grande, no Parque Nacional dos Campos Gerais, em Ponta Grossa (PR). A experiência é organizada pelo Refúgio das Curucacas, realizada agora em sua quinta edição, e nesta edição passa a ser oferecida em formato de combo, reunindo em um único ingresso a vivência completa com visitação a diferentes atrativos ao longo do dia.

Em 2026, a experiência ganha uma dimensão ainda maior ao conectar três importantes atrativos naturais dos Campos Gerais em um único dia e resgatar uma tradição trazida pelos portugueses e preservada em comunidades do sul do Brasil: a colheita da macela antes do nascer do sol, especialmente durante a Semana Santa. A programação começa ainda de madrugada, na região da Furna Grande, no Parque Nacional dos Campos Gerais, com a caminhada da macela, etapa inicial do roteiro integrado previsto no combo.

Após a caminhada, os participantes são recebidos com um café rural preparado pela Partilha – Comida com Afeto. A proposta é valorizar preparações artesanais inspiradas na cultura alimentar da região, com pães, bolos, doces e receitas feitas com ingredientes naturais, transformando o café da manhã em uma experiência gastronômica afetiva ligada ao ritmo e às tradições do campo.

Na sequência, o roteiro segue para o Buraco do Padre, com chegada prevista por volta das 9h30. No local, a visitação ocorre de forma autoguiada por trilhas que conduzem até uma das paisagens mais emblemáticas da região. O atrativo abriga uma grande furna de arenito formada pela ação da água ao longo de milhões de anos e, em seu interior, uma cachoeira desce pelo paredão rochoso até o fundo da cavidade, criando um cenário marcado pelo encontro entre rocha, água e luz natural.

A partir das 13h, a programação continua no Parque Estadual de Vila Velha, outro dos principais patrimônios naturais do Paraná. A visitação também ocorre de forma autoguiada e percorre trilhas entre os famosos arenitos dos Campos Gerais. Entre essas formações destaca-se a Taça de Vila Velha, escultura natural moldada ao longo de milhões de anos e considerada um dos principais cartões-postais do estado.

Durante a visita ao parque, o público também poderá apreciar o MON sem Paredes – Vila Velha, iniciativa realizada pelo Governo do Paraná, por meio do Instituto Água e Terra, vinculado à Secretaria do Desenvolvimento Sustentável, em parceria com a Soul Parques e o Museu Oscar Niemeyer. Com curadoria de Marc Pottier e conceito de Fernando Canalli, o projeto leva obras de artistas contemporâneos para o ambiente natural do parque, propondo uma experiência artística em diálogo direto com a paisagem.

Serviço:
Macelada Entre Parques – Experiência da Macela
Data: 3 de abril de 2026 (Sexta-Feira Santa)
Horário de início: 5h
Local de início: Furna Grande – Parque Nacional dos Campos Gerais
Ponta Grossa (PR)

Programação
Caminhada da macela com colheita simbólica ao amanhecer
Café rural preparado pela Partilha – Comida com Afeto
Visitação autoguiada ao Buraco do Padre (chegada prevista às 9h30)
Visitação autoguiada ao Parque Estadual de Vila Velha (a partir das 13h)

O combo inclui
Experiência da Macela no Refúgio das Curucacas
Café rural da Partilha – Comida com Afeto
Ingresso para visitação autoguiada ao Buraco do Padre
Ingresso para visitação autoguiada ao Parque Estadual de Vila Velha

Inscrições
Formulário disponível no link da bio do perfil @refugiodascurucacas e no site do Buraco do Padre, na área dos ingressos.

Observação
O deslocamento entre os parques, assim como alimentos e bebidas consumidos no Buraco do Padre e no Parque Estadual de Vila Velha, são de responsabilidade dos visitantes.

Foto: Laertes Soares

Foto: Albori Ribeiro

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

É tempo de Vindima na Serra gaúcha: conheça curiosidades sobre o período

Época da colheita da uva ocorre entre os meses de janeiro e março na região

Visitar a Serra gaúcha no verão é diferente. A região, conhecida por sua vocação vitivinícola, entra num período especial nessa época do ano com a chegada da vindima. A colheita da uva, realizada entre os meses de janeiro e março, é o ápice do trabalho para inúmeros vitivinicultores de lugares como o Vale dos Vinhedos, principal destino enoturístico do país.

A atividade representa um duplo significado para a região. Enquanto simboliza o sustento para produtores rurais e para as vinícolas, que recebem as uvas para elaborarem uma nova safra de vinhos e espumantes, representa uma oportunidade única para os visitantes.

A vindima apresenta experiências que só podem ser realizadas durante esse período. Entre elas estão atividades como a própria vindima, ou seja, colher os cachos de uva diretamente dos parreirais – atividade oferecida por diversas vinícolas (veja mais abaixo). Outra é a pisa da uva, um modo de relembrar como os primeiros imigrantes italianos que colonizaram a região davam início ao processo de vinificação. É só nessa época do ano, também, que o visitante encontrará um perfume característico da região. Abarrotadas de uvas, as parreiras exalam um aroma que serve de boas-vindas para quem visita a Serra na vindima.

A atividade guarda uma íntima relação com a imigração ocorrida na região a partir de fins do século 19. Foram os italianos que introduziram a vitivinicultura nas paisagens serranas, transformando a cultura da uva e do vinho não só numa vocação da região como também numa importante atividade econômica. “Para nós, vindima é renovação. É uma atividade que nos desafia, que muda conforme a cada ano, mas que nos presenteia, após muito trabalho, com uma nova chance de criar, de combinar as condições naturais com a intervenção humana para renovar nossa produção. É uma atividade que proporciona o sustento de milhares de famílias que dependem da sua própria dedicação às videiras, fazendo disso, há mais de 100 anos, uma base histórica de nossa economia”, diz o presidente da Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale), Ronaldo Zorzi.

O que é a vindima?
Vindima quer dizer colheita da uva. Etimologicamente, a palavra tem origem da expressão “vindemia”, do latim, e significa colher o fruto da vinha – vinea=vinha + demere=arrancar, obter.

Quando ela ocorre?
A Vindima sempre ocorre durante o verão na Serra Gaúcha. Os principais meses da colheita ocorrem de janeiro a março, mas algumas variedades, de colheita precoce, podem começar a serem colhidas ainda em dezembro.

Posso acompanhar a vindima?
Sim, vários estabelecimentos programam dias específicos para isso, a fim de não conflitar com o trabalho diário que ocorre no período da colheita. Outros mantêm pequenos parreiras exclusivamente para que os turistas experimentem colher a uva direto das videiras. Muitas vinícolas promovem uma série de eventos, como colheita noturna, almoços e jantares especiais, passeios de trator, lanches típicos, como o “merendim”, pisa de uvas, entre outros, mediante agendamento prévio.

O que é o merendim?
O merendim é um lanche típico, feito com produtos coloniais, como pão, queijo, copa, salame, biscoitos, geleias, entre outros itens. A experiência é mais uma que aproxima os turistas de antigos hábitos dos imigrantes.

O que é a pisa de uvas?
A pisa de uvas é milenar assim como o vinho. Essa técnica remete às primeiras formas de extrair o sumo das uvas para a vinificação. Uma das formas de pisa que consolidou foi a realizada em lagares, grandes tanques em que as uvas eram dispostas para, em seguida, serem amassadas, a fim de extrair o sumo para vinificação. Esse é um trabalho longo e demorado, praticamente erradicado da moderna indústria vinícola, mas mantido em algumas regiões produtoras, como a do Douro, em Portugal. Hoje, a atividade é mais utilizada para eventos turísticos, relembrando a pisa trazida pelos imigrantes italianos, que faziam a maceração do fruto dessa forma em fins do século 19, quando começaram a chegar na região. Elas são realizadas, geralmente, em recipientes de madeira conhecidos na região como “mastela”.

Como posso ficar por dentro da programação da vindima?
Algumas programações oferecidas pelos associados da Aprovale estão reunidas neste link Outras atividades podem ser consultadas diretamente nas páginas das vinícolas.

O que acontece após a vindima?
De forma resumida, assim que as uvas da Vindima chegam às vinícolas, elas passam por um processo mecanizado de desengaço, a fim de separar a uva do engaço (as hastes do cacho). Após, as uvas são esmagadas para a extração do mosto (suco), que entrará num processo de fermentação natural a partir da ação das leveduras presentes em seus componentes. São elas que transformarão o açúcar do fruto em álcool e gás carbônico. Assim que não for percebido mais açúcar no líquido, a fermentação é considerada encerrada – no caso dos vinhos brancos, a fermentação ocorre sem as casas, diferentemente dos tintos, já que elas são responsáveis por dar a cor ao vinho. O líquido, então, é levado para o estágio de maturação, onde permanecerá em tanques de inox ou barricas de madeira, comumente, até alcançar o perfil desejado pelo enólogo. No caso dos espumantes, o mosto passa por um novo processo de fermentação a partir da adição de novas leveduras e açúcar, dependendo do perfil do espumante, sendo aprisionado em tanques ou na própria garrafa para não perder o gás carbônico. Esse gás vai se integrar ao vinho, originando a perlage, as famosas bolinhas da bebida. O processo de vinificação também pode ser conhecido nas vinícolas. Agende sua visita e fique sabendo mais sobre os segredos dos vinhos

Quais são os ciclos da videira?
As videiras passam por cinco grandes movimentos em diferentes estações do ano. Agora, após a vindima, as videiras entrarão em dormência a partir do outono. Elas vão começar, inicialmente, a perder as folhas. Passarão o inverno totalmente nuas e inativas vegetalmente. Assim que os primeiros dias da primavera chegarem, as videiras sabem que é hora de saírem de seu estado letárgico. Tem início, então, a fase da brotação, quando a planta passa a receber nutrientes do solo mais aquecido e dá início, aos poucos, ao surgimento dos primeiros brotos. Nesta fase também ocorrem o crescimento das folhas. Na sequência, ocorre a floração, aparecendo os minúsculos cachos que, no verão, entrarão na fase de amadurecimento, até estarem aptos a serem colhidos.